sábado, 29 de agosto de 2026

A GRAÇA DA CIÊNCIA


              Quem sabe receberíamos o dom da filosofia, auscultando a Verdade, mas sem depositarmos um grama de fé nas palavras? A graça do conhecimento sobre a Natureza, esse dom maravilhoso que até um pescador rude sabe a respeito do mar, suas mantas de peixe, ou quando sequer podemos ler um livro sagrado, mesmo letrados, quando lacrado por Deus? As distintas formas da sabedoria estão dispostas como em um manto do citado saber, onde por quanto recebermos dele a possibilidade de investigar suas formas e métodos passa a ser uma glória por entre as glórias, dom entre dons. A certeza de dispormos de nossa fé para descortinar uma descoberta espiritual, essa ciência mística em que descobrimos nossa essência mais pura, será através de uma prática, sendo experimentada em razão da aplicação de nosso conhecimento, no viés que propalamos ao redor de nós mesmos, mesmo que seja em um apanhado teológico, ou através dos ditames que nos disponham de recursos intelectuais para tanto. Recursos esses em que na profusão de meios tecnológicos da atualidade o ser espiritual se torna meio evanescido diante dos desafios impostos na vida moderna. O que vem a ser o dom da ciência pelo Espírito Santo, senão aquele que será aplicado a servir a Deus, em todos os seus aspectos? Esse conhecimento, essa graça que recebemos de um poder maior do que podemos supor, quando no mais das vezes o que teríamos pela frente é apenas um leve sopro de algo que não falaria muito daquilo que não sabemos inteiramente. Na teologia ou no seu aprofundamento essa graça é uma bênção que nos faz aproximar da nossa relação com o sagrado, e essa relação encontrará sempre a filosofia e sua razão como esteio humano.

              Nas questões relativas ao mesmo conhecimento genérico em relação à Natureza das coisas e pessoas, o que temos pela frente é a comunicação que é gerada para e com os seres vivos, no sentido não apenas de percebermos suas ações, bem como como esses seres reagem frente a nossa presença, não apenas quando estamos distantes, bem como como o nosso olhar interno também reage frente a seus “movimentos...” Isso não dista, a meu ver, do território do sagrado, pois o Espírito Santo se manifesta nos seres, como nas aves, e em outros que compartem conosco os locais onde estamos, mas nem sempre aquilo que imaginamos ser sinais divinos efetivamente o são, já que apenas com a fé inquebrantável nas nossas preces e orações, a efetiva forma de ritos e crenças particulares, e as missas onde tudo se sustenta no amálgama da Grande Igreja, será onde encontraremos um alicerce mais à altura do que suponha a nossa sedimentação em uma fé visível e correta, sem fantasias maiores.

              A leitura de textos sacros, as Escrituras, a arte e o foco em determinadas áreas de um conhecimento cabalmente divino, nos fará ver que a ciência que recebemos por diante de nós, quando aplicada nessas questões, nos dará o amparo espiritual que certamente recebemos para nós mesmos, como se esse citado foco nos desse a companhia divina supracitada, na forma de Cristo Jesus, nosso Salvador e amigo mais dileto, que nunca nos abandonará. O fato de termos a ciência disso nos fará mais felizes, pois ampliaremos nosso nicho existencial enormemente, tornando-nos, mesmo com pouco espaço físico, reverberando de uma extensa liberdade em termos espaço-temporais, posto com Ele tudo se torna possível, mesmo diante de limitações supostas e prováveis. Temos que evitar falar coisas que nos sejam ou causem ruídos emocionais supérfluos, ou rancores e odientos comportamentos, pois será apenas no amor que nutrimos por Jesus que as coisas se tornam possíveis e palpáveis, pois no meio das dificuldades aparentes ou concretas vai ser a dimensão de nossa fé que nos fará superá-las...

              O meio mais sensato de unirmo-nos com Deus, o Pai, é vermos que na manifestação da Criação d’Ele podemos sentir a presença do Filho, o Redentor, aquele que nos revela a criação, como o sol nos revela tudo o que é. Na realidade, haverá apenas esse conhecimento mais substancial, a certeza de que somos imortais, e que devemos ser santificados para receber as chaves da porta do Céu de nosso Pai. Não haveria possibilidade melhor de se equacionar uma mera questão quase formal, onde o carimbo para ingressarmos na senda do Senhor é o nosso amor por Ele acima de todas as coisas. Esse mote, esse ingresso na seara da virtude é um dom de Deus recebido por nós através do Espírito Santo, este que apenas nos molda para que possamos estar aptos para nos apresentar na hora de nossa morte aqui no planeta Terra. Não seria por diante algo distinto disso, pois a vida eterna nos espera, depois que o mesmo Filho do Homem foi sacrificado na cruz, para nos redimir dos pecados e nos salvar da morte. Pelo fato de ressuscitar de entre os mortos, Cristo, o ungido de Deus, nos dá a vida eterna, mas pela santificação e a vocação da santidade podemos nos unir a Ele depois da morte, ou não. Toda a nossa ciência torna-se irrisória perante o fato de que apenas o engenho humano não é suficiente para explicar os mistérios que nos cercam, mas justamente sabermos da palavra viva de Deus, e dos ritos sagrados, como os sacramentos, é que podemos santificar nossa alma e elevarmo-nos para a vida eterna. E conhecer o Pai.

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