domingo, 12 de julho de 2015

PANORAMA E EXISTÊNCIA

Saiba o homem que quando sai de seu ventre para dentro de seu ser
No amplexo em que nos pensemos maiores do que tudo,
Seremos apenas um gesto de uma erva em Vrndavana
À espera de um passo do menino deus que caminha sobre os prados...

Saibam que não há como tentar outros que sabem que não sabemos
Do quase nada, pois se temos certeza de algo
É apenas para aceitar tudo aquilo que já estava escrito há muito!

Se a plataforma é de contendas brutais, deixemo-los na peleja
Pois que o mundo é de palavras e questões baseadas na Verdade
Em que o poeta ponteia seus significados a partir do que vive
E não nas assertivas enclausuradas dentro de uma tela de líquido cristal.

Como se plasmar frases, a coisa brota muito antes de vocês pontuarem
Outros pontos que se perdem no faraônico mundo de mentiras
Pois que se chama consciência quem está nela e ponto sem reticências.

Saibam inferir da lógica, pois esta é sagrada na voz e na vida da poesia
Quando encontra algo a se dizer para encerrar a editoria
De mais um dia de lutas onde se diga que se é espiritual
Todo aquele ser que se torna a bondade para viver no mundo.

ENERGIA SUPERIOR

            Temos a capacidade para compreender certas coisas que devem nos dizer respeito, e a esse propósito saibamos do critério que exista um controlador na Natureza. Mesmo em uma nave espacial há um controlador, uma torre que dirige, como uma ação possui um executor, e uma máquina seus botões que a ligam, ou a energia necessária para que funcione. Esta energia vem da Natureza, seja em minério atômico, em água em queda, no calor, na luz do sol, nos quantas, onde há. Não pensemos sermos senhores de tudo o que há, pois em tudo o que há no planeta Terra existe o Controlador: e este está longe de ser um possível controlador Orwelliano, como o Grande Irmão, do 1984. A energia da natureza material está além disso, e esta energia material que tudo controla ainda é inferior à energia espiritual, diretamente vinculada ao Criador de tudo, Krsna, ou Deus, de onde somos partículas muito diminutas, quais centelhas, em que uma já anima um corpo complexo como o nosso, uma máquina que perece. O corpo envelhece, aliás, nasce como outro corpo, e vamos trocando de corpos durante nossa existência, pois ao nascermos somos muito distintos do que quando estamos mais velhos. A compreensão do fato de envelhecermos e abandonarmos o corpo é fundamental para compreendermos que não somos o corpo, mas o espírito. E que tudo o que há e o que haverá e o que ainda não sabemos e nunca saberemos a respeito do infinito espaço que nos cerca neste mundo repousam quais pérolas ensartadas em um cordão. Para isso temos que transcender o próprio conceito de vida que por vezes erroneamente assumimos perante o mundo. Esse florescimento da consciência pode surgir em quaisquer pessoas, basta ter contato com uma vida mais espiritualizada, tentar se desapegar do apelo dos sentidos, pois que, em nossos tempos modernos não há outra saída, já que o mundo ainda atravesse uma era dourada, uma chance de recuperarmos, reconstruirmos e mantermos a Natureza e seus coadjuvantes – como os seres, arquitetura, etc – de modo a tentarmos salvar o mundo e seus seres das misérias materiais infligidas a outros ou a si mesmos... Se a consciência de um homem, de uma mulher, ou de um percevejo pode estar no mesmo nível, saberemos mais sobre a questão do mundo em que vivemos, pois comer, acasalar-se, dormir e defender-se são características também dos insetos, dos cães, dos gatos, mas garanto que destruir a natureza ou produzir matadouros em série não é característica dos bichos. Há que se reiterar que a espécie evoluiu para destruir a outras e Darwin, como toda a ciência, quando aprisiona alguns espécimes para fazer experiências, está desrespeitando um ser ou seres e mais seres que possuem o direito inalienável de viver neste planeta como qualquer um, com seus próprios e naturais sistemas, herdados pelos códigos que não são genéticos, mas possuem vitalmente a mesma importância a que evitemos na matança o excesso de carma que assola a nossa irresponsabilidade perante o mundo. O mal não é propriamente o que sai da boca do homem, mas muitas vezes é o pecado que ingerimos, e se o fazemos, possuamos consciência de que estamos pecando.
            A educação de uma sociedade passa necessariamente pelo progresso espiritual, se não fora, não há como evoluir espiritualmente, o que procede como compreensão necessária do que seja uma evolução real. Não adianta a matéria ser o princípio, não adianta transformarmos toneladas de soja em ração animal de engorda, se o que temos pela frente é apenas o egoísmo e o hedonismo como pretenso salvacionismo de nossos erros e conceitos duvidosos. Gozar a vida, caros amigos, não é apenas o prazer de estarmos confortavelmente inseridos no contexto, mas sim conscientes do que é a realidade, e quando pensarmos que estamos controlando algo, saibamos que somos meras marionetes de um sem tempo de algo mais abstrato do que imaginamos saber.

