Devemos
pensar realmente que a caridade, que é dando que se recebe a graça do Senhor,
que na realidade estaremos aclarando a consciência popular de suas próprias
mazelas e como poderíamos participar de uma vida mais solidária, e que porventura
ensinar ao povo os segredos em se lutar por trabalho não seria uma fórmula mais
consonante de praticarmos a verdadeira caridade, senão que apenas através da
educação poderia um ser humano sair de certas lamas onde está metido?
Inequivocamente, há daqueles que possuem o dom de espalhar uma consciência
espiritual entre as populações na miséria, mas esses são homens que se
aproximam da santidade. O que se diz é que aqueles que estão no limbo do
sistema podem, sim, acercar-se de modalidades do trabalho, como se fosse algo
tão ou mais importante nas suas vidas do que simplesmente o fazerem para fumar
a marijuana ou cheirar a coca, ou mesmo fumar o crack e cigarros.
Como se
diz: temos o livre arbítrio para fazermos o que bem quisermos, e o que bem
queiramos fazer por vezes não é pontuado pela prática cotidiana de se bem
portar, mesmo porque há famílias totalmente disfuncionais por causa de um, dois
ou demais membros. Encontra-se, porventura, uma família em uma irmandade ou coisa
parecida, mesmo que para isso tenhamos que nos encontrar com o tempo em que
estivemos em falta, não apenas com familiares, mas com todos aqueles que porventura
prejudicamos, ou já estar preparados para fazer as reparações necessárias
àqueles a quem prejudicamos ontem ou no hoje, e prepararmos nosso inventário
relâmpago, passo essencial para quem quer atingir a serenidade e alicerçar-se,
finalmente, a um Poder Maior do que nós mesmos. Devemos jogar a toalha e nos
declarar impotentes perante algo, e essa consciência de nossos atos pode ser
aquela que podemos participar caritativamente com outros: nossa experiência de
vida particular...
Podemos
ter a concepção de um templo que ofereça cestas básicas, mas basicamente há
procedimentos corretos para se fazer isso, pois dar dinheiro não é uma forma de
ser caritativo, já que mesmo nas cestas há aquelas pessoas que as trocam na
esquina por drogas ou álcool. Há que se conhecer o lar e cadastrar aqueles que
recebem as cestas. Mas o trabalho deve ser sempre a pregação dos sacerdotes:
trabalho e honestidade. Sem esses dois paradigma sociais, os trabalhadores não
encontrariam sua retaguarda religiosa nem o movimento que os “empurra” nessa
direção. Esse empuxo que move tanto as sociedades capitalistas quanto as
socialistas de mercado, pois os ganhos que se oferece através do trabalho deve
ser dignificado por um sacerdócio mesmo daqueles homens que dedicam sua vida a
peregrinar, espalhando a espiritualidade e a palavra de Deus. Posto, qual não seria
o oposto, e a sociedade não fosse efetivamente gerida por trabalhadores que
mais não fazem funcionar o sistema em que vivemos, erigir vivendas, construir
represas, trabalhar como operários em fábricas, ou mesmo lavrando grandes
plantações para alimentar as cidades e o campo? A sociedade é dessa massa de
trabalhadores, e os políticos nada mais são do que apenas seus representantes,
dentro do escopo da democracia, essa face inamovível de um panorama
civilizatório escorreito. Pensemos o que seria de um Governo que atendesse mais
as elites, deixando de lado as massas trabalhadoras, o que seria, senão um
representante ilegítimo da maioria do povo, que são os trabalhadores. Aqueles
que acreditam que a caridade seja um paliativo para atenuar os sofrimentos
decorrentes dos desníveis das classes sociais, mais não fazem do que coadjuvar
com a teoria errônea marxista de que a religião seria o ópio do povo, pois a
realidade contemporânea já revela que certos movimentos religiosos e
libertários trabalham justamente oferecendo cursos de capacitação para que
muitos cidadãos se preparem para o mercado de trabalho, não apenas como alunos
que passam a ser em templos, como mestres de ofício de ditos cursos. Assim como
há serviços de saúde espiritual dentro da própria medicina, que ensinam meditação
e oração, como saídas válidas não apenas para a saúde mental de populações, bem
como a libertação de drogas e outras dependências.
Apenas nas
religiões sectárias se encontra essa falsa libertação humana, pois na realidade
o cerne da espiritualidade já é realidade na neurociência. E será através desse
trabalho continuado frente a populações que estiverem em sofrimento que será
possível alavancar a esperança, junto a irmandades, como os AA, NA e NiCa, que
se poderão vencer os obstáculos rumos a uma recuperação plena e desafiadora
perante dependências químicas ou afetivas que nos acometem todos os dias, no
sentido mais pleno da verdadeira caridade, com os esforços e trabalho de seus
membros, das equipes da medicina, dos operários que constroem tanto os hospitais
como os templos, e as casas de cada ser humano que pertença a essa grande
família que se chama o caminho para o bem estar do ser humano.