sábado, 12 de setembro de 2026

O LABIRINTO DA ABSTENÇÃO


                    Mesmo que se fale da reserva cognitiva, o que esta significa na relação que temos com nossa capacidade em regenerar ou prever doenças degenerativas, como o alzheimer e o parkinson, não tem muito a ver com atividades que deixamos de fazer por faltas artificiais de dopamina, por exemplo, quando deixamos de consumir a nicotina, ou qualquer droga que eleve esses níveis… Mesmo porque a dopamina não é apenas um hormônio do bem estar, e em males mentais como a psicose pode estar vinculada a inúmeras funções onde apenas a medicina sabe onde e como atua, e em que circunstâncias pode estar vinculada com a melhora ou a piora do paciente, pois por vezes será justamente no seu controle medicamentoso que o médico altera a elaboração da substância para o cérebro do paciente, quando essa citada substância é demasiada no organismo.
                    Nada do que um paciente que tenha a relação com o próprio psiquiatra que o trata poderá supor algo sobre a complexidade química que afeta seus neurônios e os receptores cerebrais, pois apenas o estudo científico do médico pode conhecer de perto essa complexidade, e como tratar os diversos transtornos que alguns pacientes podem possuir, tais como a bipolaridade mais comum, a esquizoafetividade, ou até mesmo psicoses mais graves, em tal ou qual escala. Ou seja, por mais que o paciente psiquiátrico queira criticar ou alterar a medicação, se automedicar, ou mesmo deixar de tomá-la, o médico sempre deve estar ciente desse tipo de alteração ou atitude, justamente para analisar bem o caso e prevenir possíveis surtos ou recaídas, não apenas em crises psiquiátricas, como nas fugas a substâncias tóxicas, como drogas e álcool pelo paciente…
                    Quando a droga é a nicotina, o acompanhamento é sugerido ser feito por um pneumologista, na redução de danos, se o paciente possui comorbidades mentais, através de adesivos de reposição, medicamentos e o uso de gomas de nicotina como suporte, para não exacerbar sobremodo a psique fragilizada do enfermo. Isso reduz substancialmente o sofrimento imposto por fissuras, e mantém níveis de nicotina no sangue do enfermo, quando paulatinamente vai deixando de usar os adesivos e as gomas, mas poderão ocorrer recaídas mesmo assim, pois a recaída faz parte da doença e não da recuperação.
                    Tudo que gera dependência química a esse nível é passível do paciente se “rebelar” por vezes, até o ponto em que efetivamente necessite da intervenção da medicina, como respiradores artificiais, ou internamentos compulsórios no caso de pioras pulmonares. O ser humano é algo complexo em sua psique, e por vezes atravessa longos labirintos até poder se livrar de um grilhão da dependência química, muitos ficando no caminho e alguns efetivamente conseguindo obter um bom resultado, e uma vida espiritual é importantíssima nessa vereda, posto a alguns o fato de se fumar creem ser algo dessa Natureza, mas o fato é que, para se livrar da dependência química devemos passar por uma experiência mística de tal monta que encontremos a fortaleza necessária para nos livrar do vício, quando justamente entregamos nas mãos de Deus os nossos desejos, e buscamos na fé e na disciplina moral o ponto exato de podermos resistir às tentações desse tipo de engaiolamento do ser.
                    Por vezes pensamos que essas tentações são demoníacas, mas na realidade a aproximação com o vício está de fato longe das virtudes, esses carismas que recebemos do Espírito Santo. O modo de vida do adicto está muito mais afeito a pensamentos destrutivos, e estará destruindo o corpo – esse templo do nosso espírito – que Deus nos concedeu para que no mínimo o respeitássemos como obra Dele. Nada podemos nos consentir que entidades nos puxem para que fumemos diante de casos em que já estamos enfermos por causa da nicotina, pois os ritos que porventura a umbanda nos demande, mais não são do que sinais de que o corpo padecerá mais e mais com a ingestão da cachaça em suas incorporações espíritas, ou o uso do cachimbo, cigarros ou charutos, pois o pulmão não deixa de se contaminar com a fumaça desses citados rituais, e a cachaça vai direto para o sistema circulatório do ser que encarna a dita “entidade.” Nada contra as crenças de matrizes africanas, mas sempre temos de ressaltar que quem já sofre de padecimentos mentais ou físicos decorrentes do tabagismo ou do álcool no mínimo deveria evitar a sobrecarga no seu corpo ou mente. Pode participar do culto, mas com a convicção de que deverá evitar ao máximo os cigarros ou o álcool…
                    Ninguém precisa de drogas para alimentar-se espiritualmente, e Cristo mesmo veio nos ensinar que o melhor alimento do mundo não são os vícios… Aliás, longe disso. Na verdade devemos respeitar as culturas e seus credos, assim como em algumas se faz uso do peiote em rituais, em outras o mescal, mas nem por isso na civilização contemporânea devemos usar essas drogas como motivação alucinatória, bem como o uso de chás de cogumelos ou LSD para tanto, pois continuam sendo ilícitas e em sociedades urbanas isso é proibido pela lei. Os transtornos mentais causados por esses alucinógenos são inúmeros, e fora do contexto cultural podem assumir vieses sinistros…
                    Assim como as crises de abstenção de drogas como a heroína, o álcool, o cigarro, ou mesmo o crack podem gerar danos psíquicos que só com a sua redução se torna possível largar esse estranho hábito de consumir esses narcóticos. A própria maconha é certo que pode causar esquizofrenia quando muito consumida, além de causar igualmente enfisema e outros males, e sua dependência é sobremodo poderosa, quando o hábito passa do consumo considerado “recreativo”. Seu hábito é sobremodo popular, e muitos fazem uso dela, crendo que não causa nenhum dano mental, o que é deveras equivocado, apesar de seu óleo essencial servir para casos de epilepsia e afins, como doenças convulsivas ou de outra Natureza.
                    Passamos todos os seres que somos por estragos ou não em nossa psique, se desejamos continuar a consumir o álcool e as drogas do modo como o fazemos quando não podemos, diante da realidade da medicina, que afirma que não nos é permitido usar sequer um gole para não cairmos na tentação das compulsões, assim como um pneumologista afirma que um mínimo cigarro já faz mal ao ser humano, mediante todos os males que isso pode acarretar: em curto, médio ou longo prazo. Esse ato de fumar meramente é algo que nos traz prejuízos que nos faz mais críticos ao uso, mas será no escopo espiritualista que estaremos nos distanciando dos caminhos labirínticos do rumo incerto dentro do pressuposto que em toda a revelação cristã é possível escaparmos das garras demoníacas das tentações de uma vida na adição.

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