quinta-feira, 17 de setembro de 2026

É isto que se ama nos amigos; e de tal modo se ama, que a consciência do homem se condena a si mesma se ele não ama a quem o ama, ou não retribui o amor de quem o ama, nada esperando da sua pessoa senão os sinais do seu afeto. Daí aquele luto, se alguém morre; e as trevas da tristeza, e o coração mergulhado em lágrimas, e toda a doçura convertida em amargura; e, pela perda da vida dos que morrem, a morte dos que vivem. Bem-aventurado aquele que Vos ama, e ao amigo em Vós, e ao inimigo por Vós. Pois só esse não perde nenhum ente querido, para quem todos são queridos n’Aquele que não se pode perder. E quem é Ele senão o nosso Deus, o Deus que fez o céu e a terra e os enche, porque, enchendo-os, os criou? Ninguém Vos perde, senão quem Vos deixa. E quem Vos deixa, para onde vai ou para onde foge, senão de Vós aprazível para Vós irado? Pois onde não encontra ele a Vossa lei no seu próprio castigo? E a Vossa lei é verdade, e a verdade sois Vós. CONFISSÕES, SANTO AGOSTINHO.

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