quarta-feira, 16 de abril de 2025
A ABORDAGEM DE FREUD COM RELAÇÃO ÀS ENFERMIDADES PSÍQUICAS É O CERNE PRINCIPAL DA PSICANÁLISE, E SÓ TOMOU O VULTO QUE RESULTOU NAS MODERNAS FORMAS DE TERAPIA ATRAVÉS DA ASSOCIAÇÃO LIVRE, QUANDO O PACIENTE FALA LIVREMENTE TUDO O QUE LHE VEM À CABEÇA, E O ANALISTA PERSCRUTA AQUILO QUE SÓI FOR IMPORTANTE PARA CONSTRUIR UMA LINHA DE TRATAMENTO, SEM CONDUZIR JAMAIS O ANALISANDO, MAS AJUDANDO-O NESSE PROCEDER.
DESCORTINA-SE O VÉU DA MANHÃ DE ABRIL, E OS PÁSSAROS COMEM DO ALPISTE LARGADO SOBRE A CALÇADA, NA FESTA DA VIDA EM QUE MAIS UM DIA CLARO DESPONTA AO ALVORESCER DE REALIZAÇÕES EM QUE A MESMA VIDA SE APRESENTA DIANTE DE UM PANORAMA DE SURPREENDENTES DESCOBERTAS, PORQUANTO DENTRO DE SEUS MISTÉRIOS INERENTES À MESMA.
NA QUESTÃO DO VÍCIO TABÁGICO, O MÉDICO PODE DIZER AO PACIENTE SOBRE A EXPERIÊNCIA QUE ELE TERÁ COM A ABSTINÊNCIA... QUANDO O PACIENTE SEGUE À RISCA AS RECOMENDAÇÕES DO MÉDICO, ELE PASSA A SENTIR A EXPERIÊNCIA DE PER SI, E A CONTINUAR O TRATAMENTO CONFORME A PRESCRIÇÃO, E TUDO SE ENCAIXA CONFORME A PREVISÃO DO DOUTOR.
ESTRELA QUE NÃO ALCANÇAMOS
És tão antiga quanto a luz, emanas a distância de tuas promessas
E os ventos sopram nos teus quadriláteros de teu brilho...
O gesto quase opaco de teu olhar, perfaz a Natureza mesma do que somos:
Aurora harmônica, sabores do tempo, tessitura de uma alfombra quase morena
Ou mesmo as vestes dos signos de uma era que se avizinha, mas jamais chegará
tão plena.
Quando ao nos aproximarmos nossos olhos de teu ponto, saberemos que não estarás
no céu
O tempo que urgiríamos de te encontrar mais serena em teu olhar mesmo que te
encontro
Mas, no pressuposto indelével da aurora, estarás tão plena quanto o sempre, do
outro lado do planeta...
terça-feira, 15 de abril de 2025
A LINGUÍSTICA SEMPRE FOI UMA DAS MAIORES "ARMAS" DOS SERVIÇOS SECRETOS DO PLANETA, E SUAS INTERPRETAÇÕES TENTAM SEMPRE DESVENDAR O QUE HÁ POR TRÁS DAS PALAVRAS, MAS QUANDO SE ENCONTRAM COM A AÇÃO CONCRETA DE UM ATIVISTA SÁBIO, NADA PODE FAZER DO QUE ACUMULAR INFORMAÇÕES A RESPEITO DO NADA, A SERVIÇOS DO PODER OU SUAS ALTERIDADES.
A BELEZA DO "TUDO OU NADA" NA RELAÇÃO DOS JOVENS ENTRE SI É ESTAR VIVENDO E SE PERMITINDO, SENDO MAIS VERDADEIROS PERANTE AQUELES A QUEM SE DÃO A OPORTUNIDADE DE COMUNICAR A PRÓPRIA VIDA, DIANTE DE POSSÍVEIS CRÍTICAS DA SOCIEDADE, E ESSA ATITUDE DEMANDA CORAGEM POR PARTE DA AUTENTICIDADE DESSA PARCELA DA POPULAÇÃO, QUE EMPRESTA A MESMA AUTENTICIDADE NA ALMA DAS SOCIEDADES ALGO FECHADAS DO MUNDO ATUAL.
EM INTERVALO DE HORAS DE INDEPENDÊNCIA COM RELAÇÃO AOS VÍCIOS, QUE A ESPECULAÇÃO RITMADA COM ATOS QUE NÃO SEJAM PROFUNDAMENTE CONTEMPLATIVOS, SEJAM MERAMENTE A RECEITA CORRETA DE SE PROSSEGUIR EM NOVAS ROTINAS, SEMPRE VIGILANTE, E COM A PERCEPÇÃO MAIS ACURADA E POSITIVAMENTE ANDANDO NO VIÉS OPOSTO DE UMA POSSÍVEL ABSTINÊNCIA, POSTO RESULTADO QUE PARTE DO PRAGMATISMO E POR VEZES DO SILÊNCIO DE ALGUM GESTO CASUAL.
UMA VIDA PRESERVADA VALE MAIS DO QUE A TENTATIVA MÓRBIDA DE CUMPRIR MISSÕES QUANDO NÃO SE DÁ A REAL DIMENSÃO DO VALOR DA CITADA EXISTÊNCIA E A IMPORTÂNCIA DO VIÉS HUMANO, MAS ÀS VEZES PARA NOS PRESERVARMOS E AOS PARCEIROS, TEMOS QUE DISPOR DA CAUTELA DE UMA DEFESA OFENSIVA QUANDO PARTE PARA A AÇÃO EM FAVOR DA LEI.
A ESCOLA DE BONS GUERREIROS PASSA PELOS QUADRANTES DO IMPROVÁVEL, POR ISSO O GUERREIRO NUNCA PODE TRABALHAR SOZINHO, MAS COM PARCEIROS QUE LHE ORIENTES SOBRE CAMINHOS, PARADEIROS, OU VIRTUDES QUE NEM SEMPRE SÃO ANUNCIADORAS PELO BOM SENSO, MAS DENOTAM A CONSECUÇÃO DE CUMPRIREM SUAS MISSÕES MESMO QUE TENHAM QUE PARTIR PARA ENFRENTAMENTOS MAIS DUROS, POIS NÃO É DE SOMBRAS QUE SE FAZ CONTATO COM A REALIDADE.
Como a sexualidade é o domínio em que chegamos mais perto da intimidade de outro ser humano, expondo-nos totalmente a ele, o gozo sexual é real para Lacan: algo traumático em sua assombrosa intensidade, contudo impossível no sentido de que não podemos jamais compreendê-lo. É por isso que uma relação sexual, para funcionar, tem de ser filtrada por alguma fantasia. Lembremos o encontro entre Sarah Miles e seu amante ilícito, o oficial inglês, em A filha de Ryan, de David Lean: a representação do ato sexual no meio da floresta, com sons de cachoeira que supostamente transmitem sua paixão reprimida, só pode nos impressionar hoje como uma misturada de clichês. No entanto, o papel do absurdo acompanhamento sonoro é profundamente ambíguo: ao enfatizar o êxtase do ato sexual, esses sons de certa forma desmaterializam o ato e nos livram do peso de sua presença. COMO LER LACAN.
