Quem sabe
receberíamos o dom da filosofia, auscultando a Verdade, mas sem depositarmos um
grama de fé nas palavras? A graça do conhecimento sobre a Natureza, esse dom
maravilhoso que até um pescador rude sabe a respeito do mar, suas mantas de
peixe, ou quando sequer podemos ler um livro sagrado, mesmo letrados, quando
lacrado por Deus? As distintas formas da sabedoria estão dispostas como em um
manto do citado saber, onde por quanto recebermos dele a possibilidade de investigar
suas formas e métodos passa a ser uma glória por entre as glórias, dom entre
dons. A certeza de dispormos de nossa fé para descortinar uma descoberta espiritual,
essa ciência mística em que descobrimos nossa essência mais pura, será através
de uma prática, sendo experimentada em razão da aplicação de nosso
conhecimento, no viés que propalamos ao redor de nós mesmos, mesmo que seja em
um apanhado teológico, ou através dos ditames que nos disponham de recursos
intelectuais para tanto. Recursos esses em que na profusão de meios
tecnológicos da atualidade o ser espiritual se torna meio evanescido diante dos
desafios impostos na vida moderna. O que vem a ser o dom da ciência pelo Espírito
Santo, senão aquele que será aplicado a servir a Deus, em todos os seus
aspectos? Esse conhecimento, essa graça que recebemos de um poder maior do que
podemos supor, quando no mais das vezes o que teríamos pela frente é apenas um
leve sopro de algo que não falaria muito daquilo que não sabemos inteiramente.
Na teologia ou no seu aprofundamento essa graça é uma bênção que nos faz
aproximar da nossa relação com o sagrado, e essa relação encontrará sempre a
filosofia e sua razão como esteio humano.
Nas
questões relativas ao mesmo conhecimento genérico em relação à Natureza das
coisas e pessoas, o que temos pela frente é a comunicação que é gerada para e
com os seres vivos, no sentido não apenas de percebermos suas ações, bem como como
esses seres reagem frente a nossa presença, não apenas quando estamos
distantes, bem como como o nosso olhar interno também reage frente a seus “movimentos...”
Isso não dista, a meu ver, do território do sagrado, pois o Espírito Santo se
manifesta nos seres, como nas aves, e em outros que compartem conosco os locais
onde estamos, mas nem sempre aquilo que imaginamos ser sinais divinos
efetivamente o são, já que apenas com a fé inquebrantável nas nossas preces e
orações, a efetiva forma de ritos e crenças particulares, e as missas onde tudo
se sustenta no amálgama da Grande Igreja, será onde encontraremos um alicerce
mais à altura do que suponha a nossa sedimentação em uma fé visível e correta,
sem fantasias maiores.
A leitura
de textos sacros, as Escrituras, a arte e o foco em determinadas áreas de um conhecimento
cabalmente divino, nos fará ver que a ciência que recebemos por diante de nós,
quando aplicada nessas questões, nos dará o amparo espiritual que certamente
recebemos para nós mesmos, como se esse citado foco nos desse a companhia divina
supracitada, na forma de Cristo Jesus, nosso Salvador e amigo mais dileto, que
nunca nos abandonará. O fato de termos a ciência disso nos fará mais felizes,
pois ampliaremos nosso nicho existencial enormemente, tornando-nos, mesmo com
pouco espaço físico, reverberando de uma extensa liberdade em termos
espaço-temporais, posto com Ele tudo se torna possível, mesmo diante de
limitações supostas e prováveis. Temos que evitar falar coisas que nos sejam ou
causem ruídos emocionais supérfluos, ou rancores e odientos comportamentos,
pois será apenas no amor que nutrimos por Jesus que as coisas se tornam
possíveis e palpáveis, pois no meio das dificuldades aparentes ou concretas vai
ser a dimensão de nossa fé que nos fará superá-las...
O meio
mais sensato de unirmo-nos com Deus, o Pai, é vermos que na manifestação da
Criação d’Ele podemos sentir a presença do Filho, o Redentor, aquele que nos
revela a criação, como o sol nos revela tudo o que é. Na realidade, haverá
apenas esse conhecimento mais substancial, a certeza de que somos imortais, e
que devemos ser santificados para receber as chaves da porta do Céu de nosso
Pai. Não haveria possibilidade melhor de se equacionar uma mera questão quase
formal, onde o carimbo para ingressarmos na senda do Senhor é o nosso amor por
Ele acima de todas as coisas. Esse mote, esse ingresso na seara da virtude é um
dom de Deus recebido por nós através do Espírito Santo, este que apenas nos
molda para que possamos estar aptos para nos apresentar na hora de nossa morte
aqui no planeta Terra. Não seria por diante algo distinto disso, pois a vida
eterna nos espera, depois que o mesmo Filho do Homem foi sacrificado na cruz,
para nos redimir dos pecados e nos salvar da morte. Pelo fato de ressuscitar de
entre os mortos, Cristo, o ungido de Deus, nos dá a vida eterna, mas pela
santificação e a vocação da santidade podemos nos unir a Ele depois da morte,
ou não. Toda a nossa ciência torna-se irrisória perante o fato de que apenas o
engenho humano não é suficiente para explicar os mistérios que nos cercam, mas
justamente sabermos da palavra viva de Deus, e dos ritos sagrados, como os
sacramentos, é que podemos santificar nossa alma e elevarmo-nos para a vida
eterna. E conhecer o Pai.