domingo, 25 de outubro de 2026

Então, por uma visão, revelastes ao Vosso já mencionado bispo onde estavam escondidos os corpos dos mártires Gervásio e Protásio, que no Vosso tesouro secreto havíeis guardado incorruptos por tantos anos, para que a seu tempo os produzísseis a fim de reprimir o furor de uma mulher — mas imperatriz. Pois, quando foram descobertos e desenterrados e, com as devidas honras, transladados para a basílica ambrosiana, não só os que eram atormentados por espíritos imundos foram curados, confessando-se os próprios demônios, mas também certo homem, cego havia muitos anos, cidadão bem conhecido na cidade, tendo perguntado e ouvido a razão daquela alegria confusa do povo, levantou-se de um salto, pedindo ao seu guia que o levasse até lá. Levado, suplicou que lhe permitissem tocar com o seu lenço o féretro dos Vossos santos, cuja morte é preciosa aos Vossos olhos. E, tendo-o feito e levado o lenço aos olhos, estes se abriram no mesmo instante. Daí se espalhou a fama; daí resplandeceram e brilharam os Vossos louvores; daí o ânimo daquela inimiga, ainda que não convertido à sanidade da fé, foi todavia desviado do seu furor de perseguir. Graças Vos sejam dadas, ó meu Deus. Donde e para onde conduzistes assim a minha memória, para que Vos confessasse também estas coisas — que, ainda que grandes, eu deixara passar no esquecimento? E, contudo, então, quando o perfume dos Vossos unguentos era tão fragrante, não corríamos atrás de Vós. Por isso chorava eu mais entre os cânticos dos Vossos hinos, eu que outrora suspirava por Vós, e que enfim respirava em Vós, tanto quanto o sopro pode entrar nesta nossa casa de feno. CONFISSÕES, SANTO AGOSTINHO,

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