terça-feira, 15 de abril de 2025

Como a sexualidade é o domínio em que chegamos mais perto da intimidade de outro ser humano, expondo-nos totalmente a ele, o gozo sexual é real para Lacan: algo traumático em sua assombrosa intensidade, contudo impossível no sentido de que não podemos jamais compreendê-lo. É por isso que uma relação sexual, para funcionar, tem de ser filtrada por alguma fantasia. Lembremos o encontro entre Sarah Miles e seu amante ilícito, o oficial inglês, em A filha de Ryan, de David Lean: a representação do ato sexual no meio da floresta, com sons de cachoeira que supostamente transmitem sua paixão reprimida, só pode nos impressionar hoje como uma misturada de clichês. No entanto, o papel do absurdo acompanhamento sonoro é profundamente ambíguo: ao enfatizar o êxtase do ato sexual, esses sons de certa forma desmaterializam o ato e nos livram do peso de sua presença. COMO LER LACAN.

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