segunda-feira, 31 de agosto de 2026

REVELAÇÕES DO PAI


              Encontrarmo-nos com as coisas da Natureza é como estar em comunhão constante com o Espírito Santo. Como o archote de um puro conhecimento, estar afeito um ser diante do supremo fulgor da majestade divina é simplesmente crer que – além deste mundo de matéria e espírito – existe um outro mais espiritual, e outro, e outro, qual não seja, que Deus fez o cosmo na manifestação mais reveladora para que não distássemos do sagrado ainda que, enquanto viventes em um mundo repleto de misérias materiais, saibamos que será no vínculo a esse escopo que viveremos em uma harmonia peremptória com o próximo, independente das circunstâncias existenciais de cada ser. Quando Maria Aparecida aparece no rio, está ladeada com elementos naturais, com árvores, a água, sua imagem é carregada por anjos, e é revelada ao mundo em sua aparição santíssima, assim como a de Fátima, assim como a de Lourdes... Outrossim, oramos em devoção aos santíssimos sacramentos da Igreja, consortes de Cristo, nosso Senhor, e pedimos a Ele a bem aventurança no mundo que nos encerra na redoma do porvir. A atualidade nos revelará surpresas no ramo tecnológico, há de surgirem muitos artefatos, alguns utilizados nas guerras, outros produtivos tão somente, muitas ferramentas mudarão a face da transformação da matéria, e espiritualmente várias questões e inquietações de Natureza afetiva e amorosa ainda nos sobejarão com os alvores dos desafios que temos pela frente. Sabendo-nos mais próximos e distantes do Oriente, certas empresas de ponta nos presenteiam com novidades, e antes o que eram os brinquedos do passado se tornam displays e objetos do futuro. A terceira onda de Toffler já é coisa do passado, mas as “cabanas digitais” ainda são coisas do presente, tal a recorrência dos home officers...

              Diante dos desafios tecnológicos, muitas coisas mudam seus conceitos materiais, e o cerne espiritual se torna mais premente nos dias de hoje, ainda que outros alicerces já modificados permitam que – de fato – estreitemos as relações entre nós, seres humanos, não apenas entre nossa Natureza, mas estabeleçamos novas dimensões afetivo-existenciais com outros seres do planeta. Quando temos, em um exemplo cabal, uma relação afetiva profunda com um cãozinho, por exemplo... Por que não pensarmos que isso não seja por obra e graça divina, já que se pensarmos que o cão é apenas carne, a máquina seria um substituto veraz, mas na verdade o fato de vermos em um ser vivo a vida por si, dispõe entre nós e a Natureza o sentido da vida em que sua simples manifestação seja plenamente espiritual? Por que afirmarmos que só os seres humanos possuem a alma, se na realidade Deus houvera criado a Gênese para que todos tivessem o direito de habitar os planetas do Universo manifesto, ou não? Quiçá o problema seja justamente estarmos destruindo o planeta na forma em que concebemos que dele podemos extrair o nosso conforto material, erigindo famílias ricas e ignorando a miséria e a pobreza, na forma de fazer com que os nossos representantes só atendam aos interesses do poder e dos ricos. Basta vermos que a comunicação nossa com as coisas sagradas pode estar simplesmente dentro da esfera de nossos diálogos comunitários, e que nosso trabalho seja mais evidente e revelador quando da esfera voluntária. Dando de graça o que recebemos de graça, não é uma máxima escritural? O dinheiro tornou-se a máxima questão mundial, e muitos perecem por não terem um simples acesso a ele.

              Espiritualmente, haveremos de estabelecer um contato com um sistema que seja rigorosamente mais justo socialmente, mas que se veja criteriosamente que na realidade, um tipo de comunismo espiritual seja consonante com todos os seres, a começar por estarmos diante de um desafio da fome mundial, onde a carne é fabricada com rações de engorda, e os governos prometem-na como um padrão de felicidade e apoio popular, quando na verdade não precisamos sequer da carne para ingerirmos a proteína necessária, tal o volume de grãos que já a possuem, como a soja, a ervilha e etc. O que fazemos com os animais é de uma brutalidade tamanha que esse passa a ser o grande paradoxo humanitário do milênio, já que para saciarmos a luxúria de nossa língua e do bolso nos esquecemos que esse pecado capital não está restrito apenas no sexo e seus abusos. Se a questão espiritual passa pelo humanismo, sejamos mais humanos com os outros seres do mundo, e se a questão é ir para o paraíso, saibamos que na realidade, como está na Bíblia, quem é rico e cria um paraíso na Terra, como propriedade particular, vedada a entrada a outros seres humanos, poluindo o planeta com suas modalidades luxuriosas de consumo, é porque descrê e não teme a Deus, posto será mais difícil que entre para o reino dos céus do que um camelo passar pelo buraco da agulha, como o nosso Salvador afirmou.            

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