quarta-feira, 26 de outubro de 2016
A HISTÓRIA DA DEMOCRACIA BRASILEIRA ESTÁ COMEÇANDO A SER CONTADA MESMA AGORA, COM A CONTRADIÇÃO EM QUE AS FORÇAS DEVERÃO PARTIR OU PARA UM DIÁLOGO SINCERO, OU PARA UM CONFRONTO ABERTO: GANHARÁ QUEM ESTIVER MAIS FORTE NA JUSTIÇA, E NÃO PODEMOS SUPORTAR A IDEIA DE QUE OS YANQUES GANHEM COM HILARY O QUE QUEREM COM RELAÇÃO AO NOSSO PAÍS.
POESIA DA UNIÃO
Do
desunir-se em nossos direitos em sermos sempre melhores a uma intenção
Que
nos rogue o não, se medo possuem em que o sim sempre seja dito,
Inaudito
caráter que revela quando saibamos que um homem se diz fraco
Apenas
para ver se um companheiro/a sabe a que se refere o homem...
E
aí vem uma desunião, a daquelas fartas, aí sim, da disfunção do caráter
Quando
esperamos alguém que se crê em vias de assumir posturas
Apenas
saiba que não há outras posturas que se assumam na pátria brasileira
Que
não seja a da União quando esta não encontra alguns líderes entreguistas!
Não
se torna questão de sobrevivência de uma Nação, mas apenas compostura
De
um modal que nunca deverá ser transitório, pois não é aprendendo com o ego
Que
seremos os ícones de grandes corporações, com seus títulos nobiliárquicos
De
falsos aprendizes de grandezas menores aduladores como lacaios e confetes!
A
União precisa de união, que seja, de uma união que não desfaça o que foi feito
Quando
pensamos apenas que não existe reunião possível fora do escamotear
Tenro
em sua máscara que emergiu dos mascarados sinistros daqueles junhos
Onde
justamente foi a juventude que se revelou capaz de colocar os tiranos...
Agora
depois de aberta a pátria à sangria de seus apátridas de urinol sob a cama
Saberemos
de nossos espaços, nem que o mundo venha abaixo para que o Brasil
Mostre
que não é fora daqui que as coisas estão acontecendo, pois este país
Ainda
é e sempre será o que palpita sincero de seu povo no grande continente!
Se
precisemos da União, que a forneçamos com as cordas soltas de nossos ventos,
Com
os grilhões das mídias abertas e acessíveis aos exaustos e bravos seres
Que
fazem de nosso país a carga do trabalho dirimir as dúvidas dos governos
Quando
estes sequer querem ouvir as vozes dos trabalhadores, posto fazerem contra.
All
right, dizem os “manos do bem”, os especuladores financeiros, os pequenos
De
uma burguesia que não deveria estar em cima do muro, pois mal sabem
Que
os pequenos empreendimentos tendem a ser engolidos pelas corporações
E
que não precisamos lamber as gotas de leite que espirram dos úberes do Poder.
Posto
nada de alimento será, em terra brasilis,
se soubermos que nem sempre
Haveremos
de saber se o que falta está em nossa mesa, se nos alimentamos
De
uma novela de costumes, se vemos em um programa onde só há negros
Uma
branca dizer que na emissora estes foram sempre “respeitados”...
Haveremos
de perceber a máscara, a mesma que tirou de sua franca “rebeldia”
As
raízes que já haviam fincado em nossa terra as cotas da cidadania possível
Desde
que pensemos que um país onde o possível era realizado em legitimidade
Ainda
assim nas universidades a intolerância de muitos era ver um pobre ao lado!
Veem
agora esquálidas figuras defendendo a parte em que treinaram toda a vida
Para
verem finalmente suas almas fendidas pelo mal praticado pelos seus “bens”
Ou
as posições de chefias das grandes empresas estrangeiras que encontram aqui
O
fascinante mundo neo-latinoamericano atravessando as fronteiras do que não é!
terça-feira, 25 de outubro de 2016
A DISFUNÇÃO
Ricardo acordara cedo, em torno das
cinco horas. Teria um encontro, algo muito superficial, pelo que pode entender.
O sofrimento psíquico dos remédios da manhã partia para seguir seus passos, mas
estava em liberdade, pois o hospital havia sido duro... No entanto saíra bem
desses contratempos, pois graças a não saber, quiçá a algo qualquer, possuía um
espírito forte, focado, o que conferia vantagem em inteligência. Gostava de
estudar: sua principal mania. Estivera na Igreja ontem, mas saíra antes da
comunhão e um livro de Boff à noite lhe apascentou os ânimos, tal a riqueza do
grande teólogo, um grande investimento, como considerava seus livros, seus
papéis, o modo do desenho: outra mania. Não descartava a possibilidade de estar
com gente sincera, mas os tempos de revolução tecnológica atalhavam um pouco
essa possibilidade, já que o ego se tornara a principal moeda de troca do
sistema globalizante, e os aparelhos celulares já eram mais do que uma muleta
existencial, passando a ser uma própria extensão do corpo. O curioso é que
muitos sequer se situavam nos conceitos de crítica ou mesmo de consciência
desse paradigma, no que vinha a ser uma sociedade de botões e cabos, quase um
paradoxo de sistemas que se entrelaçavam, e que eram citados em todos os tipos
de serviço que dependessem exclusivamente das conexões digitais. Bancos de
dados eram utilizados para negócios, por vezes escusos, dentro da miríade sem
fronteiras dos interesses transnacionais. O mundo nesse sentido tornava-se pequeno,
e a rua passava a ser uma incógnita, tais eram as eclosões dos condomínios
fechados, e suas academias silentes no processo, o que tornava o espaço externo
mero ente desconhecido.
