sexta-feira, 15 de novembro de 2024
OS SONHOS E SUA REPRESENTAÇÃO SIMBÓLICA
Obviamente, a leitura mais aprofundada de Jung em seu “O Homem e Seus Símbolos” ou no livro “A Interpretação dos Sonhos” de Freud dará mais consistência e conhecimento a qualquer aluno que queira ingressar no universo tão vasto dos símbolos manifestos do sonho. Na visão da interpretação freudiana dos sonhos, os mesmos se dão na fase manifesta, quando a pessoa acorda e se lembra do sonho, se dispõe a anotar rapidamente em um papel, pois geralmente nos esquecemos logo depois dele, e leva ao analista para ser elaborado, através da análise simbólica, das contradições, da dramaticidade, para alcançar um significado mais concreto, no que vem a ser a questão da latência, a fase latente do sonho. O paciente tem que se lembrar ou ser induzido a se lembrar dos fragmentos do sonho, a associar coisas a ele, pois o significado muito difere da questão manifesta, no mais das vezes, em um trabalho onde a experiência do terapeuta muito contribui, em sua vivência enquanto profissional, da justa interpretação do sonho de per si. Há processos como a dramatização, condensação, o deslocamento, que são meios em que o paciente expressa de várias formas o que sonhou, no que o analista infere ter o material necessário para a elaboração da etapa da fase latente, ou seja, o significado do sonho, o que está no inconsciente do analisando, que pode vir de fases infantis, ou mesmo de impressões de um dia ou semana.
A abordagem junguiana já fala sobre arquétipos, símbolos que a humanidade carrega e tem em comum em cada indivíduo, ou seja, que certos sonhos possuem a simbologia comum não apenas em sociedades civilizadas, bem como naquelas primitivas, ou tribais. A cruz, por exemplo, seria um símbolo mais profundo e antigo do que apenas o que se encontra no mundo cristão, assim como outros arquétipos, apontando na necessidade de se ter a visão do sonho, os símbolos, as cores, sentimentos e vários elementos que formariam a matéria do sonho como um todo, no que se chamaria de Inconsciente Coletivo.
Muitas vezes o termo sonhar é empregado como algo de desejar, querer uma coisa: sonhar em ser rico, sonhar com uma vida amorosa, posto o sonho como “desejo” é sonhado também na vigília por muitos. Algumas pessoas projetam suas visões de mundo, suas metas em relação a algo ou alguém, usam de artifícios vários, muitas vezes se frustram redondamente, sofrem por vezes traumas, e fatalmente o resultado é que o recalque transporta material reprimido ao inconsciente. E, paradoxalmente, na forma de um sonho real, ou seja, aquele sonhado durante o sono, é que vão aparecer os ruídos que tanta neurose pode causar no homem ou na mulher, quando nas mãos de um analista, profissional indicado para tratar dessa mesma neurose causada por vários e vários fatores quaisquer… A pulsão sexual é um desses fatores, onde se contrapõe a pulsão de vida, ou seja, uma defesa do ego de se manter viva a espécie, quando muitas vezes o id se manifesta com desejos que porventura temos que reprimir, para nos mantermos vivos em sociedade. Lacan cita casos em que por vezes uma mulher independente financeiramente tem relações com um facínora, e nada faz para evitar, pois encontraria na pulsão de morte, outra vertente dos impulsos do id, um gozo, um risco que a satisfaz, um desejo de estar próxima da morte, ou “levitando” em torno do perigo. Dessa pulsão de morte, há a pulsão da vida, onde a mulher estaria mais satisfeita em estar com um homem íntegro, cordato e gentil, ao invés de um criminoso.
Viver um sonho na realidade é por vezes viver em uma ilusão sem tamanho, e trazer o onirismo na plataforma de uma vigília, onde muitas vezes se excede o aspecto da citada realidade para uma “viagem ruim”. A avidez com que certas pulsões se manifestam na sociedade contemporânea apenas expõem problemas que com o tempo vão se manifestar no divã de um analista, com seus recorrentes traumas individuais, não apensa no cerne de um grupo, uma coletividade, mas na vivência individual de cada ser humano. Quando o sonho se mistura com a realidade, quando o inconsciente brota de tal forma que o indivíduo passa a não ter controle sobre seus instintos mais básicos, o sonho passa a não ser mais propriamente o meio mais indicado para se ter um diagnóstico algo preciso do paciente, podendo a dar nos costados da medicina psiquiátrica a realidade dos problemas inerentes ao ser como um todo.
