quinta-feira, 10 de março de 2016
terça-feira, 8 de março de 2016
PEQUENOS CANHÕES DA MÍDIA
Uma flor ressurge, carmim, entre um
ramalhete desordenado de folhas. Nada é reportado, pois o que importa são
aqueles troços que chamam a atenção redobrada: o ramalhete convulso de Thanatos... Cria-se a tensão no
improvável, no ocultar de outros igualmente culpados e o relax no grande
orgasmo aparentemente vital depois das novelas, alimentado com o fetiche voyeur dos BBBs arcaicos enquanto
anódinos, pois vestem com a mesma roupagem a ausência quase totalitária da
crítica, no non sense da antiga lei
do mais forte, o “treinamento” neoliberal do aparelhamento cognitivo. Mais
parece um canhãozinho canhestro, mas ofende brutalmente os valores humanísticos,
pois ensina a brutalidade corrente que gera – como em um exemplo clássico – o
pânico, este como demonstração de dissoluções psíquicas com gravidades
recorrentes na sociedade contemporânea.
Esperemos que toda a crítica nessa
órbita venha a localizar os erros em programarem diuturnamente o inculcar da
alienação ou, igualmente, a prática nefasta da parcialidade e manipulação tão
frequentes nas ondas de mídia em geral, quando esta apenas serve a interesses
outros que não sejam a inocência em premissa inequívoca do povo de qualquer
país, principalmente na latinoamérica.
Pequenos canhões de informação
despejam seu residual na conformação do que não sabemos ser real ou ilusório,
pois servir a um país no mínimo é abraçar a verdade e defender o progresso:
igualmente verdadeiro e pátrio. Temos que assinalar que é dentro de uma
democracia que pretendemos que nossos representantes trabalhem a favor da
nação. Mas não, se entocam quais casulos infestados em suas prerrogativas da
derrota econômica do Governo Federal para, no “quanto pior melhor”, criarem
atmosferas que representam ameaças a todas as conquistas do povo brasileiro,
desde o término dos anos de chumbo, a ditadura, conquistas duras dentro de uma
ainda frágil emancipação dos direitos e deveres em nossa sociedade. Dentro dos
deveres aqui assinalados a mídia deveria, obviamente, não compactuar com os
atos em que atentam contra o nosso Estado Democrático, dentro de suas
tentativas golpistas. Falar em impeachment
é corruptela. Igualmente um modo de dizer – através da palavra rebuscada e
angla, um termo que traduz apenas, no caso de nossa situação atual, um golpe
alicerçado por um modo paradoxalmente lícito dentro da culpabilidade ética e
moral por atender a interesses entreguistas do regresso e atraso no desenvolvimento
de qualquer modalidade salutar ao povo.
É justamente sob o manto de um
paradigma de mácula que estão envolvendo todos os grupos de comunicação que
erroneamente, e por questões fundamentalistas em tentarem manter o
obscurantismo renascido de cinzas há décadas adormecidas, que querem fazer
surgir uma fênix de escombros, de um aço aterrador, que daria apenas
consequências incoerentes e brutais para a esperança de termos por aqui – no coração
das Américas – uma nação livre, soberana e independente. Não podemos deixar
passar uma brutalidade dessa envergadura!
segunda-feira, 7 de março de 2016
DO QUE TENHAMOS DA VIDA
Subimos uma colina e encontramos
rastros em um que vai no carro expelindo seu ronco, outro que no muro
administra seus lixos e segue já por cedo, em seu trabalho... Uma bicicleta
afogueada mostra as pernas não mais tão jovens renitentemente dispostas, três
militares fazem seu cooper. Temos em
nossas vidas as facetas variadas, no que obviamente ausentamos – enquanto tudo –
de ver um céu que costura nuvens e ventos com os pássaros e complexos skylines das árvores e suas formidáveis
arquiteturas. Tudo é parte de um todo, mas não há como compreender este, pois
mesmo um ínfimo fragmento dele possui mistérios insondáveis. Compreendermos, no
entanto, os mistérios insondáveis do espírito, faz-nos mais capazes de entender
a Natureza Material e suas variantes que não se repetem enquanto formas da
Criação, assim como a luz é uma variante delas. O Sol é um local em que a vida
transpira, pois sem ele esta não haveria e são tantas que mal sabemos, quando
não temos obviamente tempo para isso, mas que ao menos reflitamos sobre o tema,
quando percebermos seu manifestar mesmo no movimento de um inseto, que seja.
Este fluir de compreensão mais
agigantada da Natureza nos faz compreender desde o nascimento de um ser ao despertar
de uma crisálida, sendo a preservação da mesma manifestação da vida o bem
precioso que recoloca o homem novamente em uma posição mais humanista em
relação ao mundo e seus idiossincráticos continentes, a que a paz seja o motivo
da união dos povos...
O perdoar-se que seja o ato solene,
o gesto perene, nossa referência, mas a luta por melhorarmos nossas vidas
abraça não apenas nossos processos culturais da civilização, bem como a
premente consciência classista, de gênero, etnia, etecetera na condição mais
coletiva em nossas categorias e compartir do conhecimento, enquanto caudal que
se acresce da consciência maior: aquela de contemplarmos a Natureza Material
como invólucro do espírito, dentro das prerrogativas de uma sociedade mais
participativa e com fronteiras flexíveis no seu lato sentido da tolerância e
União para o progresso inequívoco das nações que dele historicamente carecem.
sábado, 5 de março de 2016
EM MÃOS ALHEIAS
Tal seria, se não supuséssemos que o
ato de rebeldia animado por tal que seja um tijolo em sua pretensa posição de
que verse algo em ser a mais do que um tipo de prótese construtiva, não é mais
do que mais um engrossando fileiras... Se é de ótimo barro, que os seus da
fiada também sejam, pois o que tange da boa estrutura não basta na amarração
das colunas e vigas.
Que os dias sejam na boa obra e que,
antes que o obreiro pense que não há em sua espera de horas em que o cimento
busque amalgamar, que faça das britas o seu mistério e seu propósito. Há que se
ver em que ponto esses mesmos dias recrudesçam invenções antigas, pois o que se
é da vida continua sendo dela, e o que se é do trabalho continua imensamente a
ele pertencido. Neste ofício de pensarmos também reside o alvorecer do obreiro.
Mas que receba sempre das mãos da terra o seu pão, posto de merecimento a que
não nos situemos alheios, já que de boas vindimas sempre há de sorrir o nosso peito.
De um varão que enobrece nossas veias, e que estas saltam à lembrança na não
espera, na esperança do real ser real, em conquistas diuturnas e duras.
Há que merecermos o nosso quinhão,
há que lutarmos por merecimentos que não repousam em nossos colos como a chuva,
pois mesmo esta nos falta no represamento da vontade de Deus, mas que por vezes
o que permitiu-se das mudanças climáticas vem das mãos do homem, e não das
paráfrases bíblicas, infelizmente. No que a ciência peremptória das pesquisas
passa a ter razão inequívoca e sistemática.
Este breve ensaio pesa que nem um
chumbo em algo de tranquilo porém estarrecedor estanho no pulso da poesia, pois
esta não há de fenecer no tempo, já que diz estar silente e ativa no correr
deste, de modo a perdurar em certa angústia por erros recorrentes no panorama
de nosso território... Um elba? Um barco? Não há como tecer comparações: um
confisca a poupança dos pobres, outro concede os maiores benefícios históricos à
população brasileira com a sinceridade que parte de um igual. Sai-se na frente,
move-se um peão inquieto como uma formiga em solo aquecido, à busca de trazerem
outras às vertigens do deserto, da insalubridade. Como se tentassem excluir
todos aqueles que com muita luta e trabalho foram incluídos no seio dos
direitos humanos e da cidadania. Talvez seja uma opinião tíbia, mas que seja
aquela que conduza ao menos a uma verdadeira socialdemocracia ao solo pátrio
brasileiro. No que diste disso estaremos incorrendo em erro, pois quando se
combina um Poder Executivo altamente progressista com um Congresso retrógrado e
conservador, ao menos que se perceba que quando o resultado centraliza há que
se pensar no controle estatal e suas intervenções salutares, pois deixar o
mercado ditar todas as regras é no mínimo tentar impor a barbárie no cenário
econômico do Brasil e do seu Povo!
quinta-feira, 3 de março de 2016
UMA CONDIÇÃO SINE QUA NON
No mais das
vezes nos colocamos por trás de uma notícia, aquém de qualquer culpabilidade
quando desrespeitamos o próximo, ou dentro mesmo de uma conveniência egoísta
quando despertamos facetas, algo cruas de nosso imo. Partimos de um lado às
aparentes complexas equações de receitas, de algo que entra somente, outras que
despendem, que gastam, qual superávit muitas vezes secundário... Algo por vezes
nos tangencia, qual que não percebemos, nesta nossa sociedade em que a
percepção se nubla frente a diversos códigos quase simplificadores de
informação. Colocamos na mesa nossas empresas, entramos a decifrar uma máquina
e esquecer de nosso diálogo interno, deixamos de contemplar para competir
desenfreadamente, sem saber que estamos deixando de lado populações
vulneráveis, ou o próprio sentimento de que não estamos sozinhos no mundo. Esse
não estar sozinho deve ser uma força motriz a que nos motivemos para que nossos
atos sejam mais de solidariedade do que propriamente a agressão recorrente a
que muitos treinam sem saber que a melhor defesa não é o ataque, pois o gesto
solidário transcende a questão de contendas primárias de tanto, quase,
animalescas, se não o for de fato. O grande paradoxo da atualidade é comparar
as espécies, e a vantagem mais cabal é a comunhão com elas, melhor dito, um
respeito convicto à Natureza. Em uma haste de grama na chuva há uma miríade
geométrica, um quê de profundidade de ser, uma aparência formal que nem a arte
em seu grau mais elevado traduziria como ela é. Esse é um diálogo eterno, e
sabermos disso em extensão a tudo nos eleva frente à contemplação da própria
natureza humana. Saberemos melhor da preservação não sob uma ótica reducionista
do que já foi catalogado pelo conhecimento, mas do que apenas a Natureza dita
como isenção muitas vezes da presença humana, pois infelizmente ainda não somos
capazes para consertarmos a maior parte de nossos erros, cáusticos por vezes,
em muitas delas gerados por poderes mal gestados. A obtenção do poder não deve
ser livre, já que obviamente muitos o obtém para praticar cruentas devastações.