Gabriela marcara com Ricardo um
encontro em um lugar para onde seu GPS apontasse, no que estivessem mais perto
um do outro, dentro da visão algo neutra e sua, particular. Não que Ricardo
tivesse ilusões a respeito do encontro, mas que se bastasse a companhia humana,
era o certo apenas em seus predicados. Gostaria de poder falar bastante, mas a
expressão livre possuía seus óbices. Por isso escrevia, gostava de dizer algo a
si mesmo, que fosse, e a sua audiência partilhava das revisões raras dos
escritos, por alto, como quem preza por um rebatimento necessário. Nisso de
encontros, Gabriela não sabia como estava Ricardo, posto há tempos que não se
viam, e usaram da máquina para tal, o que talvez já conferisse, dentro do
idealismo central de ego dos gadgets,
a dificuldade de encaixar – já de ante mão – uma relação franca e verdadeira
entre os dois, posto não valesse erros, posto a máquina os ocultar. Esse
estranho modo de se comportarem os encontros encerravam as paródias dos mesmos
desfechos tão comuns à época, de se desligarem um ao outro como quem aperta um
botão desativando comunicações, nas fronteiras de uma não tolerância, mesmo
sabendo que fosse ausente esta quase sempre, no encaixe sistêmico de possíveis
outras conexões substitutivas.
Não haveria mitos na filosofia dos
tempos, pois o que se esperava de uma veia em texto já sentia a sincronização
de uma lógica, na relação linguística entre os povos e seres do planeta,
cabendo a interpretações perscrutadoras o próprio modal dos sentimentos do
tempo. Que tempo? O novo milênio... Com toda a sua parafernália. O lugar de nossa
cena? Brasil, o grande coração das Américas. Com tudo o que se pensasse do povo
brasileiro, a forma de sobreviver uma consciência desperta despejava
contêineres de pérolas a uma ignorância em que se tornava a ingerência do
Governo no modal da educação, nas questões da intelectualidade que não
alcançava o povo, os pensamentos que muitos – sem sequer ler – acreditavam que
já se haviam dito. Isso talvez fosse o panorama algo obsoleto em se dizer, mas
que traçava, antes de qualquer posição, fosse moral, política ou de ideias os
planos existenciais inquietos daquele tempo, o nosso tempo, o tempo nada
etéreo, pelo contrário, um tempo algo cáustico. Saberiam se portar os
litigantes do novo milênio, ou ensaiariam novas tragédias para consolidar um
caudal de ditames de algo não muito salutar? Podemos crer que algo não é positivo para a
humanidade, mas devemos sempre abraçar realisticamente a situação em que nos
encontramos e por onde segue a civilização contemporânea, onde até mesmo a água
nos é assaz preciosa, e pode vir a faltar em muitos lugares se continuarem com
a mesma postura de descaso em relação aos rios e aquíferos, por exemplos de
firmeza paradoxal, onde podem vir a ocorrer no planeta desfechos trágicos,
desde onde se houvera a devastação crônica empenhada e renitente no correr de
todos os tempos. Ainda não coubera à consciência do sapiens sapiens que todos
esses problemas possuíam equações com soluções óbvias, mas batiam de frente com
empecilhos fortes tão grandes como as especulações sem conta. A questão era
mais ampla, mas seu reducionismo sempre tornaria tudo mais fácil, pois o
emprego de atitudes mais renováveis em seus diálogos seriam as respostas que gostamos
de escutar e ver realizadas nas civilizações que são respeitadas por líderes
que fazem de uma democracia algo em que possamos confiar...
sábado, 22 de outubro de 2016
DO ALGO CONSTITUI-SE
Do
pão ao pão se dê, no conforme, no exato do instante em que não somos
A
registros inumeráveis do behavior
exausto de nossas pernas que somos
Tanto
ao do soma huxleyniano, ao hermetismo
de Peirce, a Baudrillard
Ou
a tantos outros que não somam tanto quanto a uma falcatrua de um direito.
Segue-se
um planeta quase imperial em seu devastar-se proposital
Quando
pensamos que estamos servindo a algo em nossa cápsula existencial
E
na verdade estamos destruindo afetos, construindo ilusões, ou sendo coniventes
Com
o desastre em que uma sociedade totalitarista neo liberal se forma ao devir...
Não
constitui-se algo que nunca constituiu, posto a constituição de seres
Ser
tão relativa quanto um sofisma nada eventual, posto a natureza dos fatos!
Há
algo de ninguém sequer acreditar ser burro ou jumentar hipóteses nuas
Quando
não se apercebem que enferrujaram em seus falsos credos hipócritas
A
falácia de servirem justamente ao caminho de suas perdições fantásticas
Dentro
do mesmo fantástico show da vida que encena suas próprias catástrofes!
Passamos
a não opinar jamais, passamos a acreditar que a fama que nos envolve
Envolveria
quiçá uma historieta de amor barato onde antes acreditava-se uma fera
Mas
que era apenas um verme metabolizando calculadamente sua crisalidez...
Parece-nos
que a poesia vive cada vez mais, e viverá plenamente quando soube
O
próprio poeta livrar-se dos grilhões de uma maya trivial e circunspecta
Na
sistematização dos erros do refratário mundo, em que o líquido passa a ser
Apenas
o gasto excessivo de sêmen animal ou humano na prova assaz convicta!
Será
que conseguiremos encampar a tristeza e solidão de outrem que perdem
As
quiméricas certezas de acharem por direito de isolar a semântica de
instrumentos
Que
partem a navegações justas no panorama daqueles que veem mais e são úteis
Por
estarem sem dúvida várias léguas acima do que se crê falsamente libertário?
Não,
hão de querer achar que não há perdão, hão de querer ferir os ferros,
Talhar-se
a admitirem paráfrases de horror em terras santas, qual sejam,
Todos
os que, repetindo o léxico, se darão conta de que nem toda a eternidade
Subsiste
em guerras onde o único interesse é a matriz energética do óleo de sanha.
Dir-se-ia
meu país, diz um homem que é nosso, pois que o povo oprimido saiba
Que
a verdade em os manterem oprimidos e sacrificados por excesso do egotismo
É
apenas aquela em que – saibamos – os mantém assim para que outros tenham
Uma
passagem ao perdão não pronunciado que não é justo, posto nunca perdoado!
Se
um homem não ultrapassar suas próprias fronteiras não dirá ao próximo a quantas
Vezes
sem conta teve que mostrar seu sofrimento ao vivo e a cores em uma cidade
Que
o testa inumeráveis vezes para saberem se mantém certo controle e lucidez
Mas
que não percebem no alcantilado de seus versos que luta como quem brinca...