VERSO 15

15.
Óh Hrikesha, daí-me a luz para que eu possa ver
Com a claridade de sentidos controlados,
Óh Mukunda, óh Damodara, óh Govinda,
Ponha-me ao Teu serviço e que seja essa
A minha missão na Terra...

Começo a ter uma mente mais clara,
Como a luz do Teu olhar que me diz
Por onde devo ir, o que tenho que fazer
Para alcançar-Te, Óh Pessoa Suprema!

Amo-Te com todas as forças de meu ser,
Perdoe-me por pecar em não lembrar-Te
Nos momentos de esquecimento...

Recobro, pois, com força e fé e tento
Não me desviar de Ti, Óh Senhor dos três mundos!
Faço da minha vida apenas uma poeira
De Teus pés de Lótus.

Me dizes como eu tenho que me portar,
Dizes-me na minha fé,
Nas escrituras, nos passatempos,
Nos versos védicos, na omnisciência,
No conhecimento, na ciência,
Nos devotos, em tudo, até em um gole d’água
Te encontro agora e sempre!

DESCRIÇÃO DE UMA OBRA

            A obra é de arte, premissa básica, mas não comecemos por lógica, pois havia um ponto, uma reta, Kandinsky talvez ensinasse cabalmente... O suporte, quadrado quase perfeito, com um detalhe: mal cabe no cavalete, mas este aprumasse no lugar de colocar os pincéis, podemos diluir as tintas com querosene, mas terebintina é mais clássico. Há um tom que se formou de uma antiga pintura, que fosse etrusca, algo assaz antigo, mas sim, talvez o suporte fosse antigo igualmente. Tracemos os desenhos, quais arabescos, reforçando para não perder o nexo da forma, a que tentemos dizer algo, como um suposto literato tenha para dizer.
            A obra está pronta, quase, mas parece inacabada, uma obra em aberto, os parênteses de suas funções na percepção, seja de onde esta vier, um peça de arte de tinta, tanto que dá para ver os relevos... Uma mancha azul recobre um nicho de aparente cinza que lembra o cimento, mais eis que se ergue um poste laranja, tecendo lindos contrastes, posto azuis e laranjas com várias nuances cromáticas, o que revela maestria do pintor. Miríades de pequenas pinceladas, feitas de borboletas crescem de cima para baixo, como em um pouso coletivo da Natureza fazem da transição entre as cores um ponteio poético e de lilases em fuga. Há apenas uma pincelada em vermelho encimando uma torre verde de marfim, entre verdes e cinzas coloridos que não se passa nada a que tivesse qualquer significado, pois é de um abstrato a pintura, mesmo sabendo-se que em um espaço vazio de outras quimeras há pontes que unem superfícies de cores várias, sempre dentro da complexidade de uma harmonia de vários timbres.
            Eis que surge um rosto, algo côncavo, traçado em três segmentos de linha, e outros, mais espaçados e curvos, com o pincel de um siena natural, pespontado com o siena queimado, e valorizado com turquesas nos olhos de quem vê, pois pode ser que não haja qualquer azul desse quilate, mas a palheta manda que simplesmente exista dentro do compasso dessa pequena música de cores... Assim é do que um interpreta, não queiram nunca que a crítica saiba o significado da arte, pois o maestro que desfruta pode nunca ter visto uma tela no xingú. Uma pintura para indígenas, mas eis que o índio olha dentro da tribo e vê, em um modo de alcance sem igual, que em seus passeios pela floresta tem visitado cores que existem... E, quando veio à cidade, viu muito daquele cinza, daquele cimento, e viu braços e mais braços dando fé de outras obras, e viu braços obreiros, e viu também, em sua passagem no sair da reserva outros serrando as seivas, roubando troncos, e nada viu mais, pois viu que não demarcaram ainda quando seria o tempo, e viu a televisão, e viu e sentiu o gosto da cachaça, e foi boia fria, e viu o calor do sertão, viu o sofrimento e sofreu, e mesclou-se na excludente vida. Eram anos de chumbo o que viu, percebeu as fronteiras, e nada mais do que havia em suas próprias que não existiam sequer, e viu o branco, e viu a morte, mas nada viu... A obra está largada na terra, meio enterrada, meio nua, a sentir na veia que passou por ali outro mestre da pintura que ninguém conheceu, pois que apenas vivenciou o túmulo da cultura em um país latino americano, e os rios se formaram de dentro da pintura, a Amazônia pediu ajuda e não a deram, e tudo o que se fez no país perdeu o sentido, e os homens não perceberam mais nada, pois ficaram articulando paraísos prometidos de dentro de celulares, ou mesmo fins do mundo de dentro de livros de capa preta. E não houve mais a arte, foi definhando pouco a pouco até que uma queda de um grande jacarandá destroçou o que restava da pintura, e as raízes abriram um grande buraco na seiva da terra, e esta pediu socorro, e não deram, e continuaram, e continuam...

