Tal
palavra nua, tal corpo de mulher despido de pudor, o verbo se faz presente
sempre na oração de um ser humano, e como tanto aparece com sua sintaxe e
característica, dependendo da tipificação de gênero, número e grau. Na latitude
de seus significantes, outrora a concatenação de sua sintaxe seja algo
complexo, tal o nome que se dê à personificação de seus sentidos mais latentes,
ou no objetivo de se dizer algo a mais do que se pretenderia, utilizando a
ferramenta do idioma para tal feito. Há redes neurológicas que se impõem
pretender nos significados da expressão, na sua criatividade, na capacidade do
homem em sua memória, na cognição inata de sua percepção e uso da massa
cerebral, assim como na imanente aquisição do dom espiritual de se dizer algo
com base em preceitos escriturais, ou nos estudos teológicos que alguém possa
se fazer valer para compreender a palavra da Religião, ou qualquer estudo
outro, de outra qualquer, na busca da compreensão de um reconhecido e amplo
leque de possibilidades, bem como através da filosofia, da lógica, da gramática,
ou quaisquer outras ciências. O nível de complexidade do pensamento humano
transcende qualquer tipo de possibilidades automáticas de pesquisa, quando é
liberto e parte de um princípio essencial, que é a expressão pura e simples.
Tangencia-se um conceito, pragmaticamente urge saber o que dizer depois que em
um caso de oratória em texto, a razão se encontre com um saber que faça o sentido
mais sereno de um caso quase amoroso entre o verbo e a expressão... Dizem
alguns sacerdotes que é nessa hora que o poder do Espírito Santo nos dá a inspiração
divina para que escrevamos sobre algo, mas quando escrevemos sobre o ato de
escrever, que tipo de dom seria esse que nos faz elucubrar um pensamento que
atinja uma parcela de leitores sobre essa façanha maravilhosa que é escrever um
ensaio sobre algo de filosofia?
Caminhantes
da vida, um dia me pareceu que o estudo do catecismo fora outrora um estudo rigorosamente
pálido, mas na realidade se revela tão fúlgido como uma flor de primavera que
solidamente seguramos pelo caule de espinhos, mas a ungimos do perfume de Deus,
por Sua vontade apenas, através de nosso olhar atento. Quando, sob a égide da
tecnologia, sabemos que as letras do verbo se nos fluem através do teclado de
um computador, e que certamente serão publicadas mais tarde através da rede, em
um ato de comunicação onde alguns leitores – se for de suas vontades – as lerão,
tecendo a intepretação que lhes caiba, ou mesmo usufruindo de algum saber, e verão
enunciadas as palavras que coloco então, no final desta frase: “todas as
glórias a nosso Senhor, Jesus Cristo!” Não se tornem vãs palavras, pois
certamente estampadas as letras e concatenada a frase, a mensagem terá sido
dada, como mote central do ensaio, em um significante que teologicamente não se
relaciona com o restante da tese, mas no sentido em que se encontra, como um
agradecimento, se relaciona com uma assertiva que não poderia ficar de fora,
tamanha a graça em que por vezes nos encontramos na presença d’Ele. Na verdade
nua e crua, o verbo se fez homem, e a treva se fez luz, no princípio de tudo.
Seguimos
lutando para termos melhores dias, e a questão de se dizer como foi um dia
qualquer, não segue sendo uma premissa tão fundamental quanto se afirmar que no
exato instante do presente momento, as coisas se sucedem na hora em que estou
escrevendo este pequeno texto tentando montar um quebra-cabeças de mim mesmo.
Porventura neurologicamente somos abençoados, sem tirar nem pôr, quando estamos
praticando algo para se ter uma boa reserva cognitiva. Apesar de sabermos da
dimensão de um texto escrito ou falado, será sempre no escrito que podemos corrigir
as nossas linhas, e que um áudio nem sempre corresponderá à exatidão no sentido
de definir as regras exatas da compreensão humana. Diz-se que a razão na forma
literária faz de um homem senhor da sua mesma sintaxe existencial, porquanto
mesmo solitariamente poderá expor seu modo de pensar da mesma forma que um
ficcionista cria suas histórias. No que concerna o sentido de uma frase ou
período muitos estudiosos podem vir a interpretar neuro linguisticamente o
sentido da expressão, as estruturas neurais, ou mesmo quiçá um comportamento
reflexo de como seria a vida de quem enunciou a peça literária. O quanto
ficasse distante dos predicados da lógica, se autores e estudiosos como
Saussure, Peirce, ou Umberto Eco em seus estudos dos signos e da semiótica, bem
como Baudrillard, e outros, como Lacan na área da psicologia, todos os autores
de ponta que iniciaram o processo e foram pedras angulares na descoberta da
interpretação dos signos, bem como o Psiquiatra Jung e seus estudos dos
arquétipos e do Inconsciente Coletivo, tudo faz parte de um acervo onde outros
autores densos, como Kant e Hegel, na filosofia, traduzindo desde sempre os
enigmas da citada lógica, pudessem prever com autonomia e aprofundamento esse
ramo da ciência onde mais tarde os sistemas de informática já criavam suas
linguagens autônomas para cumprirem funções na robótica e na Inteligência Artificial,
demandando que humanos exercitassem o tutano para dirimir os rumos e recônditos
mais ocultos do cérebro. Toda essa ciência ficaria despercebida pelos usuários
padrão dos sistemas, e quem passa a ser de ponta fica na área da medicina
psiquiátrica, neurológica e das ciências de computação, bem como nas megaestruturas
que as apoiam.
O
verbo, no entanto, fica na palavra de Jesus Cristo, o Salvador, que cria e quem
destrói tudo, Aquele, Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo... As
doenças continuam, assim como as guerras, as drogas e o crime. Problemas
sociais nos acometem sempre, e ainda assim continuamos aprendendo, mas a fé,
sobremodo, com obras, é mais luminosa do que todas as sinapses cerebrais que
imaginamos, já que espiritualmente estamos alheios a tudo isso, e nem todo o
conhecimento empírico vai nos ensinar o caminho das pedras, pois a honra e toda
a glória está com Aquele que veio para nos salvar, como verbo único que
transcende a própria literatura e sua Natureza especulativa. Pois nem sempre estaremos sabendo de tudo o que virá pela frente, e a ciência humana é algo que possui uma dialética constante, assim como se observarmos a Natureza e seus seres veremos algo mais do que apenas a revelação pura e simples de uma máquina como antes se acreditava fosse diante do poder da transformação da matéria pelo homem. Veremos a vida a pulsar, os elementos naturais como nossos mais diletos companheiros, e sairemos o suficiente do escopo de que apenas entre humanos poderemos estar nos sociabilizando no planeta. Algo de transcendente vai no rol dessa escolha do nosso olhar, e será diante dos mistérios do cosmo que a assertiva de que há um Criador por trás desse magnífico espetáculo nos fará ficar maravilhados diante do assombro que se chama o mundo e seus seres, sem contar o que há no céu: uma efusão cósmica onde sequer conheceremos sua grandeza, pois somos mais ínfimos diante da compreensão da magnitude de Deus...