Isso deve ser contestado ferrenhamente, dentro da ótica em avançarmos para leis
mais humanas, baseadas em conquista milenares do Direito e suas cartas. Nisto o
sentido da preservação de nosso mundo, em todos seus aspectos, culturais,
naturais, antropológicos e de patrimônios já erguidos, quando em coerência: em
harmonia, ao exemplo claro e lógico das abelhas, posto o agrotóxico ser nocivo
a tudo, como todos devam saber dentro de cada sistema de comunicação, a que nos
eduquemos e aos outros, docentes e discentes, sobre cada detalhe das indústrias
que destroem o mundo, quem são e para quem servem. Que seja, uma educação
ambiental, filosófica, literária e artística e histórica, com boa matemática.
Isso seria bom, como uma agregação do conhecimento, uma plataforma de melhoria,
para o mundo não terminar fatiado, espoliado, sacrificando as imensas populações
mais vulneráveis em detrimento da riqueza de alguns. Essa questão não existiria
sem a lógica mais simples, em que saibamos que não há tantas complexidades
necessárias ao ser humano, já que o hermetismo existencial só cabe a que compliquemos
o equacionar da solução de muitos problemas, estes evidenciados agora
sobremaneira em que o crime mostra cada vez mais a sua face frente a
contingenciamentos de segurança cada vez mais prementes em uma grande árvore
onde as raízes sociais seguem sendo solapadas quiçá por interesses diversos,
muitos deles exteriores ao país e ao continente.
Não é
tentando administrar o caos e a anarquia que devemos plantar esperança em um
presente para germinar bons frutos em futuros próximos ou distantes. Há que se
planejar, e um bom profissional para isso é justamente o urbanista, o bom
arquiteto, e a vontade política em melhorar problemas que afetam a todos,
quando não diretamente, e que paulatina e recorrentemente surgem, principalmente
nos grandes centros, onde a diluição e o anonimato dos crimes ambientais tendem
a se perder na fraca percepção frente ao que já foi destruído, às “relativamente”
poucas árvores cortadas, as praças potenciais que passam para a especulação
imobiliária dentro de uma arquitetura selvática, à falta de qualquer saneamento
necessário e salutar, o que passa a ser um lote de problemas onde as soluções
tornam-se cada vez mais complexas. É um fato aparentemente óbvio, mas recorre
que elucidemos a questão tão promissora – pois possuímos ferramentas
participativas para isso – que nos faça contribuir favoravelmente para
consolidar o que for positivo às humanidades com sustentação e preservação não
apenas do que foi mantido ecológica e historicamente, mas ajudando na recuperação
imediata do planeta Terra e sua atmosfera.
quarta-feira, 2 de março de 2016
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
O CONSTRUIR DA ARTE
É delicada a
questão da arte, não apenas como representação simbólica, mas igualmente no
caminho que nos leva à sua compreensão. Mesmo com tudo o que representam as
inovações tecnológicas, há que fazer-nos crer que os pincéis e o contato com a
tinta não é revisionismo, posto necessidade do conhecimento dos materiais que
nos levem ao construir daquela. A vida da arte é independente, prossegue com
todas as suas linguagens, torna-se hoje possível uma publicação de poesia, uma
tela compartilhada, a maravilha relativa das conquistas da ciência, no entanto
com a tendência da efemeridade como fator causal de nosso tempo, nessa
contemporaneidade um tanto absurda em termos existenciais. Se por um lado
admiramos os estilos artísticos no decorrer dos séculos, haveremos de fazer a
arte ressurgir ainda em seus antigos materiais de estudo, repito, pois esta é
uma sintaxe que jamais abandonará as culturas dos povos.
Há algo de
tradição na arte, posto o sincronismo com os anos leva a acreditarmos sempre
que temos que fazer diferente, que o olhar muda tanto quanto nós pretendemos
mudar nossos corpos, mas a mão é mão sempre, e desta é o meio e a manufatura do
fazer artístico, pois uma máquina que venha a auxiliar sempre possui um
controlador, alguém que ao menos dê o start
apertando botões. No entanto, haja vista a possibilidade na abertura de nossas
percepções, a eletrônica e seus recursos transcendem o mito da tecnologia, vêm
a auxiliar quando nossa postura é mais do que a passividade naquilo em que muitos
querem que nos tornemos, quais peças que apenas respondem afirmativamente a
tudo o que é imposto, mesmo que de maneira tão sutil que não adivinhemos...
Devemos sim, manter-nos atentos sobre um bom uso da tecnologia e seus gadgets, mas que a arte transcenda
nossos alicerces para algo de maior e mais factível, algo mesmo de fato, não
apenas o parafraseado formal e funcional do status contemporâneo de um mesmo
gesto que acompanha servilmente o que querem impor, seja ela a arte utilitária
dos dias atuais e suas tendências globalizantes, dentro da integração lógica de
objeto, não obra, não arte como expressão inequívoca de um indivíduo, ou seu
olhar de antena dentro de um outro qualquer estilo – necessário – para elucidar
os signos que deixamos ocultos mas que trabalham cada vez mais para valorizar a
mesma expressão.
Existirá
talvez uma sintaxe própria de cada cultura no construir artístico, certamente,
e a aceitação desse fato é que nos faz conhecedores do fluir das civilizações, ou
mesmo quando sabemos que há outras intocadas por aquelas que seguem o
pensamento ocidental, com berço europeu. Esse legado, como qualquer que seja
nas culturas e seus pensamentos dos povos do mundo, não pode ser negado. As
artes da Idade Média e posterior Renascimento estão erguidas. A bem dizer,
fruto da espoliação e saque de muito ouro e prata de outras culturas, mas não
se derruba o patrimônio histórico em qualquer que seja o território da arte. É
arte, quando manifestação do engenho humano grandioso, que surge em
contingenciamentos, a saber que, igualmente em França, havia na espoliação de
outros países, quando cidade luz da arte e literatura, na manutenção do
colonialismo nas terras da África. Parece-nos que em determinados períodos da
história econômica das regiões do planeta evitamos nos debruçar sobre aquilo
que desconhecemos, ou no processo histórico, ou no plano das ideias, a
filosofia, o que se pretende em conhecermos a terra sob nossos pés, para no
mínimo não pisarmos em falso. A arte torna-se esse significado: uma compreensão
motivada pelo mundo, sua história, suas técnicas, suas pinturas, sua
necessidade... Isso diz respeito ao andamento quase de ritmo cifrado em moedas,
onde quem sabe um pouco mais da arte seja quase inevitavelmente incompreendido
pelos contemporâneos, mas que não denote falta pois as vantagens de eras em mutações
tecnológicas é a migração em que se pode valer um artista mais versátil na
descoberta de outras modalidades de expressão. Não que não seja importante
estar na mutabilidade dos processos, pois muitas vezes esses gadgets se transformam em repetições
onde só alguma cosmética faz prosperar a curiosidade em funcionar melhor o
consumo. Disto que dizemos da arte, pois o consumo desta se manifesta em dias
de games, em selfies comuns, em
telenovelas, na ilustração de uma farsa, na comunicação que muitas vezes se
perde entre as gentes, posto nos esquecermos que uma boa leitura ativa mais um
comportamento de sobriedade intelectual. Se lemos um parágrafo, podemos reler o
mesmo diversas vezes, ao tornarmos nossa compreensão dentro do mesmo
significado, ou bebermos da beleza estilística de uma metáfora em sua poética
narrativa.
Se tanto é
da arte, pontuaremos grandes somas de investimento vital quando acreditarmos na
sua potência. Esta inflama aos olhos que a saibam ver, recria o olhar, desperta
ao nosso mais íntimo conhecimento os padrões inequívocos da percepção, e
reitera ao conhecimento de nossas histórias o espelhamento sereno da cultura.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
A SUBSTÂNCIA DA ARTE
Digamos
que a flor não seja a mesma na pincelada de nosso olhar
Como
quando com o mesmo olhar beijamos a superfície do carinho...
Digamos
que a vida nos flutue sem prumo, dentro do navio que somos,
E que no
entanto não navegamos sozinhos, como quando pintamos um ato.
Quem sabe
seríamos a bem dizer mais prósperos em nossas certezas
Quando um
desenho retratasse o suficiente em seu leito branco.
