Se há
uma questão de sermos conhecedores de algo, possuirmos bagagens, sermos doutores,
ou mesmo termos mais informações a lapidarmos em nossa vida consciente, por
vezes a sabedoria ela mesma nos falta, quando o que fazemos é estarmos
angustiados ao não gerir a informação que acumulamos em nossas vidas na forma
de conhecimento, passando ao não praticar muito o que todo o lado teórico nos
tenha ensinado. Passamos a evitar olharmos para certas situações concretas e
não agir conformemente com o que nossa consciência dita, ao nos ocultarmos de
um problema e não seguir corretamente um caminho que seja no mínimo sensato. Em
um exemplo cabal, há inúmeros homens cultos e inteligentes que não largam certos
vícios que podem leva-los à morte, justamente porque não encontram meios na
sabedoria para largá-los, mesmo querendo abandonar essas dependências.
Teoricamente, até sabem como poderia se fazer, mas esquecem o fato de que sem o
acompanhamento de um profissional como um médico muitas vezes isso se torna
muito difícil, bem como a ajuda de um psicólogo, e de toda a boa vontade e
técnicas que o paciente passa a ter que praticar para se livrar dos grilhões
dessas formas de viver, que os podem levar a momentos de angústia, não apenas
pela ingesta, como pela abstinência.
Vivemos
por vezes momentos emocionais difíceis, seguindo por caminhos que não são
sábios, e isso cabe por solapar a nossa existência na relação com os outros
companheiros de estrada, por vezes algo nos aborrece, por vezes somos artistas
e nos expressamos na base da dor, com toda a parte técnica, por vezes, em síntese, não
estamos de bem com Deus, e isso pode nos trazer mais a mais sofrimento, pois a
questão espiritual também – e pode por vezes não parecer tanto – é importante
em muitas questões de nossa prática diária, como as preces e as orações...
Quanto mais levarmos uma palavra alentadora para nossos amigos que necessitem
dela, mais e mais estaremos praticando o nosso conhecimento, seja ele em que
área for, principalmente nas questões de saúde, onde podemos ajudar a curar
enfermos, ou mesmo levando aquela que remete à esperança e à fé em um Poder
Superior a nós mesmos, esse Jesus Cristo que tanto nos enleva, mas com uma força
gigante na força que dele emanou em todos os sentidos e em todas as
circunstâncias.
Divagando
sobre o constructo do “self” no processo de individuação, Jung mesmo nos ensina
ser possível que encontremos a paz, mesmo portando um problema mental de
gravidade, e será por essa vereda que na sobriedade emocional estaremos aptos a
largar outros vícios, afora aqueles que nos alteram o humor, como as relações
que julgáramos tóxicas, o vício da nicotina, que por ausência nos submete a uma
dose de sofrimento, e outros que são pertinentes, mas de preferência que o
façamos aos poucos, com a redução de danos paulatina, pois assim dá mais certo
em grande parte dos casos, aliás, em 50 a 70% deles. Ou seja, depois de atingirmos
um grau de serenidade existencial, depois que nossos conflitos mais severos
internos deixarem de ser um grande obstáculo para a nossa recuperação, quando
pudermos evitar tudo o que não nos seja favorável, mesmo alguns grupos de
recuperação onde não sentimos muito uma boa e saudável empatia, com
acompanhamento psicológico, conforme citado acima, é que podemos começar a
empreender a batalha para sentir-nos nas rédeas da situação. Esse controle
efetivo e consciente de que podemos, sim, nos livrar de drogas como a nicotina,
uma das mais severas de que a ciência médica tem notícia, sempre vem a reboque
de nosso estado psíquico mais equilibrado, e que sofrermos muito não condiz com
os aspectos de vulnerabilidade mental quando já padecemos dessa doença. O uso
indiscriminado de café, energéticos, ou outros aditivos que nos deixem mais “espertos”,
no mal sentido da palavra, apenas nos predispõem a que sintamos os gatilhos
mais próximos, e o fluxo da fissura, ou mesmo de estados emocionais mais
afeitos aos mesmos gatilhos, surjam inesperadamente, ou mesmo em modalidades
que antes não esperávamos encontrar com tal intensidade. Por aproximação, a
cafeína e a nicotina meio que “se entendem” mutuamente... Esse conhecimento,
essa teoria, não adiantaria nada se não praticássemos com sabedoria a evitar
esses gatilhos, pela ingestão dessas substâncias, e os movimentos compulsivos
em sua direção apenas reitera o fato de que nem todo o conhecedor é um homem
realmente sábio, e que nem todo aquele que conhece as coisas teoricamente as
aplica na prática. Quando, finalmente, estamos a poucos passos da vitória,
saberemos que nem tudo estava perdido, e que, dia a dia, com todos os recursos do
conhecimento que tínhamos à nossa disposição, quando praticados, se tornarão o
resultado de levarmos a nossa vida com a sabedoria necessária que resultará em
resultados antes apenas teóricos, e que apenas a esperança e a fé, inabaláveis,
podem mitigar os sofrimentos daquelas horas em que nos encontraremos silenciosamente
sozinhos, pois encontra naquele que nos salva todo o tempo é um meio de encontrarmos
nosso melhor amigo, isso, para todo o sempre...