A
poesia e sua poética gasta o tempo ao revés, recria, diz, replica, seduz em
sincero
A
uma página ou outra de amores nunca deflagrados, a uma rosa solitária murcha,
A
um pano secreto de outrora que muitos nem sabem as origens ou o conhecer,
Ou
a mesma distância que nos obscurece a razão quando saímos do não jogar.
Não
há o tilintar de fêmea na veia do poeta, este posta-se cargueiro do sentimento,
Verte
um rumor da aurora, cansa-se de se entregar em sua sagrada ternura
Ao
que outros diziam que pérolas são lindas quando preservadas, mas não sabem
Que
Krsna ensarta todas as pérolas do universo em um mesmo cordão!
Afora
o espetáculo dantesco ao qual nos parece que devamos nos acostumar,
Saibamos
que na abertura do inferno de Dante se diz, na entrada da floresta
Que
abandonai todas as esperanças óh vós que entrais, pois que é justamente aqui
Que
se confere quem é o danado, quem dana, quem erra muito ou peca deveras.
Não
seria de se supor que igualmente no parecer jurídico de outros ícones
Se
torna o mesmo icônico fantoche aquele que
não supõe que sob seu interesse
Um
país externo mas rico seja vitimado pelas circunstâncias da garra de águia
Com
olhos lancinantes e brilhantes nas pétalas de aço de uma mulher imperial.
Assim
se passa o tempo, algo de tempo circunscrito a um quilate efêmero
Na
voz que se escuta distante, que dialoga, que enfrenta um preconceito adjunto,
Que
sabe que outros que lutaram foram ignorados e cedem o seu heroísmo
Ao
diletantismo daqueles que – covardes – vem em maior número e negociam...
Parece-nos
que ao poeta não há tanto a dizer, mas que a palavra o acompanha
Como
um punhal ferrado em suas costelas, a lembrar-lhe de que sua dor
Confunde-se
com a sua liberdade, e a lembrar igualmente que a poesia
Se
torna cada vez mais transparente como uma corredeira de Taipei.
São
quesitos, frações, luas, versos, minhas caras mulheres, caros homens:
O
que se decide no nosso mundo não é um tilintar de botões, é mais,
É
pão, é camaradagem total, é segurança, saúde, educação e cultura,
E
mais um pouquinho de diversão, como um tabaco de vez em quando...
Hic.
CRISTAIS AMARGOS
Verte-se
qualquer poema de amarguras
Que
no céu dir-se-ia: vai-te, que a vida aflora
Perto
quiçá de uma pálida senhora
Longe
em certo de uma cândida ternura...
Mesmo
em riste de um tempo inumerável
O
chiste do vento não diz a poesia agora
Do
que vem pela proa que tudo devora
Nada
em meu pressuposto é negociável!
O
certo é ser, sem dúvida alguma então
Que
se seja mais do que é a própria vida
Qual
cálida flor que desabrocha arrependida
Onde
residem os versos perto do furacão...
Que
digamos mais onde não pisamos laços
Ou
a sutileza profunda de falsos abraços!
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
O AMOR E A ROSA
Salta-me
a flama de uma rosa que evanesce
Como
uma página do tempo em que não escrevemos
Qualquer
notícia em roto jornal de conferências
Ao
que não se dita saber o que já conheceríamos
Se
não fora uma meta algo de alguma coisa...
Escapa
do verso a voz que anunciava uma aurora
Quando
de tantos repentes a vida se pronuncia
Em
varais dos ébanos que esquecemos em várias estações!
A
se dar conta de que um terceto sossega um leão de dois versos
Saber-se-ia
dizer que o mate que mata o leão traga um sorvo
Que
nubla qualquer parecença, e que o leão sai vivo de um xeque!
Das
rosas estampadas não se vê a crisálida em achego de seu carinho
Quando
uma pétala vibra ao toque de uma mão terna em pistilos
Do
amor consonante com o que resta a que não se diga palavras...
Prometam
que Virgílio, Horácio, Dante e Shakespeare não possuam
Em
sua bagagem qualquer arremedo inquisitivo, pois que a promessa
Verte
na imensa voz de conhecimentos ímpares que os deuses os tenham!
A
cada linha da cultura dos povos blinda-se a lâmina afiada da tirania
Esta
de pensares que não podemos em pesares, mais do que pensar na trilha.
Voz
de rosa, não me chegues de amianto, não te quero fechada demais,
Nem
secando de suas aberturas algo escandalosas no feitio grave de mulher...
Só
quero debruçar na semântica de seus lindos cabelos de veludo vermelho
O
cálice verde e generoso que te sustenta no desalinho das folhas.
A
saber que o amor e a rosa se combinam, como um traço após um outro
Que
se completam quando a mão de punho os oferta solene após espinhos!
Ah,
que os danados danam-se no planeta Terra antes de consubstanciada
A
não razão pelo continuado uso de uma veracidade sistêmica em mentir.
Que
a rosa não mente, e que as aves a empreendem como um cristal de gente
Residindo
quartzo no desabrochar de uma pedra na corredeira fria da serra.
Musa,
posto que a rosa tu eres, a musa que não encontra a poesia aflorada
Como
a flor do amor que não evanesce de tanto fazerem murchar esperanças!
De
tanto que é amar o amor quase se completa no vórtice de tempestades
Algo
de secretas que o amor que move o poeta o salva dos perigos!
No
que há de tudo da rosa, no que há por vezes nada no amor, saibamos
Que
a rosa existe como flor, e as flores femininas residem muitas vezes
Na
distância imposta por processos de civilização em que encontramos
Um
quase nada de não sermos algo, quando apenas pensamos em amar.
Quando
se dizia de uma rosa, era uma rosa que floresce, e quando se diz
Que
aquela surja, padecemos na beleza do que foi criado tão lindo
Que
se veste o homem de ternura por tanto de saber que no amor reside a flor.