Uma hora
a arte vira um século, em outro minuto, não há mais,
A que um
momento próprio e tentacular olhamos para tal sem saber
Se o
gadget que temos em mãos vai nos dizer o que não sabemos
E que no
entanto não sabemos que vamos prosseguir nada sabendo...
Mas que a
arte não está nas mãos do homem, é apenas uma linguagem
Que pode
residir na estrutura simples de um peixe, a se tornar arte
Quando
sequer soubermos que este também é do mar, melhor que nós...
A um dito
saberemos mais se Krsna nos aponta a direção dos ventos:
Aí sim,
as velas enfunadas, e nos tornaremos seres da arte do ar.
A ver que
uma poesia possa ser arte no vínculo que temos com ela
Quando
nos apercebermos que a leitura vem da arte em sentir
Com a
sensibilidade aflorada na primavera de todos os artistas!
Pois quem
dera se a música apenas não fosse, mas continua sendo
No canto
do pássaro a arte maior, pois suas presenças são ao vivo
E não
pertencem à microfonia anódina de nenhum equipamento.
E
prossegue um amor conjugal, e prossegue este como madhurya,
No que se
não saiba é a grande espiritualidade de desposar a Deus
Com tudo
o que significa outros que podem criticar por não crermos
A tudo
aquilo que se nos impõem como o justo em prosseguir.
E a arte
continua mesmo assim, um sacerdócio pois diz algo
A alguém
que saiba o que se pode ler em que se lê tudo
A todos
um benefício em que a sociedade do Brasil é arte em si.
Pois que
leremos as melhores poesias, enquanto uma molécula de ar
Se mostrar
desnuda ao poeta, enquanto o desenho for uma imagem,
Enquanto
um arpejo no violão se torna um quase arremedo de blues.
Um vento
renasce no coração de um artista, mesmo sabendo que o nada
Compõe melhor
do que aquilo tudo de tintas que desperdiçamos para um tom
De
pintura em que por vezes um tratado todo é menor que um grafite.
De
sabermos da arte, que nos seja dada a singularidade de nossa expressão,
A que não
caibamos na dimensão de querermos aventar a menor possibilidade
De que
não existe arte, ou que um surrealista não possa dar um codinome
A toda
uma produção que vem para encerrar o que não possui término...
Óh
grilhão da consciência, ensina-nos a permanecer um tempo na arte
Para
vermos que toda a arte estimada seja, e que a estimemos sempre,
Pois com
a graça que nos deu a vida a arte permanece incólume
Quando
percebemos apenas que haverá de vir uma cultura diferente.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
PREFÁCIO DE TEMA QUALQUER
Qualquer escrita é algo que dita uma
norma de tema a ser descoberto na semântica das linhas. Pode versar sobre
complexidades ou recorrências de outros versos, ou mesmo aos parágrafos que se
concatenam em profusão natural. Assim pode ser o de se escrever e prefaciar os
modos da paródia: vêm a enriquecer os diversos significados que por vezes
ignoramos. Seria um tema como o mar – imenso – em seu ser de ondas, seus
rugidos milenares ou suas rochas silenciosas na calmaria, quando pousadas na
vastidão daquele. A se observar, sintamos que cada onda e seus múltiplos
fragmentos ajudam na compreensão da latitude espiritual dos mundos. Pois ao que
vos escreve, em sua própria crença, sabe que inumeráveis são as compreensões da
Criação. Dos troncos que emergem com suas fibras no quebra-mar, de uma Natureza
toda da matéria saberíamos que prefaciar uma amostragem literária do todo
infinito enquanto percepção sensorial finita. Quando a finitude percebe-se na
amplidão das diferenças circunstanciais...
Mais uma linha sempre remonta que
saibamos de palavras e suas conexões com o verbo, a que não se caia no erro de
acharmos que a gravidade seja a última resposta! Newton fez o avião voar, Deus
fez as aves nascerem do voo da Natureza, e alguns poetas nasceram no mesmo
átimo enquanto se fez de um coral ultramar brotar uma vaga e sua superfície de
cristal. Assim é o próprio prefácio existencial de um imenso livro chamado vida
espiritual.
Na relação com a Natureza das ideias
surge uma questão que remete ao entendimento desse universo, pontuado pela luz
e versado sobre o conhecimento.
Em simples tangentes desses
significados existe o mais que sentimos, na veia circunspecta da vida, na
solidão perpétua e por vezes necessária de um homem e sua próprias vagas de
consentimento. Que não se remeta que ele seja do povo, pois seria apenas
suficiente afirmar que o seja de uma crisálida, posto nascente é o sol dele
mesmo, e que não se ressintam quaisquer, justo a Natureza ser a sua eterna –
não perpétua – companheira! Pode ser que seja um tipo de soldado, mas com a
mira infalível em sua arma: o conhecimento... Resguardem-se algumas religiões,
pois, para alguns, Gibran e Prabhupada bastam para se compreender o mundo
espiritual em todas as latitudes que nos tornam histórias de nós mesmos, que
somos tão importantes quanto as rochas no mar que abrigam em seus côvados de
alimentos a fartura dos peixes. Seria maravilhoso pensarmos um pouco a respeito
não mais do que nos ensinamos repetidamente, mas do que farta e infinitamente
nos ensina a Terra e sua Natureza. Isso se pontifica, é fato, recicla nossas
consciências, ausente de indústrias, sem a carência do simples prazer mundano,
já que tudo o que pensamos a respeito carece da humildade necessária a que
reflitamos um pouco mais, dentro do que nos espera quando, mesmo limitados em
nossas fronteiras existenciais, podemos contemplar a vida que se abre livre, o
mesmo comer de um alimento quando sinceramente o oferecemos a Krsna. O homem
que vive nessa latitude pode se realizar plenamente. Apesar de tudo, todos
passamos por dificuldades, e há aqueles em que a vida tem uma aparência de
desastre, mas é uma impressão inequívoca de estarem tendo como referências
únicas as pretensas e ilusórias certezas, o que denota uma vida apartada de
algo que não é apenas o uno, mas a reunião de todo o Universo, pois sabemos em
sua inclusão das luzes que as estrelas existem em nossos céus, visto estarem
presentes na companhia do fletir de nosso olhar ou, na ausência deste, em uma
poesia recitada a um cego.
Assim demos por letras as letras que
garantam o que serve, quem sabe, a proposições mais verdadeiras ou, quem dera,
diminuir a intransigência daqueles que capitulam na mesquinharia de suas
contendas por eles tornadas insolúveis, ou ao modo em não saber lidar com a
própria covardia a que, saibamos, vem de uma gente talhada a ferro na
ignorância monolítica, apesar de lauréis acadêmicos ou virtudes quase sempre
forjadas, quando pautam-se pelo egoísmo.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
QUANDO OLHAMOS A NÓS MESMOS
Parece-nos que não estamos muito
afeitos à nossa condição humana, quando pensamos nas derrotas em que nossa
espécie pretendeu supor que imporia à Natureza, e que esta reage frente às
mesmas conquistas que reiteram nossas noções a bem dizer ainda no cartesianismo
que revoga uma visão mais abrangente de nossas sociedades e a relação com o
nosso entorno, quase de uma apropriação ainda tão súbita que sequer saberemos
como nos portar com o resultado de nossos atos. Quem sabe haja uma razão
distorcida a respeito dessa relação com algo que é uno, total, em luta com
nosso portar fragmentário de prospecção e exploração desenfreada. Não nos
olhamos com os olhos da crítica assaz necessária para evitar a recorrência
brutal de erros em vários modais de nossas particularidades e existências. Quando
pensamos no que deva ser real, por vezes incorremos no erro de crer que os
nossos desejos possam pontuar ou justificar esses atos contra a Natureza.
Exemplifica-se o consumo como objeto do egotismo, como platô que dê um motivo,
um consumo inescrupuloso, em que o motivo não passa do hedonismo em adquirir,
obter e processar, dentro da modalidade ou limitação de cada qual, no trato da
coisificação de tornar objetos as nossas relações com os gadgets. A arte passa a ser condição subalterna frente à miríade
da fantasia que nubla como fruto de uma indústria de linguagens muito
aproximadas em suas sintaxes. Quando revisitamos os conceitos da indústria que
fala à tecnologia, podemos extrair seus recursos, mas que sejam renováveis em
nossa consciência, no que esta mande a que sejamos coerentes em manter o
máximo de aproveitamento dentro do mínimo de riscos de qualquer ordem. Como
quando fazemos uma autoanálise, uma introspecção profunda com relação à nossa
atitude perante o que nos cerca, ou melhor, o entorno, mesmo que este diste na
profundidade de alcance de uma informação ou ação tecnológica que, saibamos,
por vezes fazem parte intrínseca do modo de vida societária contemporânea.
Essas questões nos mostram que fazemos parte de uma vida que seja, que as
folhas de uma árvore pertencem ao nosso mundo, ou melhor, que ambos nos
pertencemos, quais as formigas que certamente estão fazendo a sua parte na vida
em que levam, nos seus trabalhos, se soubermos que até os átomos compõem
igualmente o todo que obrigatoriamente nos faz tomar ciência quando, creiamos, tomamos
como oportunidade para a qual. Não nos desviemos dessas assertivas, posto
ciência, e desconhecemos o fim do mundo das formigas, já que estas começaram um
pouco mais cedo pela Terra... Um tempo razoável nos separa enquanto seres que
nos visitamos a cada qual, na mesma espécie que seja, de humanos a hipócritas,
de desavenças a uma paz que teimamos em negar, posto estarmos negando a certa
condição à qual humildemente devemos nos colocar.
