sábado, 19 de novembro de 2016
AUTOMAÇÃO ARTESÃ
Há modos de se fabricar em certos
contextos um produto alienado de sua natureza primordial... Como gadgets em que não se encontra o
contexto este em que sua função seria algo menor do que um tipo de embalagem
que contém, a título de amostra atrativa, seu teor quase infantil em trajar
para o consumo. Trajar em amplo sentido, de “vestir” os produtos industriais
com tudo o que vem por adiante, antes de descobrirmos que muitas peças, como as
de carro, por exemplo, são feitas com materiais que simulam visualmente outros
que porventura, na ideia de impulso de compra, acabamos por não darmos ciência
do que adquirimos. Amassada a lata: funilaria; amassado o plástico: moldagem.
Troca da peça de plástico, exorbitância... O que abre espaço, dentro desse
estranho mosaico, a que estejamos comprando um descartável por algo mais
sólido. Destarte, quase sempre se vai para uma loja que reconsidera a
restauração, por vezes por vias quase artesãs. Em uma confecção que não sabemos
muito para que serve, surge a miríade de produtos que encerra em sua variedade
uma espécie de fauna de especiação variada, com tipos ou classes, seus objetos
e uma programação orientada em seu contexto. Essa especiação revela que nas
fábricas o que se orienta é algo em que não estamos mais comercializando algo
em si, mas o seu pressuposto, onde o que ponteia o holístico possa ser o
comércio banalizado da cosmética onde esta, literalmente, perfaz o ideal do
hedonismo societário. Onde cada qual “brinca” de ser agente do belo, mas
atravessa com dois gumes o bom senso daqueles que necessariamente devem ter na
redução dos lucros acessos mais viáveis e conexos com o produto per si. Essa fauna de objetos nos tornam
igualmente passivos diante dos estímulos e respostas a que nos submetemos, onde
passamos a nos rotular enquanto seres, onde cores de roupas, por exemplo, se
tornam significantes de proposições diversas, por exemplo cabal, e igualmente
nos tornamos predadores para competir em um dito “livre mercado”, em que cada
qual se torna a fera de si mesmo. A ausência de diálogo entre os que se tornam
rivais em interesses ou negociações que quase sempre, a exemplo de grandes monopólios,
se tornam usualmente desonestas, faz com que alguns se tornem tipos de glebas
ou clãs que os unem para a preservação dos mesmos acordos societários referidos
com relação ao hedonismo agora raro em consecução que começa a atingir classes
mais “possuidoras”. Por possuírem, estão certas que seus desejos serão
satisfeitos, e essa ante mão muitas vezes leva que fracassem quando os mitos de
suas bagagens caem por terra, no mais das vezes por uma razão de estarem
dissociadas na especiação de seus grupos, com seus links existenciais, e o
grande gadget das informações lhes
falta, na sua mesma falta de conhecimentos fundamentais quando se ausenta a
identidade cultural do indivíduo isolado ou coletivizado. Referenciar-nos
dentro de gadgets que somatizam
sistemas como alguns portais gigantescos passa a nulificar nossos anseios
enquanto cidadãos em vozes jamais ouvidas, dentro de uma nulificação tornada
concreta, quando ao menos se contestasse o pão, e outro, que se ouvisse mais os
anciães...
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
A LUA E O SONHO
Lúcia de Sarmento vira a lua por
acaso. Não era a lua que lhe prometeram todos os dias daquela primavera primeira
e no entanto atualizada pelos calores recentes. De um frio que sentia, na
verdade, em uma parte do corpo em que sabia haver: carente de um toque, carente de um carinho a que
deixasse o fremir de lado, pelo menos por uma pausa... Sua cabeça parecia que
explodia. Todos os homens que passavam... E que não encontrasse nada, c’est la vie! Aquelas figuras
conformadas, um seio de carcinoma que nunca existira nela, mas que sabia estar
presente em muitos sítios, do muito se comer, dos celulares e suas radiações,
do sol que não se podia mais, de uma água amarga de se beber, do ponto
existencial, da literatura que lia, por não encontrar fora o dentro que
observava existir desde há meses, em suas descobertas introspectivas.
Ah, o lugar comum da literatura!
Aquilo que nós nos permitimos ler, a auto ajuda, que ajuda a autoria... Não
seria mais isso, posto por um realismo crítico! Sim, uma prerrogativa... A mais
não saberia, era uma mulher e sabia disso, saberia abraçar sua vida com a
coragem de poucas. Nisso de autoria era igualmente fêmea, no seu traço de criar
que não coadunava com as mesmices de suas contemporâneas. Nela mesclavam-se a
lua e o sonho, de forma que uma era luz em exposição, o sonho em nos
encontrarmos sob o astro, e o outro a luz da noite que nos tece companhia, ou o
vagar de uma estrela em nossos olhos quando estamos de sonhar acordados! Lúcia
não distinguia muito, só saberia deles mais de perto, quando de se tornar
matéria viva, lúcida, coerente, no altear-se de suas escaladas pelas
intempéries dos sentimentos dos tempos...
De luas e sonhos, era um sono
escalar que entorpecia os mesmos sentimentos que destarte lembrariam quiçá uma
vigília que esperasse o bem portar-se. Essa antiga questão de bem portar-nos,
que abraça a civilizada forma de viver, trazendo aspectos positivos quando
sempre nos adaptamos a um meio que podemos usufruir de certos modos, no que
oferece de bom, sendo de uma televisão, quando apenas de seus cenários, se for
a única vantagem no usufruir dessa estranha – ainda – máquina de entreter,
vista como tele-visão os computadores igualmente, posto a diferença crucial é
não sermos tele-guiados, um fator de alienação contemporânea, em um modal cada
vez mais consentido como única forma de estarmos com a nossa pretensa – nessa visão
– tecnologia ou tecnocracia em dia. A lua não contemplava isso na vida de
Lúcia, bem porque conseguira ainda jovem ler toda a obra de Shakespeare em
espanhol, a lógica de Hegel, o Capital de Marx, o Elogio da Loucura de Erasmo,
entre literaturas clássicas, com autores diversos como Eça, Lima Barreto,
Euclides da Cunha, Balzac, Zola, Dante, este em idade um pouco mais avançada,
já beirando os trinta anos de primaveras que se tornavam pouco a pouco a
experiência de vida intelectual paritária com a média de uma bagagem de latino américa
do nível de Chile, Argentina e Uruguai. Por isso os computadores não faziam tanto
sentido assim, de serem a suas únicas referências tecnológicas, já que para ela
um bom coador de pano ainda passava o verdadeiro e insubstituível café, que
fazia mais parte de sua vida do que uma máquina que sofre manipulações
diuturnas. Muitos eram as pensadores, muitas eram as intelectuais. Aquelas que
haviam por vezes casado e tiveram tempo para a leitura e que aproveitaram,
mesmo em casamentos fracassados, possuíram estatura moral e intelectual de
monta suficiente para ao menos existirem como expressão cabal de mulheres
libertárias mesmo sendo de gerações onde os papéis eram desiguais ao olhar chauvinista
de toda a sociedade, principalmente em certos colonialismos típicos do terceiro
mundo...
Lúcia de Sarmento escrevia como Marguerite
Yourcenar, com a paixão pelas letras, mas com a experiência de agora, com mais
de sessenta anos, uma profundidade quase titânica. E assim passava seus tempos,
muito de observar, de onde colhia seus materiais na mesma sociedade que agora
se transformara, em que os papéis não invertiam tanto, mas novas formas de dominação
machista assumiam novos perfis, um tanto de modal genérico em que as pessoas se
transformavam em classes e objetos, cada vez mais, com a integração dos
sistemas e suas relações mercenárias. Porquanto fossem intelectuais, homens,
mulheres, etc, essa variedade do pensar sofria o véu da inalcançável fama
construída, com a expressão mais sincera talhada nas suas ainda raízes, no que
não foi fincado e, com o poder das palavras na ponta de lança das sociedades, a
admissão de frentes de nascentes intelectualidades teriam de ser abafadas pelo
status quo do imperialismo, quando esses ensaios ou peças de filosofia ou
literatura despontem a leitores alternados. Assim era a humanidade... Assim se
processa a humanidade, e a lua é algo real, assim como o sonho concretizado por
palavras deixadas em uma garrafa em mar de revelações, posto a posição de uma
escritora ou de um escritor é sempre escrever aquilo que vem de seu imo: da
profundeza de sua vivência cotidiana e de seu conhecimento pregresso, a se
acompanhar nas ações do presente.
