quarta-feira, 2 de setembro de 2026

A LUCIDEZ DA CULPA


                Quem dera a meninice, aurora dos tempos de um homem, que voltasse aos tempos em que uma ferramenta da educação nos desse os princípios mais evidentes do que seria um movimento em direção a Ti, meu Senhor? Incorrido nos princípios do pecado, que o original não se nos bastasse, e o homem tece a trama que o encaminha para atos e palavras em que o vício já se preparava para o atingir, desde que a adolescência o iniciasse nas premissas de Baco... E disso salta, e busca, e tenta estudar, e estuda de fato e estudamos nós, os seres humanos, que a faculdade nos ensina e prepara, e sermos os letrados mais nos dita que preparamos o caminho da compreensão, para mais tarde nos laborarmos em crer em Ti, com todas as nossas forças, e aquele homem que já é mais do que um adulto se afunda, e cai, e desvanece em meio a trôpegas tentativas em torno do absurdo. Qual se não fora o movimento das pás de um moinho, como um Quixote tenta combater infortúnios, movido por reflexos emocionais, e se trata já na medicina, e tenta contestá-la usando de substâncias, e fuma, e fuma... A fumaça do tabaco, até então não merecedora de preocupação assolaria pouco a pouco a sua saúde, e o vício do álcool o remedia já na idade onde se recompõe, veterano perante o pecado cometido em sua culpa tremenda dos estragos cometidos contra si e ao mundo que o cerca. Antes, acometido de uma ilusória fome de justiça, torna-se um cavaleiro de per si, um quase armador de arame, o nada não convertido, e a lança dos infortúnios o solapa mais e mais, esmiuçando seu mal, pondo em xeque a lucidez sem culpa, e hoje o refaz, e traz essa lucidez com o arrependimento dos erros do passado, em que pecara remontando o algoz que fora consigo, e trazendo apenas o andamento da remissão em que Cristo Jesus torna possível na sua redentora paz.

                O Pai nos diria da Bondade, e o Filho, da Verdade, ambas com capitulares amplas, mas não vertidas sobre o solo da compreensão de todos os seres imortais. E o verso de Ulisses se torna palavra, ensinamento, e o cerne literário se torna expressão possível, ao menos para que se exemplifique, à luz do Espírito Santo, a dimensão continental da grandeza desses nomes. Apenas para que estabeleçamos uma ponte sólida entre o que cremos no ocaso de nossa madurez, com a capacitação mesma de um caráter onde discernimos não o que é bom do mau, mas ao que o que não “é” não faz parte, porque não existe. É o negar a ser, o devir que não há, o mau, não seja ordem nem fator, pois é ausência e nenhum exemplo, destrói as coisas do Criador, e desmonta o amor cristão. Nisso, o pensamento de um instinto de Thânatos, freudiano, o instinto destruidor, faz-nos crer piamente que fosse apenas uma projeção, como a sombra junguiana, o fator de um lado humano que, ao olhar da humanidade inteira, se torna algo concreto, posto algumas pedras o são não pelo tamanho, mas pela dureza de sua Natureza, mas não possuem a vida, sequer uma alma que lhes dê sustentação.

                A rigor, a lucidez que empunhamos todos os dias nos nossos afazeres, a se cumprir tarefas, onde o nosso corpo seja uma demanda assaz pertinente, onde os objetos se façam perceber quase em toda a totalidade, e onde nosso pesquisar a respeito do mundo científico, ou não, seja a luz que emana do dom natural da vida, resulta por vezes no modo em que a sustentamos diante de nós mesmos e diante do próximo, e muitas vezes será em uma casa, em um lar, que apareceremos consolidando um trabalho, antes de pensar em quaisquer outros, justamente por vezes quando a estação primaveril já nos facilita, com os albores de seu sol mais celestial, a vertente imanente desse labor. Será nessa mesma questão que não precisaremos mais ser críticos ao excesso, que nossos temores são aplacados, nossas angústias cedem o terreno, onde os pensamentos iracundos sói refrescarem-se com a ternura de nossas atitudes e palavras. Ao sistema celestial do nosso olhar em vermos o céu azul, o mar mais tranquilo, e as tempestades do mundo menos assoberbadas, todas as hastes de uma gramínea pensarão melhor ao moverem-se ao sabor dos ventos, e Deus estará consciente desses mínimos detalhes: eternamente...

                Ao menos movimento de uma prática marcial de Tai Chi, a um respirar sereno, estaremos nos desfazendo de certos desconfortos, e a lucidez da culpa cede para um inúmero e sensato meio de estarmos mais cientes de que essa mesma culpa que carregamos pode estar gerando uma rede de informações que cheguem ao outro lado do mundo, mas com a consciência mais aflorada com relação a questões de reparações que já fizemos com muitos viventes em geral, demonstrando que mais lúcidos estaríamos quando assumíssemos a culpa diante de Deus e de muitos seres, quais não fossem, até mesmo aqueles inanimados, como uma pedra, um copo vazio ou uma louça a ser lavada.

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