Teremos uma vez a qualquer momento
visitarmos o que chamamos de fé, olharmos para dentro de questões mais duras em
relação às nossas vidas e sentirmos quando a fé de uma montanha chegue a ser
maior do que a nossa, pois aquela é mais importante do que nossas vidas, assim,
do modo como nos colocamos perante tudo que comporta os direitos das espécies
outras em viver como pulsa a vida de cada qual. Essa é uma visita importante, e
a partir daí estaremos nos vendo como espelhamento sereno da própria Criação: a
garrafa plástica no mar se torna aberrativa, o óleo fora do motor mostra a sua
única existência funcional, e o vidro torna-se vidro, e as fezes, energia
renovável, quando tudo de uma ciência madura na dura empreitada de se
reorganizar as frentes de preservação do planeta.
A história da vida deve ser contada,
em suas minúcias, em nossos sacrifícios e penitências, pois deixar de lado uma
certeza cabal e olhar para a frente com outra luminar faz até mesmo – ao invés
de uma montanha movendo-se – um saneamento verdadeiro e competente existir, não
apenas como meta, mas como fato concreto, realizado, pensado e administrado.
Não é mais uma questão territorial, nacional, de estado, prefeitura. Passa a
ser um debate mais amplo do que jamais houve: aquele de questionarmos a própria
existência dos processos que admitem erros crassos com base em interpretações
em que sempre se cogita que a grande faculdade humana é o erro. Tudo bem,
devemos aprender com o que não sabemos, mas errar sabendo de nossas certezas
sobre as soluções coerentes com a recuperação da vida do mundo é apenas acreditarmos
que este tem que acabar por determinação religiosa ou qualquer interpretação equivocada
sobre o que é a salvação terrena. A começar, ergamos os braços para que
possamos trabalhar para a recuperação de nossas casas, para dar um exemplo mais
prático, trilhemos os caminhos da solidariedade, compartilhemos boas ideias,
dialoguemos sobre o que nos importe em bom caminho. Enfim, descubramos que um
texto inteiro não possui panorama ideológico, pois não há tradução nefasta que
nos impeça de construir um mundo melhor e mais saneado.
domingo, 21 de fevereiro de 2016
UM ANÔNIMO
Saíra como sempre, a
esmo, a que muitos o condenassem por nada fazer, como se fora apenas um passeio
em hora de trabalho, na grande metrópole, a que não saberíamos dizer nem hora,
nem lugar e quem fosse a personagem. Era um homem apenas, e suas vicissitudes o
encerravam em um lugar comum, no anonimato daqueles que se deixam vencer,
capitulados, por um nexo inexistente, por uma fração de um tempo do não ser...
Não seria levado à sério jamais: portanto, como se não bastasse, a sua tragédia
não havia o suficiente a gerar bons humores, mas que o oposto se sucedia. Não
tinha tatos de desconfiança, mesmo à distância e sem toques maiores, mas resguardava
o espaço como em um pássaro que pousa em uma rocha dando lugar ao próximo,
quando sentava a um balcão qualquer, à procura de um alimento. Bons sonhos nada
teriam dito a ele, posto não sonhar acordado, e nem nos segundos que o
alimentavam em vigílias. Sabia-se que era esquisito, tardiamente, como quem
tenta pescar com as mãos e ainda consegue algo, nem que seja um molusco, solto
na posteridade ao mar. Seu consentimento não era propriamente algo que lhe
trouxesse sombras, mas algo recrudescia em seu imo no momento em que houvesse
de trazer palavras à tona de se merecer um bom pensar. Uma vida que fosse,
passando despercebida em meio ao oceano sem causas nem merecimentos e, no seu
caso, apenas a devoção como padrão inquebrantável, a que não convenceria, quiçá
apenas pelo exemplo de seus atos, menores no entanto que o rumor de um cântaro
que se fende por vezes por encima, a deixar água sob suas cicatrizes. Seu
encontro na semana passada fora com alguns insetos, mas propriamente uma
lagarta que ajudar a subir na parede para a crisálida, para o renascer, como um
padrão de vida de respeito a se ver nesta a razão de prosseguir. A vida em si,
como ela é, sem a pressuposição de que encerre em si mesma as intenções de não
sermos enquanto seres com seus modos de pensar algo que não possa o não pensar,
posto não existirmos apenas no pensamento.
No grande filme da
vida, daquela outra, aliás, que são tantas, o homem participava como
coadjuvante: de uma tela a outra, de outras rochas ao mar, a um barco que
singra mas que o homem não navegue tanto, posto que na natação perdia para
aquele de baía... Nada no filme daria nexos lineares, pois sua condição era de
reerguer castelos imaginários e invisíveis a quem perscruta com um olhar mais
atento. E não havia ordem nos filmes, apenas registros necessários mas
sintomaticamente amadores. A crise do cinema já mostrava seus sinais em alguns
lugares, mas o homem só via seriados, no sem tempo de sua particular história,
visto que passasse metade do seu tempo organizando seus objetos, suas canetas,
seus papéis, livros, pincéis, tintas. Aliás, a arte o tornara assim: anônimo.
Em virtude de circunstâncias que consubstanciava sua existência no fazer
artístico, em pensar na arte, e em respirá-la com a um ar de alento vital, na
vida de suas moléculas que o faziam crer mais e mais – igualmente – em ciência.
A voz inexistente em sua concretude, sua falta de amigos, sua busca insana
trazia para a arte algo de um conforto sem par, na boa alienação. Que sua
produção nada significasse para o mercado, disto sabia, mas que apenas era um
meio de realização inequívoca de um parte de si que respirava o alento mais
próximo da Europa, conforme sua eterna formação de estudante. Um estudante
igualmente perpétuo, em um tipo de condenação que o ensinava em uma vida de
sacrifícios que o levava a contentar-se meramente com uma caneta e um papel,
como um caminho paulatino criado em direção à liberdade. Como a liberdade em
ser um próprio caminho, como crer que na relação dos homens com a matéria por
vezes a mesma liberdade é relativa, posto escravos das adições. Não daria
jamais a haver um controle nas relações entre viventes, mesmo porque estas não
necessitam dele. Bastasse apenas regular canais, para que estes não inserissem
em suas mentes certas brutalidades da forja da intolerância, do preconceito, e
da violência bárbara, gratuita e externa, ao país de nossa personagem. O homem
voltava-se para a arte. Muitos trabalhavam fora dela, nua e cruamente, com suas
dificuldades, a tanto que a quase todos os do trabalho seguiam veredas
honestas, e outros optavam pela condenação. Se os tempos eram espúrios, pensava
ele, a troco de muito esforço muitos se sacrificavam para trazer a
tranquilidade para os lares e suas famílias, para as escolas, para os
trabalhadores. Viviam assim muitos os anônimos dos lugares, das cidades, dos
campos. Pois sim, que ao menos melhorassem suas vidas esses milhões de homens e
mulheres trabalhadores que dentro do anonimato da existência ainda encontravam
o tempo para tentar construir uma sociedade cada vez mais livre.
sábado, 20 de fevereiro de 2016
UM DIA QUE FOSSE
Que tantas Marianas
fossem naquelas tardes de verão... Não saberia muito José, pois seu coração
abarcava apenas um tanto de amores: uma rosa fincada em um pequeno jardim na
costa daquela praia prometendo ser planta, mas apenas uma lembrança, de
murchar, de não construir muito. Um punhado de areia que lembrasse algo de
Médio Oriente, o barco silencioso que buscava algo entre as pedras, o suposto
romantismo já quase não existente, o apelo ou mais de se crer que houvesse, sem
as malhas, sem as tramas, com a rede de nylon, que fosse, sem tecedores mais
complexos. José nunca saberia, pois a traição o sabia mais de seu repertório
algo tosco, e que escreveria ao longo de suas décadas seu ofício de relojoeiro.
Nas minúcias de seus tempos, no recrudescimento atávico de suas horas, em
segundo incontáveis, no trato com a mecânica, naqueles tempos que evanesciam
auroras sem nunca começarem dias, estas.
O ofício não o largava de um sem tempo, e
a corrida sem esse mesmo tempo era de uma nobreza sem par, de ser nobre ao
optar pelos pobres... Essa nobreza de cunho quase religioso, ao que o chamassem
de louco por ser dádiva a sua vida, e para ele significava justamente isso: a
dádiva, propriamente, e a própria loucura que já fazia a sua parte de existir,
em que não haveria mais companheiras em sua vida, a querer, que se não bastasse
já não queria José, estava livre, de uma liberdade diamantina, que preservaria
cada nicho, cada seixo de seus jardins, com a familiaridade nas rochas do mar,
ao que as pedras seriam das pedras. Nunca com muito conforto, e fumando seus
cigarros sem saber que a vida era quase um palco que girava em falso, os atores
se sucedendo, uns com esperanças pétreas dos saberes, outros que não procuravam
saber, e dos contatos quase saberiam de esperanças de se falsamente ter alguém,
naqueles tempos em que produzir a carne era quase de uma indústria absurda...