O ARGUMENTO ELUCIDATIVO TERMINA POR RESTAURAR AQUILO QUE APARENTEMENTE POSSA TER CAUSADO, EM OUTRAS CIRCUNSTÂNCIAS A ALGO OU A ALGUÉM QUE PORVENTURA TENHA SIDO INJUSTIÇADO POR ALGUM VEÍCULO, SEJA DE COMUNICAÇÃO OU DO DOLO DE UM PERDEDOR POR SIMPLESMENTE INTENTAR INFLINGIR DANOS OU RESTAURAR OS RESSENTIMENTOS QUE PORVENTURA CARREGARA, INFLUENCIADO PELO TERRÍVEL ASSOCIATIVO COM ALGUM VÍCIO OU CRISE DE ABSTINÊNCIA, COMO NO CASO DE UM RECAÍDO NO ÁLCOOL, OU EM UMA VÍTIMA DE QUAISQUER OUTRAS SUBSTÂNCIAS QUE GEREM DEPENDÊNCIA, INCLUSIVE A FALSA SOLIDÃO, O QUE NO MÍNIMO IMPÕE A SI MESMO E A OUTREM A CIRCUNSTÂNCIA DA BRUTALIDADE.
A LIBERTAÇÃO DE UM VÍCIO PODEROSO, PAULATINAMENTE, É COMO VISLUMBRARMOS OS ÚLTIMOS DIAS DE UMA RIGOROSA PENA, QUANDO PRATICADA PARA SEMPRE, POIS O REINCIDENTE NO VÍCIO POR VEZES É APENADO COM MAIS RIGOR AINDA, COMO UMA VELA QUE AINDA NÃO CHEGOU AO FIM, E TERMINAMOS DE QUEIMÁ-LA POR ETAPAS, ENQUANTO É TEMPO.
UM EXCELENTE PNEUMOLOGISTA PODE LIBERTAR UM PACIENTE DO VÍCIO DA NICOTINA, DESDE QUE ESSE PACIENTE SE PREPARE BEM PARA O DIA EM QUE CESSARÁ DE INALAR A FUMAÇA TÓXICA DO TABACO, COM OS ADESIVOS E AS GOMAS E ALGUMA MEDICAÇÃO DE SUPORTE, QUE AO PACIENTE SEJA PERMITIDA, PRINCIPALMENTE QUANDO O PACIENTE SOFRE DE PROBLEMAS EM SUA PSIQUE, MAS NO CONTRAPONTO DE ESTAR ALICERÇADO POR EXCELENTE MEDICINA COM SEU PSIQUIATRA, E ISSO EM UM PAÍS COMO O BRASIL INFELIZMENTE É OBTIDO MAIS FACILMENTE COM OS CLÍNICOS PARTICULARES, ESSA É A REALIDADE, APESAR DO SUPORTE EM SAÚDE PÚBLICA EM NOSSA NAÇÃO TEM ESTADO ALÉM DAS EXPECTATIVAS DA SAÚDE E SEUS SERVIÇOS, DENTRO DAS LIMITAÇÕES INERENTES AO ESFORÇO DO GOVERNO BRASILEIRO DE ESTAR SEMPRE AVANÇANDO PARA MELHORAR NESSE SENTIDO NO CUIDADO COM SUA POPULAÇÃO.
O JARGÃO DE UM CLÁSSICO ADICTO DE SUBSTÂNCIAS, POR VEZES LIMPO DAS INAS COMO A NICOTINA, COCAÍNA, OU MESMO O VÍCIO NA MACONHA, COMO SENSAÇÃO DO "BEM ESTAR", COISAS SIMILARES, APENAS PARA SUBSTÂNCIAS CONSIDERADAS BOAS PARA O BEM ESTAR, COMO A DOPAMINA, ADRENALINA, QUE NA VERDADE É UM ESTIMULANTE, OU A ENDORFINA, ENCONTRADA SEMPRE NOS EXERCÍCIOS FÍSICOS, ENCONTRANDO ESSE ADICTO POR TABELA MOTIVAÇÕES PARA ESTAR SE TORNANDO DEPENDENTE DESSE TIPO DE "CONTEXTO ALTERNO" E, IGUALMENTE, VICIANTE...
segunda-feira, 14 de abril de 2025
NOS GRUPOS DE RECUPERAÇÃO DE ALCOOLISMO A TOLERÂNCIA COM OS ADICTOS DE OUTRAS SUBSTÂNCIAS É GRANDE, MAS O VEREDICTO DE QUE O ALCOOLISMO É DOENÇA QUE LEVA À LOUCURA E À MORTE AS COLOCAM: LOUCURA E MORTE, NO MESMO PLANO. NO MÍNIMO, ESSE TIPO DE ABORDAGEM SOBRE ESSA PROBLEMÁTICA, COM OS REMÉDIOS QUE A MEDICINA JÁ OFERECE PARA QUE OS ENFERMOS MENTAIS POSSAM VIVER PLENAMENTE EM SOCIEDADE, MERECE UMA RELEITURA QUE ATUALIZE ESSE TIPO DE CONCEITUAÇÃO.
CONSEGUIR PASSAR POR MOMENTOS DIFÍCEIS NAS NARRATIVAS DA VIDA DE UM ENFERMO DE ORDEM EXISTENCIAL, O QUILATE DE ALGUNS SINTOMAS SÃO POR VEZES APENAS RECORRENTES INTERCORRÊNCIAS, SOB OS CUIDADOS DA MEDICINA, POIS AO OLHAR DA MAIOR PARTE DA SOCIEDADE O PRECONCEITO CONTRA A LOUCURA É PRÓPRIA DO CAPACITISMO, HOJE UM TIPO DE CRIME HEDIONDO AINDA NÃO ENQUADRADO PELAS LEIS BRASILEIRAS, INFELIZMENTE.
DEVEMOS PASSAR AO LARGO DO PRECONCEITO CONCRETO CONTRA A DOENÇA MENTAL QUE PERPASSA PRATICAMENTE TODOS OS NÍVEIS E CLASSES DAS SOCIEDADES CONTEMPORÂNEAS, JUSTAMENTE PORQUE NO ENIGMA DA LOUCURA RESIDEM POR VEZES AS PESSOAS MAIS LÚCIDAS, MAS APENAS COM LUZ DEMAIS POR VEZES QUE ACABAM OFUSCANDO SEU AUTOCONTROLE MENTAL.