VERSO 14

14.
Urge o tempo inexorável
Em que permaneçamos na virtude
De encontrar a Ti, Pessoa Suprema,
Em nossas vidas de tantos e tantos reveses...

Urge o tempo inumerável
De em Ti estarmos, na condição substancial
Em unidade, tolerância, bondade e lembrança
De sermos eternos em Tua presença somente...

É fremente o desejo da união com o Criador que és,
É pertinente o pensamento em Ti, sem desvios,
A palavra¸ os nomes sagrados, tudo o que leva
À Verdade Suprema, uma e única
Em nossos acertos, em nossas tentativas...

Rogo que saiba eu dominar os ventos,
Segurar as rédeas de meus sentidos imperfeitos,
Aprumar o barco neste oceano material,
Seguir rumo à virtude e ao conhecimento verdadeiro...

Urge, sempre o tempo nos diz que o momento
É o de sempre, é eterno e nos traz notícias
Dentro da bondade, da fé e do carinho
Que temos por Ti, óh Krsna,

Manancial de todas as fontes cristalinas
Pedra preciosa com luz própria,
Segmento e totalidade,
Uno e dual,
O simples e o inenarrável rumor cintilante
De que estais no coração de cada ser!

VERSO 13

13.
Talvez eu saiba onde estou,
Em um planeta material, mas há tantos mundos...

Quando penso que sei das encarnações de Krsna
Olhando para o mar e vendo as ondas inumeráveis,
Lembro que cada uma pode ser inumerável,
Pois contém inumeráveis gotas e estas,
Inumeráveis átomos...

Tudo, e em tudo, é e há Deus, Krsna.

Sigo pensando no que é todo penetrante,
No que é todo presente, no que é
Incomensurável grande e no que é
Infinitesimalmente pequeno,
Na partícula e no todo, e vejo Krsna
No conceito, na filosofia e na fé...

Vejo-o por toda a parte,
Em uma formiga,
Em um monge,
Em uma pedra.

Gosto de pensar em Ti, Óh Adorável
Criador do manifesto e do que ainda se manifestará,
Do criado, da aniquilação, da atividade e do repouso
Creio em Ti, meu Deus
Por que Tu já és toda a minha vida...
Haribol!

VERSO 12

12.
Sou qual uma pequena e finita estrela
Navegando por uma selva material...

Da vida tenho um bem inigualável
Que é o que sou, o espírito, alma
Vestida por um tosco corpo, este
Que me envolve nas transformações
De uma matéria inerme e oca,
Me pondo à prova...

Tento me desapegar,
Mas os sentidos por vezes vêm
Em turbilhão, e a luxúria me pega
Desprevenido, como a uma corça solitária
E vulnerável no campo.

Quando escapo dos ditames de Maya,
Comemoro como se fosse sempre
O primeiro de incontáveis instantes
De minhas tentativas rumo à liberação.

Escrevo versos solitários, mas quero
E devo escrever somente a Ti, Krsna,
Deus onipresente em meu pobre peito
E nas vicissitudes dos sofredores,

Dos caídos e, mais ainda,
Naqueles que Te buscam, no sagrado,
Nos que tentam como eu se aproximar
De Ti, Óh Personalidade inconcebível!