Esse era seu próprio
absurdo, e Mariana já havia escolhido dos seus, não propriamente que gostasse,
mas José era louco. Assim, da loucura, em que suas vestes denotavam algo de behaviorismo
arcaico, do ser autêntico enquanto excêntrico, de fazer de sua vida algo mais
do que a arte em viver, posto a vida ela mesma não o esperava em qualquer
lugar, mas a sua condição o esperava em cada manhã, em cada genuflexão de
sofrimento, ao que outros não saberiam, posto o carnaval daquele fevereiro ter
sido tão pungente que outros mares haviam cavado costões durante os milênios
daqueles mesmos carnavais de outrora, e o significado disso remontasse uma festa
em que as multidões se refestelavam do que era muito, mas a José seria menos
que o mínimo, posto dormir às dez, quando de noite imediatamente anterior
naquela quinta-feira, cometera o pecado de conversar quase até as onze com uma
amiga. Não que as tivesse muitas, mas compreendia ao menos que o ser é mais que
o nada, e não importava a ele qual era o ser, pois no nada consertava seus
relógios, que de relojoaria fosse para ele o discurso de outros relógios, quiçá
mais inteligentes, quiçá os melhores tecnologicamente, quiçá de baterias
igualmente inteligentes, e o GPS, que José nem imaginava... Outras as horas em
que o caudal tecnológico da era embromaria o tempo tão cáustico de querer
pertencer a ele inequivocamente com o sal algo amargo da tentativa.
Mariana era uma amiga silenciosa por
vezes, mas carregava em si uma grande, extensa existência na idiossincrasia que
a José parecia um não encaixe, uma não arquitetura, um grande martelo que
quebraria sua coluna erigida há muito, posto uma horizontalidade na atitude que
lembrava um excesso de altruísmo, um orgulho de ego cristalizado, uma forma
inequívoca de se amar demais, além da conta necessária. Não que se fosse
proposta limitação, mas que o amor sempre é melhor quando compartido, ao menos.
Quem seria apto a um tipo de censor, ou a um senso que fosse, quase nada a ver
com tudo isso de se crer que o amor se construiria, posto naquela era uma
semântica discreta com redomas de cristal e chumbo, entrelaçados com menos
terra e mais aço, posto que o tijolo sempre falara mais alto aos obreiros,
quando se ergue uma casa no perfil maravilhoso de ser mais uma vivenda...
A redoma dos
sentimentos de José não era muito extensa à visão, mas era o céu no que se
pretendesse em uma grande cidade menor, à vista do sky line, e do litoral, o infinito do mar e suas montanhas, das
rochas, se tornando maior na extensão própria que gostava ele, adorava, era de
sua escolha. Certamente um pouco maior do que a tela de um display comandado
pelas redes. Mas que abraçassem a cada qual, cada um era da extensão de seu
abraço. Nada parecido de mais brutal era a assertiva de muitos em que criam que
a vida era encerrada em um quadrado, mas que este nunca revelava realmente a
distância entre o usuário e o que havia do outro lado: se era peça, se era
peão, se era o rei ou a rainha. Pois se fossem o toque e o sexo era feito com
os botões e suas promessas, a cada homem ou mulher, a cada palavra, a cada emoticon. Sanders Peirce acertara em
cheio, pois a lógica transmutava-se em semiótica, no entanto reerguia-se aquela
soberana, usando como alfombra as lições de imposição, os tratados finais, as
derradeiras conclusões científicas.
Tratava-se da Natureza que rompia o rumor
da interpretação dos ícones e índices, e os símbolos perdiam-se frente aos
desastres. A cada galho rompido gritava a Natureza, a cada óleo vazado esta
recrudescia o degelo, a cada bomba lançada mostrava as cicatrizes de geadas
profundas no campo, a cada orgia decadente ela mostrava o seu perfil inquieto
de deusa: a própria Kali, acentuada!
Assim seria um mundo onde não adiantaria mostrar uma obra de arte, pois que
esta sofria atentados igualmente, à socapa, aos golpes, à covardia do
significado dos atos, da tradução de palavras. A arte já havia com equipes
treinadas, os que despejavam matrizes quânticas sequer ignoravam que o corpo
que tergiversa com as cordas mal sabe da terra, e muitas vezes é o inseto que a
lavra, à sua maneira, sem quantificar.
O amor era jogado com jogos de morte, onde
quem mata encontra a consagração de saber fazê-lo, pois o trauma que não sente
ao tirar uma vida o faz herói, amparado em um testamento assaz antigo, que
alicerça a guerra, que faz da diásporas de vinganças que afirmam históricas
justifiquem os muros e a brutalidade. O mal se consubstancia baseado em
escrituras, fazendo-se pequenas hecatombes diárias, onde a vida passa a ser
banalizada como um abate cruento. Desse modo era um dia que fosse um dia, e um
beijo seria raro, mas tão raro que desse para não se espelhar em uma novela, em
um interesse de finanças tardias e ignorantes, e um aspecto de um louco
condenado, como a um escravo que é visitado pela mulher adúltera, como um preso
que defeca em um saco plástico e o joga além da sua cela, através do respiro de
um pequeno quadrado. Seria bom não pensar, mas nada seria tão brutal como um
século que haveria por definir a paz, por regrar os dias melhores, não para um
combate insano por um nada, um jogo de poderes, um excesso de zelo em primar
pela hipocrisia, um sonho abortado. Estas deveriam ser palavras, quando
contestamos, quiçá, um próprio respiro que tenhamos esperanças, pois que o
mundo se transmuta, há lugares onde nem todo o juízo final é aplicado
cirurgicamente por estudiosos desse status, onde se possa falar da Paz, e que
esta venha revisitando sua irmã Natureza. Duas entidades lindas, que podem ser
moléculas que nos cercam para nos beijar com suas pétalas de flores,
fazendo-nos esquecer daquelas de chumbo ou urânio.
São essas gentes que não precisem se
arrastar por trincheiras, não precisam se cercar pela vontade de um tirano, que
possam eleger um homem mais democrata, que não se ressintam tanto, meu Deus, se
as suas vontades de aquisição não forem acertadas pelos seus ganhos, se os
ganhos superlativos de muitos que queimam navios de óleo fossem repartidos com
as tentativas de equacionar melhor os problemas do planeta.
Essas queimas que nos tornam expressos de
outros quinhões, em que não participamos, a não ser em nossas corporações
gigantescas, em cartéis que não ajudam a reduzir danos, mas os causam, das
químicas dantescas que tornam lentas as recuperações das humanidades. Falemos
assim, por suposto, que estejamos cientes que tudo é fruto do ser humano, das
farsas e tudo o mais, que um quando se retrai pode ser por covardia ou mesmo
antes porque conhece a natureza de um molusco e aprendeu com ele. Talvez voe em
outras horas, e talvez aprenda bem mais com tudo, do que o que não se retrai e
parte para a invectiva, a investida, a covardia, esta sim, covarde, pois guarda
no poder a sua pretensa razão, mesmo quando do injusto, o que capitula a
própria noção do sensato proceder.
Pensemos muito antes de muitas investidas,
pois que não nos tornemos piores do que não sabemos que seríamos, assim quando,
se faz em horas de trevas. Nessas defensivas de outros dias, o que nos espera,
se muitos querem fazer crer abertamente que treinarem submissamente nas suas
próprias fobias ilusórias e no entanto contagiantes, os farão classicamente
mais preparados, o que vem a despreparar por vezes a importantíssima
tolerância, esta uma faculdade que encerra em si mesma grandes luzes
existenciais.
Era um dia largado,
que fosse, e Mariana revolvia muito o coração de José, que este se supunha
encharcado de uma verdade, de – aliás – quase toda a verdade que podia supor,
dentro de seu pobre consentimento, que se aparvalhava, e ela como cimento
forte, amalgamando, quebrando seus tijolos, em que aquele esperava amálgama,
mas encontrava a frieza do concreto.
Não mais resolvera esperar algo, pois, por
um dia que fosse, talvez pensasse em dormir mais tarde, um dia, talvez roçar
suas pernas, num bamboleio, nas pernas dela, que gostaria, que havia sonhado,
que pecara em lembranças, que quisera tomar voto de sanyasi. Não bastasse isso, que apenas sorria, pois o seu sorriso
era de ofício: seu modal, seu lócus. Encontrava Mariana sempre a projetar seus
cabelos para uma frente sem muitos espaços, uma franja, meio moicana, meio
indígena, com fitas que desciam aos ombros fartos, as roupas de um cobre, de um
laranja ao musgo nos detalhes que sobressaíam, outras vezes como que em um luto,
com tranças ruivas queimando a coloração mais discreta: os terras, os sienas, a
floresta. Maria e Ana, mãe e avó do Cristo, duplamente Mariana, e a José o nome
era sua paixão...
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
A LETRA PODE PROSSEGUIR...
Uma letra, a voz, em que não pese o silêncio,
Pois outra se antepõe, em ocaso onde o Sol
Não abriu suas pestanas a que se comece o Dia!
Outra, a letra consonante, que seja, nos consome
Com outra página silenciosa de rumores
Em que comemos de outro arroz que não seja
Apenas a oliveira e seu fruto na conserva de sal
Onde apanhamos um quinhão em Terra consentida.
Que o outono se pronuncie tal como o Sol
Que botamos na distância entre os pontos da Lua
Enquanto não se encontrem, mas o brilho
Com o brilho da Estrela é de luz intensa
A que se completem os três na mesma Natureza!
E a um pássaro que nos sobrevoe o Mar,
Ditamos regras marinhas no espaço de vidas
Onde sequer sabemos onde reside o sal
Que verto na superfície desnuda de meus olhos.