HÁ QUE SE ALERTAR PARA QUEM PORTE MALES PSÍQUICOS E QUE A FAMÍLIA NÃO ACEITA MAIS SEQUER ESTAR EM COMPANHIA DOMICILIAR QUE O PACIENTE BUSQUE AJUDA EM GRUPOS DE RECUPERAÇÃO E SE TORNE UM HOMEM QUE CONTRIBUA COM A HUMANIDADE, DA FORMA QUE ELE ENCONTRAR, ATÉ QUE A PRÓPRIA MEDICINA RECUE E MELHORE AS DOSAGENS DE SEU QUADRO PARA QUE SUA VIDA SE TORNE MAIS CONFORTÁVEL PSIQUICAMENTE.
QUANDO UM MENDICANTE ESTIVER INGRESSANDO NAS RUAS, POR CAUSAS DE DESTRUIÇÃO DOS LAÇOS FAMILIARES E FALÊNCIA FINANCEIRA, POR VEZES ELE CLAMA POR SER INTERNADO PELO FATO DE TEMER TREMENDAMENTE A SITUAÇÃO CATASTRÓFICA DE ESTAR NA RUA, MAS COM DEUS, COMPANHEIROS, JESUS NOS ENSINOU QUE PARA OS SANTOS O CÉU É O TELHADO, E PARA OS PROFETAS IGUALMENTE.
ENQUANTO FREUD CRIOU A PSICANÁLISE E DEU ESSE ESTEIO PROFISSIONAL PARA A HUMANIDADE, HOMENS COMO LACAN DERAM PROSSEGUIMENTO NO TRATO COM DOENÇAS MENTAIS MAIS GRAVES COMO A PSICOSE, E JUNG ABRIU FRENTES DE COMPREENSÃO AMPLAS COM RELAÇÃO À ESPIRITUALIDADE HUMANA E SEUS MISTÉRIOS. QUIÇÁ TENHAM SIDO OS MAIORES GÊNIOS DESSA FORMA DE ABORDAGEM DA PSIQUE HUMANA.
THE RHISIS CLAIMED NO AUTORSHIP FOR THEM. ACCORDING TO THEM THE HYMNS EXISTED AS THE VIBRATION IN THE AKASA (ETHER) FROM THE BEGINNING OF TIME. VIBRATIONS CREATES SOUNDS. THESE SOUNDS ALWAYS EXIST IN A ETHEREAL SPACE. ONLY THOSE WITH EARS, WHICH HAVE THE POWER TO HEAR THESE SUBTLE SOUNDS, WE BE ABLE TO HEAR THEM. the sons of shiva.
O PRIMEIRO CIGARRO DA MANHÃ, QUASE COMPULSÓRIO, FAZ-NOS CRER QUE A ABSTINÊNCIA DE SE TER ATINGIDO A META PROPOSTA PELO MÉDICO NO DIA ANTERIOR SEGUE-SE A UM DIA A SE CUMPRIR META MAIS POSITIVA E PROGRESSIVA NA REDUÇÃO, AO PREPARAR-SE PARA QUE NA DATA PRESCRITA ESTEJAMOS PREPARADOS A CESSAR DE INALAR A FUMAÇA DE TAIS SUBSTÂNCIAS TÓXICAS CONTIDAS EM UM VÍCIO TÃO FORTE QUANTO O TABACO.
MARULHO INCESSANTE
Acordo, e o mar dá seu rugido meio próximo das ausentes estrelas
Naqueles dias nublados, algo cinzas, os pássaros em profusão, isolados
Dentro da amplitude do céu, e alguns muito e muito rápidos
E vejo, dois pássaros, o urubu e outro, um pescador, de boa envergadura
Meio a sobrevoar o próprio tempo em que a estrela ainda não a alcançamos
Mas a sua beleza está justamente na existência de que ela subsista no céu...
domingo, 13 de abril de 2025
ALGUNS CACOETES DAQUELES QUE SE JACTAM ESTAR FISCALIZANDO A VIDA DE ADICTOS DE DROGAS ILÍCITAS NA REALIDADE SÃO COISAS QUE FAZEM UMA DIFERENÇA TREMENDA EM SER AGENTE DA LEI OU PRETENSO SER POLICIALESCO POR PURO PRECONCEITO E VONTADE DE COAGIR ENFERMOS VICIADOS QUE QUIÇÁ NECESSITARIAM DE AUXÍLIO DE PROFISSIONAIS, E MUITAS VEZES MERAMENTE UMA BOA TERAPIA, HUMANAMENTE FALANDO, OU OPORTUNIDADES IGUAIS DE TRABALHO E RENDA, PARA AQUELES QUE ESCAPAM DA REALIDADE POR QUESTÕES MATERIAIS.
A ACEPÇÃO PURA E CRUA DE QUE A JUVENTUDE NÃO TENHA RESPONSABILIDADE QUANDO MUITO INDEPENDENTE É UMA FALTA DE ÓTICA ONDE POR VEZES FALTA UMA COMPREENSÃO BEM EQUIVOCADA E ASSAZ CONSERVADORA SOBRE OS PAPÉIS QUE A LIBERDADE ASSUME DE BOM NA VIDA E NO DESENVOLVIMENTO DO SER, ENQUANTO PRATICANTE DA CIDADANIA NAS CIDADES E NOS CAMPOS, SEJA ONDE ESTIVER.
A TÍTULO DE ÉTICA PROFISSIONAL, OS PROFISSIONAIS QUE ZELAM PELA SEGURANÇA DA POPULAÇÃO DA SOCIEDADE EM GERAL, RECOMENDA-SE QUE NÃO SE ENVOLVAM AFETIVAMENTE, SE ISSO ATRAPALHAR O ANDAMENTO DE SEUS TRABALHOS ENQUANTO PROFISSIONAIS E ULTERIORES ENVOLVIMENTOS QUE POSSAM CAUSAR POSSÍVEIS DANOS NAS MODALIDADES OPERACIONAIS.
sábado, 12 de abril de 2025
MUITAS VEZES NA HISTÓRIA AS MULHERES FORAM COADJUVANTES DO HOMEM, COMO AS "ESPOSAS", A "PRIMEIRA DAMA", ETC, RARAMENTE ASSUMINDO PAPEL DE PROTAGONISTAS NA HISTÓRIA, SÓ RECENTEMENTE ASSUMINDO SEUS PAPÉIS DE LÍDERES NA SOCIEDADE, MESMO COM AINDA UMA DEFASAGEM EM TERMOS COMPETITIVOS NA RELAÇÃO DE PODER COM OS HOMENS E SEUS ATUARES PROFISSIONAIS OU DE INDEPENDÊNCIA EFETIVA.
