Em pé, nas filas do pão, nas pastorais, nas missas, nos coletivos, nos
hospitais,
Vemos gente em fileiras, mal sabemos direito quem são e o que pensam
E, no entanto, são cidadãos em busca de algo, quem sabe, bom ou ruim,
Para eles o ruim que seja bom, para outros o bom que não prejudique a si...
Ou de não saber-se lá quem somos, eu e você, quem escreve e quem lê
Uma estrofe de poesia inconcludente, o que faz sentido a quem é fonte
E o que passa ao largo da compreensão naquilo que busca no eu o artifício
veraz.
Um sentido em se viver plenamente o possível, mesmo que a plenitude seja um
pouco...
Naquilo de se pensar o provável, quem sabe o homem e a mulher se encontrem em
um olhar
No dia seguinte, e jamais vão se conhecer realmente, pois o homem tem o
compromisso
E a mulher congela estupefata em sua mera curiosidade de saber o que não quer.
E no alargar-se de fato, os objetos fazem de sua história, o dinheiro passa a
ser a razão
Continuando a vida como se nada dos encontros ocorridos em um dia fizesse
sentido real
Mesmo que soubéssemos que essencialmente as coisas poderiam ter sido diferentes
Se se houvesse permitido que o olhar alavancasse uma palavra apenas, e o afeto
fosse fato...
terça-feira, 20 de outubro de 2026
OS VIAJANTES DO LADO
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