VERSO 11

11.
Krsna, Óh Krsna, Krsna, Ser adorável,
Personalidade Suprema em tudo o que há,
Quem dera eu pudesse de Tua pessoa falar
E estar eternamente ao Teu lado...

És tudo o que de melhor existe,
Pois significas a própria criação,
Emanas todas as energias da imensidão,
És única esperança real de quem é triste...

Navegas pelos olhos dos homens
E pela manifestação da matéria
Das idéias Tu és a mais séria
E reinas entre os sagrados monges.

Quisera eu poder compreender-Te
Dentro do arcabouço material
Poder estar finalmente em ver-Te
E achar o fenômeno sagrado natural.

VERSO 10

10.
Quem dera se falássemos sobre tudo
E percebêssemos que falamos
Quase sempre sobre nada...

Falamos das guerras, da fome, das misérias,
Mas esquecemos de toda a bem-aventurança
Que acontece no reino espiritual,
Nos esquecemos de Ti, óh Krsna,
Como o Senhor inigualável que controla
Todas as dimensões, tanto espiritual,
Quanto esta feita de matéria, responsável
Pelas nossas infelicidades,
Pelas tristezas e infortúnios,
A Maya que nos abraça desde que nascemos...

Lembremo-nos de Ti, óh Krsna,
Senhor insuperável, rei dos nossos sentidos,
De nossos desejos, de nosso espírito,
Este encerrado pelas vestimentas da matéria
Neste planeta onde cumprimos a nossa missão.

Creio que possamos trilhar... Sim!
Mas apenas pela graça do Senhor,
Por Sua paz, por Sua bondade.
Sejamos apenas instrumentos nas mãos maravilhosas
Desta Verdade Suprema e insuperável! Haribol!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

VERSO 9

9.
Krsna, Teu nome é o inumerável
Dentre todos os universos
E fora de qualquer compreensão humana.

És inconcebível... Qualquer filosofia mundana
Jamais compreende os Teus pés de lótus!
Quanto mais a Tua sabedoria eterna, imutável,
Suprema e onipenetrante.

Rogo a Ti, óh controlador dos universos,
Que me mantenhas em Teus pés
Como jamais acreditei que houvessem
Tamanha opulência e glória em Teu serviço.

De minha pura e simples humildade
Sou de uma gratidão inumerável,
Pois que me destes a chance
De conhecer Teus santos nomes
E Tuas glória inenarráveis,
Posto que sou apenas um átomo em um universo...

Compreendo-Te em minha humilde posição,
Compreendo-Te apenas um instante de Tua presença.
Olho para as ondas do mar e lembro:
És tantos, como tanto
É o Infinito Supremo!

VERSO 8

8.
Óh clarão da consciência, óh nuvem
Que traz fertilidade à terra...
És força maior de todas as forças
Que são benéficas ao espírito
E que trazem fertilidade ao amor!

Óh sentimento eterno, Óh Luz Suprema!
Rogo-Te que me acompanhes em minha vida,
Que sejas parte de mim... Mas antes,
Que eu seja inteiramente Teu.

És um nascer do sol eterno em meu peito,
És uma notícia alvissareira, o manancial
De toda a bem aventurança, és a fonte
De todas as qualidades espirituais, a força
Que move a matéria e que a destrói.

Meu amor que tenho é totalmente Teu,
Óh Mukunda de olhos de lótus...

Rogo-Te a proteção em meu merecimento
Ou me ignore caso eu falte
Com as minhas obrigações espirituais
Com relação a Ti, Óh Verdade Absoluta!

Creio em Deus, Tu, Krsna,
Com todas as forças que possuo.
Prosto-me aos Teus pés de lótus,
Por favor, ponha-me ao Teu serviço.

VERSO 7

7.
Amo a Deus mais que tudo no mundo,
Rogo-Te que me cuide e proteja,
Que de Krsna minha vida seja
É meu desejo único e profundo.

Penso em Ti, óh Criador Sublime,
Teus Olhos de Lótus sobre a Natureza,
Por Ti vejo tudo com mais beleza
Da matéria ao espírito que nos redime.

Sinto flores a brotar em meu peito
Nas vezes em que Teus nomes canto
Como um trabalho alegremente feito...