A PROPRIEDADE DO SONO
Do
que se é próprio, consignemos, o própria qualificar-se em sono,
Ao
que dita a saúde, que um quando não dorme muito bem não pode ir
Aonde
seus pés insones não vão por poderem claudicar – pontifiquemos –
Sempre
onde a consciência manda que nos resguardemos a que a missão
Que
pomos a cumprir que se cumpra de modo não volátil, pois que o tom
De
um perfume silvestre pode ser o aparecimento da Primavera, mas não
O
consubstanciar-se da aptidão em convívio profícuo, nem que o seja
Para
que tenhamos um cabo de fibras a alimentar nossos propósitos...
Às
vezes rolamos pedras muito grandes: isso pode
ser uma grande obra
Que
a ela não ressentimos a dureza das circunstâncias mas, posto lavor
Quiçá
permanente e temporário, o mesmo tempo nos diz que é uma hora
Em
que temos ao descanso de não sabermos sequer como descansar, pois
O
trabalho chama em suas invectivas, e caminhar pode ser sacrifício
Dos
mais cabais quando as pernas estas chamam por um leito em um lar.
Mas
que pressintamos o sabor doce da vitória, sabendo entretanto
Que
o amargor das pequenas derrotas sempre farão parte da existência,
No
que são sabores encontrados em folhas tenras e crespas do alface
E
em outras folhas, o amargor saudável e necessário do radiche!
Assim
de se prosseguir vivendo, como em transfusão serena de quilates
Onde
o pensar mais nobre envilece com a tessitura cigana do tempo
Ao
que nos dispomos de conversar com todos os viventes:
Do
ar solene de um pássaro à corriqueira fala de um balcão.
Pois
que assim se dite uma miríade formal de vastidão imprópria
Quando
por vezes claudicamos nossas pernas de aço tensionado
Reservando
esforços por derredor de nossos braços algo escalavrados
Em
que uma serpentina nua de outras reservas nos sustém o espírito!
O
sono vem reticente como em paz de astrolábios divertidos,
Ao
que mande que em nossos cristais mais rebuscados em seus chanfros
Muito
da nudez necessária e pungente de nossa fé em vítreos olhos
Se
digna a propor que caminhemos mais e mais com os nossos silêncios!
E
segue a platibanda de equações escusas no mar de nossas ilusões
Quando
uma grande serpente marinha morde a canela da poesia
Para
ensinar de uma vez por todas que toda a caneta maestrina
Tem
que verter seus óbices frugais mesmo com as asperezas do veneno!
O
que dizer mais do que uma tarde em que o sol se fixa em nossa soleira
E
prediz futuros em suas sombras entumecidas pelos movimentos das plantas
No
reflexo de um inseto carregador em inumeráveis filas de estoques
Quando
nossos pressupostos não carregam quiçá sequer as dúvidas dos erros...
E
o sono vem, merecido, no intervalo de uma poesia a outra, no dizer correto
Em
que a correção não vem de medições parassimpáticas, mas outras
Que
não são de revisão nem de qualquer sintaxe ensaiada,
Mas
de um verbo que se supõe palavra, e desta a qualquer significado...
E
que verta sequer um arregimentar-se de questões sóbrias
Quando
enfunada a vela de qualquer arrependimento saudosista
Nos
façam crer que a nau navega longe de qualquer pirataria
Que
porventura possa trocar os lemes de um prumo mais verdadeiro.
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
A CLARA COR DA ÁGUA
Água
que forma, que corre em manancial, alimento da Terra
Que
sai e brota como olho e diamante supino de força,
Que
gere tudo e desprezamos sua existência no gole de guerras...
Água
que circunscreve fronteiras, que transporta, que verte
Por
vezes de Shiva o caudaloso Ganges, e em Netuno
O
oceano de navegadores que redescobrem o planeta.
Água
que és tantas que não encontramos seu codinome
Nem
que o seja no respirar de um peixe perto da pétala de um coral
Ou
no que disse o Cristo ao olhar de suas flores as vestes dos lírios!
Pois
que és tudo e todos, e bendizemos que existas sempre,
Agora
tesouro e patrimônio, sempre solapado e boicotado
Pelas
sujeiras de uma espécie em franca involução...
Que
saias de teus propósitos, agora que és força da Natureza
E
se mostra inquieta dentro de seus reflexos e rebeldias
No
que despe de catástrofes as suas próprias defesas.
Que
a água tem cor serena quando respeitada, cor de verde água,
Ou
as cores da paz azul, mas que nas tempestades sem cor
Se
vê as cores turvas de suas forças reticentes do poder.
Nem
sempre és água, posto terra também e assim o somos
Dentro
da vestimenta da matéria, e que sejamos igualmente espíritos
A
compreender que sem ti padecemos todos os nossos erros!
O
vento soletra teus planos, quando cais como chuva nos quadrantes
E
erguemos muralhas para conter-te, e desabam montanhas
Em
cima dos mesmos lençóis que conseguimos deturpar...
És
guarani no sul, seara seca no norte, és precioso no continente mãe
Em
que sabemos que torcem mais pelos diamantes do que na vida
Do
que muitos que deram sua vida solapada no sangue da escravidão.
És
pungente em seus planos, geras energia, fracassas os sonhos do nadador,
Afundas
embarcações titânicas, usam-te como veia de batalhas
E
ainda assim o homem crê ser teu dono como no descarte de um ás de ouros...
Sabemos
da terra onde existes, que tomam por liderar a corrida
Por
onde houver-te, já há planos dos países ricos em te mapear
Por
onde existas que sejas nas mãos que crispam seus dedos de abutres.
Mal
sabem que em Marte não há mais da água da Terra, em que paraísos
Só
existem na profecia gasta de um fundamentalismo cíclico
Em
que este mesmo barco em que estamos haverá por navegar muito mais.
És
motivo de desavenças, és de uma hipocrisia em que te criam
Recriando
os falsetes de poderes em que te anunciam
Ao
que se moram melhor quando defronte a si existe uma praia linda!