Pois outra se antepõe, em ocaso onde o Sol
Não abriu suas pestanas a que se comece o Dia!
Outra, a letra consonante, que seja, nos consome
Com outra página silenciosa de rumores
Em que comemos de outro arroz que não seja
Apenas a oliveira e seu fruto na conserva de sal
Onde apanhamos um quinhão em Terra consentida.
Que o outono se pronuncie tal como o Sol
Que botamos na distância entre os pontos da Lua
Enquanto não se encontrem, mas o brilho
Com o brilho da Estrela é de luz intensa
A que se completem os três na mesma Natureza!
E a um pássaro que nos sobrevoe o Mar,
Ditamos regras marinhas no espaço de vidas
Onde sequer sabemos onde reside o sal
Que verto na superfície desnuda de meus olhos.
UM SONHO SOB ESFERAS
Partimos de algo que
nos separa do todo lógico, do entre pensar, da quimera em termos daquilo que
sabemos tão “legal” como “surreal”. Como um ovo que pensasse: qual seria o ovo,
de lagarto, serpente, ave, um genoma em forma de concha não, que este não
existe em seus termos mais gerais. Questões de conhecimento perceptivo, pois
enquanto não encontrarmos a resposta nos ventos, como dizia Johannes Mario Simmel, não haverá
a crise de consciência de ordens continentais, a que pese que não há mais o
pró, e sequer o contra. Não há um movimento que não nos dite um proceder à
altura do planeta: a Zica é peste, vivemos o princípio das pestes, e não há
sequer – quando estamos distante de uma América Latina maravilhosa - a paz de
que a humanidade tanto necessita!
Passemos a sonhar,
no entanto, pois este sonho em vida não cessa. Sonhemos encontrar dificuldades,
tentemos tatear um continente de nós mesmos, que possivelmente sairemos
conscientemente da gigantesca parafernália ilusória onde muitos por ventura
enterraram suas botas, seus chinelos, ou correram demais sobre o negro asfalto,
dono de derradeiras fortunas. Nada mais faria tanta diferença quanto essa
coisificada máquina em que enfeixam hipócrita e vulgarmente a face das
sociedades... Tanto a se dizer, que nós mesmos saberíamos mais de algo que nos
nuble, mas teremos um tempo algo continental, se pensarmos em uma haste de
gramínea como um princípio banal, mas importante.
Do princípio ao que
verbalmente estaremos mais inseridos mesmo que em valores sejamos relativos nos
modos escalares. A relação depende do meio em que nos encontremos, a saber, que
a ação de um homem ou um animal corre no relativo de quaisquer espécies, mesmo
sabendo que aquelas superpopulosas enfrentam a crise, o stress e por vezes os
resultados de equações assaz raras e desconhecidas ao vulgo que ignora e que
pressente vários tipos de passagens.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
domingo, 14 de fevereiro de 2016
ARQUITETURA DE HISTÓRIA
Um domo se retrai sobre colunas de alabastro
No que não pretendemos a se erigir, que sejam o concreto
De outra arquitetura, a saber que uma base quase oval
Traduz um crescer de um orgânico a alicerçar ferramentas...
De tijolos, o barro, uma casa de barro, que seja o barro maciço
Como uma montanha e suas amarrações de rochas
Em que o aço ergue, e saibamos que o ferro é material sagrado!
Cada semente de pedrisco a se armar o cimento é sombra
Que se torna gesto, sombra de autoria do obreiro
Que se faz luz na verticalização de sua obra...
A pequena janela onde entra a luz e a brisa ressente-se
Se ao norte não lhe for concedido o sol, posto um quarto
Do que seriam as peças da casa, caso o consentimento construa.
A sabermos que uma luz da lua é suficiente para que tenhamos
Um nascente mais próprio entre o que vemos de estrelas
E as chuvas que tendem a amalgamar estruturas.
E quando uma vivenda vem a despontar nua e solene
Nos cristais de uma rica proposta quando pesponta honesta
A vida de uma família torna-se rica posto situada,
Mesmo quando saibamos que a propriedade é convencionada.
As águas vêm de um ninho para outro, como um canavial
Em que as colheitas erguem de braços pátrios o esforço
A que seja merecido o necessário e suposto quinhão de cada.
Que a água chegue encanada, nos rincões do país
Onde São Francisco caudaloso nos refira menos misérias.
Assim de vermos que a arquitetura seja um piloti a mais
Dentro de cada proposição – mesmo sistêmica –
Em que as naves de uma catedral deixem espelhar no gótico
O que porventura deu escolas ao surgimento do renascer...
Não precisamos ver o que há por trás das culturas de um povo
Pois que as sintamos no diálogo que não nos ensombreça o tempo
Já que está que não supomos que há anonimatos no construir!
Desses braços que vemos por entre tapumes, por cima de lajes,
Nos meandros dos mourões, por entre caixas, em depósitos,
No gesto em que os pregos sintonizam o fazer da obra
Sejamos mais em respeito, pois ao Arquiteto é apenas tudo.
E nessa construção solene, que desejemos que haja um saneamento
Das mesmas consciências que por vezes se turvam
Quando escondem de si mesmas um pequeno riacho
Que beira o estupor inconsequente de uma não atitude...
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
A INDEPENDÊNCIA COMO REPRESENTAÇÃO
O fato de existirmos enquanto seres,
gregários, desponta que tenhamos boas representações, na acepção crua das
palavras. Um homem ou uma mulher podem coexistir enquanto indivíduos em um
universo do intelecto, posto entidades pensantes, e conviver com isso de modo
algo filosófico... Pois que por vezes não tivemos formações ou contato com a
filosofia desde crianças, e gostemos de pensar alicerçados, frente a uma escola
em que apenas gerações mais antigas a tiveram. A independência passa por isso.
Passa a ser uma questão de nenhuma doutrina, pois apenas um pensamento que
verse sobre o que se percebe, quais as latitudes do conhecimento pensado e
expresso, inequivocamente, como passo necessário à compreensão da própria
realidade, ou sua interpretação do que venha a ser colocado como distinto da
ilusão, da farsa, da parcialidade exposta nas sociedades. Essa questão passa a
ser ou a fazer parte quase como um repertório em que hoje em dia se coloca
frente à possibilidade dificultada em que nos alicercemos no pensamento mais
linear, consonante, coerente com uma linha e suas curvas, suas oscilações, a
sua mesma contemplação assaz importante para pensarmos com independência, não
apenas dentro das fronteiras de nosso ser, como na aquisição da independência
que passe por limites impostos, aí sim, a caminho da liberdade, extensiva aos
países, extensiva às nações. Vem de um grande ser coletivo o apanhado de
reflexos de pequenos grupos, familiares, amigos, trabalho, escola,
universidades, partidos políticos, agremiações religiosas, quais sejam, a
iniciativa apenas do indivíduo passa a não ter a mesma voz se este não se
alicerça frente a uma sociedade enquanto ser, do todo, das partes...
A independência é sempre um modo de
se alcançar o conhecimento uno de cada qual, refletindo no outro o compartir a
que se chegue em dimensões quase continentais, em suas permutas, em permanecer
cada qual nas suas plataformas afirmadas e consentidas a partir de suas
experiências, como um rebatimento na história de humanidades maduras e éticas
enquanto consagradoras de um rebatimento moral. Esse mesmo moral que não
enverga qualquer latitude nas questões criminais, posto a segurança treinar
justamente essa integridade. E a independência em equações complexas dessa
ordem versa que tenhamos suporte e inteligência necessários para dirimirem
dúvidas recorrentes na estratégia de prevenção e combate tático. Nesse ponto
nevrálgico de termos bons sistemas a integração por vezes peca por nivelar o
conhecimento na prática defasada de outros tempos, aliás, por um lado que se
revela positivo, haja vista a importância inequívoca de sistemas conectados e
outros que não necessitam estar plugados aos de informação. A aquisição cabal
de superarmos o olhar da máquina para servirmos a olhares mais profundos em
nossas retinas, leva-nos a saber interpretar melhor o serviço da máquina e a
inteligência das lideranças que a compartem dentro de equipes mais horizontais
em suas hierarquias. Esse é o ponto crucial a ser levantado para que tenhamos
uma inteligência mais equipada com o principal conteúdo de seus aparatos: o
fator humano. A identificação mais exata das origens de problemas de ordem
criminal prevê a ação repressiva como algo menos necessário, pois enfeixa
efetivamente um conteúdo humanitário na reflexão do que levam comunidades
inteiras ficarem à mercê de certos grupos ou facções organizadas para a prática
de delitos. Essa é a equação social de merecimento da atenção do poder público.
Não adianta fazer de um Estado todo um sistema repressor à criminalidade, se
todos os setores da sociedade não repensarem um projeto social amplo na distribuição
de renda mais justa e equitativa, para que os espelhamentos da ignorância em
querer um modo de vida menos cáustico socialmente possa ser combatida por
uma educação sem as fronteiras da separação entre os mais ricos e os mais
pobres, ou seja, só podemos caminhar para uma inteligência de merecimento se
injustiças sociais tremendas forem solucionadas por uma sociedade que prime
pelo povo, pois deste deve emanar todo o Poder, soberano e pátrio.