Sigo a vida com todo o encanto
De poder assim Te conhecer
Qual menino com o peito a florescer.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

HOMENAGEM A CAMUS

Retrai-se um homem em uma esquina, quando vê que outro o acompanha
Com sorrisos ferozes de escárnio onde nunca seria a mesma quinta-feira...

De uma voz, ouve-se a mulher, cantando, mais um verso, espalhando
Algo em se dizer no apartamento ao lado, a mais do que um veludo lilás...

Sabe-se que não se espera por vezes, um que anuncia uma primavera
Em que forças temem que esta chegue com suas cores normais
De que seriam das próprias flores, a que não se remeta o cabal
Antes de sabermos que um estrangeiro não sabe sempre o idioma...

De tudo antes, que as antenas de Pablo saberiam mais do que a poesia
Quando Guernica se pronuncia dentro de nossos lares, a saber,
Que a própria pronúncia de Franco demonstra uma ilha a se resistir...

Não haveremos de ser totalmente seguros na parafernália da lentes,
Não haveremos de não podermos nos beijar sob um semáforo de monóculo
Quando soubermos que o amor brota quando nos amamos mais do que tudo!

Seria fácil o de se dizer, mas que a máquina sobrepõe um véu tênue de chumbo
Em que saberia algo um homem que anda sobre os vértices de não temer
O que talvez devesse por desconhecer a própria geometria do caminho...

Algo no ar já não está no ar, está no recorte do jornal, está no sky line,
Algo está em uma massa que não prediz o futuro, pois que este vem embalado
Por sensores que embalam as consciências dentro do ser do nada.

Camus revive um profético desatino de sua própria Argélia
Quando saibamos que somos todos na igualdade de véspera
Aonde se espera que estejamos quase prontos a anunciar um monstro...

A arte brota, e Isabelita Allende mostra seu sorriso de escritora
Entre tantos que sabem do que se pretende no nosso pretérito
Na construção de uma esperança de um tempo verbal não subjugado!

DESCULPAS

            Perdão a todos que se me abraçasse a loucura. Que me abraçasse forte, sem reticências, pois se há de ser um pouco louco – nem por isso tanto – que seria bom de ver aos companheiros de jornada nas ruas abraçando a si mesmo sem a convenção de qualquer laivo hipócrita... O de se escrever é mais, carregando o escritor suas palavras aonde quer que esteja, pois não é necessário um pincel, querosene e as tintas. Basta uma pena, que escreveria com o meu próprio sangue... É de lutas o falar-se, pois a palavra será maior do que quaisquer quedas, a não ser que apaguem as lâmpadas rompendo seus bulbos. O tirocínio do trabalho per si não dará a retaguarda única de nossos propósitos de vida, pois acima das questões trabalhistas residem outras de inequívocas importâncias. A existência de um homem por vezes estranha uma sociedade em que muitos não se encontram na profética assepsia dos desatinos convexos, profundamente abertos ao mundo externo de cada ser, a ser da introspecção algo mais raro, posto obviamente muitos não terem tempo sequer para parar, meditar ou outro modo da mesma retaguarda existencial. De outra feita, não será possível engessar os braços e mãos da autoria, pois como Borges, cego, ainda existe o dita-fone.
            Na verdade, peço mais um perdão que me seja concedido, desta aos devotos quais sejam, que por vezes não relembro bem como me associar com outros que não suspendem meu pensamento que não fora mais o suficiente a compartir da mesma semântica dos pensamentos coloidais, na superfície tênue de uma água e suas experiências de placebos... Como algo inconsciente, vejo apenas que meus companheiros de enfermidades saibam da realidade deles a que me aproxime mais do que estejam apenas dialogando – graças – com a esperança... Apenas, que me perdoem novamente por uma assertiva quase lunática, acredito que os vigamentos das palavras possam estar ligados, aí sim, como em se plasmando o que se é de manter como patrimônio, deste que vos fala e nunca o deixará de fazer, nem que o seja com apenas algumas sílabas sem conexão!

quarta-feira, 8 de julho de 2015

VERSOS 6

6.
No meu caminhar eu via sempre o rastro
De meus desejos materiais, o ego inflado
Qual balão nas mãos de um menino
Que o solta para ver subir ao céu...

Um balão à procura do desconhecido,
Ou de verdades feitas de mentira.

Tateava em busca do incerto
Ou do que contam ser certo:
Hábitos, comportamentos
Que me afastavam da Suprema Verdade.

Agora sinto o hálito da primavera
Em meu peito que já sofrera tanto
Em sua procura insana pelo nada.