Alguns anos atrás, feministas eslovenas promoveram um grande protesto contra um cartaz de propaganda de filtro solar divulgado por um grande fabricante de cosméticos que mostrava vários traseiros femininos bronzeados em biquínis justos e acompanhados pelo slogan: “Para cada uma, o seu próprio fator.” O anúncio era baseado, é claro, num duplo sentido de mau gosto: o slogan referia-se ostensivamente ao f iltro solar, que era oferecido com diferentes fatores de proteção solar, de modo a convir a diferentes tipos de pele; todo o seu efeito, contudo, estava baseado numa óbvia leitura macho-chauvinista: “Toda mulher pode ser possuída, contanto que o homem conheça o seu fator, seu catalisador específico, o que mexe com ela!” O ponto de vista freudiano é que todo sujeito, mulher ou homem, possui tal “fator”, que regula seu desejo: “uma mulher, vista por trás, de quatro” era o “fator” para o Homem dos Lobos, o mais famoso paciente de Freud; uma mulher escultural sem pelos pubianos era o fator para John Ruskin. Não há nada de enaltecedor em nosso conhecimento desse fator: ele é estranho, até horripilante, já que de algum modo empobrece o sujeito, reduzindo-o ao nível de um fantoche além da dignidade e da liberdade. COMO LER LACAN.
TODO O DIREITO RETIRADO DE UM HOMEM POR ESTE SER PORTADOR DE ALGUM MAL MENTAL JAMAIS DEVE OCORRER SEM A DENÚNCIA DA SOCIEDADE ENQUANTO ENTIDADE CIVIL, POIS TODOS TÊM DIREITO À CIDADANIA E DIREITOS, CONFORME DITA A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA, E QUALQUER REFORMA QUE OS SUBRAIA NÃO CONDIZ COM UM SISTEMA AMPLAMENTE DEMOCRÁTICO, MAS TIRANO E COERCITIVO.
OS CISCOS QUE INCOMODAM OS OLHOS RESPIRAM POR OUTROS OLHARES, MAS O TOQUE DE UMA MULHER SOBRE A FACE DE UM HOMEM É MAIOR DO QUE SE ESPERA NÃO SEJA A SIMPLES E PERFORMÁTICA ABORDAGEM DE UM AMOR QUE NÃO SEJA ESPECIALMENTE DÍSPARE DO QUE O ESPERADO, POIS NEM TUDO O QUE ESPERAMOS EXISTE DE FATO NA ALFOMBRA NÍTIDA DA REALIDADE.
SABER-SE QUE CRITERIOSAMENTE O PANEJAMENTO DA JUSTIÇA NÃO ESTEJA DE ACORDO COM O FASCISMO OU ORGANIZAÇÕES SUSPEITAS, É APENAS CONFERIR QUE NEM TODA A MILÍCIA OU ESTRUTURA DESSA NATUREZA É BENFAZEJA AO ANDAMENTO CRÍVEL DE UMA SÓLIDA CENA DE DEMOCRACIA, ONDE A LIBERDADE DE UM HOMEM JAMAIS PODERÁ SER CONTESTADA FRENTE À IGNOMÍNIA DAQUELES QUE SE SENTEM TRAÍDOS, TRAINDO TODO O TEMPO...
O GRILHÃO DE UM PROJETO INACABADO
Mais que passe um dia qualquer, outro dia que fosse
No alterno, no querer bem a uma trabalhadora
No que saberíamos ser grande a esfera do destino
Mas que o fosse, quem sabe, o parecer governamental
Desse amparo pleno aos desassistidos pela sorte...
Dois não revelariam três, ainda mais quando três somam muito mais
E uma família transcende o sangue, sendo mais e mais aquilo de presença
Algo concreto, mesmo que o mundo digital seja – na aparência – mais amplo.
Seríamos tantos, os velhos companheiros, amigos de outrora, e justamente os
inevitáveis
Posto de defeitos o somos na realidade, crentes ou ateus, agnósticos ou existencialistas,
Mas saibam que os livros físicos são como as pessoas, não passam por filtragens
quaisquer
Posto sejam apenas o que são, os humanos que vemos da cabeça aos pés, folheados
com velocidade ou vagar
Mesmo sabendo que algo que muitos não alcancem quando se acham livres, faz
parte daqueles que esses mesmo creem que sofram as penas do acaso.
Como podemos evitar o impacto traumático de ficar expostos diretamente demais a esse aterrorizante abismo do Outro? Como podemos enfrentar esse encontro perigoso com o desejo do Outro? Para Lacan, a fantasia fornece uma resposta para o enigma do desejo do Outro. A primeira coisa a observar acerca da fantasia é que ela nos ensina literalmente como desejar: fantasia não significa que quando desejo uma torta de morango e não posso tê-la na realidade eu fantasio que a estou comendo; o problema é antes: para começar, como sei que desejo uma torta de morango? É isso que a fantasia me diz. Esse papel da fantasia depende do impasse em nossa sexualidade designado por Lacan em seu enunciado paradoxal “Não há relação sexual” − não há nenhuma garantia universal de uma relação sexual harmoniosa com nosso parceiro. Cada sujeito tem de inventar uma fantasia própria, uma fórmula “privada” para a relação sexual − a relação com uma mulher só é possível na medida em que o parceiro aderir a essa fórmula. COMO LER LACAN.
SE UM DEVOTO CRÊ TÃO FIRMEMENTE EM SEU DEUS, ELE PODE ARGUIR QUE ESTEJA FAZENDO PARTE DE UMA ESFERA ESPIRITUAL SUPERIOR, QUANDO ALICERÇADO OU SINTONIZADO NO MODO DA BONDADE, E ESBOÇANDO PARA A SUA VIDA A MODALIDADE DE SE ESTAR CONSONANTE COM AS VIBRAÇÕES TRANSCENDENTAIS QUE EFETIVAMENTE O APROXIMAM DE DEUS.
EFETIVAMENTE, PARA QUE EXERÇAMOS NOSSA CIDADANIA PLENA, TEMOS QUE ESTAR DE ACORDO COM O PODER, QUANDO ESTE RESPEITA A DEMOCRACIA, MAS SEMPRE DEVEMOS SABER QUE O PRÓPRIO GOVERNO DEMOCRÁTICO TEM QUE TRABALHAR NO SENTIDO A QUE TODOS OS SEUS HABITANTES TENHAM PLENOS DIREITOS A QUE TENHAM A POSSIBILIDADE DE SEREM CIDADÃOS, PERANTE A LEI, E QUALQUER INTRANSIGÊNCIA NO SENTIDO DE MUDAR OS RUMOS DO REGIME NÃO DEVE SER ACEITO PELA POPULAÇÃO, EFETIVAMENTE, POIS A DEMOCRACIA É A ÚNICA FORMA DE GOVERNO ONDE A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS.
