Não que
fosse geral, ou de um particular enquanto genericamente, o cultivo da fé na
forma em que a conheçamos, mas de um modo qualquer, uma prova de fogo é quando
estamos angustiados por algo, por uma dependência qualquer, um vício que aparentemente
é maior que nós mesmos, seja por um exemplo cabal o álcool, a nicotina, a coca
ou a maconha, para enumerar os mais comuns, qual não fora o crack, essa estranha
forma de um vício avassalador igualmente, que tanto acomete muitos seres humanos
nas ruas e gentes de posse, conformes com a adição que mantém com diversas
formas do comportamento humano e seu viés do uso. Unicamente por essa questão,
das dependências químicas como um todo, e da saúde mental, que muitas vezes –
paradoxalmente – é impulsionadora desse modal, a fé é uma forma em que o homem
ou a mulher, pode se agarrar, na forma da oração, da mudança de atitude perante
a vida, cultivando-a como se faz carinhosamente com uma planta que demande
cuidados como o adubo, a rega e a poda.
Estabelecer
metas diante da vida, procurar grupos de recuperação, onde se forme um tipo de
vínculo mais estreito com uma coletividade de mútua ajuda, escutar o depoimento
de companheiros, ou seja, ingressar em uma irmandade de doze passos, ler a
literatura de apoio, vem a calhar com a prerrogativa que será na
espiritualidade sem fronteiras que estabelecemos o citado apoio do qual tanto
necessitamos. O hedonismo excessivo, o materialismo que travamos conosco, a
fuga da realidade, o ritmo frenético das cidades e do trabalho, todas essas questões,
podem influir para que busquemos na dependência química o que acharíamos fosse
um conforto aparente para o que cremos ser uma vida vazia, sem o motivo real de
encontrarmos a paz que nos foge entre os dedos quando, por exemplo, fumamos do
tabaco sem parar, ou mesmo consumimos a cocaína para termos mais performance em
determinadas atividades, ou quando a mesclamos com o álcool, mescla essa
extremamente explosiva em qualquer situação, posto estaremos colocando em risco
nosso coração, rins, fígado, ou mesmo nossa saúde mental, expondo a nós mesmos
nossa vulnerabilidade diante de nossa fraqueza espiritual, quando esquecemos
que, além de toda essa parafernália, a vida de Deus é algo que nada tem a ver
com as drogas. Justamente o oposto: uma vida mais contemplativa e mais
relacionada com Ele perfaz sermos harmonicamente unos com a Natureza, com o
cosmos, a termos uma vida mais integrada com as boas coisas, a nutrirmos a
virtude, os bons pensamentos, e desenvolvermos a serenidade com coisas boas e
ruins, e a termos a coragem necessária para enfrentarmos, sem a ajuda ilusória
de substâncias que apenas nos tiram o equilíbrio mental, aquilo que possa ser
passível de mudanças, dentro de nossas reais possibilidades.
Devemos
nutrir um sentimento por Deus, e isso pode ser amplamente realizado lendo os
Evangelhos e praticando comiseração real, a empatia necessária pelo próximo,
como se víssemos naqueles que passaram pelos mesmos percalços que sofremos, um
quilate de compreensão da realidade que enfrentamos na sociedade, que não é
aquela ideal, onde quando achamos que tudo seria melhor, por vezes nos passa
por certos dissabores amargos em nossa existência. Por fim, a fé tende a
crescer, é prática diária, é através da oração que obtemos o fruto imperecível
de Cristo, o alimento que jamais perece, e é através dele que nos encaminhamos
para uma vida mais plena aqui na Terra e para todo o sempre...