Jung pensava na arte como manifestação quase onírica de um paciente que necessitasse de atenção psicossocial, e na religião como necessidade atávica do ser, subentendendo-se a espiritualidade como um todo, e não necessariamente o dogma religioso. A partir da leitura dos textos de Jung, quiçá se tenha uma aproximação mais profunda do que vem a ser a Natureza dos símbolos na humanidade, como funciona a Psicologia Analítica junguiana e sua abordagem, posto na questão dos sonhos há fases da história, inclusive em passagens da Bíblia, em que muitos se fizeram do ato de sonhar um verdadeiro oráculo para profetizar passagens da vida, e prever coisas do futuro, dando-se de fato a veracidade de tais feitos.
No entanto, Freud se notabiliza historicamente por ser o primeiro a compreender cientificamente a importância dos sonhos no diagnóstico da mente humana, a desvendar segredos ocultos no inconsciente, e a mapear, através de sua interpretação e método, o universo da psique. Os estudiosos e teóricos que vieram depois ou concomitantemente em seus estudos apenas ampliaram os leques dessa descoberta extraordinária, como Jung, Lacan, Bion, entre outros… Por isso o sono é tão importante para a saúde mental de qualquer ser humano, pois faz com que sonhemos e externemos internamente a nossa psique e seu estado para que se faça passar qualquer ruído que pioraria alguma situação mental, porventura, na forma de se brotar do inconsciente desejos que antes eram reprimidos ou recalcados, em síntese, ou em um dos aspectos citados...
Uma definição muito simples de sonho manifesto é: as imagens do sonho tal como são recordadas ao despertar. Altman aponta como o aspecto mais atraente do sonho manifesto a sua indiferença pela racionalidade, pela lógica e pela coerência. Ele explica sua opinião afirmando que no sonho manifesto a agressão e a violência física se tornam indistintas da paixão erótica, o prazer se funde com a dor, a atração com a repugnância, o horror com o fascínio e a condenação com a aprovação.
Podemos sintetizar a teoria psicanalítica dos sonhos da seguinte maneira: a experiência subjetiva que aparece na consciência durante o sono e que, após o despertar, chamamos de sonho é, apenas, o resultado final de uma atividade mental inconsciente durante este processo fisiológico que, por sua natureza ou intensidade, ameaça interferir com o próprio sono. Chama-se sonho manifesto a experiência consciente, durante o sono, que a pessoa pode ou não recordar depois de despertar. Seus vários elementos são designados como conteúdo manifesto do sonho. Os pensamentos e desejos inconscientes que ameaçam acordar a pessoa são denominados conteúdo latente do sonho. As operações mentais inconscientes por meio das quais o conteúdo latente do sonho se transforma em sonho manifesto, chamamos de elaboração do sonho. FREUD.
O conteúdo onírico é de suma importância para a compreensão do inconsciente de quem o produz. Por isso a Psicanálise vê com tanta atenção este produto da mente, que é o sonho. Gastão Pereira da Silva define o sonho de uma forma que bem demonstra sua relevância. Uma função psíquica encarregada de compensar, de suavizar, de substituir, mesmo, uma realidade que nos é hostil, por outra, totalmente diferente, onde um novo mundo se descortina diante da alma e onde todas as nossas ações parecem absurdas, justamente porque as mais censuráveis, na sociedade em que vivemos, gozam, enquanto dormimos, de uma espécie de liberdade condicional, quando se expandem nos sonhos.
Enquanto a pulsão sexual impeliria o sujeito a se reproduzir, a pulsão de autoconservação impeliria o sujeito a se proteger, a se defender, a manter a própria vida. Portanto, o princípio do prazer expresso pela pulsão sexual se contrapõe à pulsão de autoconservação, à pulsão do eu. Como o que não é o eu, neste começo da psicanálise, é o inconsciente, o inconsciente é representado pelo princípio do prazer. FREUD.
O CAULE E O FRUTO
Vértice de tronco
Inominável
entre botânicas procedurais
Mesmo que não soubéssemos da real
medida
Das raízes de uma terra negra e seu húmus
A algo
de suprir de nutrição o que é de fato.
E o gesto apanha
o fruto, o caule meio que verga, verde,
Não solapa
contratempos, não enfraquece no entanto sua fixação
Porquanto
a região é um simples jardim de uma casa
Meio sobrado, meio
fortaleza, meio arquitetura de empreitada
Mesmo que à mão o
obreiro encontrara certos calos na obra.
O viés da planta
não evanesce no tempo, cada tempo a cada uma planta
Na planta de um edifício que se cogita na rua, a especulação dos
imóveis
Porquanto as garagens de outros edifícios quase
circulares
Seriam encontrados
no distrito, quem sabe para novos moradores
Ou os antigos que
vêm para conhecer as gentes novas do sempre...
quinta-feira, 14 de novembro de 2024
A AMÉRICA DO SUL COMO UM TODO DEVERÁ SEMPRE ESTAR PRONTA PARA SALVAGUARDAR SUAS DEMOCRACIAS, E PARA ISSO DEVE REUNIR FORÇAS PARA DERROTAR O INIMIGO, CASO SE PRONUNCIE, POSTO NÃO PODEMOS MAIS TERGIVERSAR COM REGIMES MILITARES EM NENHUM LUGAR DO NOSSO PLANETA, SOB A PENA DE GUERRAS CRUENTAS E NECESSÁRIAS.