NINGUÉM É COMPULSORIAMENTE FADADO A SER RELIGIOSO, PORTANTO AS DENOMINAÇÕES: BUDISMO, XINTOÍSMO, CRISTIANISMO, UMBANDISMO, ESPIRITISMO, TUDO ISSO PERDE A VALIDADE SE VOCÊ ENCONTRA A MANIFESTAÇÃO DE DEUS EM ALGO QUE PORVENTURA SÓ VOCÊ SABERÁ, E MAIS NINGUÉM, POSTO O QUE CHAMAM DE FÉ É POR VOCÊ DETERMINADA POR OUTROS POR VEZES, E NÃO PASSA DE UM CONCEITO, MAS NO LINGUAJAR POPULAR, PARA ALCANÇAR MASSAS DE POPULAÇÃO, VOCÊ CRIA ALGO QUE DEU CERTO PARA MUITOS, MAS CADA UM TEM SUA LIBERDADE ENQUANTO INDIVÍDUO PARA CRER OU NÃO EM QUEM OU ALGO QUE SEJA, INDEPENDENTEMENTE SE ALGUÉM POSSA ESTABELECER ALGUM TIPO DE CRÍTICA COM RELAÇÃO A ISSO.
Nos anos 1960, na era do “estruturalismo” (teorias baseadas na noção de que toda a atividade humana é regulada por mecanismos simbólicos inconscientes), Louis Althusser propôs a famigerada fórmula do “anti-humanismo teórico”, admitindo, até exigindo, que ele fosse suplementado pelo humanismo prático. Em nossa prática, deveríamos agir como humanistas, respeitando os outros, tratando-os como pessoas livres com plena dignidade, como criadores de seu mundo. Na teoria, no entanto, deveríamos ter sempre em mente que o humanismo é uma ideologia, o modo como experimentamos espontaneamente nossas dificuldades, e que um verdadeiro conhecimento dos seres humanos e de sua história deveria tratar os indivíduos não como sujeitos autônomos, mas como elementos numa estrutura que segue suas próprias leis. Em contraste com Althusser, Lacan defende que reconheçamos o anti humanismo prático, uma ética que vai além da dimensão do que Nietzsche chamou de “humano, demasiado humano”, e nos defrontemos com o cerne inumano da humanidade. Isto significa uma ética que enfrenta destemidamente a monstruosidade latente de ser humano, a dimensão diabólica que irrompeu no fenômeno amplamente coberto pelo rótulo “Auschwitz”. COMO LER LACAN.
Nesse instante, Cristina olha para Paul, ergue as mãos e começa a beijá-lo desesperadamente na boca; portanto, não é que ela não gostasse dele e não desejasse contato carnal. O problema para ela era, ao contrário, que ela o queria − o sentido de sua queixa era: que direito tinha ele de atiçar seu desejo? É a partir desse abismo do Outro como Coisa que podemos compreender o que Lacan quer dizer com o que chama de a “palavra fundadora”, declarações que conferem a uma pessoa algum título simbólico e fazem dela o que se proclama que ela é, constituindo sua identidade simbólica: “Você é minha mulher, você é meu mestre…” Essa noção é comumente percebida como um eco da teoria dos performativos, de atos de fala que realizam no próprio ato de sua enunciação o estado de coisas que declaram (quando digo “Esta reunião está encerrada”, com isto encerro efetivamente a reunião). COMO LER LACAN.
sexta-feira, 11 de abril de 2025
Existe uma criatura perfeitamente inofensiva; quando ela passa diante dos seus olhos, você mal a percebe e imediatamente volta a esquecê-la. Mas assim que ela de algum modo, invisivelmente, chega aos seus ouvidos, começa a se expandir, eclode, e conhecem-se casos em que ela penetrou no cérebro e floresceu ali devastadoramente, como os pneumococos em cães, que penetram através do focinho… Essa criatura é o Seu Próximo. COMO LER LACAN.
NARCISISMO E TECNOLOGIA
Introdução
Neste trabalho, pretendo desenvolver alguns tópicos
relacionados com dilemas da sociedade contemporânea, suas inquietações e a
influência da tecnologia e suas inovações sobre o pensamento e o modo de agir
das populações em geral, bem como a integração dos diversos papéis e atores que
atuam no processo, e como tudo isso implica na formação e desenvolvimento da
psique humana, especialmente nos jovens, e a sua fuga para a questão de
entorpecimentos e dependências com relação à tecnologia ou substâncias várias e
afins. Como o narcisismo atua de modo a impactar a personalidade, e como o
processo histórico das tecnologias e as teses de Freud tanto contribuíram para
elucidar alguns aspectos da alma humana, nesse sentido.
Subdividirei os assuntos e
temas relacionados conforme uma estruturação em três capítulos e a conclusão: o
primeiro tratando do narcisismo como combinação de patologias ou síndromes da
era contemporânea, os diversos contextos econômicos e sociais, e como eu experimento
na vida prática e na observação a vivência cotidiana das pessoas; o segundo
capítulo, uma abordagem da tecnologia e do trabalho e suas relações, sempre
trazendo para o domínio humanístico, o que significaram as descobertas técnicas
contemporâneas, sem ser muito detalhista ou me aprofundar, posto não saber
ainda as reais dimensões desses processos de produção, mas quanto afetam a
humanidade, sempre sob o ponto de vista das relações humanas; no terceiro
capítulo, relacionarei diretamente as relações e a mescla do narcisismo com a
tecnologia e suas abordagens, e na conclusão farei minhas considerações finais.
OBS.: não me embasei em muita
literatura, apenas em alguns textos de Freud, um pouco de Lacan, e uma
tentativa particular de sentir a realidade como a compreendo na prática da
observação.
1. Sobre
o narcisismo, uma visão de um observador
Justo quiçá sermos críticos em meio a essa chamada
“vanguarda”, que nada mais é do que a posição de muitos que vertem em seus
corpos a própria posição narcísica, construindo seus músculos, educando suas
mentes conformes com um sistema desagregador, muitas vezes, e que nos recoloca
frente a frente com quadros praticamente patológicos: “A criança concretizará
os sonhos dourados que os pais jamais realizaram – o menino se tornará um
grande homem e um herói em lugar do pai, e a menina se casará com um príncipe
como compensação para sua mãe.” (FREUD, 1996, pág. 98). O homem, a mulher, como
representação simbólica de si mesmos, como heróis, como força, músculos,
tendões, a saúde, nem sempre corroborada pela medicina nesse viés da ginástica
compulsória nessa modalidade de fato, encontra na cultura ocidental a ganância
do ganho do prazer, como se algo ou alguém tivesse que ser responsável pelo
dito escoamento de sua libido objetal, particular, própria, significante
enquanto devir do outro, que lhe supre, que tem a carne que possa sustentar a
performance do ato, o tempo meio que dando suporte a que ele – o próprio tempo
– tenha que correr por fora da academia, pois os ganhos recorrentes do
trabalho, as tensões, tudo do tônus é levado dentro de uma sacola, para ser
colocado dentro de um receptáculo do eu, o ego meio que levado mais a sério do
que a normalidade, uma real “catexia objetal ao ego”... Se fosse possível tal
premissa, algo de violação do previsível, o ego enquanto objeto, enquanto goal, meta, alvo.