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
"BRASIL: NUNCA MAIS" - Um relato para a HISTÓRIA
... O que mais me impressionou, ao longo dos anos de vigília contra a tortura, foi porém o seguinte: como se degradam os torturadores mesmos. Esse livro, por sua própria natureza, não pode dar resposta plena à questão.
Advertia um general, aliás contrário a toda a tortura: quem uma vez pratica a ação, se transforma diante do efeito da desmoralização infligida. Quem repete a tortura quatro ou mais vezes se bestializa, sente prazer físico e psíquico tamanho que é capaz de torturar até as pessoas mais delicadas da própria família.
A imagem de Deus, estampada na pessoa humana, é sempre única. Só ela pode salvar e preservar a imagem do Brasil e do mundo.
Paulo Evaristo, CARDEAL ARNS
Arcebispo Metropolitano
de São Paulo
Advertia um general, aliás contrário a toda a tortura: quem uma vez pratica a ação, se transforma diante do efeito da desmoralização infligida. Quem repete a tortura quatro ou mais vezes se bestializa, sente prazer físico e psíquico tamanho que é capaz de torturar até as pessoas mais delicadas da própria família.
A imagem de Deus, estampada na pessoa humana, é sempre única. Só ela pode salvar e preservar a imagem do Brasil e do mundo.
Paulo Evaristo, CARDEAL ARNS
Arcebispo Metropolitano
de São Paulo
documentos "BRASIL NUNCA MAIS" - 1985 ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO
Houve situações em que as torturas não conseguiram romper o silêncio a que se impôs a vítima. O último recurso era tentar fazer com que um prisioneiro convencesse o outro a falar, como o comprova a carta do juiz-auditor de São Paulo, escrita por Marlene de Souza Soccas, de 35 anos, dentista, em 1972:
(...) Supunham que eu estivesse ligada a Marcos Sattamini Pena de Arruda, geólogo, que há mais de um mês vinha sendo torturado. Levaram-me à sala de torturas e um dos torturadores, Capitão do Exército, avisou: "Preparem-se para ver entrar o Frankstein". Vi aquele cidadão entrar na sala com o passo lento e incerto, apoiando-se numa bengala, uma das pálpebras caídas, a boca contorcida, os músculos do abdômen tremendo constantemente, incapaz de articular bem as palavras. Ele havia ficado hospitalizado entre a vida e a morte, após o violento traumatismo que sofreu nas torturas. Disseram: "Obrigue-o a falar porque a Gestapo não tem mais paciência e, se um de vocês não falar, nós o mataremos e a morte dele será de sua responsabilidade". Não falamos, não por heroísmo, mas porque nada tínhamos a falar. (...)
(...) Supunham que eu estivesse ligada a Marcos Sattamini Pena de Arruda, geólogo, que há mais de um mês vinha sendo torturado. Levaram-me à sala de torturas e um dos torturadores, Capitão do Exército, avisou: "Preparem-se para ver entrar o Frankstein". Vi aquele cidadão entrar na sala com o passo lento e incerto, apoiando-se numa bengala, uma das pálpebras caídas, a boca contorcida, os músculos do abdômen tremendo constantemente, incapaz de articular bem as palavras. Ele havia ficado hospitalizado entre a vida e a morte, após o violento traumatismo que sofreu nas torturas. Disseram: "Obrigue-o a falar porque a Gestapo não tem mais paciência e, se um de vocês não falar, nós o mataremos e a morte dele será de sua responsabilidade". Não falamos, não por heroísmo, mas porque nada tínhamos a falar. (...)
terça-feira, 15 de novembro de 2016
SÓ ESTAREMOS NO CAMINHO DA PAZ SOCIAL QUANDO A VOZ DO POVO TIVER UM ALCANCE TÃO JUSTO QUANTO AS VOZES QUE OUTROS FALAM POR AQUELE, NO SENTIDO DE COLOCAR VERDADES EQUIVOCADAS EM SUAS FALAS RETICENTES PELO OFUSCAR DA MÍDIA EM CÂMERAS QUE ALTERAM A MENSAGEM POR ALTERAREM O EGO E A CONSUMAÇÃO DO STATUS.
domingo, 13 de novembro de 2016
QUE A JUVENTUDE SOCIALISTA MOSTRE AO POVO BRASILEIRO E LATINOAMERICANO QUE NÃO É SUPRIMINDO LIBERDADES DE MANIFESTAÇÃO QUE O PODER PODERÁ EVITAR O CRESCIMENTO DE SUA CONSCIÊNCIA POLÍTICA, POIS QUANDO SE PROÍBE ALGO A NATUREZA HUMANA TRATA DE IMEDIATAMENTE REDEFINIR OS RUMOS DE ATUAÇÃO, NO PROGRESSO DAS MUDANÇAS E DO PENSAR COLETIVO.
MOTIVAÇAO CONSCIENTE E DESCASO
Uma conversa com um analista talvez
facilitasse a inquietação de Neusa. Ela não sabia o que se passava com o grande
corpo social, considerando que fosse ele de sua percepção pessoal, e não
propriamente do que ela requeria a si própria, de querer ou achar que estava
questionando em uma investigação frenética o funcionamento do cérebro humano.
Seria algo meio pretensioso, mas não a ela, e cada qual que esperasse a sua
vez, o seu modo de saber algo. Mas a que pretender exatamente? Para ela, os
vínculos de maior parte dos humanos com a realidade eram meio previsíveis,
aliás, totalmente. E que ela fosse uma criatura adaptada, não o sabia direito,
pois à mesmice teimava não pertencer, e tinha seus motivos... Justo que a ela
se passava essa palavra: motivação, pois no seu entender certos fatos e certos
comportamentos eram claramente motivados em sua raiz, mas os membros inferiores
por vezes não acompanhavam. Seria talvez a questão sexual ou não, a tibieza dos
idosos, a lucidez de certos velhos, pelo menos gigantes experiências da geração
mais antiga, e o espelhamento de estranhas ignorâncias do que viria pelo mundo,
com uma sociedade aparentemente – no seu entender – cada vez mais totalitária
em sua parafernália e controle social. Essa motivação por coisas e objetos,
levaria a que certas e “outras” coisas se passassem despercebidas, por descaso,
por negligência. Ter afeto por uma árvore se tornava mais complicado do que por
um aparelho de informática. Posto de um ser vegetal e outro mineral, mas este
último um subproduto de petróleo e afins, como areia, metal e energia. Não se
passava mais que a árvore possui seiva e vida, dá suporte a outros seres e não
é apenas um relaxar-se na hora em que Neusa pensava que o cérebro descansa,
enquanto as motivações chamadas conscientes davam margem para que adormecêssemos
em um braço de ilusão de um Orfeu em descaso. Em deixarmos para trás a luta que
agora seria importante que travássemos no mundo, virado apocalíptico não pelos
erros do homem e suas perdições e sinais, não, por questão do simples descaso.
No entanto, queria conhecer o
cérebro... Esperaria a humanidade que ele funcionasse em sua totalidade? Ou só
no que a evolução permite que usemos? Em quantas sinapses a mais seríamos.
Voltava a pensar na motivação... Uma agenda, por exemplo: dia mês, hora,
minuto, função, encontro, ganho, tabelas de perdas e ganhos, ganho afetivo,
medidas, números. Em síntese, um algoritmo simples em sua lógica, e poderia
encerrar na medida o perfil existencial que motiva a realização de um ser, seu
território, seu circular-se, mesmo que em torno do planeta, a monitoração, uma
agenda e suas complexidades existenciais não seriam de importância mais cabal,
agora. Função-exposição-encontro-tempo-sentidos-pausas... eteceteras e pau na
máquina, que esta gira. Lera um artigo sobre sair dos eixos, ou seja, deixar-se
sentir, deixar-se se apaixonar! Obviamente destinado a um público algo leitor.
O problema seria como sair de um eixo e entrar nas bielas do motor, desfrear-se,
re-produzir algo se, na verdade duas
rodas só giram com um eixo, e isso seria um exemplo de relação. Quando uma para
a outra igualmente, e a palavra eixo já não remonta a farsa de que estejamos
repetindo certas histórias pois, pensava ela, o divisionismo remonta a
motivação de antigas contendas, e não sobra muito para aqueles que se utilizam
de eixos lógicos sedimentados por comunicações integradas para obter seus
propósitos, políticos ou não. Seguindo a orientação de sua pequena mas logicamente
leal investigação sobre o cérebro, chegava a certas conclusões de que apenas uma
mídia não é um eixo, mas o próprio motor de centro que o movimenta em todas as
direções, pois é evidente que regimes autoritários surgem dessas vasões, como
mostrara a direção a própria imprensa. Mas o caso dela ia mais além, não apenas
questões de empregados dos jornais que escrevem como papagaios por repetirem
muito certas contradições de pensamento, o que acaba por permitir o descaso de questões
cerebrais importantes, mais
importantes!
