sábado, 20 de junho de 2026

ORIENTE, ORIENTE


Musicista oriental, madame do piano, virtuose, quem não te diria do Espírito,
Quando fazes de mim espectador de tem dom maravilhoso, um talento divinal,
Posto estudastes todas as escalas possíveis, todos os compassos, e todos os timbres.

És maravilhosa em teu vestido rubro, teu piano de cauda, tua solitária música que me complete
Quando, já que raia o meu dia, vou no teu intervalo ver os pássaros na alfombra que são as ruas
Onde deposito minha fé nos viventes, quais não fossem, a própria Natureza!

Levo uma haste de bambu e pratico o correr dos dias, na marcialidade que se me impõe um dever
De estar praticando um Tai Chi mais conforme com os movimentos de seres que não imaginamos
Mas que, outrossim, o rigor de outras horas apenas divaga sobre a compreensão dos Santos.

Rápida, teu pianíssimo é forte e ousado, tens a gramatura de um ótimo papel
Quando na aurora de nossos dias, a música fala ao Espírito Santo na forma original
Diante de tudo e todos, e terias tu, mulher oriental, o sacrossanto Poder de orientação?

Virias diante de tudo e todos, aquilo que demandaria pressupostos indeléveis
Ou mesmo as mãos ternas e ágeis sobre o manto das teclas do instrumento
Quando éreis, por assim dizer, um tempo em que reflito no dia que vem em teus reflexos na minha alma...

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