sexta-feira, 4 de setembro de 2026

FLUA-SE O VERBO


                Tal palavra nua, tal corpo de mulher despido de pudor, o verbo se faz presente sempre na oração de um ser humano, e como tanto aparece com sua sintaxe e característica, dependendo da tipificação de gênero, número e grau. Na latitude de seus significantes, outrora a concatenação de sua sintaxe seja algo complexo, tal o nome que se dê à personificação de seus sentidos mais latentes, ou no objetivo de se dizer algo a mais do que se pretenderia, utilizando a ferramenta do idioma para tal feito. Há redes neurológicas que se impõem pretender nos significados da expressão, na sua criatividade, na capacidade do homem em sua memória, na cognição inata de sua percepção e uso da massa cerebral, assim como na imanente aquisição do dom espiritual de se dizer algo com base em preceitos escriturais, ou nos estudos teológicos que alguém possa se fazer valer para compreender a palavra da Religião, ou qualquer estudo outro, de outra qualquer, na busca da compreensão de um reconhecido e amplo leque de possibilidades, bem como através da filosofia, da lógica, da gramática, ou quaisquer outras ciências. O nível de complexidade do pensamento humano transcende qualquer tipo de possibilidades automáticas de pesquisa, quando é liberto e parte de um princípio essencial, que é a expressão pura e simples. Tangencia-se um conceito, pragmaticamente urge saber o que dizer depois que em um caso de oratória em texto, a razão se encontre com um saber que faça o sentido mais sereno de um caso quase amoroso entre o verbo e a expressão... Dizem alguns sacerdotes que é nessa hora que o poder do Espírito Santo nos dá a inspiração divina para que escrevamos sobre algo, mas quando escrevemos sobre o ato de escrever, que tipo de dom seria esse que nos faz elucubrar um pensamento que atinja uma parcela de leitores sobre essa façanha maravilhosa que é escrever um ensaio sobre algo de filosofia?

                Caminhantes da vida, um dia me pareceu que o estudo do catecismo fora outrora um estudo rigorosamente pálido, mas na realidade se revela tão fúlgido como uma flor de primavera que solidamente seguramos pelo caule de espinhos, mas a ungimos do perfume de Deus, por Sua vontade apenas, através de nosso olhar atento. Quando, sob a égide da tecnologia, sabemos que as letras do verbo se nos fluem através do teclado de um computador, e que certamente serão publicadas mais tarde através da rede, em um ato de comunicação onde alguns leitores – se for de suas vontades – as lerão, tecendo a intepretação que lhes caiba, ou mesmo usufruindo de algum saber, e verão enunciadas as palavras que coloco então, no final desta frase: “todas as glórias a nosso Senhor, Jesus Cristo!” Não se tornem vãs palavras, pois certamente estampadas as letras e concatenada a frase, a mensagem terá sido dada, como mote central do ensaio, em um significante que teologicamente não se relaciona com o restante da tese, mas no sentido em que se encontra, como um agradecimento, se relaciona com uma assertiva que não poderia ficar de fora, tamanha a graça em que por vezes nos encontramos na presença d’Ele. Na verdade nua e crua, o verbo se fez homem, e a treva se fez luz, no princípio de tudo.

                Seguimos lutando para termos melhores dias, e a questão de se dizer como foi um dia qualquer, não segue sendo uma premissa tão fundamental quanto se afirmar que no exato instante do presente momento, as coisas se sucedem na hora em que estou escrevendo este pequeno texto tentando montar um quebra-cabeças de mim mesmo. Porventura neurologicamente somos abençoados, sem tirar nem pôr, quando estamos praticando algo para se ter uma boa reserva cognitiva. Apesar de sabermos da dimensão de um texto escrito ou falado, será sempre no escrito que podemos corrigir as nossas linhas, e que um áudio nem sempre corresponderá à exatidão no sentido de definir as regras exatas da compreensão humana. Diz-se que a razão na forma literária faz de um homem senhor da sua mesma sintaxe existencial, porquanto mesmo solitariamente poderá expor seu modo de pensar da mesma forma que um ficcionista cria suas histórias. No que concerna o sentido de uma frase ou período muitos estudiosos podem vir a interpretar neuro linguisticamente o sentido da expressão, as estruturas neurais, ou mesmo quiçá um comportamento reflexo de como seria a vida de quem enunciou a peça literária. O quanto ficasse distante dos predicados da lógica, se autores e estudiosos como Saussure, Peirce, ou Umberto Eco em seus estudos dos signos e da semiótica, bem como Baudrillard, e outros, como Lacan na área da psicologia, todos os autores de ponta que iniciaram o processo e foram pedras angulares na descoberta da interpretação dos signos, bem como o Psiquiatra Jung e seus estudos dos arquétipos e do Inconsciente Coletivo, tudo faz parte de um acervo onde outros autores densos, como Kant e Hegel, na filosofia, traduzindo desde sempre os enigmas da citada lógica, pudessem prever com autonomia e aprofundamento esse ramo da ciência onde mais tarde os sistemas de informática já criavam suas linguagens autônomas para cumprirem funções na robótica e na Inteligência Artificial, demandando que humanos exercitassem o tutano para dirimir os rumos e recônditos mais ocultos do cérebro. Toda essa ciência ficaria despercebida pelos usuários padrão dos sistemas, e quem passa a ser de ponta fica na área da medicina psiquiátrica, neurológica e das ciências de computação, bem como nas megaestruturas que as apoiam.

                O verbo, no entanto, fica na palavra de Jesus Cristo, o Salvador, que cria e quem destrói tudo, Aquele, Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo... As doenças continuam, assim como as guerras, as drogas e o crime. Problemas sociais nos acometem sempre, e ainda assim continuamos aprendendo, mas a fé, sobremodo, com obras, é mais luminosa do que todas as sinapses cerebrais que imaginamos, já que espiritualmente estamos alheios a tudo isso, e nem todo o conhecimento empírico vai nos ensinar o caminho das pedras, pois a honra e toda a glória está com Aquele que veio para nos salvar, como verbo único que transcende a própria literatura e sua Natureza especulativa. Pois nem sempre estaremos sabendo de tudo o que virá pela frente, e a ciência humana é algo que possui uma dialética constante, assim como se observarmos a Natureza e seus seres veremos algo mais do que apenas a revelação pura e simples de uma máquina como antes se acreditava fosse diante do poder da transformação da matéria pelo homem. Veremos a vida a pulsar, os elementos naturais como nossos mais diletos companheiros, e sairemos o suficiente do escopo de que apenas entre humanos poderemos estar nos sociabilizando no planeta. Algo de transcendente vai no rol dessa escolha do nosso olhar, e será diante dos mistérios do cosmo que a assertiva de que há um Criador por trás desse magnífico espetáculo nos fará ficar maravilhados diante do assombro que se chama o mundo e seus seres, sem contar o que há no céu: uma efusão cósmica onde sequer conheceremos sua grandeza, pois somos mais ínfimos diante da compreensão da magnitude de Deus...

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