Em sua situação existencial
estabelecera um critério imparcial de conduta para dirimir dúvidas sobre o que
é um mapa, o que é uma sinapse linear, o que é um flash fotográfico, o que
seria – se existisse – uma sinapse em três dimensões, quais os territórios do
cérebro e a que par estão os estudos sérios e acadêmicos sobre o assunto.
Haveria contestação a que se prosseguisse fora desse âmbito a taxa de
normalidade de alguém tomar assento e se dispor a conhecer de algo fora do padrão
científico, baseada apenas nas suas impressões e especulação empírica. Afora
essa sublocação ignorada pelos bastiões, na verdade talvez interessasse a
alguém prestes a se tornar um médico psiquiatra, talvez, que ela partilhasse de
suas opiniões, pois, apesar de ser secundarista, possuía esse talento crítico
para compartir com seus colegas essas questões existenciais. Mais do que tudo,
optara pela computação, mas conhecia a história da filosofia, pois recebera
orientação de sua família, com livros e tudo o mais, e não representava a
realidade do nível das escolas nacionais, que tendiam a piorar brutalmente o
seu nível. Fora isso que a motivara a investigar a motivação consciente, depois
de ver tantos representantes do povo brutalmente ignorantes, com os únicos
motivos anódinos de enriquecer... Quis ir mais profundamente na questão. O
cérebro humano. Depois de suas anotações empíricas, notou que algo estava vago
na noção de que o homem é o animal mais inteligente. Empacou no verbo ser como
uma mula que não anda mais. E ficou pensando, o que seria a inteligência senão,
como um espelhamento de si mesma, ter as condições necessárias ao conhecimento
pleno e sem fronteiras. Mas chegou a essa conclusão dentro de seu próprio
bairro, a verificar na Natureza uma resposta que lhe chegava aos borbotões,
nessa mesma Natureza inclusa a construção humana, e suas respectivas
percepções. Dessa análise, filtrou mais um pouco e reteve um simples dado que
identificou uma parte crucial de sua pequena verdade encontrada: quais
formigas, a espécie humana é diferente pelo seu físico, mas com a diferença de
não ser nua a andar pelas ruas, e desse modo a motivação principal que observou
é que muitos mais jovens parecem querer que estejam nus fazendo o que sempre os
motivou. E tudo o mais, as relações de poder, abraçando igualmente os mais
velhos, em uma grande energia em que o cérebro humano passa a perder para as
sinapses de um formigueiro em sua organização simples e força física de seres
muito mais amplos...
Mas a coisa não seria muito
reducionista, e teve que observar melhor o sapiens: a si mesma, como ser
enquanto pensamento vertido. Não obteve resposta, pois este pensamento se
sucedia e parecia ou tinha a impressão de que mudava a cada classe de
percepção, as influências de seus sentidos. Voltou à velha questão do Gita: os
sentidos como uma parelha de cavalos... Bastaria direcioná-los? Não, não
caberia discutir a religião, pois fumara um cigarro e alguns já olhavam meio
atravessado, estava em rua. Propriamente, em frente ao mar, as costas a uma rua
do bairro... Parou um pouco, talvez estivesse encontrado alguma resposta: o que
a motivava talvez não daria as respostas. Queria investigar o cérebro humano.
Olhou para as suas mãos, lembrou-se do Macaco Nu, de Desmond Morris, um livro
importante para conhecermos a nós mesmos. Como outro, A Dimensão Oculta, de Edward
T. Hall, livros que seu pai possuía e que ensinavam coisas distintas do que as
escolas tradicionais colocavam à disposição, haja vista Neusa ser muito precoce
intelectualmente. No filme 2001 via que a ferramenta-osso se tornara a nave,
mas sabia do fracasso da espécie humana em encontrar meios para desfrutar de um
planeta ao menos razoável... A sede de ganância do cérebro de muitos homens e
mulheres estava cravada sobre a Terra e essas garras titânicas eram o símbolo
dessa relação de poder, uma motivação inerente a que se destruísse a liberdade
de outros para desfrute das riquezas dos países vitimados por grandes
potências. Talvez fossem grandes cérebros que pensassem por outros menores,
garras menores, armas menores, talvez algo que remontasse um cérebro com uma
inteligência superior, mas com a intenção de usar essa ou essas inteligências
para exercer o poder que mal e mal se equilibrava com outros contendores no
planeta.
Chegava Neuza a infinitas
conclusões, mas nenhuma delas lhe daria um encerramento de uma tese, visto ser
apenas uma investigação que considerava paralela, pois talvez a ciência
estivesse apenas estudando a questão para fins médicos ou de pesquisa vária e
necessária ao andamento da ciência. A seara era muito extensa, e nada a
preocupava mais do que saber que tantos e tantos filósofos haviam contribuído
para o pensamento dos homens, influenciando a história e que hoje se falava em
fundamentalismo religioso como se fosse algo natural, e na verdade muito da
cultura dos povos continuava, por descaso, omissão ou motivos torpes, a ser
massacrada no seio de muitas sociedades antigas, gerando mais e mais guerras e
fundamentalismos religiosos, incompreensão, racismo, intolerância, violência,
crimes e etc. Era bom para Neusa que ninguém soubesse ao certo para que
reservara durante aqueles dois últimos meses um tempo para pensar a respeito.
Mas aprendia muito, chegando a uma conclusão inevitável que iniciaria uma outra
questão recorrente. Só saberia encontrar uma verdade mais sólida sobre a
motivação consciente e o descaso se descobrisse igualmente o que seria o
descaso consciente e a motivação involuntária. O labirinto se tornava tão amplo
que chegava à conclusão de que as sociedades dos seres humanos sofrem
continuamente de suas próprias contradições. Negá-las é um imenso descaso, e debatê-las
para melhorar sistematicamente a vida de nossas populações torna-se uma
motivação não apenas consciente, mas igualmente saudável para que se melhore a
questão de como utilizarmos nossa massa cinzenta para viver melhor com o
próximo, e esse direito é a razão que aproxima Neusa de sua realidade e seu
desejo de muda-lá!!!sábado, 12 de novembro de 2016
COMO TODO HOMEM NORMAL, LEVO ADIANTE, DENTRO DE MEUS LIMITES, A FRAÇÃO DA NORMALIDADE QUE OUTROS ACEITAM, DENTRO DO PRESSUPOSTO QUE NÃO REVELO O ÍNTIMO DE MEUS SONHOS, ASSIM, COMO PÉROLAS DO ENTENDIMENTO REFLEXO QUE NÃO NECESSARIAMENTE TEREI QUE COMPARTIR COM ALGUÉM DESTE MUNDO, POIS NÃO ME IMPORTA NEM UM POUCO QUE AS ESTRADAS ESTEJAM CHEIAS DE GENTE AUSENTE.
A COMUNIDADE DA VIDÊNCIA
Teçamos
reverências ao Brasil, pois este é nosso, e leiamos de nossa literatura, pois
quanto mais nacionalistas formos, igualmente levaremos adiante o conclusivo
debate de erguermos algo dentro de nosso território. Que leiamos das nossas
histórias, pois agradarmos a faces repaginadas em books não dá a visão do sincretismo necessário a que possamos
perceber a dimensão de nossas culturas, por aí na compreensão máxima do que
significa a América Latina em nossos maiores contextos. Aí sim, podemos
escrever com propriedade, pois a partir do momento em que nos inibamos no
processo de tomada de consciência, tudo pode crescer, e a comunidade se perde
em seus princípios, posto quase não sabermos mais igualmente crescer enquanto
cidadãos nas ruas e nos bairros, de onde os trabalhadores vêm para nos ensinar
a nos portarmos como humanos que devemos ser, dentro do pressuposto algo
libertário de termos de ser mais duros com relação às realidades que se nos
apresentam e apascentarmo-nos com o fato de que, se assumimos um religare religioso, pelo menos devemos
levar a fé adiante, mas respeitando todos os credos. Devemos sempre crescer em
progresso pensando nas populações que realmente necessitam de amparo social, e
é a construção de uma comunidade nacionalista e democrática, com suas reformas
de cunho popular e com justa participação que encontraremos nosso caminho para
nos tornarmos independentes.