Basta,
que já mostraste a tua cor clara e sutil a quem te respeita
Como
elemento vasto e permanente e que não se falte
Se
por descasos administrativos se falta a quem não lhe soube valer...
terça-feira, 18 de outubro de 2016
FINALMENTE, EM UM DIA CHUVOSO A VERDADE É QUE ALGUNS VASOS DE PLANTAS AINDA NÃO FORAM REGADOS, E É COMPROMISSO TÁCITO DE QUEM VOS ESCREVE TERMINAR O DIA COMPARTINDO COM TODOS OS SERES SEU DIREITO DE VIVER NO PLANETA, NÃO COMO ACESSÓRIOS DECORATIVOS, MAS COMO VIDA COM OS MESMOS DIREITOS DE NÓS, ESPÉCIE UM POUCO DISPLICENTE COM O QUE É REALMENTE IMPORTANTE EM VIVER EM HARMONIA: A COLETIVIDADE MERECE MAIS ATENÇÃO!!!!!
POENTE E NASCENTE
Quais
os gestos que um homem pode possuir para encontrar algo?
Quantos
caminhos, oh Deus, de que nos seja dada a misericórdia?
Há
nos crescimento de um episódio lunar uma gleba de intenções
Que
se nos atravessa de um outro manto que se nos revele a mais
Do
que aquilo que por suposto cremos ser talvez mais do que necessário...
Os
poentes de nossos dias nos dispõem em rumores, conversas em paralelo,
Mentores
do nada, fluxos de graus indispensáveis, contendas, atravessadores,
Chuvas
obscuras, nada do que realmente se cria que fôssemos mais humanos.
Libelo:
que tu me chames em tua aurora a que ensinemos a nós mesmos, os mortais
Que
sob os véus de uma fama efêmera como uma gota de orvalho repetidas vezes
Temos
que estar despertos a mais do que uma flâmula de cristal de plutônio!
Meu
deus, que não tornem as mesmas guerras que há muito foram enfrentadas
Se
um homem passa a tocar uma música em sua soleira e o estranham deveras,
Quando
o suficiente é apenas se estar de um lado ou de outro da barbárie alugada.
Quanto
vale a lucidez de um ser, se após uma poesia que brota de sua alma
A
questão carnal lhe passa a ideia do jugo em que nos impomos por questões
negociais?
Hoje
o poeta que encontra uma amiga, que lhe diz, que lhe diz que o câncer
Já
está controlado em seu corpo, e o poeta ganha seu dia pela felicidade
Em
ver uma mulher brilhante perto de um mar de uma superfície que muda...
Se
a poesia brota, meus caros, é porque não ensaiou cartilhas, não supôs
regressos,
Vive
para uma vida que se torna presente, mesmo que no rádio permitido
Cantem
repetidas vezes o ritmo de um robot
alucinado pelo pop do mundo...
Basta
que desliguemos um pouco de todos esses estímulos abissais e crus
Em
que a paz que queremos seja a luz que verte de olhos tamanhos e gigantes
A
ponto de encontrarmos no facho da esperança a espera de um poente de nascer a
Lua!
E
que nasçamos a cada poente, em um sono que por vezes tenhamos, e que seja
Um
descanso à sombra de uma árvore, a que se permita a um andarilho
Que
este escolha seu lugar e seu sono e não enfrentar o patíbulo do preconceito.
A
que regressemos ao lar, a que façamos de uma casa uma vivenda
Que
tantas em que já vivemos por vezes nos façam crer que é justo em se ter...
Pois
que se vale a vida em seu vale por vezes turvo por nuvens algo cinzas
Em
que a cor se nubla do tom que não gostaríamos que fosse sempre esse...
Que
pensemos na boa literatura, conforme dizia mercedita: viva La Literatura!!
domingo, 16 de outubro de 2016
UM PONTO QUE FOSSE DADO À TERNURA
Pois sim, que caminhara tanto pelas
tantas, que eu não sabia até que ponto eu não parara... Talvez de se saber um
verso, talvez de que a vida não fosse tão dura, que sei eu, uma coisa atrás me
aparvalhava e eu segui tanso como uma corda que se deixa esticar e que coisas
miúdas de Gonzaguinha me roíam as entranhas daquela aos poucos, tensa que
ficava mais e mais dura e vulnerável, que eu já não sabia. Não haveria mais
acessos para a minha saída? Quem sabe se eu seria um soldado imaginário dentro
de uma hierarquia que desconhecera por toda a minha vida? As forças já
existiam, e por minha conta talvez me tornasse finalmente um civil feliz, mesmo
sabendo de todas as vertentes sociais, dos grupos, a ponto de achar a maçonaria
algo de interesse, posto tudo o que dizia respeito a uma ciência oculta ofuscava
o padrão do que se oculta na ciência, aí sim, vasto e profundo caudal que nem
uma imaginação mais fértil daria conta em um processo de investigação total e
quase absoluto, a não deixar dúvidas... Esses processos de um homem ou uma
mulher não encontrarem mais tanto de referências, quais não sejam aquelas de
qualquer contenda que não seja apenas um tipo de situação em que nos
encontramos no viés do acordo. Como se nas relações humanas criássemos o
rebatimento, o lucro, a ganância em obtermos algo de alguém, como um negócio, o
Business Relations. A coisa se confunde, e o seio de algo de ternura
desaparece, pois parecemos isolados dentro de cada bolha existencial, somos tão
autossuficientes que não – sequer – nos tocamos, deixando isso apenas a cabo do
hedonismo superficial que a muitos pertence obviamente ao desgaste natural da
insensibilidade pelo prazer de minutos. Isso pode parecer território da
psiquiatria, e efetivamente pode vir a ser, pois o cometimento dessas
enfermidades está na ponta de lança do modelo social em que estamos inseridos.
Isso não será alusão a que modifiquemos muitas estruturas, mas no modo como podemos
evitar que certos estímulos não sejam tão ausentes de uma ternura sincera e
sempre necessária ao abraço dos povos.
