segunda-feira, 15 de junho de 2026

CESSANDO O TABAGISMO


              Há pessoas que são incrédulas com relação aos passos que damos para abandonar a nicotina. O passo inicial é como expor as nossas vísceras ao sol inclemente, o sentimento dos ossos, a virtude que esquecemos de praticar, jogamos a toalha sem segurar na etiqueta e pedimos para que um Poder Superior possa nos ajudar a fazer voltar à nossa sanidade: devolver-nos ela, e que nos retire a gana de estarmos fumando às vezes sem pensar: mesmo porque pensar para fumar, ou fumar para pensar não deixa de ser um paradoxo... Quando a própria medicina e seus agentes da saúde explicam-nos da necessidade de mudar de rumos, quando estamos fartos de prosseguir sabendo que partes do corpo humano estarão afetadas, e como isso é visto sob a ótica médica, posto no caso do pulmão, um caso mais interno e de acesso via cirurgia, diferindo dos veios nasais, da garganta, do esôfago e etc, isso infere no mínimo uma tomada de consciência no sentido de pararmos de vez com a gravidade desse vício.

              As partes do corpo funcionam como as partes de uma máquina, observando-se rigorosamente que a totalidade, ou hólos pertence à mesma realidade de que somos vítimas de nós mesmos quando afetamos uma parte de um todo, afetando as demais nos inteirando de um problema maior do que nós mesmos, sem ao menos supormos que, no mais das vezes, estaremos diante do mesmo eu que antes gostaríamos de não enfrentar... Esse eu que aparentemente nos trava, posto não era um exercício intelectual o fato de não fumarmos, estávamos reféns de uma substância praticamente psicoativa, literalmente, aliás... Que nos dominava, achávamos ser um tipo de tranquilizante, algo que nos faria concentrarmo-nos mais e melhor, na realidade, só serve o tabagismo para destruir muito do que temos de melhor em nós, principalmente o nosso corpo. Espiritualmente, somos impelidos a uma derrota moral, quando pensamos sermos fracos, e por tantas vezes que tentamos e fracassamos, muitos sequer nos consideram corajosos, a não ser aqueles que participam de grupos de recuperação como o nicotina anônimos, que sempre consideram a tentativa, a persistência e o comparecimento às reuniões algo válido, pois faz parte do processo em que: o único requisito necessário para participar dessas reuniões é o desejo sincero de parar de fumar. Se torna uma condição altamente necessária pensar no assunto da forma realmente madura, não no sentido de termos feito amadurecer em nós mesmos a questão do hábito de fumar, mas o amadurecimento de nos prepararmos para uma nova vida sem o tabaco, sem a nicotina que tanto nos escravizara, por décadas por vezes, e que no mais das contas acaba sendo um trunfo importante existencial quando dela nos livramos, pelo menos por 24 horas, só por hoje, pois o amanhã não se sabe, depois de uma noite bem dormida, ou mesmo de uma noite insone e, em qualquer das duas circunstâncias, devemos cuidar, sermos fortes e vigilantes sempre, para não nos deixarmos abater perante essa doença que tanto mal nos causara e nos causa, na vida que pulsa por mais vida, e diante dessa mesma vida, que nos façamos entender perante um Poder Superior a nós mesmos e que deles recebamos a graça de mais um dia de vitória. Posto que não escarneçamos das derrotas de alguém, pois a derrota pode ser vitória no dia seguinte, e jamais devemos buscar no caos de nós mesmos, a ordem que porventura não existe de fato, mas sim muitas vezes um conteúdo irracional que funcione na base da intuição, ou mesmo de sensações ou emoções que externamos em diversos tipos de expressão, por vezes ordenadas e em outras, não. Então a compulsão, vista sob esse prisma, é algo que muitos sequer saberiam explicar com lógica ou razão, os reais motivos que os levam a cometer a insanidade de partir para a primeira baforada. Por isso não é um exercício intelectual, é um sentimento nos ossos, nossas vísceras expostas ao sol inclemente onde, nesse primeiro passo, sentimos que a nicotina exercia um domínio absoluto sobre nossas vidas.

                Todas as questões relativas com a tentação dos vícios demanda a experiência particular de cada indivíduo, não sendo possível generalizar cada reação à falta de uma substância, mesmo porque, quando uma pessoa possui uma comorbidade onde a sua situação de saúde mental possa estar ameaçada pela falta, o indivíduo acaba por, inconsciente ou conscientemente, fazer uso da substância, no caso a nicotina, para se "automedicar" em termos dopaminérgicos ou coisas similares. Por isso, toda a atenção é necessária para se ter condições de dominar os diversos lados da doença, tanto possuindo a caixa de ferramentas necessária, como tendo condições de dominar as tentações que se apresentam na forma a mais variada que temos por notícia até da psique em desequilíbrio diante da falta do sono, ou mesmo de doenças relacionadas à mente.

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