Pode
parecer difícil esse caminho, com uma crise internacional sem precedentes
históricos, mas colocarmos nossas riquezas à disposição do capital
internacional pode vir a ser arriscado, pois todas as maiores potências do
mundo hoje se fecham combatendo as livres fronteiras, se estas lhes prejudiquem
as suas riquezas internas, e teremos agora um governo mais conservador no EUA,
ou seja, vai se fechar a porta de um livre comércio que dentro desse país vai
ser blindado quando afete a seguridade econômica sua e interna. Mais do que
tudo, a tecnologia é necessária, e o pressuposto de que os celulares se tornem
a realidade de maior população também é importante, mas haveremos de unir o
diálogo entre as classes menos favorecidas e a burguesia que, dentro de uma
composição civilizatória, ou seja, no encontro amigável e solidário do diálogo,
essa coexistência de forças deve como nunca unificar a nossa nação. Devemos
igualmente respeitar nossas forças que prezam pela segurança, pois os
homicídios já ultrapassam 60.000 casos por ano no Brasil e a grande maioria de
seus crimes são arquivados pela justiça, o que devemos esperar é que se puna os
culpados pelo maior crime da sociedade, que é o assassinato. Devemos esperar
que os agentes das polícias recebam melhor e que haja um cuidado para que não
fiquem isolados em um contexto tão grave político que atravessamos como agentes
de repressão, pois não é isso o que ocorre no nosso país, já que são obrigados
a acatar as ordens de seus superiores, como no caso de São Paulo Estado e seu
Governador. O diálogo passa a ser importante. Obviamente, um jovem que é
viciado em algum estupefaciente ilegal passa a ver a polícia com um olhar
virtualmente às avessas, o que nos deixa obrigado gerir o fato de darmos
atenção para que nossos jovens não caiam nas drogas, sendo o álcool em excesso
a porta principal para a sua entrada nesse submundo. O ilícito começa pelo ato
ilegal no comportamento, quando de violência, na ingestão de tóxicos, em se
acreditar que pelas vias mais desconexas se encontre algum tipo de verdade que,
creiam, irão encontrar nas escolas, se estas obviamente forem respeitadas como
ambiente livre, passível de ser partidária e militante, para que desde cedo o
estudante não se aliene de sua realidade e de seu país e passe a lutar de modo
atuante para a mudança igualmente política e seus debates saudáveis
decorrentes . O que está posto está posto, o que se posta na
verdade é uma bela picanha na brasa, quando comemos carne: por vezes o que há.
Não adianta tentarmos nos associar com tudo e todos sem o mínimo de algum traço
realmente mais sincero, e a educação apenas será melhor se se der o encontro de
culturas, se os estudantes souberem de nossa verdadeira história, se souberem
do mundo como processo civilizatório e igualmente suas vertentes históricas.
Igualmente, se gostarem da matemática como algo belo, e não seja todo o
processo da educação o preparar-se para o Enem ou o Vestibular, pois o
aprendizado nunca é um processo de competição, mas de solidariedade,
convivência cotidiana, e desprendimento social. Quando soubermos da necessidade
de nossos filhos enquanto cidadãos da segunda célula social, que é a escola,
pensaremos que as instituições de ensino a eles pertencem, e que o Estado tem a
obrigação de dispor desse serviço às inúmeras crianças que dele necessitam,
sejam ricas ou pobres: igualmente! Esse é o único bom senso existente, o único
norte a que devemos estar cientes em nossos pressupostos humanos.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
LEMBRO-ME DE TANTOS COMPANHEIROS QUE ESQUEÇO QUE ESTAMOS NO MESMO BARCO HÁ MUITO MAIS TEMPO DO QUE NOSSOS NASCIMENTOS, POIS SOMOS FRUTO DE UMA COMPOSIÇÃO INEQUÍVOCA QUE CONVOCARÁ SEM QUALQUER DÚVIDA UM ARCHOTE QUE NÃO REPRIMIRÁ A CONCESSÃO QUE SE FAZ - AÍ SIM - VERDADEIRA PELA CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA.
PERSCRUTAR-SE
A se seguir em jornadas que imantamos
quiçá com uma sombra pungente
Não por ausência da luz, mas por
proteção de olhares que nos perscrutam
A que soubéssemos mais de nossa vereda,
ou que o olhar não nos alcance!
Desse olhar sóbrio e louco de fantasias
quiméricas, a uma ilusão pertencida
Qual veste que nos sobra em panos rotos
quando o fato é ignorar o tempo.
Teríamos tempo algum, se dele fossemos
mais um pouco do que não agimos
Quando a serpentina voz que nos chama
pode ser apenas um capítulo a mais!
Afora os descuidos do mesmo manancial do
nosso tempo igualmente roto
Acima as responsabilidades que tenhamos
nascido para tantas darmos
Ao não saber em quantos portos teremos
que amarrar os barcos
Se um gesto pode ser suficiente a que
nos traiamos ao imaginar um beijo...
Pele crua, que nos sobre, calcária como
um crocodilo ausente de chama,
Algo seca, ausente igualmente do Eros que dialoga com Tanatos
Nas versões mais presentes do que sequer
sabemos depois de minutos.
Não vertamos nossa tristeza em um papel
de alcachofras, em cada pétala
Ungida com o óleo de um olival de
Espanha, em que Franco
Desmontava as pétalas de outras
tentativas na outra face do mundo.
Quem dera fossemos irmãos, e não apenas
um grupo consonante a nada
Que não seja o apanágio numérico, ou
apenas mais uma vértebra caída
No solo de uma enfermidade que se mostra
grande na periferia dos ricos.
Ambiental mensagem: leve-nos, como o
meio que temos mais não o possuímos,
Posto de permissões apenas, ao que temos
que pensar ao menos algo simples
Naquilo a que façamos parte sempre: em
que não façamos o nada produtivo!
A conviver com os espaços, saibamos que
a única libertação crucial
É darmos a luz ao espírito e cuidados redobrados
aos nossos templos,
Pois sem essa prerrogativa não
encontraremos nossas colunas em nosso corpo.
Assim vertemos os mesmos sais daquilo
que Gaya nos permita que sejamos
Um só corpo e um só espírito, no
contrito veio que nos assombre muito
Por residir no que pensamos enquanto
seres libertários no planeta!
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
UM FATO REFLEXO
Sempre haveria algo a se dizer das
caminhadas de Paulo Antônio. Talvez fossem sempre fatos consumados aos que o
acompanhavam, pois que ele não deixava passar nada: do essencial ao particular,
do que via e sentia, em sua percepção gigante, que por vezes o assoberbava, mas
sempre a luz e seus diferenciais... Mas seu olhar por sobre a sua própria
superfície era em uma vigília solitária que a muitos poderia parecer
excêntrica, se devidamente externada. Mas que a expressão de alguns de seus atos
era apenas o perscrutar-se naquilo de referências cabais a título de rever o
natural das coisas. A materialidade de um som de cachorro, por exemplo, a luz
da lua e das ruas no principiar das noites. O que era objetivo cabia mais à sua
atenção, mas que o subjetivo ainda fizesse uma parte do onirismo, porquanto
igualmente divagasse, como mola que o movesse nas madrugadas em que por vezes
despertava, em um não ser que muitas vezes o assoberbava em longos e longos
minutos, até se dar conta, como uma reflexão de um espelho, que o objetivo, a
matéria lhe ocupava a mente na forma de conhecimentos... De pequenos reflexos,
Paulo Antônio consagrava quase de modo alquímico o que não se previa tanto em
uma mente dentro do espectro de abrangência da normalidade, mas no seu caso um
cotidiano de rotina maravilhosamente amplo que suscitava certezas algo na
infinita dúvida, esta o sol nascente de todos os dias, e aquelas – a princípio
– frutos do nascimento do próprio astro, como fato de reflexo, e não da
realidade ausente. Essa crítica do realismo se diria mais do que necessária em
um panorama onde a fusão da própria realidade em seu reality show de ensaios
casava-se nos tempos com a fantasia e explícita imaginação, tornadas
praticamente reais nos seus apelos da computação em si, quando do
entretenimento, quando do diálogo algo pulverizado por comportamento exposto,
ou mesmo a alienação de fatias populacionais importantes para o sistema. Essa
alienação era passível de atos reducionistas com relação a comportamentos, onde
críticas sem nomes passavam a ser ignoradas. Talvez fosse isso tudo realmente
factual, mas no pensar de Paulo Antônio a mesma e dura realidade por vezes tem
abraçada sobre ela um véu ilusório, debruçado sintomaticamente nos tempos
modernos do novo século, ao contemporâneo que passa por relativos e efêmeros
sentires, enquanto a Natureza perde a razão humana e seu bom senso peculiar,
porquanto raro, mui raro...
