quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Quero agora recordar as minhas torpezas passadas e as corrupções carnais da minha alma — não porque as ame, mas para que Vos ame a Vós, ó meu Deus. Faço-o por amor do Vosso amor, repassando os meus caminhos perversíssimos na própria amargura da recordação, para que Vós Vos torneis doce para mim (doçura que não engana, doçura feliz e segura), e para que me recolhais de novo daquela dispersão em que fui despedaçado, quando, afastado de Vós, que sois o único Bem, me perdi na multiplicidade das coisas. Pois houve tempo, na adolescência, em que ardi por saciar-me nas coisas de baixo; e ousei tornar-me selvagem com estes amores vários e sombrios. Consumiu-se a minha formosura, e tornei-me pútrido aos Vossos olhos, agradando-me a mim mesmo e desejando agradar aos olhos dos homens. SANTO AGOSTINHO.
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