Haverá sempre a esperança, esta um
caudal imorredouro que não passa de um teor presente em um gesto em que nos
encontremos quiçá em uma rua, por vezes no olhar nada mecanicista que devemos
por vezes tentar encontrar fora das plataformas digitais. Pois, se não fora,
não encontraremos o seu brilho, as coisas do entorno, boas ou más, as
idiossincrasias, o tête-à-tête, o mano a mano. Jogam-se cartas na mesa, estamos
por testar o próximo, para obtermos respostas que por ventura cremos
importantes para a nossa visão do comportamento de alguém, mas ausentar-se
sempre do carinho e produzir máquinas, quais sejam, como nossos próprios instrumentos
de feedback, é sem dúvida preparar seres de montagem, em uma escala da
indústria humana que por vezes já começa na escola. Estarmos debatendo desses
assuntos já é de natureza ímpar, posto sermos sempre um à cata, dois à busca,
buscadores, expertises, funções, mas do ponto de vista da sociedade seremos
sempre cidadãos, independente de que coisas fazemos, como trabalhamos, dentro
obviamente da legalidade necessária, mas ninguém é superior a ninguém, e todos
são iguais perante a lei. O fato de não encontrarmos essa igualdade pesa a
justiça a razão direta da questão da liberdade. Se esta começa onde termina a
do outro, que todos os homens livres partilhem pelo menos da mesma. Se alguém
ofende um homem ou uma mulher livres, se invadem o seu espaço de dignidade
social, temos que saber que isso é razão de retaliação por parte de
autoridades, pois hoje as coisas estão mais difíceis, e a pressão e stress já
fazem de tal forma parte do cotidiano que muitos absorvem e transformam o
rancor em violência. Daí vem o moto contínuo do treinamento. Um civil jamais
deve usar alguma vantagem de treinamento marcial ou psicológico para coagir ou
agredir um cidadão. A defesa é necessária, mas em caso de grave conflito deve-se
resolver isso na justiça, com os agentes que existem para tal. A mesma defesa
deve ser o diálogo, e é cabal sabermos que a ingestão de álcool ou drogas
predispõe que os cidadãos não ajam muito de acordo com a civilidade necessária,
que deve estar vinculada à serenidade e lucidez. Devemos ser diplomatas, mas,
por exemplo, nas questões raciais ou étnicas, deve o cidadão denunciar, não
apenas o vitimado pela ofensa, mas aquele que a testemunhe, para autoridades
competentes, para que a mácula do rancor não fique contida na psique muitas
vezes frágil do ser agredido, como no casos das doenças mentais igualmente,
onde o preconceito por vezes é ignorado como algo normal e por vezes até
engraçado.
Deve-se saber, portanto, que nas
relações humanas devemos estar preparados a nos situar na esfera do desprendimento,
na plataforma da humildade coerente, como a noção de que somos mais um cidadão –
seja quem formos – no mundo, e não acharmos que determinada posição ou
hierarquia possa ser estendida sobre grupos ou minorias que não façam parte da
vida que levamos em pauta nesse tipo de poder que nos concedem aqueles que
mantém a ordem, pois não bastará termos esta se não houver a harmonia social do
coletivo.
sábado, 15 de outubro de 2016
QUALQUER CONFLITO QUE NÃO PREGUE A PAZ É RESULTADO DA COMPETIÇÃO TERRITORIAL DO LIVRE MERCADO TÍPICA DE UM CAPITALISMO CADA VEZ MAIS SELVÁTICO. A COMPREENSÃO DESSE FATO FAZ COM QUE AQUELE QUE PENSE QUE ESSAS GUERRAS SÃO FRUTO DO IMPERIALISMO SOFRA DURA RETALIAÇÃO POR ESSA AFIRMAÇÃO CONTUNDENTE E NECESSÁRIA!
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
A VÉRTEBRA LUNAR
Veste-se
de outros rumores a clássica demonstração das luzes
Que,
tíbias, não encontramos nos poentes de nossa existência
Quando
o que mais queremos é justamente urdir esperança nos povos...
Nua
e crua, uma coluna de luz lunar nos pousa a fronte de vida
A
saber que quando estamos com nossos reflexos nas atitudes
O
mar acompanha nossos gestos, mesmo que por lá não se possua.
A
se possuir, o que se diria de um verso na face de um olho d’água
Quando
a poesia não quer propriamente assistir, mas acompanhar
O
próprio rumor de que estamos navegando rumo à civilização!
De
tantos mundos estes em que por vezes imaginamos apenas
Dentro
do imaginar-se tanto que outras fazemos quase um filme
Onde
os atores se revelam mais jovens do que a progenitura do diretor.
Poderemos
saber de muitas coisas no mundo, quando nos situarmos
Em
uma questão pontual, mas que as genéricas são igualmente boas
Quando
a um entender soberano de um país com constituições sadias.
Pois
que seja cristalino o verso, que de dentro da lua uma cratera espie
Quando
vê que no planeta azul o mar é tão grande que se torna cepa
De
onde brotam ervas onde os zangões vêm pousar por encima...
Quando
menos esperaríamos que não fossemos mais tardios
A
questão onde não encontramos mais as referências é que estas
Estão
por todos os lugares: ao gesto do sol e à refulgência feminina lunar.
terça-feira, 11 de outubro de 2016
AUTOMAÇÃO ARTESÃ
Há modos de se fabricar em certos
contextos um produto alienado de sua natureza primordial... Como gadgets em que não se encontra o
contexto este em que sua função seria algo menor do que um tipo de embalagem que
contém, a título de amostra atrativa, seu teor quase infantil em trajar para o
consumo. Trajar em amplo sentido, de “vestir” os produtos industriais com tudo
o que vem por adiante, antes de descobrirmos que muitas peças, como as de
carro, por exemplo, são feitas com materiais que simulam visualmente outros que
porventura, na ideia de impulso de compra, acabamos por não darmos ciência do
que adquirimos. Amassada a lata: funilaria; amassado o plástico: moldagem.
