Encontrarmo-nos
com as coisas da Natureza é como estar em comunhão constante com o Espírito
Santo. Como o archote de um puro conhecimento, estar afeito um ser diante do
supremo fulgor da majestade divina é simplesmente crer que – além deste mundo
de matéria e espírito – existe um outro mais espiritual, e outro, e outro, qual
não seja, que Deus fez o cosmo na manifestação mais reveladora para que não
distássemos do sagrado ainda que, enquanto viventes em um mundo repleto de
misérias materiais, saibamos que será no vínculo a esse escopo que viveremos em
uma harmonia peremptória com o próximo, independente das circunstâncias
existenciais de cada ser. Quando Maria Aparecida aparece no rio, está ladeada
com elementos naturais, com árvores, a água, sua imagem é carregada por anjos,
e é revelada ao mundo em sua aparição santíssima, assim como a de Fátima, assim
como a de Lourdes... Outrossim, oramos em devoção aos santíssimos sacramentos
da Igreja, consortes de Cristo, nosso Senhor, e pedimos a Ele a bem aventurança
no mundo que nos encerra na redoma do porvir. A atualidade nos revelará surpresas
no ramo tecnológico, há de surgirem muitos artefatos, alguns utilizados nas
guerras, outros produtivos tão somente, muitas ferramentas mudarão a face da
transformação da matéria, e espiritualmente várias questões e inquietações de
Natureza afetiva e amorosa ainda nos sobejarão com os alvores dos desafios que
temos pela frente. Sabendo-nos mais próximos e distantes do Oriente, certas empresas
de ponta nos presenteiam com novidades, e antes o que eram os brinquedos do
passado se tornam displays e objetos do futuro. A terceira onda de Toffler já é
coisa do passado, mas as “cabanas digitais” ainda são coisas do presente, tal a
recorrência dos home officers...
Diante
dos desafios tecnológicos, muitas coisas mudam seus conceitos materiais, e o
cerne espiritual se torna mais premente nos dias de hoje, ainda que outros
alicerces já modificados permitam que – de fato – estreitemos as relações entre
nós, seres humanos, não apenas entre nossa Natureza, mas estabeleçamos novas
dimensões afetivo-existenciais com outros seres do planeta. Quando temos, em
um exemplo cabal, uma relação afetiva profunda com um cãozinho, por exemplo...
Por que não pensarmos que isso não seja por obra e graça divina, já que se
pensarmos que o cão é apenas carne, a máquina seria um substituto veraz, mas na
verdade o fato de vermos em um ser vivo a vida por si, dispõe entre nós e a Natureza
o sentido da vida em que sua simples manifestação seja plenamente espiritual?
Por que afirmarmos que só os seres humanos possuem a alma, se na realidade Deus
houvera criado a Gênese para que todos tivessem o direito de habitar os
planetas do Universo manifesto, ou não? Quiçá o problema seja justamente
estarmos destruindo o planeta na forma em que concebemos que dele podemos
extrair o nosso conforto material, erigindo famílias ricas e ignorando a
miséria e a pobreza, na forma de fazer com que os nossos representantes só
atendam aos interesses do poder e dos ricos. Basta vermos que a comunicação
nossa com as coisas sagradas pode estar simplesmente dentro da esfera de nossos
diálogos comunitários, e que nosso trabalho seja mais evidente e revelador
quando da esfera voluntária. Dando de graça o que recebemos de graça, não é uma
máxima escritural? O dinheiro tornou-se a máxima questão mundial, e muitos
perecem por não terem um simples acesso a ele.
Espiritualmente,
haveremos de estabelecer um contato com um sistema que seja rigorosamente mais
justo socialmente, mas que se veja criteriosamente que na realidade, um tipo de
comunismo espiritual seja consonante com todos os seres, a começar por estarmos
diante de um desafio da fome mundial, onde a carne é fabricada com rações de
engorda, e os governos prometem-na como um padrão de felicidade e apoio
popular, quando na verdade não precisamos sequer da carne para ingerirmos a
proteína necessária, tal o volume de grãos que já a possuem, como a soja, a
ervilha e etc. O que fazemos com os animais é de uma brutalidade tamanha que
esse passa a ser o grande paradoxo humanitário do milênio, já que para saciarmos
a luxúria de nossa língua e do bolso nos esquecemos que esse pecado capital não
está restrito apenas no sexo e seus abusos. Se a questão espiritual passa pelo
humanismo, sejamos mais humanos com os outros seres do mundo, e se a questão é
ir para o paraíso, saibamos que na realidade, como está na Bíblia, quem é rico
e cria um paraíso na Terra, como propriedade particular, vedada a entrada a
outros seres humanos, poluindo o planeta com suas modalidades luxuriosas de consumo,
é porque descrê e não teme a Deus, posto será mais difícil que entre para o reino
dos céus do que um camelo passar pelo buraco da agulha, como o nosso Salvador
afirmou.