terça-feira, 15 de setembro de 2026
Mas, no meio destas torpezas e violências e de tantas iniquidades, há os pecados dos que, no conjunto, vão progredindo; e estes, por aqueles que julgam com retidão, são censurados segundo a regra da perfeição, embora se louvem as pessoas, na esperança do fruto futuro, como na haste verde do trigo que cresce. E há também algumas ações semelhantes às torpezas ou às violências, e que todavia não são pecados, porque não ofendem nem a Vós, Senhor nosso Deus, nem a sociedade humana: quando, por exemplo, se obtêm para o serviço da vida coisas convenientes a determinado momento, e não se sabe se por cobiça de possuir; ou quando, para correção, se punem coisas por autoridade constituída, e não se sabe se por desejo de fazer mal. Muitas ações, portanto, que aos olhos dos homens são reprovadas, são pelo Vosso testemunho aprovadas; e muitas, louvadas pelos homens, são, sendo Vós testemunha, condenadas — porque a aparência do ato, a disposição de quem age e a exigência oculta do momento variam em cada caso. Mas, quando de repente ordenais algo insólito e inesperado, ainda que outrora o tivésseis proibido, e por algum tempo esconderdes a razão do Vosso mandamento, e ainda que seja contra a ordenação de alguma sociedade humana — quem duvida de que se deva fazer, visto que só é justa a sociedade humana que Vos serve? Mas bem-aventurados os que conhecem os Vossos mandamentos! Pois todas as coisas foram feitas pelos Vossos servos, ou para mostrar algo necessário ao presente, ou para prefigurar as coisas futuras. CONFISSÕES, SANTO AGOSTINHO.
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