Quando
me disseste em Tua palavra, Senhor, para que eu caminhasse por caminhos de
integridade física e mental, que eu largasse os vícios, as relações que não fossem
promissoras espiritualmente, a grosso modo, de Teu modo de dizer, quem sabe eu
não tivesse dado todos os ouvidos às Tuas imantadas orientações. Quem sabe eu não
tivera a fé necessária em determinado momento em minha vida... Quem sabe o dom
da fortaleza ainda não se tenha desenvolvido em mim, assim como o da piedade
que tanto nos aquieta o espírito diante daqueles desafortunados pela sorte,
assim como tantos que navegam pela seara do sofrimento humano e animal. No enigma
da vida, seremos mais do que simplesmente os humanos que possuímos, tal qual a
imagem e semelhança de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, e tudo o que significa
os nossos talentos e habilidades, a nossa compaixão pelos viventes, o nosso
intelecto, tudo o que possuímos de bom e podemos aplicar a serviço da Igreja,
esta, consubstanciada pelo poder do Espírito Santo e seus obreiros de fé.
A
coragem necessária a que tenhamos o discernimento e a razão que nos enleve a
alma para agirmos em harmonia com os desígnios daquilo que nos fora concedido,
vem do dom da fortaleza, acima de tudo, que está na oração que Ele nos concedera,
na parte: “o pão nosso de cada dia nos dais hoje”, posto será no pão que nos
fortalecemos, mas igualmente a fortaleza dirime a preguiça, esse pecado capital
tão afeito à contemporaneidade e nos reveste da necessária questão de
desejarmos a justiça acima de tudo, pois encontramos a virtude da justiça no
Evangelho, quando “sejamos bem aventurados clamando por ela”... Uma ordem maior
se estabeleça no meu coração, quando São Boaventura cita os sete dons do Espírito
Santo, que são: a piedade, o temor de Deus, a sabedoria, a ciência, o
entendimento (intelecto), a fortaleza e o conselho. Com esses dons podemos
combater os sete pecados capitais, cada um com seu cerne e substrato
particulares.
No dom
específico de temor, saibamos que Ele a tudo vê, é onisciente, onipresente, penetra
em tudo e em seu Filho nos permite ver a revelação de sua Criação, desde um
simples objeto material, até a natureza do Cosmos, bem como a revelação do que
se emana da relação do Pai e do Filho, que é a relação do amor maior que se
manifesta na beleza, ou seja, na relação inequívoca da bondade, com a verdade,
uma do Pai, e a outra do Filho. Esse poder trino, essa Trindade Santa, nos
permite a que o Espírito Santo esteja sempre presente para operacionalizar a
nossa preparação para o Altíssimo. Como no fogo, o Pai, existe a luz, o Filho,
e ainda o calor, o Espírito Santo, e um não se dissocia do outro, bem como a
presença de Cristo vivo entre nós é condição inexequível de nossa fé, e de seu professar.
Essa remissão de crermos na Trindade Santa é condição para que compreendamos o
universo da religião, que nada mais faz do que religarmo-nos com Deus.
Desde
que saibamos que tudo o que clamamos na vida seja podermos amar a Deus sobre tudo
e todos, regando a raiz, para que os frutos e o restante da árvore não feneçam,
a fonte da espiritualidade de um ser é revelada na Santa Missa, no apostolado
de um fiel, e no sacerdócio de um ministro ou de um padre. Plasmou-se a igreja,
os trabalhadores, com o Poder do Espírito Santo, ergueram suas colunas, suas
paredes, os artífices trabalharam os símbolos religiosos na forma das imagens,
e se faz pão o corpo de Cristo, nosso Salvador... Por todas essas questões de
harmonia com os desígnios dos dons do Espírito Santo no coração do devoto e sua
prática diária, a consecução dos sacramentos, e as orações de fé no santo nome
de Deus é que podemos vencer as batalhas do dia a dia com essa citada fé no Salvador,
e que o Criador nos guarde para sempre... Assim seja!