As pegadas de Paulo Antônio podiam
ser sentidas mesmo no mar, de onde provinham encontros nada furtivos, posto a
anuência da atmosfera marinha constrói a fibra dos pescadores. Pegadas
registradas com tecnologia, mas teria que abraçar sempre a competência de boas
paisagens pois, para a existência nesses tempos era de se situar que havia o
ser. Fora da imagética não haveria tanto do ser, e nesse destempero o conforto
era justamente se sentir registrado, como algo de não se esquecer, pelo
menos enquanto havia a imagem que sucedia a anterior, em um presente de
eternidade, enquanto tripas de informações sem substância, mas anuentes a um
ego em todas as classes que retinha essa preocupação, não desistindo dessa
ferramenta de modal duvidoso a própria política, que deixava a rua apenas como
frase de grupos reunidos e diálogos entrecortados na cidadania simples em novos
conhecimentos pessoais. Algo da pegada de Paulo Antônio talvez fosse distinto,
mas partia do pressuposto do coletivo mais animal e mineral do que propriamente
humano. A apropriação indevida era de se sentir, a cada árvore em bairros
necessária, cortada, ignorada, a predação para erguer, o erguer-se para
derrubar os polens maravilhosos que significam as folhas, o verde, os matos, o
mar, as águas. Apropriações indevidas, que sublocavam o viver das gentes à
condição numérica, partindo da mesma lógica em que nossos gráficos de ego têm
que estar associados com números ou cifras, produções ou resultados,
popularidades ou afetos consentidos pelo comum nada comum, posto ser diferente
seria improvável! Alguém saberia dizer o que falar-se de uma caminhada, mesmo
em reality? O behaviorismo seria a
única saída para o registro? Em tese, no reality,
em outra no pensamento linguístico de frases curtas curtidas no cruzamento de bancos de
dados? Talvez fosse necessário encampar empresas pessoais que lidassem com
essas relações de poder, aqui, nos EUA, em qualquer lugar. No entanto, o que
sabemos é que se filtra o que cada um cria em seu perfil, quais as suas
preferências políticas ou não, qual a ingerência de cada particular ao seu
contexto, para posteriormente criarem, no atual sistema neoliberal, ações
sectárias, remontando a regimes fascistas de controle e supressão da liberdade
do cidadão poder ser quem quiser na sociedade, estar com quem quiser, e falar
com quem quiser, em nome de um coletivo ou não. Esse é um fato reflexo, onde a
origem reside no poder equivocado da cosmética, que veste o lábio para ver onde
borrou o batom.
Enquanto não nos permitirmos a uma
contestação progressiva, a um diálogo sincero sobre esses e tantos outros fatos
importantes em nossas sociedades, nunca compreenderemos que não é através da
força-pressão que conseguiremos algo, mas no embate de sabermos lidar com a
guerra das informações que se deve dar através de pensamentos mais robustos, e
práxis civilizatórias no modal urbano, como no aumento da consciência de cada
um, regado na raiz da questão e na fortaleza de quem possui coragem para uma
vereda que nem sempre possui estrelas...
domingo, 6 de novembro de 2016
UM DIÁLOGO PRIMEIRO
O
dia respirava um tempo morno. Elisa e Flávio estavam finalmente juntos e
íntimos. No caso, sempre estiveram de parceria saudável, nada que remontasse
rancores de especulação e nunca houvera um desencontro, pois partilhavam de uma
vida juntos, ao menos na amizade presencial, o que era raro no novo milênio já
atravessado por uma lâmina de aço de mais de década... Fazer o que, o mundo era
assim a ambos e se gostavam desse modo, o que não importava a classe, gênero ou
condição, ainda mais se a situação que dificultasse os unisse, por um saudável
combate no dia a dia que solidifica a relação companheira. A questão era essa,
não tanto a hedonista, a mítica, o ego que nos sobra sob crítica por vezes algo
sincera, mas que nos sobra tanto falsamente quanto ignorarmos o que realmente
somos no mundo. As questões espirituais de fala são fáceis, a enganação de que
somos altos ofuscam, pois é na vida pragmática e concreta que vemos quem é quem
em nosso entorno, e Elisa e Flávio estavam juntos há muito: de se olharem, de
trabalharem juntos, enfim, daquele amor que não se constrói com relações de
poder, com jogos ou ensaios, e nada seria passível de remover uma vida tão
justa e igual entre eles, como um homem e uma mulher gostam de se amar.
O
novo se tornara distante em seus repertórios, pois sempre, em cada respirar de
angústia, em cada inquietação, sempre haveria um ao outro um rebatimento das estrelas que igualmente em mesma magnitude residiam em ambos! Era já uma vida a
dois, uma relação consolidada, a única possível, predestinada e de fato. Não
havia mais apenas a atração física, mas a atração histórica, posto serem de boa
posição de caráter, ímpar entre tantos e tantos da sociedade, mas apenas mais
um casal que se dá bem em justeza de vida a dois, nessa mola que move
em consonância dois seres: no caso, um homem e uma mulher. Flávio estava
feliz, tremendamente feliz, ou obviamente realizado, posto em sua ardente
verdade, que na realidade sempre ardia por ela, ter permitido a um egoísmo que
por vezes nos alcança na vida e na inquietação desses novos tempos, um amor ao
seu lado, que era de si para ela, e no olhar da mulher, de fora para ele, generosamente,
como é o olhar da mulher.
Abria-se
espaço para um confortável diálogo nos seus encontros, e a face desse diálogo
participava da abertura sincera de sermos quem somos, de não haver máscaras, da
fraqueza ser compreendida tanto quanto a fortaleza, de ambos erguerem um ao
outro, da solidez de um encontro germinado em muito outrora e consolidado no
mesmo olhar cúmplice de um poeta com uma camponesa, de um artista com a musa,
de um ser com outro, de uma árvore e seus ventos com os pássaros, a bem dizer,
uma paixão que rescendia a flores, um carinho sólido em boa hora, um alimento
fecundo em uma vereda de luz! Seria simples demais, e a mulher era a terra, o
húmus, o mundo em sua mesma e feminina Natureza. Talvez um homem algo intruso,
mas que a Terra o permitisse, posto ainda semente algo de unir o fogo e a água,
a semântica e a tradução, o verbo com o Eu, o consonante, o dissonante, o
completo, o cosmos, e tudo o que nos relacionasse com seres humanos que possuem
o poder de viver harmonicamente, com o amor silencioso e por vezes inevitável
em nossas vidas, pois não há porque falar desse sentimento, já que brota da
mesma terra, feito alimento de nosso corpo.
Assim
seguiram, e o diálogo veio primeiro, viera a primavera, e deram-se as mãos
calejadas para si em ambos, se fazendo a comunhão necessária, a se permitirem,
que muitos olhassem para o amor entre duas pessoas como algo lindo, e a poesia
ressuscitava os seres que partilhavam do encontro inegavelmente concreto da
vida compartida. Sem as meias palavras, sem o método, sem a parafernália que
não seja a concernente a Deus, como um sino tibetano que anuncia um novo dia no
alvorecer do mundo!
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
UM RECURSO SEM SUCURSAL
Que se pontifica um grau de compreensão
no vértice do imaginário
É como algo que não saberemos mas no
entanto temos certa certeza
De fatos que ocorram dentro de nós
mesmos, estimulados em vida
Na vida que é e que nos pertence, mas as
respostas precisam de tempo...
A ver, que na suposição de um diálogo
encontramos um reflexo
Do que somos nas palavras, no que
ditamos em um breve olhar cruzado
Pelas chispas que não nos pertencem, a
cada pausa em que nossa luta
Por alguns se dispõem a que encontremos
pelo caminho uma flor de aço!
Qual mina terrestre em um campo de
trigos morenos no entardecer
Somos seduzidos ao mesmo tempo com a
semeadura, e em outro tempo
Por aqueles que no mesmo local
globalizado via satélite e suas armas
Pressupõem que às minas caberá segredo
de quem não saberia...
Não precisamos da covardia do mundo
inteiro em seus confortos de sofá
Quando sabemos que nem todos os estofos
casam com nossa inteligência,
Mesmo no pressuposto de estarmos em
inequívocos esforços por vezes,
Mesmo sabendo que no ignorar a um ser
esquecemo-nos dos espelhos rotos.
Espelhos e cristais, peças de estofaria,
semânticas nas cerâmicas, tudo
Nos espera enquanto objetos, e nossas
mãos se plugam nos botões
A negociar nossas sinapses que as
comandam, e que se evanesce no tempo
Quando comerciamos com pessoas o que
esperávamos da fama frouxa.
