quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Naqueles anos, quando comecei a ensinar retórica na minha cidade natal, fizera eu um amigo, demasiado caro para mim pela comunhão dos estudos, da minha idade, e comigo na primeira flor da juventude. Crescera comigo desde criança, e tínhamos sido companheiros de escola e de brincadeiras. Mas não era ainda meu amigo como depois foi, nem sequer então o era como a verdadeira amizade o exige; pois verdadeira ela não pode ser senão entre aqueles que Vós uniis, ligados a Vós por aquela caridade derramada em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado. E, contudo, era doce em demasia, amadurecida pelo calor dos estudos comuns. Pois, da verdadeira fé — que ele, sendo jovem, não bebera sólida e profundamente —, eu o desviara também para aquelas fábulas supersticiosas e perniciosas, pelas quais minha mãe chorava por mim. Comigo errava ele agora no espírito, e a minha alma não podia passar sem ele. Mas eis que Vós estáveis logo atrás dos passos dos Vossos fugitivos, ao mesmo tempo Deus das vinganças e Fonte das misericórdias, convertendo-nos a Vós por meios admiráveis. Arrebatastes daquela vida aquele homem, quando ele mal completara um ano da minha amizade — a mim mais doce do que todas as doçuras daquela minha vida. CONFISSÕES, SANTO AGOSTINHO.
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