Que o
ser humano por vezes pense: é impossível perdoar... E por vezes “realmente”
isso é possível ocorrer, principalmente quando o que fizeram contra pessoas que
amamos, como algum crime bárbaro, se tornaram fatos concretos. Nós todos, como
seres humanos que portamos dentro de si o pecado como algo gratuito quase,
quando pensamos naqueles miseráveis que não fazem parte de nossa vidinha,
estamos compactuando com um egoísmo existencial sem par, nada fazendo para ao
menos ter uma alteridade equivalente, ou seja, nos colocar no lugar do outro,
ver que todo o conforto que possuímos não passa de uma ilusão sem precedentes,
pois não seremos mais ou menos abençoados por Deus se não praticarmos a
misericórdia com outros seres humanos, afora outros seres, tais como animais
largados na rua, e comer menos carne, se possível. A nós mesmos não precisamos
ter comiseração, mas apenas arrepender-nos de algo que tenhamos cometido, uma
falta, e tentar não voltar a cometê-la, mesmo que isso tenha a ver com coisas
como prestígio, fama, valores, ou substancialmente conquistas amorosas ou
qualquer coisa que na verdade não passa de hedonismo ou similares. Seremos
melhores se tivermos a compaixão, se virmos o outro que está em situação de
miséria, como olhava nosso Senhor: aliviando seu sofrimento. Como se fosse algo
ímpar, este que vos fala encontrou no Salvador sua própria conversão, e tudo o
que antes conheci como psicologias e filosofias ou mesmo as entranhas de uma
vida anímica, agora vejo na figura histórica e espiritual de Jesus Cristo a
razão e entendimento de minha vida, o meu sentido pleno de existir... Onde
puder, que me reste a vida, levarei a palavra do Senhor em minha ação
cotidiana, sempre que houver alguém dela necessitando, posto só através da
citada misericórdia é que poderei saber que, não apenas individual, mas
coletivamente, estarei mais motivado através da minha fé naquele que foi ungido
pelo Pai para salvar a humanidade da morte, dando para nós a vida eterna.
Mesmo as
dúvidas circunspectas que levam alguém a tentar dissuadir-nos que o Cristo não
foi o exemplo supremo em sua sabedoria, o Deus encarnado, o mais humilde dos
seres, e que seus apóstolos mantiveram sua humildade em bastiões de fé, o que
se tem é uma miríade confusa de inverdades sobre um fato histórico e revelador,
incontestável sob todos os aspectos do ser enquanto matéria da divindade e
crença particular e individual. Que se possa admitir as culturas diversas, mas
foi na figura do Salvador que encontramos aquilo que infunde a fé completa, n’Aquele
que se sacrificou na cruz, que depositou no madeiro seu sofrimento, que, depois
de ressuscitado, comunga com nós seu corpo até nos dias de escuridão, para
todos os séculos que virão, independente de respeitarmos as religiões como um
todo, incluso as tribais e suas origens mais rudimentares, posto muito do
inconsciente coletivo se apresenta nas mais variadas formas diante das quais o
ser passa pelo crivo de seu crer na existência individual e coletiva. Há
algumas religiões fundamentalistas, mas igualmente devem ser respeitadas, desde
que não infundam o terror diante da humanidade como base de sustentação de sua
existência. Reitero apenas que o meu momento é de comunhão sagrada com o meu
Salvador, a quem concebo seja o meu, particular, dentro das orientações que
recebo na doutrina da igreja à qual pertenço, e que me dá o insumo a continuar
vivendo crendo, assim, na revelação de minha vida em superação diuturna, pois
não é fácil caminhar por vales obscuros sem ter no sofrimento algo a supor seja
a consecução divinal e de credo e sustentáculo, posto houve um homem que
sofrera por nós, e esse homem foi um exemplo de superação até mesmo sobre a
morte... É o meu momentum, é a coisa que flui, uma dita revelação, não apenas
uma experiência, posto passo a converter-me, e não servir a vários senhores,
senão a um só.
Por
dias, cremos que a espiritualidade se constituiria naquilo mais inóspito quando
escarnecemos da bondade, mas na realidade essa citada bondade nos revela o
perdão, tanto individual, como coletivo, e a humildade de sermos mais amorosos
intui que os rancores que guardamos e nutrimos por alguém que amamos
profundamente nos ferem nas nossas entranhas em seu começo, mas na realidade é
a sociedade em que vivemos: do imediatismo, das performances, das dúvidas, dos
recomeços... Não há nada escrito, nem na IA, sobre nada especificamente, qual
não seja, que não possamos aprender na prática, conforme igualmente ditames
teóricos, posto alguém, por exemplo, que queira abandonar um vício, por vezes
não se apercebia que a falta de sono que tinha quando deixava de consumir a droga,
era por causa do café em excesso, e o bem que faz tomar chá, em nossa prática
diária, ao menos no fim da tarde em diante. Não há “estalo de Vieira”, que
possa transformar da noite para o dia, em muitos casos, uma solução definitiva
para a cura de um mal, quando estamos cientes de que muita coisa está em jogo
na psique de um ser. Na contraposição fleumática de um homem diante dos
dissabores que possa encontrar na vida, o sentido que lhe aflora pode ser um
bom senso de humor diante de uma atitude civilizada, mas diante da barbárie
nada pode ser feito por vezes, a não ser remediar com a ignorância de passar
desapercebido diante de tudo e todos, quando a maré das guerras e da violência
acomete um território onde reside, ou quando sofre injustiças severas pelas
mãos dos homens. Essa frialdade que a todos acomete, quando em nações
totalitárias, por assim dizer, onde tudo é controlado, até os “movimentos faciais...”
Ou quando vemos, em plena rua, um homem descarregar seu fuzil sobre outros, ou
mesmo quando um companheiro ou uma companheira nos trai de modo surpreendente.
Assim se o diga a crença em Deus, algo que nos anima, mesmo quando nos isolam,
ou quando não sentimos sequer na sombra do outro o menos vestígio do afeto, ou
sentimento semelhante. Na imagem desenhada de Cristo, com sua coroa de espinhos,
encontro finalmente um irmão gigantesco e começo a pensar muito, e não me sinto
só...