Carregamos um caudal de informações que
nos pulam nos olhos
Quando queremos que sejamos livres não
propriamente no que creem outros
Do que escrevemos, posto fetiche nas
mãos de um enfermo que não possui
Ou que possui o que escreve, assustando
com luz forte o fremir da noite!
Se passa que a arte não é propriamente a
coisa em si, a fábrica aos montes,
Se passa que teremos sempre na arte a
concordância com a expressão,
E não o significado de só podermos conhecê-la
não através de sua história,
Mas apenas na substância dos recursos
que paradoxalmente nos desviam...
Não existe poesia sincera com rancores e
nem orgulhos, o poeta assombra-se
Com a gigantesca felicidade em fluir um
criar que encontra seu reflexo
No que vai do além mar, posto que a musa
não mais se torna mulher,
Mas a de todas a maior, uma deusa de
muitos nomes que se chama Natureza...
Nela está a amplidão, dela recolhemos o
mar, pousam as embarcações,
Retraem-se macacos na floresta
preservada, descansam vales sobre os rios,
Enumeram-se inconscientemente aos índios
seus deuses pagãos,
Recrudescem as fúrias dos ventos em suas
horas de Deusa Irada...
O mundo é a sua própria forma de Gaya,
não da forma que gostaríamos agora
Posto a musa ainda proteger a poesia,
pois esta tem algum tempo ainda
E firma seu destino como recurso de um
método inexistente, pois ambos
Prosseguem em seu navio de tempo-espaço
na temática de Bertrand Russel...
Assim que não compliquemos a poesia
prosa dos ventos, que o poeta morre
A cada segundo, a cada minuto da
existência, e seu corpo muda com as pedras
Que por vezes encontra mudadas mesmo em
meio à latitude inumerável
Consorte ainda o mesmo com uma Natureza que
mutante igualmente a cada dia.
A poesia caminha com o mar, anda nas
selvas e seus labirintos, veste na manhã
Seus olhos d’água que choram para
alimentar seus veios serpentinos da floresta
Quando uma touça de bambu apenas balança
seus nós para acompanhar
Os pés do guri descalço que tateia as
folhas em seu rumo em busca do destino!
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
NÃO SE PAGA UM PREÇO DAQUILO QUE AMAMOS, POIS AMAR É VERBO GRATUITO, MAS PAGA-SE UM TROCO DE BONDADE ANTES DE PROSSEGUIRMOS QUIÇÁ DE ENCONTRAR UM AMOR MAIOR, POIS À BEIRA INSANA DE NOSSOS CONFLITOS INTERNOS SÓ ENCONTRAREMOS RELAÇÕES MEDIDAS E CASUAIS, IMPRÓPRIAS PARA AQUELES QUE JÁ ENCONTRARAM A SABEDORIA EM VIVER.
NOSSO CORPO É COMO UMA CIDADE, COM ENTRADAS E SAÍDAS... QUEM NÃO TRANSCENDE ESSA REALIDADE NÃO TERÁ AS FORÇAS NECESSÁRIAS PARA MUDAR O MUNDO PARA MELHOR, QUANDO SEMPRE É NECESSÁRIO NOS FIXARMOS NO MODO DA BONDADE, POIS ESTE É O ESTADO QUE NÃO DIVULGA GUERRAS E NEM BATE DE FRENTE COM A INTENÇÃO DE FERIR, POIS TODO AQUELE QUE FERE É CULPADO AOS OLHOS DE DEUS, E DE SEU AGENTE, O PODEROSO YAMARAJA.
COLUNAS REMONTÁVEIS
Abre-se a mão ao desfecho, destes
inumeráveis em que suporte um
No que não suportam muitos, mas que
suportarão ao grão de arroz
Quando se aperceberem que burlam a
carestia do se comer
Em que o alimento concreto não é o
plugar-se a algo, mas de alimento...
Uma rosa perspicaz engana um pássaro se
abrindo em pétalas rubras
Quando ao lado pesponta um pequeno botão
de sua índole crua
Ao ver-se que na predação
consubstanciada em meio à Natureza
O diálogo contemporâneo assaz frequente
ignora quaisquer movimentos.
Erguem-se colunas anônimas que jamais
serão descobertas na visão
Daquilo que não se vê em um pixel, posto
este ser um único tom e cor,
Em que todas as cores residem por outros
canais não canalizados
No gargalo de geometria do
quanta-espaço, no quanto que é, a mais de dito!
A poiésis
vem forte, e a prática dos livros se impõem no social que nos deem
Quando nos aperceberemos que os
professores apenas ditarão aos alunos
As linhas que na sua profana lei contra
a tirania são lidas com a liberdade
Do curioso do ser humano consciente na
sua busca inequívoca ao saber...
E outras colunas se formam, e
horizontalizam o espaço das vigas e tijolos
Quando apenas uma formiga cresce em suas
caminhadas a avisar a outras
Que há sede na superfície nua do
conhecimento e suas superfícies
Nas formações sociais cada vez mais
consolidadas em pátrias soberanas!
Apáticos, seguem fragmentos do não ser
que se estabelecem em outros
De outros quesitos que não residem nas
questões pragmáticas e concludentes
Quando nos apercebemos que se um tijolo
falta na construção inegável
Outras mãos nos apercebem mais fortes
quando concretamos vazios...
E forma-se a linearidade entre as
colunatas dóricas, entre os papiros leves,
Entre encontrarmos luzes dentro da
sílica, no mais das vezes expirando ondas
Imantadas com a sobriedade de alguns
poetas que sobrevêm no olhar
Ao nada que não falam, mas dizem algo ao
mesmo nada para ver brotar a flor!
E o ilógico de personagens urticons que não há de saber posto
inexistentes,
Dão margem a que imaginemos dentro de
uma realidade cabal de pensadores
Que o seremos sempre, e que as nossas
mãos fluam dentro de nossas penas
Que um pássaro deixou cair quando se
debateu no vento morno das tempestades.
A sabermos, a tecermos odes aos
engenheiros que erguem construções
Seria uma honra que acompanhassem dentro
de seus cálculos sólidos e belos
Que é nas derivadas que se integram os
números, e que nunca há em uma linha
Apenas a conclusão de um significado
maior do que a solidez de um edifício!
A se pregar do prego um martelo, este
com a mão obreira da habilidade,
Sabemos que o seu som vem de longe, do
ferro com ferro, deste com cimento,
Um andaime conquistado, um ser que come
do feijão e dorme com a companheira
No doce calor de um leito breve e
consonante do que é viver em respeito...
Em todas essas inumeráveis obras da
vida, Krsna olha com o olhar de fogo,
Um fogo plasma que constrói a olaria de
todos, e que erguerá sempre outra coluna
E outra e mais outra, pois quando
precisamos saber que largamos uma estrutura
A Natureza já fez crescer com toda a
generosidade infinita todo o nosso material!
terça-feira, 1 de novembro de 2016
UM OLHAR À NATUREZA
Quiçá
triste é vermos que não vimos a Natureza... Mas Ela está presente sempre, em
nossas veias, na matéria do concreto, no seio das águas, pois nunca seremos os
mesmos quando acharmos que Dela não fazemos parte. Passa-se em nossa cabeça
tudo da virtualidade, toda a genética de um sistema, tudo aparentemente
mapeado, mas não há mapa nem registros naquela onda solitária que se transforma
em milhares, e vem salpicar os barcos pequenos com as marolas, ou irromper em
um casco de grande calado em suas vagas oceânicas. A onda não é uma, a onda por
vezes é uma amplitude, por outras resultado de verdadeiros abalos, e não é
empírica e nem virtual, posto não querermos alcança-la em sua plenitude, filha
de sua mãe, a própria Natureza. Quem dera soubéssemos da força Desta, quem dera
A partilhássemos com todos, mesmo os incautos, mesmo os de sobrecasaca tecnologicistas. Falaremos da natureza
em minúsculas, posto agora veremos um inseto que galga rente às folhas de um
arbusto, sob uma câmera oculta multicores em HD e em grande profusão de
detalhes, mas que não abraça a sombra onde está o ser. O ser de onde somos o
inseto, o ser que somos vida e não objetos, a câmera humana que não há, a
imagem que não controla o infinito da finitude consciente... Esse é um leve
olhar, e não é um olhar de varredura, não abarca nenhuma área, e sua profundidade
de campo é maior do que todas as produções cinematográficas, posto fato,
circunstância, realidade e Verdade! Que possa a poesia abraçar um pouco,
talvez, mas que seja, a poesia é linda como a vida da arte em que alguns ainda
acreditam que exista na ciência de nossos espíritos.
