No ar das
montanhas, em lugares distantes, sopram ventos tépidos que fazem os homens
pensar em primaveras, onde os pulmões, plenos, sentem os albores da juventude,
e onde os corações mornos crepitam as paixões pela Natureza que navegam por
pequenas florestas, tal a dimensão do ser que somos, e tomados como que por um
espírito nos lembramos de Deus. Não somos todos os que pensamos assim, pois
aqui no baixio, por sobre ruas de asfalto, paróquias veem seres mergulhados em
suas próprias trevas, clamando por pão, trabalho ou cobre, sem saberem mais
serem capazes de amar, e poremos em xeque se estariam purgando suas vidas claudicantes
em meio aos caminhares do ocaso que trafegam do lado do território sagrado dos
templos? Não justifiquemos a fé, posto um homem que buscara-a por toda a sua
vida não precisa ser questionado a seu respeito, mesmo antes de tentar conhecer
o dogma da Santíssima Trindade. Professava antes uma religião que pregava a bondade,
mas a bondade do Messias é tamanha, que antes seu Deus não tomara a forma do Deus,
nosso, Pai que está entre nós e no céu, junto ao seu genitor, Pai, Criador de tudo,
e tudo: Pai, Filho e Espírito Santo são o mesmo cerne trino, perfazem a unidade
geratriz do Uno. Não há percepções anímicas tão exatas, pois na forma do Espírito
recebemos no coração a bênção e a presença de Cristo talvez se nos ocorra, mas
não incorreremos em pecado se a partir do momento em que elevar-nos nossa fé em
Sua direção, o mesmo céu azul da montanha brilhará no baixio, por encima do
asfalto de uma crua cidade, mesmo do lado de fora do templo... E seremos o fogo
que aquece, que alimenta, que ilumina e que se extingue com o tempo, quando
soubermos praticar a nossa missão. Dai-nos a fé que temos por nós mesmos
também, a fé em que possamos crer que na mais desprezível rocha na rua a manifestação
maravilhosa da matéria também contenha algo espiritual de Vossa onipotência, ó
meu Senhor e Salvador!
Quando
sei que estou morrendo, sei que de fato estou em vias de, mas não é exatamente
isso que quero, só não quero mais prazeres mundanos, não encontro – de fato –
mais prazeres no plano do mundo que não seja tentar servir-Te, ao menos, ó meu
senhor, ó Pai, que és Pai do Filho, este que é igualmente Pai, e do amor que
une Pai e Filho, na unidade, o Espírito Santo: e todos são todos, nada é maior
do que um e nada é menor do que um... No entanto, são esses três não isolados,
mas não são distintos em glória, no que o Filhoque
é da origem no Pai e no Filho, ao Espírito, gerando o Poder Uno na divindade
Trina. Se o poeta se digna a escrever sobre esse maravilhoso tema é porque estará
começando seu estudo com uma força de compreensão que encontra na Igreja sua
mãe dileta, a mulher e o corpo do Cristo! Sem algo de distinção semântica, a
verve que encontro só o sei querendo enaltecer o acontecimento de senhoras e
fieis que guarneço com a minha presença, saudando em busca de conversar com o
líder religioso e estar de bem com a religião, força máxima da contemporização
e equalização de uma mente que enternece por amar demais a Deus, ao menos quando
me esforço cada vez mais para tentar compreender esse ser que nos criou à sua
imagem e semelhança. O Senhor nos têm, mas não somos dignos de estar com Ele.
Mas Seu amor é tamanho para conosco... O que posso dizer de mim, este pobre
homem viciado em tabaco, fraco em fé, diletante nas artes, poeta menor, na
minha arrogância de querer falar de igual para com um mentor religioso, esse errático
ser que purga a existência e é escravo de entre os vivos? Mas sim, tem a
salvação, esse ser que me salva todo o tempo, esse ser que me dá uma chance ao
menos de obter – dentro dos sacrifícios a que me imponho – uma luz que brilhe
nas trevas de minha solidão de enfermo das ilusões.
Muitos
são os caminhos, e sequer sei se obterei a clemência quando abandonar o meu
corpo, junto ao último sopro de vida que me encerre no fim de minha jornada
rumo ao desconhecimento que estivera presente em toda a minha vida, mas que não
diga eu, senão estaria mentindo, que não tenha sentido ao menos a presença do
Espírito nas coisas da Natureza. Meus queridos animais, os pássaros, os cães,
os bichos, até mesmo os insetos, fizeram de minha vida a alegria que um homem
até hoje a possui, e isso pode não ser tão revelador a um estudo teológico
clássico e canônico, mas não posso ser distinto de algo que sou e sempre
serei... O modo como Deus ama suas criaturas as isentou do Pecado
Original, e o Pai é o Pai, o Filho também é o Pai, e o Pai e o Filho não são
maiores do que o Espírito Santo, porque são todos o Todo, os três na unidade
sagrada. As coisas que estão no coração deste que vos fala quando se apercebe
da dimensão do cosmos, são coisas que não posso definir exatamente, mas se
existe um Salvador presente entre nós, e agora eu começo a apreender esse fato,
certamente isso vem para agregar mais uma coisa que reitera que ele sempre
estivera presente, na forma do Cristo Filho do Homem, na forma de Cristo Filho
de Deus, e na forma de Cristo Deus e Pai do universo... Talvez o que eu
percebesse era uma parte do Verbo, o Cristo junto a seu Pai, nosso Pai,
Criador: Deus desse universo que, quem não seria, senão Deus o Uno com o
Espírito imaculado de seu amor por nós? Esse amor que penso ser algo que não
sentira jamais com essa intensidade me me mudou antes mesmo que esteja pleno na comunhão,
com os devotos queridos de uma Santa Missa, ou mesmo junto com os justos depois
da jornada sobre o planeta. O estudo sério se torna necessário, e ainda tenho
uma certa convicção de que esse tipo de conversão à Verdade da imortalidade me
conduzirá plenamente a uma vida ainda intensa dessa citada comunhão com Deus. É
por isso que professo a minha fé no Salvador, na Trindade Santa e na comunhão,
além de outros dogmas e sacramentos que, em minha seara de leigo rumo a uma
vida de devoto, sei que aprenderei no devido curso de meu tempo.
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