Mesmo que se fale
da reserva cognitiva, o que esta significa na relação que temos com
nossa capacidade em regenerar ou prever doenças degenerativas, como
o alzheimer e o parkinson, não tem muito a ver com atividades que
deixamos de fazer por faltas artificiais de dopamina, por exemplo,
quando deixamos de consumir a nicotina, ou qualquer droga que eleve
esses níveis… Mesmo porque a dopamina não é apenas um hormônio
do bem estar, e em males mentais como a psicose pode estar vinculada
a inúmeras funções onde apenas a medicina sabe onde e como atua, e
em que circunstâncias pode estar vinculada com a melhora ou a piora
do paciente, pois por vezes será justamente no seu controle
medicamentoso que o médico altera a elaboração da substância para
o cérebro do paciente, quando essa citada substância é demasiada
no organismo.
Nada do que um paciente que tenha a relação com o próprio
psiquiatra que o trata poderá supor algo sobre a complexidade
química que afeta seus neurônios e os receptores cerebrais, pois
apenas o estudo científico do médico pode conhecer de perto essa
complexidade, e como tratar os diversos transtornos que alguns
pacientes podem possuir, tais como a bipolaridade mais comum, a
esquizoafetividade, ou até mesmo psicoses mais graves, em tal ou
qual escala. Ou seja, por mais que o paciente psiquiátrico queira
criticar ou alterar a medicação, se automedicar, ou mesmo deixar de
tomá-la, o médico sempre deve estar ciente desse tipo de alteração
ou atitude, justamente para analisar bem o caso e prevenir possíveis
surtos ou recaídas, não apenas em crises psiquiátricas, como nas
fugas a substâncias tóxicas, como drogas e álcool pelo paciente…
Quando a droga é a nicotina, o acompanhamento é sugerido ser feito
por um pneumologista, na redução de danos, se o paciente possui
comorbidades mentais, através de adesivos de reposição,
medicamentos e o uso de gomas de nicotina como suporte, para não
exacerbar sobremodo a psique fragilizada do enfermo. Isso reduz
substancialmente o sofrimento imposto por fissuras, e mantém níveis
de nicotina no sangue do enfermo, quando paulatinamente vai deixando
de usar os adesivos e as gomas, mas poderão ocorrer recaídas mesmo
assim, pois a recaída faz parte da doença e não da recuperação.
Tudo que gera dependência química a esse nível é passível do
paciente se “rebelar” por vezes, até o ponto em que efetivamente
necessite da intervenção da medicina, como respiradores
artificiais, ou internamentos compulsórios no caso de pioras
pulmonares. O ser humano é algo complexo em sua psique, e por vezes
atravessa longos labirintos até poder se livrar de um grilhão da
dependência química, muitos ficando no caminho e alguns
efetivamente conseguindo obter um bom resultado, e uma vida
espiritual é importantíssima nessa vereda, posto a alguns o fato de
se fumar creem ser algo dessa Natureza, mas o fato é que, para se
livrar da dependência química devemos passar por uma experiência
mística de tal monta que encontremos a fortaleza necessária para
nos livrar do vício, quando justamente entregamos nas mãos de Deus
os nossos desejos, e buscamos na fé e na disciplina moral o ponto
exato de podermos resistir às tentações desse tipo de
engaiolamento do ser.
Por vezes pensamos que essas tentações são
demoníacas, mas na realidade a aproximação com o vício está de
fato longe das virtudes, esses carismas que recebemos do Espírito
Santo. O modo de vida do adicto está muito mais afeito a pensamentos
destrutivos, e estará destruindo o corpo – esse templo do nosso
espírito – que Deus nos concedeu para que no mínimo o
respeitássemos como obra Dele. Nada podemos nos consentir que
entidades nos puxem para que fumemos diante de casos em que já
estamos enfermos por causa da nicotina, pois os ritos que porventura
a umbanda nos demande, mais não são do que sinais de que o corpo
padecerá mais e mais com a ingestão da cachaça em suas
incorporações espíritas, ou o uso do cachimbo, cigarros ou
charutos, pois o pulmão não deixa de se contaminar com a fumaça
desses citados rituais, e a cachaça vai direto para o sistema
circulatório do ser que encarna a dita “entidade.” Nada contra
as crenças de matrizes africanas, mas sempre temos de ressaltar que
quem já sofre de padecimentos mentais ou físicos decorrentes do
tabagismo ou do álcool no mínimo deveria evitar a sobrecarga no seu
corpo ou mente. Pode participar do culto, mas com a convicção de
que deverá evitar ao máximo os cigarros ou o álcool…
Ninguém
precisa de drogas para alimentar-se espiritualmente, e Cristo mesmo
veio nos ensinar que o melhor alimento do mundo não são os vícios…
Aliás, longe disso. Na verdade devemos respeitar as culturas e seus
credos, assim como em algumas se faz uso do peiote em rituais, em
outras o mescal, mas nem por isso na civilização contemporânea
devemos usar essas drogas como motivação alucinatória, bem como o
uso de chás de cogumelos ou LSD para tanto, pois continuam sendo
ilícitas e em sociedades urbanas isso é proibido pela lei. Os
transtornos mentais causados por esses alucinógenos são inúmeros,
e fora do contexto cultural podem assumir vieses sinistros…
Assim
como as crises de abstenção de drogas como a heroína, o álcool, o
cigarro, ou mesmo o crack podem gerar danos psíquicos que só com a
sua redução se torna possível largar esse estranho hábito de
consumir esses narcóticos. A própria maconha é certo que pode
causar esquizofrenia quando muito consumida, além de causar
igualmente enfisema e outros males, e sua dependência é sobremodo
poderosa, quando o hábito passa do consumo considerado “recreativo”.
Seu hábito é sobremodo popular, e muitos fazem uso dela, crendo que
não causa nenhum dano mental, o que é deveras equivocado, apesar de
seu óleo essencial servir para casos de epilepsia e afins, como
doenças convulsivas ou de outra Natureza.
Passamos todos os
seres que somos por estragos ou não em nossa psique, se desejamos
continuar a consumir o álcool e as drogas do modo como o fazemos
quando não podemos, diante da realidade da medicina, que afirma que
não nos é permitido usar sequer um gole para não cairmos na
tentação das compulsões, assim como um pneumologista afirma que um
mínimo cigarro já faz mal ao ser humano, mediante todos os males
que isso pode acarretar: em curto, médio ou longo prazo. Esse ato de
fumar meramente é algo que nos traz prejuízos que nos faz mais
críticos ao uso, mas será no escopo espiritualista que estaremos
nos distanciando dos caminhos labirínticos do rumo incerto dentro do
pressuposto que em toda a revelação cristã é possível escaparmos
das garras demoníacas das tentações de uma vida na adição.
sábado, 12 de setembro de 2026
O LABIRINTO DA ABSTENÇÃO
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