Algo
de olhar nos olhe, mas que não necessariamente possuamos todas as lentes, posto
a mosca ser multifocal em sua geodésica íris em sua permanente visão de quase
trezentos graus de alcance. Um grande olhar da águia: que a águia não é um
símbolo de poucos, apenas um animal a mais, nem superior nem inferior, mesmo em
sua magnitude imperial, a um lambari de lago. Posto não possuir ego, pensa
distintamente, em seu voo, e é rápida, não como o mergulho do falcão peregrino,
mas como um lambari dos ares, se arredondarmos os meios em que se encontrem.
Que o olhar da natureza nos olhe, por nós, abusada espécie desavergonhada,
espécie de si mesma desavergonhada... A crítica serve a que nos tornemos mais
humildes, pois a lesma está sabendo muito de vida e, lenta, já está percorrendo
por sua consciência mais do que o homem. Hominis
vici, vindi, hommus perdue! Perdoem a conversa errada, mas a paz é
sobremaneira importante, e fazer uso de um latim algo saudosista de fato
ausente é um brincante algo a se permitir de uma cidadania um-pensante... Um de
vigília, quem dera, mas há conformações médicas, e precisamos da medicina
social para sabermos o diagnóstico de nossos erros, e pensar em medicina
brasileira seria muito salutar! Não queiramos correr aos negócios, apenas se
negociar de forma saudável gere melhores condições a todos. Como um fato: o
tratamento da água, o saneamento dos dejetos, e a busca fremente de outros
recursos energéticos. Creio que é chover no molhado, pois quando falamos de
negócios nos vem à cabeça o ganhar-se, e para ganharmos temos que competir, e
para competirmos temos que igualmente perder, e se perdermos muito, não há
contemplações maiores para um looser.
Usarmos de uma lógica de predadores em seus quintais ou zoos que os estudem
para aplicar nos sistemas compartilhados na imensa globalização microexistencial no mínimo é sabermos
que sem neologismos não poderemos defender com exclusividade onde residem os
erros infelizmente já diagnosticados, mas como doenças degenerativas, ou
cânceres de genoma – auto explicativos. Poderia se dizer algo de derivado, um
derivativo, mas as pessoas não os podem compreender, quanto menos diletantes
autores.
Passemos
por olhar melhor a natureza, esta, em capitular maior ou não em seu sincrético
tipográfico. Justo que não haja hierarquias verbais, pois o que demanda ao
poder será melhor se houver a sabedoria de não hierarquizar o pensamento, já
que este, quando conectado ao planeta, se distancie, por graça, do que seja
melhor ou pior, do maniqueísmo imposto, das feras em suas guerras: declaradas e
concretas, ou inibidas por rancores isolados ou coletivos... Partir-se para uma
luta insana já faz parte de uma cartilha desconexa, e o social felizmente já é
tão importante quanto o afeto de um ser humano a um bicho, já que a consagração
do amor está se tornando rara como encontrar um casamento autêntico, ou pessoas
que não se achem mitos ou super-heróis. Um problema importante em nossa
sociedade é vermos que existe um ator social que prediz ao sistema econômico de
muitos lugares que a arte não existe mais, que o que há é o design, que o
surrealismo já é obra do passado, e que o realismo do horror, espionagem e da
guerra é o que nos resta como manifestação do cinema de nossos tempos.
Repetirmos
nosso olhar à natureza, à arte e à contemplação. Essa é uma das vias de paz
interior. Mas preservar torna-se o sentido da vida, já que qualquer tipo de
combate ou luta em nossos tempos tem se revelado de forma a mais vil possível,
quando se trata de utilizar as comunicações e informações em paralelo com
regimes totalitários que devemos prescrever que jamais nos alcancem. Essa é a
síntese, o teor da questão. Viva quem contemple a paz, pois qualquer guerra é,
como uma música andina fala, um monstro grande que pisa forte toda a inocência
das gentes...
sábado, 29 de outubro de 2016
A TRANSPARÊNCIA É REATIVA
Falávamos
em outros tempos da privacidade, esta que seria em tese protegida legalmente,
em virtude dos Direitos Humanos Internacionais. A discorrer sobre a tese da
mesma privacidade ainda necessária, temos por aqui e em todas as partes onde a
mídia digital alcance, desde que os gargalos não sejam controlados, a exposição
do que faz o cidadão diariamente, seu pensamento, seu engajamento em quaisquer
posições e ações, suas preferências culturais e, principalmente, a rede de
amigos, conhecidos, grupos ou em outras palavras seus contatos de amizade, de
política, de trabalho, etc. Ou seja, estamos alimentando – com nossos diálogos
de dados – um feed back que vem como
resultado ao objeto-gente, e não recebemos nada que nos seja dado do sistema,
posto o observador maior apenas nos coloca o sistema à disposição, e quem
dispõe realmente dos nossos dados são aqueles que fatalmente estudaram mais a
fundo a ciência da computação, quando por vezes somos espionados,
principalmente se pertencemos a grupos que apoiem justamente a contestação do status quo do planeta, e os interesses
geopolíticos dele decorrentes. Passa a não ser mais uma questão de posição
política, esquerda, direita, mas dos filtros impostos economicamente se a
investigação por empresas procede – isso é fato – para se admitirem novos
quadros em trabalho. Além disso, entre empresas há uma competição baseada em
informações em que, na ótica macroeconômica, governos que detém esses sistemas
em vantagens espionam empresas de países como o Brasil, no exemplo claro dos
EUA em relação a empresas estatais brasileiras. Certamente, as administrações
que se sucedem em nosso país alternam poderes daqueles mais nacionalistas e
patriotas e daqueles que primam por entregar as nossas riquezas e abrir para o
grande capital internacional a economia fragilizada de nosso imenso Brasil. Não
adianta vermos maiores luzes em países desenvolvidos e assumirmos a postura de
que somos inferiores por termos bolsões de miséria ou favelizações, quando
defendemos a extrema desigualdade, alicerçando nossas riquezas pessoais ou
corporativas ao capital externo.
Na
ingerência de agências de inteligência como a CIA, que predominam no território
latino americano, as coisas estão sucedendo como uma transcrição simples através
de bancos de dados inteligentes, integralização de perfis e câmeras urbanas com
cenas gravadas, ou micro objetos (pessoas) que, mesmo talvez de modo ingênuo,
estão fornecendo quase on line, gravações, imagens e filmes, não apenas no
espaço externo – este sempre mais amplo como forma de liberdade consignado pela
Natureza – como igualmente nos lares onde esses celulares estão presentes como
objetos de vida quase própria, gadgets inteligentemente servindo ao propósito
da ingerência de seus idealizadores.
Em outras
palavras, quando dizemos um fato, é justamente o que ocorre em um país que
agora é lancetado na proposta anterior de continuidade democrática e
nacionalista, quando previa que poderíamos, isto sim, desenvolver nossos
próprios sistemas sem depender de toda essa instrumentalização externa, já que
possuímos ampla capacidade de profissionais. Convenhamos, ser conivente com
agentes externos em uma hierarquia apátrida só confere a nossos próprios atores
da vida deste imenso e promissor país uma imagem que nos nulifica e nos
entristece como nação que sempre poderá se tornar independente e desenvolver
seu próprio modal de atuação. Posto a crença de inumeráveis pessoas em um único
livro como meta, seja religioso ou ideológico, põe por terra a nova luta de
classes que se processa no âmbito de uma sociedade de informações, com a
parafernália tecnológica cada vez mais corriqueira, mas estacionária em
limitações que o sistema que nela se apoia integralmente não expõe, como o fato
de imagens serem limitadas, e muitas informações são processadas em processos
lineares como a natureza das rotinas de linguagens de programação. Pois sim, o
que ocorre é que recebemos o feedback do homem-objeto, conquanto algo em termos
genericamente informacional, e a presença in lócus no tocar, no planger, no se
abraçar de modo sistêmico, no afeto ensaiado, na energia amorfa de um encontro
quase sempre decepcionante, a não ser que estejamos profundamente vinculados a
toda a ilusão da parafernália referida. Isso diferencia-se do
homem-trabalho-rua-casas, que está vivenciando as pedras da rua, ou o
homem-camponês, que gera o alimento, sustentando o provisionamento necessário,
ambos dando continuidade ao Lavoro,
ao Trabalho mais sustentável enquanto realidade, mas ainda assim vinculado ao
caudal das TVs abertas ou fechadas.