Agora sinto a virtude em meus passos,
Sinto o conforto de estar mais perto de Deus,
E o orgulho verdadeiro de ter alcançado
A Ti, Óh Verdade Suprema e absoluta.

Rogo estar eternamente a Teu serviço,
Rogo-Te ser um átomo eterno em Teus Pés de Lótus
Ser simplesmente um devoto
A serviço de Tua maravilhosa existência...

Como um pássaro que voa na vastidão do céu
Em consonância com os ventos
E com as chuvas, estes que não me podem
Impedir da realização no que versa ao espírito...

A CIÊNCIA DEVOCIONAL

            Não importa a que viemos, se tortos, rotos, enclausurados, livres ou mesmo hábeis em algo. Pressinto que a devoção é realmente uma planta que regamos, cuidamos que cresça, que floresça, pois seus frutos são o resultado de estarmos em bhakti-yoga, a que floresçam os próprios átomos, pois em cada núcleo reside o Supremo Senhor Krishna, ou, como queiram crer, quaisquer nomes... Não há distinção em termos essenciais, mas que me reservo a crer em Krishna sobre todos os aspectos de minha eterna busca como religioso. O religar-se em bhakti é tarefa de renúncia, de controle dos sentidos, de trabalho em consciência diuturna, nem que o seja qualquer ofício, doando-se esse sacrifício a Deus.
            Saber que a ciência especulativa obtém seus progressos é inequívoco, mas não há deuses na ciência, esta não consegue criar a vida, nem ao menos um mosquito, e tem demonstrado, na superfície do planeta, ter destruído muito mais do que preservado, o que coloca em xeque a natureza de humanidades tão necessária nos dias atuais, em um modelo ainda mecanicista de apropriação e abuso de nossas vertentes naturais. Jamais será uma bênção ficar rico, e saibamos igualmente que a terra não é propriedade do homem, pois que este veio depois da existência daquela. Os sacrifício de um ser humano, seus esforços, seu trabalho, deve ser dedicado a alguém, em suas lutas de emancipação procurem melhores relações de trabalho, mas uma ordem renunciada de vida coloca o devoto na posição de ser um bakta em quaisquer circunstâncias... Essa posição filosófica está nos shastras – escrituras védicas. No capítulo doze do Bhagavad-Gita, como Ele é, demonstra-se o serviço devocional, elucidando o que é ciência religiosa, ou ciência de Deus.
            Podemos saber algo de física quântica, as cordas, os spins, as frequências atómicas, mas não podemos nos igualar em consciência ao Criador, pois este é não nascido, uno e ao mesmo tempo multifário, incompreensível até por semideuses como Shiva, Brahma ou Indra, e inumerável como as ondas dos oceanos em suas encarnações que regem tudo o que há e no imanifesto em que, no vácuo da não criação não existe a menor possibilidade de que Ele não esteja presente, pois reside no oceano causal... 

terça-feira, 7 de julho de 2015

VERSOS 5

5.
Saio às ruas da cidade e vejo
Acordes simultâneos da matéria...

Busco consonância, harmonia e sinto
Dissonâncias, atritos e misérias.

A luta pela existência é dura,
Por vezes chego a fraquejar à dificuldade.

Caio em mim, vejo as nuvens do céu
E me lembro de Ti, óh Senhor Supremo.

Derrotas até o maior medo,
Controlas os sentidos desta natureza

Que nos atam ao planeta a menos que
Nossa consciência floresça ao ponto

De abrir as cortinas em que nos envolvem
Os três modos da natureza material.

Busco-te ao menor presságio e alcanço-te
Quando canto os teus maravilhosos nomes.


Assim sigo, sentindo uma luz crescer em meu coração
Qual archote em meio à escuridão, brilho inenarrável,

Finalmente seguindo os ditames do espírito
Supremo em sua sabedoria eterna...

Que seja, um alento infinito para um homem
Que crê ser mais uma partícula de Teu ilimitado mundo.

VERSOS 4

4.
Na água que bebo todos os dias,
No seu sabor, sinto a presença de Krsna!
Vejo silencioso o tempo que vai vencendo o meu corpo,
Mas ao mesmo tempo vejo o espírito
Que a mim aflora. E pareço muito jovem
Neste caminho de realização espiritual...
Um caminho em que brotam em mim
Todos os sentimentos
De estar com Deus em todos os lugares,
Em todas as ruas, nos escritórios,
Em uma paisagem... E quando acho que vou esquecer
Olho as nuvens e vejo a Tua tez,
Olho o sol e vejo o Teu olhar, e a lua, as estrelas,
O Teu universo.