No entanto, do lado de fora da academia, forças sucumbem,
cidadãos miseráveis passam, invisíveis: rotos, descamisados no inverno, se
intoxicando, reverberando coisas sem sentido na fala, meio loucos, ébrios,
drogados. E qual seria a sua parafrenia: “Parece-me que certas dificuldades
especiais perturbam o estudo direto do narcisismo. Nosso principal meio de
acesso a ele continuará a ser provavelmente a análise das parafrenias. Assim
como as neuroses de transferência nos permitiram traçar os impulsos instintuais
libidinais, também a demência precoce e a paranoia nos fornecerão uma
compreensão interna (insight) da psicologia do ego.” (FREUD, 1996, pág. 89).
Continuam andando pela trilha da miséria, e na academia o
contraste, nos cafés um outro contraste, nos carros que passam e que não veem o
que pode ser e efetivamente está nas ruas exacerba uma estranha força, e a que
ponto o narcisismo social não vê apenas a si mesmo, a seu próprio espelho e a
seus “iguais”, enquanto muitos padecem pelos corredores do desamparo social,
precisando efetivamente da ajuda de profissionais?
“Neste ano, começa a questão das psicoses. Digo a
questão, porque não se pode mais sem mais nem menos falar do tratamento das
psicoses, como havia sido inicialmente comunicado por uma primeira nota, e
menos ainda do tratamento da psicose em Freud, pois ele jamais falou disso,
salvo de maneira totalmente alusiva.” (LACAN, 1985, pág 11). Esse tipo de
fetiche do trato medicamentoso apenas, mas por um viés inquestionável na
ciência médica, vem a dar nos costados de que Freud não contornara muito o
problema das psicoses, e Lacan, em seu Seminário 3, dá uma olhada atenta sobre
os males mentais dessa natureza, especialmente nas doenças causadas por álcool
e similares. Uma atenção desmedida deve ser relacionada com a solidão da
psicose e sua conexão íntima com o narcisismo, quando o paciente começa a se
isolar e busca transpor a energia libidinal em relação ao próprio ego, o que
pode ser sintomático desde o início, e não necessariamente ter sido uma doença
relacionada com a ingestão de drogas, posto a fuga em direção ao prazer em
relação ao eu, ao ego, seria uma solução mais fácil e permanente, como que
dizendo ao Id: veja só, você pode aceitar que o Eu é melhor do que qualquer
pessoa outra, no fundo se eu sou um tipo de figura exemplar, mesmo que eu
conquiste o Outro, permanecerei dando prazer para mim mesmo. Transfere-se ao
Ego a catexia mas, quando não se sublima, os sintomas podem se acentuar,
fragmentando o próprio ego em desvios de personalidade... E pode culminar na
irrupção de um surto psicótico, quando a dissociação com a realidade vira algo
de frêmito, e a confusão se torna ímpar na mente do sujeito. Mesmo porque,
enquanto o neurótico recalca as pulsões do id, levando a manter em suspenso
essa tensão, o psicótico modula a realidade para uma outra, para que possa não
refrear as ditas pulsões do id e acabar por ceder a delirantes processos de
fuga do senso cabal da realidade, migrando para outras instâncias da psique,
ocultas e por vezes configurando quadros patológicos graves. Quando o
neurótico, por sua vez, refreia o instinto de prazer, que se manifesta através
de pulsões fortes da libido do id, e apela para o instinto de realidade,
recalcando-os em função de um superego que toma a dianteira e lhe dá a
orientação quase inconsciente e no entanto equilibra as partes que cabem à sua
autopreservação, a condição de ser tratado na clínica é mais palpável, e ele
torna-se factível de passar pelas crises sem ter que ter na intervenção do
psiquiatra algo compulsório, abstendo-se de tomar medicamentos ou contenções
químicas similares.
O chamado “amor livre”, o erotismo sem fronteiras,
pretensamente libertário, hoje é algo crível e passível de riscos, não apenas
com a AIDS que está recorrentemente presente no planeta, mas a associação com
parceiros/as que fazem uso de entorpecentes, e que já têm uma predisposição de
carregar para si a irresponsabilidade de seus atos, por isso por vezes a
relação de um homem ou uma mulher em torno de uma libido voltada ao ego, um ato
de auto erotismo, seja uma boa defesa para não se deixar levar por ímpetos
apaixonados e cegos, diante de realidades, onde por vezes mal se conhece o/a
parceiro/a. Cabe a um diálogo sobremodo mais profundo de se conhecer
intimamente a real natureza da personalidade do futuro amante ou da mulher que
concebemos como tal, que se dará a possibilidade de se usufruir
sexo-afetivamente com mais segurança em um mundo tão conturbado e tecnológico
como o dos dias atuais, como veremos no capítulo dois, na abordagem do que são
as redes sociais, como o narcisismo maquila as personas recriando-as dentro de
um estofo moral disfuncional e como a efemeridade dos relacionamentos são capazes
de fazer ruir estruturas mais sólidas de outros relacionamentos já consolidados
dentro de uma conotação existencial mais simples e sincera, onde, como disse
Bauman em seu livro “Amor Líquido”, que o título já encerra o assunto, justo,
sobre o que não é sólido em termos de afetividade nas relações contemporâneas,
e tudo o que isso implica nas relações amorosas modernas no mundo.
2. A
tecnologia, para quem viveu uma transição
“Os mass media encorajam uma visão passiva e acrítica do
mundo. Desencoraja-se o esforço pessoal pela posse de uma nova experiência.” (UMBERTO
ECO, 2008, pág. 41).
A passividade se torna uma mola mestra, quando porventura
queremos conhecer demais, mas as demandas nos ensinam o que é, o que está nos
meios, e passivamente aceitamos como certo, até que nos vemos dentro de
pequenos contêineres de informação, ou recebendo golpes cibernéticos, ou crendo
que nem todo o smartphone é mais importante do que nosso próprio e fisiológico
olhar, pois quando olhamos para o mar, nosso amigo, que na verdade faz parte de
nosso próprio eu, estará sendo testemunha do momento em que sabemos que
possuímos esse “estranho poder” digital. Tudo funcionaria a contento, mas a
linha do tempo é irresoluta, e não para, e o tempo corre, e nossas premiações
são por vezes ícones de coraçõezinhos, ou um afeto que raramente diz eu te amo,
quando estamos servindo uma organização, ou achamos que se pronunciarmos essas
“perigosas palavras” a alguém, nos desabilitariam, simplesmente bloqueando-nos,
a um mero toque de botão, e preferimos ficar com migalhas afetivas, ou seja,
Milan Kundera em seu livro “A Insustentável Leveza do Ser” tivesse razão...