Pode ser uma concepção mais leiga,
no entanto é de se supor que quanto mais a desigualdade imperar, mais problemas
recorrentes de criminalidade vão surgir. Não se trata propriamente de
ideologia, mas de uma posição lógica inegável, conforme temos exemplos de que
uma sociedade sem formação é como abrir espaço para problemas sociais. Um
exemplo evidente é o fato de que um cidadão que more em um lugar sem
saneamento, e que trabalhe em outra área mais própria, tem o termo de
comparação do que é viver de um modo ou de outro. A maior parte dos cidadãos
trabalha duramente para conquistar os seus espaços existenciais, no entanto
muitos querem a vida mais fácil, mesmo sabendo dos riscos de uma condenação
perante a Lei. De forma tal que se espelha em todos os níveis da sociedade,
desde uma aquisição indevida e ilícita mais irrisória até os grandes assaltos
associados com os crimes da corrupção: em todos os poderes, em todos os
Estados, invariavelmente, o que torna todo um sistema incompetente para
solucionar problemas assaz complexos em suas culturas nefandas. Por isso conclui-se
que uma nação independente de qualquer tipo de exploração imperial ou não,
acharia caminhos mais válidos na representação de suas competências e solução
de seus problemas estruturais. A validação de ações conjuntas com o imperativo
do bom senso, dentro de um padrão verdadeiramente participativo e democrático,
vem a nos colocar questões em que se possa contestar finalmente aqueles
representantes do povo que ironicamente trabalham contra as frentes de
emancipação de todo um país, estas com seu modal de progresso e justiça social
decorrentes.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
AS VOLTAS DE UMA SUPERFÍCIE
Há cristais que
emanam, que vem de Marte, no que Vênus não se ressinta
Para onde não
sabemos nem sequer onde reside o espírito de nossas leis,
Porquanto esse
não saber não voga o conteúdo errático de um pensamento
Em que tantas as
esferas não se modelam em uma caixa lacrada...
No que versa a
crista de um dinossauro de vida quase esmerada
A verve de um
poeta quiçá saberia um pouco mais de seus pousos
Dentro do que
pensa o que antes era um pouco vã e hoje necessária filosofia.
Nas questões de
uma paz recorrentemente passageira enquanto desígnio
Também não
sabemos nem um pouco mais do que suporíamos ter em conta
Que o mais vão
dos mortais não será vão, posto haver igualdade
Na existência do
tabuleiro de uma realidade onde o rei é o mesmo da formiga.
Onde esperamos
que haja um sol que nasça para todos, esse esperar fatiga
A quem saiba que
todos os sóis de todo o dia se repetem em outros nascituros!
Solene é o gesto
de qualquer dos ventos nas folhas, e que na verdade
Acreditamos que
os livros serão lidos algum dia, nem que o sejam
Para sabermos
que no caudal da poesia se reveste um pouco da ciência
De cada palavra
anunciada dentro das vestes do pensamento humano...
No que temos por
lucidez acobertada por vezes, a uma loucura do sem nexo
Em que nada do
que se pretende medra, por sabermos do mesmo modo
Que o teatro das
lacraias talvez seja mais nobre do que um retorcer do verme.
Na carne que nos
supõe a vida, não sejamos ela somente, carne, posto vida
É o que nos
encerra no pão que não possuímos quando a fome é farta.
E esse carnaval
se passa com a graduação de uma fera de metal com rodas
A prosseguir
sobre o jurássico asfalto na voz do álcool que não fala: consente!
Assim seríamos
algo a nos pretender maiores se não fora a disciplina dos versos
Algo a se tentar
com arte quiçá em um sono merecido de um poeta
Ou no amor
consagrado e verdadeiramente exato na vida inteirada de um par...
Pão que te quero
mais urgente, pão que enobrece as gentes, pão do sol,
O pão que nos
lega a semente do trigo nas noites em que a terra é fecundada.
Isso de sabermos
às vezes do alimento, que as palavras alicerçam o espírito
Como uma hóstia
que queremos relembrar do nascimento de Seu Filho.
sábado, 6 de fevereiro de 2016
UMA LÓGICA DE ENCAIXES
A saber, que muitos tipos de
contestação parecem válidos quando a crítica é previsível, em que se associe a
um grupo. Os teores das redes fazem as vezes da crítica ou entretenimento com
contatos devassados porém claramente elucidativos. Há que se investigar onde
entra o banimento, ou em que canais este atravessa a mente dos mais
vulneráveis, seja desde um bilhete até um ensaio, ou literatura que se pretenda
mais verdadeira, ao ponto de desnudar aquilo que é fruto da enganação, fraude,
o que deveria ser ilícito como entretenimento ao insuflar a violência em um
moto contínuo, como um reflexo onde as crianças acreditem estar vendo algo
natural, quando expostas continuamente ao entretenimento televisivo de conteúdo
violento, onde torna-se banal virtualmente combater, no que se remonte que
essas crianças com esse conteúdo por vezes tem contato muito precocemente. É
uma questão fundamentalmente complexa, mas paradoxalmente simples. Um tipo de
encaixe lógico pretende-se quase como uma corrosão necessária à ganância da
indústria dos games, quando o apelo se torna lugar comum em países que não
controlam esses índices. Propriamente, há que se ter uma regulamentação
necessária, já que quando construímos uma boa infância nada é melhor do que uma
vivência saudável entre os amigos, pais, filhos, parentes como um todo. Por
isso a importância das escolas mais longas no seu princípio lúdico, por isso
quem sabe Montessori, não se saiba qual o ideal, mas que haja livros em
profusão, brincadeiras que deem origem ao fazer artístico, o esporte, as
brincadeiras. Há que se destravar certos encaixes onde não adianta integrar
tudo, haja vista as várias nações que comporta o nosso país... As saídas para
uma equação que verse sobre uma educação de qualidade impõem-se desde cedo, na
autoridade paterna e materna – baseada no respeito – e dos professores e
colegas de escola. Não há outra via que não seja essa, do respeito, da noção de
que a liberdade é relativa onde se respeita não apenas a identidade individual,
como a realidade coletiva e sua adaptação recorrente. O que gira em torno disso
é subterfúgio, cosmética, fantasia, não apenas na criança que se perde por
vezes sem saber como vivenciar o espaço coletivo, como nos pais que se deixam
enganar muitas vezes pela falsa competência de alguns educadores. Há que se
investir em formação: história, filosofia, lógica, literatura, ciências, e a
arte como um todo, que sempre é um bom instrumento para conseguir o
aprofundamento nas questões humanas. Não há educação sem as humanas. Pode muito
bem haver educação sem a informática, mas sem livros seria impossível. O país é
imenso, e sempre contará com bons profissionais, que amam a livre docência, que
se entregam à arte de lecionar nesta pátria tão fartamente cheia de encaixes
integrados, mas sem as peças fundamentais que são a aprendizagem do que se
ensina e o ensino do que se aprende: vigas mestras que compreendem o espaço da
educação tão esperada...
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
PANO DE FUNDO
Alice se encontrara com Marcelo
naquela sexta-feira, no endereço que haviam combinado. Punha-se um pouco de
resguardo, mesmo que soubesse que o havia conhecido pelo celular. Era hábito
corrente por aqueles tempos. Não havia como evitar, pois nas ruas não daria
para arranjos que fossem burgueses, ou de rostos bem apanhados, corpos em
exposição, o dilema de frágeis e tênues diálogos, e os inevitáveis desfechos da
desilusão amorosa. Tudo o que convertera a sociedade contemporânea eram as promessas
de que se um não estivesse pertencendo a uma conexão qualquer a cidadania
estaria ausente, na acepção existencial dos tempos... Não haveria de ser
crítica, ou que ela encontrasse um homem que contestasse algo, pois era culta o
suficiente para saber do que foram as eras de revoluções tecnológicas, e como
todos esses tempos facilitaram a vida por um lado, mas colocaram cabrestos
nefastos através das teorias econômicas, que vinham como pano de fundo. E se
impunha o fato de que um país continha tudo em termos de avanços de ordem da
informática. Não se vem ao fato, o encontro fora casual:
Marcelo vestia uma calça jeans, um
sapato meio surrado, uma blusa comprada em um brechó católico, se portava como
um cavalheiro, como efetivamente era. Viu-a, mas viu-a meio mortiça, sem muita
cor, a pele clara, a palidez de noites mal dormidas, ele que se mantinha forte
com seu temperamento solar, das ruas, como expectador de uma mulher cansada, de
carência visível, uma carência inculcada, impetrada, de um tipo de carência que
quase beirava a enfermidade, uma ansiedade em seus olhos inquietos nas
órbitas... Falou-lhe.
- Alice... É você? Quase não a
reconheci.
-
Sou eu, o que você achou?
- Como? Olha, não precisamos fazer
algo que não queremos, se é de tanto o se querer, mas não seja sempre, assim,
por vezes.
- Não entendo. – Disse ela,
inquieta, com a voz meio no chão, o rosto para baixo, como que escondendo as
olheiras das noites claras, de uma promessa de amor, que o sexo por si não se
bastaria mais, e a revolução da igualdade de gêneros era algo do passado, bem
sabia, mas não frequentava as amigas que possuíam machos objetos, que
coisificavam o ato, que se alimentavam do coito como algo normal, de uma
sistêmica normalidade... – Olha, Marcelo, eu ensaiei muito este encontro, eu
gosto de ler, apenas gostaria de deitar-me com você em uma boa cama e que
leiamos um bom jornal, apesar de estes não apresentarem a realidade dos fatos,
que se nos encolhe a realidade! Apenas estou extenuada. Me leve, por favor, a
um hotel.