A aproximação
das tecnologias se dá quando estas começam a entrar em um processo em que
aqueles que gerenciam de fora perdem o fio que une tudo, e se dão conta de que
o fio se rompera em algum lugar do caminho, quiçá por erros cometidos atrás,
dentro de um processo histórico de civilização onde o messiânico fim dos tempos
assusta um contingenciamento reflexo dentro dos mesmos países que deflagraram
estranhos estopins que de preferência inequívoca jamais deveriam ter sido
acesos. Esse processo civilizatório caminha não apenas com os seres humanos
portadores de sua “ilustre” massa encefálica, mas é o viés em que – saibamos –
deixamos claro no colo da Verdade em que no século XXI os que detém mais poder
do que outros (belicamente, bem entendido), não são donos do território de
ninguém, ou seja, um país não é dono de outro. Nem de suas riquezas minerais e
naturais, muito menos de seus homens! Essa é apenas uma declaração do respeito
que os países devem ter em relação com outros, e que nem todas as preparações,
nem todos os fantoches, nem todas as manobras de usurpar poderes e colocar
outros darão certo no mundo, pois este já está minorando a importância de atos
que colocam a espécie em xeque evolutivo pois, se há uma revolução ao nosso
lado, o ser humano já é apenas um mero partícipe, apesar de sua extensa e
muitas vezes inútil parafernália tecnológica.
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
UMA LEVE HISTÓRIA
Pois
sim, que uma história pudesse ser contada sem qualquer refrão, sem repetirmos
quaisquer gestos, a não ser aqueles que são ou signifiquem... Mas esse problema
de ser shakespeariano seria tão fantástico a não caber tanto no próprio
significado. Vai que a história não possua foco, que seja mais uma linha de
palavras seguidas por outra e outra, preenchendo de quase pensamentos algo que
possa valer talvez para um estudo aprofundado nas questões cerebrais, apenas!
Quem dera que esse campo de atuação fosse amplo, mas será melhor sabermos que o
cérebro encerra quase um infinito de mistérios. Pois quando estamos em
atividades, quiçá não haja precisão de que tenhamos que analisar sempre as
atividades cerebrais, nem mesmo em consideração aos anos tecnológicos da
atualidade...
Um encontro com
forças espirituais não é propriamente um jargão usual, ou de profundidades
previsíveis, mas é justamente o Mistério que nos alcance, já que possuímos no
nosso continente uma cultura mesclada, indígena, negra, europeia, oriental,
enfim, somos muitos e todos, e tudo permeado por fusão e mesclas culturais que
nos permita a razão a que se dê ao misticismo um lugar de importância, pois este
já faz parte de nossas vidas, com a ligação importante – quando se é de perfil
de alguns, por escolha – entre o homem e a divindade. Nisso toca-se
profundamente o mistério do Espírito Santo, a sua comunhão com o Pai, e o Filho
que se descobre comungando através da relação quase cósmica em sua eternidade
igualmente com o Pai. Isso de Natureza, que a parte feminina, a mãe, a Terra, o
nosso planeta: Gaya... Haveremos de saber que somos parte, o côncavo e o
convexo, a intromissão e a proteção, o átomo e o Universo, a comunhão e a
diáspora, o conflito e a Paz. Enfim, um diálogo, pois se não o soubermos desse
modo abrimos espaço para uma visão tão dogmática que exclui o indivíduo com tal
religião, o ateu, o árabe como etnia, o judeu como diferente, o gênero e seus
preconceitos, o comportamento, enfim, do que se dita, no que dista a referirem
ao perfil da insanidade mental, que abraça todos as latitudes em seus rótulos:
gêneros, etnias, religião, ideologia, pensamento, em um reducionismo que
atravessa todas as fronteiras e isola o enfermo aquém de todos os processos
previstos no direitos universais humanos, na gigantesca e determinista questão
genética...
O que se quer é
a paz. Paz agigantada. Paz em uníssono, maior do que a paz de espírito
individual, ou a logicamente rudimentar paz produtivamente positiva
coletivizada. Desse coletivo, o rudimento é que haja o diálogo. Um embate é
justo, o negativo igualmente é justo. Sabermos lidar com situações de stress
emocional ou afetivo é termos consciência de que a que ponto somos
influenciados por coisas plasmadas em ilusão, pois quando muito imersos nesta o
encontro e ubiquação com a realidade pode ser traumático, ainda mais quando
temos em nosso entorno pessoas que inconscientemente são agentes observadores
de nossos comportamentos na previsibilidade de nossas atitudes ao seu ver
concomitantes, em uma lógica de massa competitiva pela indústria cultural que
nos treina a ver desse modo desde a infância da civilização contemporânea.
Seremos mais inteligentes agindo dessa forma? Será que essas linhas que traço
não incluem alguma rota aproveitável em singelas existências de aço escovado em
seus treinos? O melhor é melhorar, isso é indelével, é tinta sobre o papel. O
significado hoje teima em debandar para respostas cada vez mais prontas e, o
que é pior, apreendidas nas lições de novelas caseiras, repetidas pela mesma
repetência, seja afetiva e dramática, ou afetiva e dramática bíblica. A questão
é que nos apercebamos da realidade, de como é reprogramada a noção que dela
temos, e que saibamos que nada programado mostra a sua profundidade de
percepção, se nosso canais se fecham e abrem para aqueles que outros usam para
nos definir... O que está em jogo não são as réplicas ou tréplicas, mas a
impossibilidade de um diálogo nas massas mais ignorantes, nisso incluso
reticentes classes que bebem da mídia televisiva ou virtual, pois nada se toca,
nada das imagens geradas, não temos o poder de dar replay em nossa percepção,
pois por mais que repitamos a cena apenas aprofundaremos mais a superfície em
detalhes de frequência ondulatória que só aumenta a frequência mas não a
amplitude dos sinais das ondas que nos afetem.
A teoria das
cordas só existe para quem fez pós graduação em física e conhece a matemática,
não apenas newtoniana a fundo, como a abordagem filosófica da relatividade de
Einstein. Não será essa a profundidade que irá nos saciar, pois basta que
simplifiquemos melhor a cadeia produtiva da mídia de massa, para que
encontremos nas mídias digitais e seus gadgets inseridos profundamente na
indústria cultural a releitura do que vem a ser a relação do sapiens com ele
mesmo: do ser produtivo com relação ao seu próprio corpo, do que imanta seu
espírito, da relação onde não precisamos mais treinar para sermos melhores do
que outros, pois isso só é irmanamente justo quando as oportunidades na
sociedade se tornem mais igualitárias. Nunca se deixa um filho com maus bocados
e se dá apenas a iguaria a outro. Espelhemo-nos em nossas famílias, já que
queremos que toda a nossa prole estude, se realize e atinja os objetivos, e o
mais factível é que os pais disponibilizem seu afeto e seus recursos igualmente
para cada um dos seus filhos. As escolas são filhas da sociedade, sendo que as
universidades são mais velhas um pouco e demandam roupas um pouco mais caras,
um pouco maiores... Não há porque termos uma escola para pobres e outra para
ricos, posto não existir um filho menor mais pobre e outro menor mais rico,
dentro de uma mesma família. A compreensão do exposto reza que só teremos
condições de ler um livro de teologia se houvermos estudado bem para tal, ou
seja, não é o caminho de um ser que o capacitará em uma escola ignorante ou
parca de recursos, mas sim uma boa escola que capacitará a que o ser encontre o
bom e justo caminho. É uma questão tão óbvia que até mesmo as vestais do que
supõem conhecer saberão, pois teoricamente tiveram recursos para crescer. Esta
não é uma questão jurídica, longe disso, pois ninguém por cá pretende ser um
gênio como Napoleão. Pelo contrário, pois se continuarem a fazer – sem nossa
luta – o que estão fazendo com a educação de nosso país, muitos Napoleões
retintos desfilarão pelas avenidas do nosso carnaval, parafraseando um poeta
que diz que sempre os negros e os loucos sofrem o preconceito daqueles “sanos”
branquelos de casaca que estão no poder de nossa República!
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
NÃO HÁ POR QUE TEMER QUANDO FALAMOS EM SOCIALISMO, POSTO TODOS SABERMOS QUE UM GOVERNO QUE FAZ MAIS PARA O SOCIAL DENTRO DE UM REGIME DEMOCRÁTICO É ALGO QUE DAQUELE SE APROXIMA EM UM DIÁLOGO SAUDÁVEL, E SAIBAMOS QUE ESSE É UM CAMINHO PARA SE VENCER BRUTAIS CARESTIAS DO POVO: APENAS UMA QUESTÃO DE SIGNIFICAÇÃO QUE UMA PALAVRA NÃO PODE TRADUZIR TUDO.
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