Troca da peça de plástico, exorbitância... O que abre espaço, dentro desse
estranho mosaico, a que estejamos comprando um descartável por algo mais
sólido. Destarte, quase sempre se vai para uma loja que reconsidera a
restauração, por vezes por vias quase artesãs. Em uma confecção que não sabemos
muito para que serve, surge a miríade de produtos que encerra em sua variedade
uma espécie de fauna de especiação variada, com tipos ou classes, seus objetos
e uma programação orientada em seu contexto. Essa especiação revela que nas
fábricas o que se orienta é algo em que não estamos mais comercializando algo
em si, mas o seu pressuposto, onde o que ponteia o holístico possa ser o
comércio banalizado da cosmética onde esta, literalmente, perfaz o ideal do
hedonismo societário. Onde cada qual “brinca” de ser agente do belo, mas
atravessa com dois gumes o bom senso daqueles que necessariamente devem ter na
redução dos lucros acessos mais viáveis e conexos com o produto per si. Essa fauna de objetos nos tornam
igualmente passivos diante dos estímulos e respostas a que nos submetemos, onde
passamos a nos rotular enquanto seres, onde cores de roupas, por exemplo, se
tornam significantes de proposições diversas, por exemplo cabal, e igualmente
nos tornamos predadores para competir em um dito “livre mercado”, em que cada
qual se torna a fera de si mesmo. A ausência de diálogo entre os que se tornam
rivais em interesses ou negociações que quase sempre, a exemplo de grandes
monopólios, se tornam usualmente desonestas, faz com que alguns se tornem tipos
de glebas ou clãs que os unem para a preservação dos mesmos acordos societários
referidos com relação ao hedonismo agora raro em consecução que começa a
atingir classes mais “possuidoras”. Por possuírem, estão certas que seus
desejos serão satisfeitos, e essa ante mão muitas vezes leva que fracassem
quando os mitos de suas bagagens caem por terra, no mais das vezes por uma
razão de estarem dissociadas na especiação de seus grupos, com seus links
existenciais, e o grande gadget das informações lhes falta, na sua mesma falta
de conhecimentos fundamentais quando se ausenta a identidade cultural do
indivíduo isolado ou coletivizado. Referenciar-nos dentro de gadgets que
somatizam sistemas como alguns portais gigantescos passa a nulificar nossos anseios
enquanto cidadãos em vozes jamais ouvidas, dentro de uma nulificação tornada
concreta, quando ao menos se contestasse o pão, e outro, que se ouvisse mais os
anciães...
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
NA ATMOSFERA SILENCIOSA DE UMA ESTRELA EXISTE QUASE UM DESPERTAR A QUE NOS GUIEMOS AGORA PARA AS NOITES EM NOSSAS QUESTÕES QUE APARENTEMENTE NÃO DENOTAM A SERENIDADE NECESSÁRIA. NESSAS HORAS, NÃO QUEREMOS SER NADA ALÉM DE ESTARMOS A CONFLUIR O GESTO DE ALGUM SIGNIFICADO COM A PROPOSTA ÚLTIMA DE PRESERVAR QUIÇÁ UMA LINDA PLANTA DE UM VASO QUE REGAMOS AO PÔR DA TARDE.
NÃO ADIANTA APENAS ACABAR UM IMPÉRIO, POIS DEPOIS DE ROMA VEIO UM VÉU ESPESSO E INQUISITIVO, UM RENASCIMENTO DE GUERRAS, UMA FRANÇA DECAPITADA, UMA ÁFRICA ATÉ HOJE SACRIFICADA... TANTAS MÁCULAS HISTÓRICAS QUE A ETERNA RETÓRICA DE QUEM GANHA DE QUEM É APENAS A HISTÓRIA DE UM PORQUINHO CONFINADO AO LADO DE MILHARES OUTROS NO ABATE SISTÊMICO.
SE HOUVESSE AO MENOS UM PROTOCOLO DAS GIGANTES NAÇÕES POLUIDORAS QUE CORTASSEM O QUE VEM DEPOIS DO QUE GOSTARÍAMOS NA TERRA, A SABER, UM MUNDO SEM DEVASTAÇÕES CLIMÁTICAS OU AFETIVAS, SABERÍAMOS MELHOR QUE O QUE ENFEIXA O PODER SEMPRE VAIS SER A HISTÓRIA DA GANÂNCIA E DO PODER BÉLICO NAS SOCIEDADES QUE AGORA SE TORNAM CADA VEZ MAIS GLOBALMENTE TOTALITÁRIAS.
O AMULETO DE OSMAR
I
A aldeia respirava outros ares
naquele prenúncio de primavera. Osmar fumava seu cachimbo de roseira, perto de
uma cancha de futebol, na vasta área militar do lugar, com um istmo
interessante que dava a vista para a ilha, suas luzes que começavam a despontar
em torno dos turvos ocasos. Um barco perto da orla mostrava uma letra
manuscrita a estibordo, perto da proa, uma boa embarcação, em que dois jovens
rapazes e um navegador veterano lançavam ao mar, com a haste vertical e sua
rede pronta, de espinhéu, para uma pesca no meio da baía, aquela baía extensa
que reunia em sua orla os bairros do continente. Conversavam entre si, pegavam,
já com o motor da embarcação ligado, cestos, baldes, provisionamentos e farnéis
de charque, açúcar, tabaco e uma garrafa de pinga para Elias, que apenas iria a
passeio.
Osmar chegara há pouco tempo no
bairro. Viera a pedido de uma senhora que havia perdido o marido em
circunstâncias meio duvidosas. A causa da morte havia sido afogamento, mas onde
foi encontrado o corpo era bem distante de seu apartamento, e ele não voltara
naquela noite, conforme seu hábito de chegar sempre à mesma hora, quando
fechavam a loja de departamentos onde trabalhava, em uma área mais
congestionada do bairro, este que se chamava Amendoeiras. Justamente naquela
zona onde morava um bom número de militares da reserva havia alguns ranchos de
pescador, e perto do terceiro rancho, em um pequeno molhe, em sua ponta, foi
encontrado o corpo de Anselmo. Quem o encontrou foi um homem de segurança
privada que parou a moto para fumar um cigarro, haja vista a jaqueta do morto
ser alaranjada, ainda com o uniforme de trabalho. Repetindo: causa da morte por
afogamento. O delegado Osmar colocou à disposição do trabalho três de seus
subordinados para investigar a área, enquanto Osmar pensava sobre essa equação
que indicava algo mais do que acidente ou suicídio, conforme relatara a mulher
da vítima. Algo indicava uma quebra de rotina, a distância onde ocorrera a
morte e, principalmente, um teaser que fora encontrado perto de uma capela
localizada em um sutil promontório natural que servia como um mirante. Osmar
fumava e tocava seu amuleto, um antigo colar de contas que ele conservava como
recordação e tinha a mania de ficar contando pedra por pedra, nessas horas em
que esperava maiores evidências ou maiores pistas. Observava alguns pássaros
que vinham em profusão quando um homem dava alguns peixes. Levantou-se e foi
falar com os pescadores que estariam saindo com o barco. Quando se aproximou
com a jaqueta marrom mais antiga, os sapatos lustrados e seu boné, olharam meio
de soslaio, como quem nota visivelmente a presença de um forasteiro. Elias
olho-o e esperou que Osmar chegasse mais perto. Franzia o sobrecenho num
trejeito de bêbado. Chamou-o.