Voltamo-nos que nem conchas, e o narcisismo está no ar,
quando somos os donos dos meios, ou criadores de conteúdo, ou possuímos o
controle de algo, por menor que seja. Desde quando começara a onda dos computadores,
os celulares não existiam sequer para o vulgo consumidor, e as artes gráficas
eram sobremodo algo que revolucionou as empresas de marketing, as tarefas
ficaram mais fáceis, e o que antes se gastava em horas e horas com nanquim e
trabalhos de montagem e finalização das artes, começou a ter incrementos
substanciais no trabalho, com a rapidez e a desenvoltura que a tecnologia
proporcionou à humanidade como um todo. O faturamento ficou mais alto, acontece
que o trabalho aumentou deveras, a imprensa girou veloz, as máquinas mais
ágeis, a internet veio com tudo e a revolução tecnológica finalmente se
estabeleceu, e quem viveu a transição do analógico para o digital tem a
experiência latente do que significou tudo isso para a raça humana. Teço
considerações sobre a área gráfica posto fora onde eu atuei como profissional
desde então.
Muitos empregos se perderam, várias funções ficaram
obsoletas, mas criaram-se outros como o Desktop Publisher, o designer, o
projetista em CAD, os programadores, os cálculos das planilhas, o
desenvolvimento da medicina, o setor bélico no rastreamento e precisão e
capacitação robótica nos mísseis, enfim, em tudo a informática esteve e está
presente hoje em dia. Se fôssemos escrever um capítulo sobre como a tecnologia
se desenvolveu a partir desses sistemas informatizados, estaríamos escrevendo
um tratado. Esse desenvolvimento todo veio para construir, erguer, e para
destruir, romper, igualmente... Falo isso para situar como se construiu a
psique humana nos últimos cinquenta anos para cá, e como está agora usufruindo
de todo um conhecimento, por vezes sem conhecer de fato o que ocorre com nossa
civilização, dos jovens não cursarem mais a escola para poderem trabalhar, e
como a relação de seus egos com as máquinas os fazem crer serem superpoderosos,
sem saber que fora da matemática, da história, de um afeto normal, de uma vida
que fosse: não digo imitativa da anterior, mas um resgate do que seja possível
dentro da inevitável tecnologia, a saúde mental seria quiçá ampliada
enormemente, em virtude de um desenrolar mais humano entre as gentes, mas
afetuoso e menos beligerante e competitivo. Mesmo porque o “Mal Estar da
Civilização” parece um texto eterno... O embasamento de certos excertos
literários são sempre bem-vindos para um estudioso sério da psicanálise, mesmo
porque nem Freud parara por um caminho, nem Lacan, nem Jung, Klein, e outros. A
tecnologia é um pano, resta saber onde ele se encontra, se no fundo, ou, de
forma frontal, escondendo a cena, muitas vezes e a psicanálise acompanha
organicamente o processo de sua história. As pessoas já nascem com o display na
mão, praticamente, ainda são crianças e já manipulam exemplarmente esses
objetos, sabendo de coisas que nem a própria máquina obstaria algo. Uma relação
simbiótica, afetiva, moral, de extensão psíquica, central, de dedos e de visão,
de ruídos, de estética, de costume e hábito, de codependência, vício... Por
vezes. E muitas! Sobre isso falaremos a seguir: essa estranha simbiose, uma
relação com um tipo de “osso-ferramenta” que remonta às cavernas...
3. O
display: amor ou ressentimento?
Cuidamos de nossos celulares como o antigo Tamagotchi,
nosso bebê eletrônico da década de noventa, nos seus inícios... Hoje, a famosa
Alexia, nossa “robô funcionária e amiga, parente e criada.” Mas o celular
continua sendo a peça chave, justamente por possuir algo chamado whatsapp. Sem
eles não marcamos a ponta, não nos comunicamos, não há possibilidade de
contato, algo de telefonia no ar já não é mais usada quase, pois o contato
remoto da linha de tempo reduz e filtra, passa documentos, imagens, compartilha
nas redes sociais, refaz compromissos, apaga mensagens, e oculta conversas,
mesmo que por escrito o adultério possa ser concluído com muito mais
competência, por isso a paranoia de muitos adictos ao ciúme, e codependentes
quererem controlar a vida de seus parceiros e suas parceiras. Mas é na
apresentação do ser que o narcisismo se revela, na sua fantasia, no modo como
as redes sociais nos representam...
Com os novos recursos de retoques de fotos e filmes a
estética virou a mescla que faltava para que a fragilidade de certos egos se
transformassem em beldades, e fotos e mais fotos de sociais fossem exibidas na rede, esperando pela aprovação de um post, uma resposta numérica
qualquer, um resultado, uma carência disposta no anuário de mais um ano, um mês
de aniversário que seja, ao menos ser lembrado, ser popular, como na turminha
do colégio, como na eterna adolescência, onde até mesmo senhorios já idosos se
comportem ainda como tais.
Afora isso, o descontrole do acesso ao mundo erótico na
rede, onde onanistas e mulheres solitárias encontram seu prazer, ou marcam pontes
entre eles ou elas e profissionais do sexo, que estão a um clique do celular...
Visitam a domicílio, e nem sempre vem sozinhos... Aquele prazer do clique, a
maquinha se torna a fonte dos desejos, o note se torna um cinema privê das
preferências mais secretas. Tornou-se moeda rara o clichê de se pagar por sites
de relacionamento, para quem tem a esperança de encontrar um par, um que seja
quase perfeito. Um par que se ame, para quem pretenda amar... A libido objetal
se aproxima, mas a tecnologia filtra muito, e muitos que se aproximam não são
exatamente o ideal de relacionamento esperado, muito pelo contrário, por vezes
são ou estão embutidos em um pacote maior, já vem com demandas prontas, e
requisitos necessários para concretizarem o affair.
O lado efêmero da moeda corre e os atributos são analisados da cabeça aos pés,
a situação financeira, o lugar onde se mora, os antecedentes criminais, tudo
deve ser investigado para que não se caia no golpe comum nesse tipo de
encontro. E os índices não são tão satisfatórios, a solidão perdura, muitos são
alcoólicos ou fazem uso de entorpecentes, pretendendo apenas a aventura de se
pendurar em alguém que lhe dê o suporte necessário para suas leviandades. E a
solidão perdura, e por vezes ela faz a catexia se aproximar do ego, quando o
amor objetal já não encontra ressonância, quando a decepção é grande nesse
grande território do real, um real lacaniano do improvável...