Alice havia viajado desde o oeste do
Estado, dez horas de ônibus, possuía bagagens para ficar, perdera seu emprego
há três meses e seus pais haviam falecido já há algum tempo. Deixara sete
irmãos perto da fronteira. Um deles falecera de acidente no trabalho. Ganhara o
celular de uma amiga que subira com um companheiro para fundar uma casa na perma-cultura, dentro de uma floresta
preservada, e disse que não precisariam desse recurso, pois possuíam um rádio
com muito alcance. Seu desejo no imediato era descansar, dormir, e quando vira
os modos de Marcelo sentiu mais calor do que na web, no celular. Tinha todo o
cansaço do mundo, de seu mundo, do espelhamento sincero de muitas outras
mulheres, que escolhiam esses displays como um modo de alcance afetivo.
Saíram a pernoitar em um hotel que
Marcelo conhecia. Se chamava Ártico, localizado em uma rua sem saída. As
paredes de pedra impressionaram Alice, por serem da idade em que se apresentava
o estilo da arquitetura, visto que mal sabia ela sobre essa arte tão completa.
Mas Marcelo conhecia um pouco, sabendo que se tratava de um estilo neoclássico,
ou seja, uma repetição algo bela, posto feita efetivamente com pedras, o que
impressionava a qualquer um que não tivesse muito trânsito fora de seus
lugares, dentro das conchas em que se vivia. Naqueles dias o calor era tão
intenso no sul, o sol dava lances inclementes sobre as gentes, que quase
ninguém saía nos picos mais quentes do dia, a não ser em certos ou errados, no
entanto pretensos combates ocultos... Rumores havia sobre os dois, já, sem ao
menos terem se visto então naquele fim de jornadas, na tarde de sombras que
evanescia a pressão atmosférica. Rumores de encontros, de outros que obtinham
prazer em ajudar a desfazer a empatia do encontro, ou o surgimento do amor. Talvez
fosse uma impressão, um trecho de Debussy, algo a se retratar com um médico
psiquiatra, um transtorno, ou mesmo quiçá uma verdade em que o gênero humano
meio que se assemelhasse aos corvos, quando assim ingenuamente em sua sólida
malícia assentissem. Seria por concluir que Alice e Marcelo quase que se
tocaram, e seus olhares permaneceram ligados um ao outro quando entraram no
hall do hotel. Subiram.
- Um pequeno, no entanto grande
olhar, meu caro. – Foi a expressão dela, quando se enlaçaram por um instante
breve, mas repleto. Separaram-se...
- Quando é que nos encontraremos de
fato, ao que não nos reportemos a todos esses canais que nos mantiveram em
quase contato? Quem somos, ou melhor, será que somos nós dois ou todo um
contexto dentro deste quarto de hotel? – Marcelo tinha dúvidas, estas de trato,
de uma combinatória meio em que o acaso festejava... Visto em acepção profunda,
naquilo em que se pretendia um encontro. Fazer o que? Descansariam, a busca
tinha sido intensa...
Aquele hotel tinha sido um lugar
onde muitos se abrigaram durante a história daquele pequeno país. Como um nicho
na cidade, um affair multiplicado com
muitos de se amar, ou daqueles em passagem a negociar naquela pequena cidade,
originária das tropas de mulas, onde o mesmo antigo antepassado do dono do
hotel trabalhava com grãos, em épocas mais agrárias, eras de trocas. No
entanto, o casal recém-formado sabia que na verdade haveria alguma
idiossincrasia a passar a limpo, alguma diferença ou detalhe não dito, a
impossibilidade das letras ou fotos, ou o infinito da personalidade humana. Desse
infinito que redescobrimos no algo da consecução mesma dos universos... Esse o
ponto! De nada a não sabermos sobre nada no universo mesmo da espécie, a que
nos consintamos que a atração melhor se daria entre uma criação ou outra, de
uma larva a um pássaro, de uma mulher a uma rocha incrustrada no peito de uma
montanha. Assim, de por vezes achar mais linda a mariposa do que a pétala
rosácea no baixo ventre de uma fêmea, assim, enquanto esta desce sobre o menir
e seu pedestal representativo, a mariposa de três cores sobe, frente à lua, e
dita algo mais um pouco, do que nos despe também, do que desprezamos quando
estamos orgíacos, bêbedos, loucos na insanidade do prazer que vegeta os atos.
Por um tanto que nos reservemos um pouco, pois a queda de um ser pode acontecer
na predação inquieta de um turvo e inconsciente átomo e seu spin. Assim o encontro, que tanto de
tantos os homens e mulheres requerem, em medidas solenes, no caudal de
madrugadas, em que por vezes nos turvamos, por vezes vemos, bloqueamos,
deletamos a nossa razão e viramos bichos, ao que os bichos não pretendam tão
humanos em falhas destes. Erramos, e o encontro se dá errático enquanto
fortuito, na não coragem de nos tocarmos na chuva inclemente, na luta de sermos
viventes, no que temos de propósitos tecnológicos, mas que se acrescente nas
luzes, e não que substitua a subsistência tão agonizante já do sentimento de
amor: imparcial, decente, justo e definitivamente – ainda utilizando a palavra
grande - humano.
Alice e Marcelo compartiam cada qual
seu próprio oposto, onde o encontro de suas curvas sinalizavam que as parábolas
se tornavam retas em seus próprios conflitos. De saberem-se mais experientes, o
amor de suas gerações em gênero, em classe, tornava-se objeto da lógica de seus
gadgets... Tanto que estavam no
hotel, no quarto, olhando-se, propriamente, não em presença um do outro, mas
querendo teclar sucessos de outros presentes em seus manequins de quartzo! Mal
sabiam da derrocada ou do insucesso em que se tornavam, pois sozinhos, perto do
leito, teriam que “treinar” algo em que sumiam nas estratosferas dos milagres
da ciência. Essa ciência certa, perfeita, a se descobrir a mesma receita, o
mesmo milagre repetido, as novas maquiagens de outras hennas, os novos batons inteligentes, os cílios postiços
interligados e espiões de si mesmos, os que curtiam, os que trabalhavam duro,
os que esmolavam e não viviam, os que enlouqueciam e não eram levados a sério,
à mercê dos seus apelidos cruentos, os que se reduziam a moedas, e aqueles que
buscavam fechar as portas da liberdade para defender seus botecos, ou seja, os
golpistas de última hora, sempre as horas, sempre copiando datas, sempre dando
corda, sempre alheios ao bom senso. Isso vinha de roldão, mas a questão era bem
mais existencial do que nunca, pois Marcelo e Alice sabiam de outros tempos,
mas que os tempos se sucediam, e a devastação apenas existia dentro do nada do
ser... O que importava para eles? Uma camisa de vênus mais moderna? Um encontro
que fosse poético, era isso que importasse a cada qual, era a esperança do
mundo, de sermos quem nos quisermos, mas que não sabemos mais nem quem foi um
romântico como Victor Hugo, ou Shakespeare, quem foi Mallarmé, Virgínia Woolf.
Talvez os dez mandamentos traduzissem tudo, quem sabe para o Juízo Final todos
quisessem ser um fragmento missionário de Jonas, quem sabe o Cristo loiro ou
moreno viesse, quem sabe os Cristos já estão por aí, enclausurados. Quem
saberia? Os displays eletrônicos, o racismo, o fascismo, o nazismo, ou o
esquecido Cubismo Analítico, este tão lindo em sua geometria apagada de nossas
memórias artístico-culturais? Quem o sabe? Os franceses, os japoneses, a
história de um robô? O verter de neurolépticos em demandas do fracasso cerebral
imposto? As epidemias, a fome na África, o holocausto palestino? Na verdade,
eram os dois apenas um casal, frente a uma realidade em que não davam conta,
nem dariam, pois para construir um perfil favorável a que se pretendesse um bom
contato, daria um trabalho extra em que arranjar as coisas com aplicativos que
resolvessem essa parte humana ainda não estaria em mercado. E esse seria o
ponto final, a soberba da conveniência da ganância fincando estacas de cristal
líquido na mente dos mais vulneráveis: aqueles considerados inteligentes,
normais, alfas, guerreiros, predadores sexuais, treinados, preparados,
acadêmicos, neouniversitários,
fabricantes de insights, pensadores contemporâneos com a profundidade aleatória
do neo-neo pós algo, de liberalismo quaisquer, que utilizaria seu poder de
persuasão para mostrar à humanidade que estaria tudo perdido, que não haveria
de ganhar o progresso de toda uma coletividade mais pobre que, bem ou mal,
estava construindo melhor e mais concretamente sua própria realidade. Esse
encontro era de um par huxleyniano, a
fuga aparente de atingir um orgasmo fora do padrão isolado dentro do
perceptível sistema que não se sabia qual era, mas já dava sinais de fracasso,
no mesmo viés tecnológico, onde antes a prerrogativa era de apenas uma face. As
portas da percepção se tornavam necessárias, e estas eram fechadas à Natureza e
abertas ao olhar dos gadgets e outros
displays slaves, onde o fabril ou
agente de natureza criadora ou participante das cúpulas da inteligência – o que
há por trás – viravam slaves
(escravos) de suas próprias rotinas, mesmo quando consagradoras de alguma
posição em um serviço de inteligência qualquer, seja de que nação fosse.
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