segunda-feira, 1 de junho de 2026
As práticas meditativas do Yoga se utilizam das imagens como intuito de alcançar o equilíbrio interior por meio da dissolução dos conflitos inerentes à natureza humana, desloca-se o centro da gravidade do ego para o si-mesmo, do homem para Deus; o que quer dizer que o eu desaparece no si-mesmo, e o homem em Deus (Jung, 1936c, p. 124).
Observei muitos pacientes cujos sonhos indicavam rico material produzido pela fantasia estes pacientes também me davam a impressão de estarem literalmente cheios de fantasias, mas incapazes de dizer em que consistia a pressão interior. Por isso, eu aproveitava uma imagem onírica ou uma associação do paciente para lhe dar como tarefa elaborar ou desenvolver estas imagens, deixando a fantasia trabalhar livremente. De conformidade com o gosto ou os dotes pessoais, cada um poderia fazê-lo de forma dramática, dialética, visual, acústica, ou em forma de dança, de pintura, de desenho ou de modelagem. O resultado dessa técnica era toda uma série de produções artísticas complicadas cuja multiplicidade me deixou confuso durante anos, até que eu estivesse em condição de reconhecer que este método era a manifestação espontânea de um processo em si desconhecido, sustentado unicamente pela habilidade técnica do paciente, e ao qual, mais tarde, dei o nome de “processo de individuação” (Jung, 1946, p. 150).
O inconsciente em si não é traiçoeiro nem mal - é natureza, tanto bela quanto terrível. Quando o inconsciente se mostra hostil e mau, então isso depende da própria atitude, que se entrega levianamente ao mundo sedutor de suas imagens. Quando temos de nos ocupar com o inconsciente em geral, então deve ser apenas de maneira ativa. Sobretudo não se deve aceitar cegamente ou tomar ao pé da letra nada do que o inconsciente produz. Tudo deve ser submetido a uma avaliação precisa, pois em geral é altamente simbólico. Podemos rejeitar totalmente um conteúdo como tal, mas o importante é a compreensão de seu sentido simbólico para decidir sobre sua aceitação (Jung, 1906-1945/2018, p. 124).
Ainda que ocasionalmente os meus pacientes produzam obras de grande beleza, boas para serem expostas em mostras de “arte” moderna, eu as considero totalmente desprovidas de valor artístico, quando medidas pelos padrões de arte verdadeira. É essencial até que não tenham valor, pois, do contrário, meus pacientes poderiam considerar-se artistas, e isso seria fugir totalmente à finalidade do exercício. Não é arte, e, aliás, nem deve sê-lo. É bem mais que isso; é algo bem diverso do que simplesmente arte; trata-se da eficácia da vida sobre o próprio paciente. Aquilo que do ponto de vista social não é valorizado, passa a ocupar aqui o primeiro plano, isto é, o sentido da vida individual, que faz com que o paciente se esforce por traduzir o indizível em formas visíveis. Desajeitadamente. Como uma criança (Jung, 1931b/2012, p. 61).
Assinar:
Postagens (Atom)