- Convenhamos, estamos no meio de
uma confusão sem tamanho. – Meio estrábico, Elias olhava por sobre, num viés de
expressão dura, mas ao mesmo tempo gracejava, indiferente. Os outros pescadores
apenas se aquietaram e Osmar se dirigiu a um com farto bigode, que de qualquer
modo parecia mais receptivo.
- Há alguém que more nestes ranchos,
ou que cuida dos barcos à noite? – Perguntou.
- Sim, respondeu o de bigode.
Trabalha como guarda noturno e vigia os ranchos.
- Desde que horas até que horas?
- Cerca das dez da noite até às
quatro e meia, cinco horas.
- Onde eu posso encontra-lo?
- Ele mora a quatro quarteirões
daqui. Trabalha também como frentista na parte da manhã. O senhor pode encontrá-lo
a esta hora no posto de gasolina Imperador Lineu.
- Fora ele, ficou mais alguém aqui
nesta madrugada?
- Olhe, tomamos um pouco de pinga
ontem, eu saí às nove. Geralmente nos reunimos depois do trabalho para
conversarmos. Temos esse hábito, mas sempre voltamos para a nossa casa mais
cedo.
- Algum de vocês porta um teaser?
- Não sei do que está falando,
senhor...?
- Inspetor Osmar, da homicídios.
Encontramos um perto da capela, usado. Você não sabe o que é um teaser?
- Não, isso eu sei, senhor... Mas
quem...
- Por enquanto é só, não saiam da
cidade, já que estamos averiguando tudo. Quero apenas que anotem meu telefone
e, se possível os pescadores dos ranchos todos pelas sete e quinze da noite
amanhã. Quero todos aqui. Por enquanto é só.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
A BOA ASSOCIAÇÃO É RARA, TEMOS QUE CONTEMPLAR MAIS AQUELES QUE AJUDAM REALMENTE A NOS GUIAR, NÃO OS QUE NOS DIZEM QUE SÃO GENIAIS PELO FATO DA MÁ FAMA OS TEREM COLOCADO EM NOSSOS JÁ ÁRIDOS CAMINHOS, POIS ESTES QUE CONSTRUÍMOS A DURAS PENAS POR VEZES RECEBERAM A FORJA DE ILUSTRES E ANÔNIMOS COMPANHEIROS.
AOS POUCOS O NOSSO MUNDO SE TORNA BIPOLAR, AOS POUCOS A ESQUIZOFRENIA CONSENTIDA SE TORNA NOSSO LUGAR COMUM E A PSICOSE COLÉRICA TOMA CONTA DE NOSSOS ATORES BELIGERANTES DE APENAS DOIS LADOS, DOS PÓLOS QUE NÃO SE FUNDEM EM HARMONIA, MAS QUE QUANDO TOMARMOS CONSCIÊNCIA DE NOSSOS ERROS TORNAREMOS OBVIAMENTE TUDO MAIS FÁCIL.
DIAS DE REFULGÊNCIA
Dias nublados algo sem as soluções
previstas, em que as enfermidades ponteiam no quilate das vésperas de um voto,
que seja. Um domingo. Este que nos espere, silencioso, como tantas são as
escumas do tempo... Em uma verdade que cresce apesar de ocultar o limbo de
atravessadores de outro tempo. Os nossos enigmas, as nossas questões mais
íntimas, quiçá os erros de outros tempos, a que não nos neguem o que não
queremos mais repetir, pois o mundo em si é conturbado na sua própria soleira,
de suas próprias portas. As que não postamos na realidade dos fatos talvez
residam em uma carta de papel, algo mais palpável do que o significado último
da sílica. Outro talvez, este agora que residamos na pátria de sensaborias, num
saber de outono, ou em um viver de inverno, algo que torna o coração túrgido
quanto ao insuflar as veias, mesmo que estas se ressintam de uma poesia de
reflexos na sua semântica. Repetindo a veia que nos cobre de tesouros em uma
verdade de cristais, uma refulgência de brilhos quais não sejam muito humanos,
pois a espécie peca em demasia, por vezes...
Mais do que muito que queiramos, uma
literatura clássica sem nomes alternados por critérios seja mais aquilo que
podemos e que por suposição inequívoca é boa leitura. Pois que os clássicos nos
revelam eras anteriores, civilizações, a erudição de fluxo optativo, no que
queremos não por imposição sistêmica, mas por um lazer grandioso. Os livros,
mais do que um conforto espiritual, são obras que levam a possuirmos a leitura
não apenas das palavras, mas de ideias, fatos e história, nos levam a possuir a
habilidade de nos situarmos no mundo, a tecermos análises críticas em relação
às nossas próprias referências, e são condição inequívoca para a educação como
um todo, pesquisas, e muitas outras aplicações que vão desde a cultura popular,
a um aprendizado técnico ou o aprofundamento da ciência, e isso é uma redundância,
mas devemos sempre colocar essas questões à tona.
Sobre as necessidades intrínsecas de
nos situarmos enquanto agentes do processo do conhecimento das civilizações, há
que se revelar o quanto é importante para um homem ou uma mulher, criança ou
adolescente, idoso ou jovem, a compreensão da história e uma investigação
sincera sobre muitos personagens omitidos ou falseados por uma educação baseada
na parcialidade em ideário factual. Por essa razão claramente se percebe que
uma produção cultural por vezes remonta nesse teor de parcialidade em que a
memória de um povo e seu patrimônio vai esmorecendo com o tempo. Este é um fato
que deve ser explanado em seus diversos significantes no que não diste algo de
remontar outras versões da história ou construir conhecimentos geográficos que
não venham de encontro com a sinceridade e verdade em ensinar.
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