O grande embate é realmente o narcisismo onde a libido se
aproxima do ego, desiste dos objetos, passa o sujeito a não se arriscar mais a
se prolongar a inquietude dos tempos modernos naqueles que levam uma vida mais
solitária, por vezes com famílias disfuncionais, com problemas de depressão,
com alguma parafrenia, com comorbidades várias, ou mesmo, no melhor dos casos,
quando é autêntico demais para a comunidade onde está inserido. Justamente
porque, quando as respostas a um evento psíquico ególatra de um narcisista está
presente, outro que tenha um ego fortalecido, mas não necessariamente
narcisista, mas com o moral alto, no bom jargão, pode instigar o ególatra como
um tipo de rival onde o conflito residual entre aquele que se julga um
dominante encontra, na contra resposta de um tipo de homem mais experiente e
ainda em forma em todos os sentidos, no paradoxo em que uma geração que não
possua esteios civilizatórios no caso individual em questão, posicionado em um
contexto de seu lócus de trabalho, encontra na negação da normalidade o outro,
principalmente se esse ser citado portar uma enfermidade mental, mas aparentemente
possua mais tolerância do que o esperado, e efetivamente seja bem controlado e
normal, ou seja, bem conduzido pela medicina. Essa dicotomia entre o ser criado
pela tecnologia, e aquele experiente que houve ter passado pela história de
parte dela, própria de sua geração e das transformações revolucionárias de seu
tempo, por vezes lhe dá esteio, ao ser mais experiente, para que seja um Grande
Outro, ou um sujeito suposto saber que o vulgo busca negar a qualquer custo,
principalmente por vezes por ideários existenciais, políticos ou ideológicos,
ou mera contestação ou insegurança frente a presença de mulheres como o suposto
saber revele a esse ser humano que isso realmente importa às gentes,
especialmente à natureza feminina, com seu amplexo perscrutador e intuitivo.
Afora esse contexto todo, há locais onde a ingerência da tecnologia não é tão
importante, e é nesses espaços que a vivência humana como um todo se apresenta
em seus diversos modais, onde se houver o mínimo de educação e civilidade as
coisas possam proceder de uma forma a mais salutar possível.
“O programa de ser feliz, que nos é imposto pelo
princípio de prazer, é irrealizável, mas não nos é permitido – ou melhor, não
somos capazes de – abandonar os esforços para de alguma maneira tornar menos
distante a sua realização. Nisso há diferentes caminhos que podem ser tomados,
seja dando prioridade ao conteúdo positivo da meta, a obtenção do prazer, ou ao
negativo, evitar o desprazer. Em nenhum desses caminhos podemos alcançar tudo o
que desejamos. No sentido moderado em que é admitida como possível, a
felicidade constitui um problema da economia libidinal do indivíduo. Não há,
aqui, um conselho válido para todos; cada um tem que descobrir a sua maneira
particular de ser feliz.” (FREUD, 2012, pág. 28).
Conclusão
Sempre seja dita a questão de que em sociedades abrutalhadas,
não há muita possibilidade de diálogo, e a retenção de impulsos de ordem
virulentamente agressiva, por motivação vária pode resultar em desfechos
desagradáveis. O que se vê hoje em dia é justamente um fenômeno onde quase
todos os que se sentam em um local público manipulam seus celulares, outros
levam seus note books para trabalhar, ou mesmo jogar algo e, por vezes, há um
fenômeno interessante que é de uma família, por exemplo, estar sentada na mesa
de um restaurante e, em vez de conversarem, cada qual está imerso nesse display
eletrônico. Um tipo de “catexia intelectiva” ou meramente um divertimento, ou
passatempo, passa certamente pela cabeça desses seres, ou realizam negócios, ou
o tempo não passa se não for através dos contatos que estabelecem ulteriormente
com os “outros”. Como se a máquina criasse vida, torna-se ela mesma um ego à
parte, ao mesmo tempo fruto do id, e do superego, posto vivência cotidiana do
dia a dia e motivação alterna do que se passa no mundo virtual com relação à
realidade tal como a conhecíamos desde então, esta, espaço-temporal,
tridimensional, sem a questão compulsória de sermos performáticos com relação a
estarmos sempre ativos e conectados.
Agora, com a realidade da Inteligência Artificial, novos
rumos já se avizinham no domínio da tecnologia, pois muitas novidades já estão
despontando, muitos trabalhos serão dispensados, e quiçá passemos por crises de
identidade profundas, pois será que nosso ego está preparado para pensarmos que
o nosso próprio meio cerebral estaria sendo posto à prova, na acepção de
entusiastas desse processo? Será que os robôs poderiam vir a ser ou fazer parte
de um tipo de tapa buracos de uma libido do ego, para virarem objetos da mesma
libido, com comportamento, mas com um botão de liga-desliga, para que o enfermo
lidasse melhor com uma realidade quase surreal no mundo que se avizinha? Objetos
que não envelhecem, que servem, que nos acompanhariam como figuras silenciosas
ou não, fazendo a nossa segurança, treinados para o amor, tudo isso já não é
mais coisa do passado, ou melhor, quiçá a figura do analista encontrará muito
mais doenças complexas para estudar nesse novo mundo que se avizinha...
Sabemos que por vezes um narcisista patológico gosta mais
de seus inventos do que de si mesmo, e do lucro e poder que deles pode obter. Quando
o céu é o limite, não haverá um gigantesco dono de um oligopólio que não tenha
um excesso de narcisismo, e uma megalomania até certo ponto justificada, como
igualmente ocorre em estadistas de países muito poderosos, ou aqueles que
tentam mudar a face econômica do planeta, e efetivamente causam nele
estremecimentos cabais. Até que ponto mereceria uma abordagem terapêutica para
que se voltasse a ser mais “humano” e não a criatura que se auto gerou?
Pois sim, narcisistas em pé de guerra, querendo testar o
poder que lhe conferiram pessoas que apostam em sua hegemonia, na velha questão
de nações e fronteiras, uma coisa que já deveria ter sido abandonada em princípio
como conceito no mínimo algo ilusório, mas o terapeuta deve sempre saber que
será dentro do imaginário que poderá tocar a ilusão, e que cada paciente
carrega em si seus códigos de conduta, explícitos no simbolismo da linguagem...
Destarte, uma coisa é principal: há quem sabe utilizar da
ferramenta tecnológica para seu próprio benefício, e não para alavancar metas
ou almejar poderes outros que não sejam apenas usá-las consonantemente com o
bem-estar de seu modo de viver a vida. Apenas isso, se for confortável a quem possa
ver que a inteligência quando bem utilizada, respeitando as modalidades
afetivas, a precedência do bom uso da lógica, e os recursos que se têm à mão,
podem tornar-se importante aliados em um tipo de estratégia não apenas para
fazer um bom uso de muita parafernália que aí está, mas justamente de enxugar
isso para o essencial do uso, e ir acompanhando a evolução tecnológica com a
lucidez necessária refreando o ego e tentando conter laivos narcísicos pelo
fato de se estar dominando sobremodo a matéria em questão...