E sempre é um recomeço, e no mahamantra
Sinto a Tua presença em cada verso.
Sigo pensando em Ti, Hrsikésa,
Senhor dos sentidos, pois que a Tua consciência
É a minha maior dádiva, é tudo pelo qual
Tenho sonhado toda a minha vida,
É um sentimento que sinto possuir
Desde que nasci, é como uma vida completa,

Pois eu não a teria se não fosse por Ti!

ABRA-SE A BASTILHA

Que se tenha consciência, pois a poesia não morre a quem existe,
Dentro do que se suponha que sempre existiu em sua latência ou não
Para que o paradoxo nos mostre que a luxúria também é cárcere...

Compramos muito, agradamos aos sexos, pontuamos memórias, e nos vemos
Dentro de uma selva material onde bastilhas encravadas no nosso ser
Revelam insopitáveis destinos onde os mais presos são efetivamente
Os que revivem a simples liberdade de estarem no paraíso, qual inferno
Em que consumimos o mesmo fogo de kundalini ao fecharmos o ciclo
De uma busca hedonista onde quem ganha é propriamente o sistema
Que através de sua especulação material manipula nossos ventres
Dentro de um coração refrigerado que verte na mesma pulseira de aço
A semântica que não gostaríamos sempre que fosse desse modo
Ao que pareça estarmos dentro de um moto contínuo enquanto o tempo
Se esvai nas gotas de nossa superfície onde quando se pensa que a poesia
Morre a cada segundo, mas que no viés a construção de seus períodos
Se presta a uma interpretação anódina onde as traições ponteiam
Na repetição eterna de um retorno que não há na face mesma da história!

VERSOS 3

3.
Visto as roupas poucas que as tenho
Por todos os dias em que existo...
Penso, a cada hora nas roupas diferentes
Que traduzem o mundo material.

Penso em meu corpo, uma simples vestimenta
Para os homens quase sempre igual.
Templo de meu espírito, corpo és...
A face deste mundo feito de misérias,
A parte de se estar mas não se ser
Porque se ser, Krsna, é estar aos Teus pés,

Evitar tudo o que se respeita à matéria
E a vida espiritual finalmente conhecer.

VERSOS 2

2.
Quem dera fosse eu uma folha
Insignificante sob os Teus pés de lótus,
Ou um grão de poeira nos caminhos de Vrindavana...

Seria a consagração, meu corpo atual
Feito de pele, ossos, muco e sangue
Passaria a ser apenas uma união simples de átomos,
Mas meu espírito seria pleno
Da boa aventurança transcendental...

Procuro-Te nos seres, nas gaivotas
Que descrevem seus vôos, nas abelhas
Que polinizam suas flores, nas vespas inquietas,
Nas vacas que ruminam seu alimento,
Procuro-Te nas nuvens enegrecidas,

No som do mantra, nas quedas d'água,
No despertar da primavera tardia...

Encontro-Te em tudo, e tudo és Tu.
Respiro-Te nos ventos e sinto imensamente
A Tua presença no Bhagavad-Gita.

Inibo-me na presença dos devotos
Como quando preservamos um tesouro...
Apesar de muito solitário, sinto
Toda a felicidade de Te ter no meu peito.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

VERSOS 1

1.
Krsna, abençoado Senhor,
Dos universos manifestos e imanifestos
És archote, conhecimento e felicidade...

Rogo a Ti a proteção de Teus braços,
O Teu olhar indescritível, a Tua voz
Que nem sequer ouso imaginar
Pois de todos os caídos eu sou o mais.

Peço-Te uma transparente vida,
O hálito do sol em Vrindavana,
Uma vida simples, sem a parafernália
Da matéria que não seja a Teu serviço.

Canto os Teus nomes e um sorriso
Se avizinha em meu peito,
Um toque da Superalma nos versos sagrados
De meu coração...

Por vezes vejo a superfície
Cristalina de Teus olhos
Em um óleo que por Tua graça eu pintei
E que, sempre vivo, me faz recordar

A Tua superfície de cristal,
Como uma pedra maravilhosa
De onde emana tudo, em todos os tempos,
E que se revela na vida dos devotos!