O MESTRE ESPIRITUAL DEVE SER HONRADO TANTO QUANTO O SENHOR SUPREMO POR SER ELE O SERVO MAIS ÍNTIMO DO SENHOR. ISTO É RECONHECIDO POR TODAS AS ESCRITURAS REVELADAS E É SEGUIDO POR TODAS AS AUTORIDADES. DEVIDO A ISSO, OFEREÇO MINHAS RESPEITOSAS REVERÊNCIAS AOS PÉS DE LÓTUS DE MEU MESTRE ESPIRITUAL, QUE É UM REPRESENTANTE FIDEDIGNO DO SENHOR KRSNA. gurv-astaka 7.
NO DECORRER DA HISTÓRIA, VÁRIOS DOS GRANDES TRABALHOS DE ARTE, ARQUITETURA E LITERATURA FORAM FEITOS POR CRENTES RELIGIOSOS. SUAS CRENÇAS NÃO OS FIZERAM REJEITAR TUDO DESTE MUNDO POR DEUS, MAS OS INSPIRARAM A FAZEREM COISAS MARAVILHOSAS NESTE MUNDO PARA GLORIFICAR A DEUS. MILHÕES DE PESSOAS TÊM SIDO MOTIVADAS POR SUAS CRENÇAS RELIGIOSAS A ATOS DE CARIDADE E COMPAIXÃO. o sagrado e a existência humana.
E HAVIA ESSA PERGUNTA ANEXA: O QUE NÓS FAZEMOS NO PARAÍSO? O QUE TORNAVA TAL LUGAR DESEJÁVEL? ACERCA DESSE TÓPICO, RECEBI VARIADAS RESPOSTAS, E A IMAGEM DOMINANTE DO REINO DE DEUS QUE RETIVE EM MEU IMAGINÁRIO DA INFÂNCIA É DE UMA ESPÉCIE DE PERPÉTUO DOMINGO SUBURBANO QUE PASSAMOS NO PÁTIO DOS FUNDOS DE UMA CASA EM UMA INTERMINÁVEL REUNIÃO DE FAMÍLIA COM PARENTES PIEDOSOS RESSUSCITADOS, ENQUANTO JESUS VAGA EM VESTES BRANCAS DE CASA EM CASA AO LONGO DOS QUINTAIS DE FUNDO. EU NÃO CONSIDERAVA ESTE UM PROSPECTO PARTICULARMENTE ATRATIVO PARA A ETERNIDADE. o sagrado e a existência humana.
OS SONS DE DURGA
Durga, que ensombras
as questões mais perenes
Do que o tanto de ver em tuas armas as
serpentes decepadas
E o clarão no fulgor de teus olhos
certeiros
Qual clamor no sonho de seu consorte em Rudra o não
irado fel
Porquanto do controle em saber que na maça de um
demônio
Existe o retumbante fracasso através da ação de teus múltiplos braços
exatos, óh Deusa!
A INQUIETAÇÃO E SUAS LATITUDES HUMANAS
Não seria tão fácil afirmar que estaríamos mais seguros em meio às ilusões do que compreendemos como fato ou circunstância de nossa vivência a respeito do nosso entorno. Naquilo do que seja o que acreditamos proibitivo, o tentar-se algo, a luta do trabalhador, a esfera de não se estar absolutamente certo de algo… Quem sabe se o regaço no colo de uma companheira não fosse algo quiçá possível, mas de fato por vezes não se tem sequer a esperança de ocorrer semelhante virtude, de se ter a aproximação da projeção da amorosidade tão gratuita quanto a palavra, quando a palavra amorosidade vira refrão de um negócio. Os desencontros, o afeto comprado, bah, quantas quimeras, aquilo que gostaríamos, o que temos projetado como ideal de vida, mas o que se nos pega e à humanidade é a pulsão do desejo, a solitária forma do desprazer, a busca hedonista, a compra daquilo que seja o objeto de algo, as estranhas formas de poder, o que já não seria mais tão simples de se viver.
Pode ser por vezes que a melancolia invada, qual usurpadora de nossos mais secretos sonhos, pode ser que a frieza de uma estrutura nos guie de tal forma a testar nossos nervos mais íntimos, quiçá possa ser a vida algo maior do que uma mera circunstância do acaso. Eivados de inquietações profundas, aquela impressão que tínhamos de infâncias perdidas no encontro do que fora o primeiro encontro, as reminiscências do bem-querer, o que querem seja uma catarse, uma brincadeirinha adulta de fórceps na alocução tão crível de uma brutalidade do mundo contemporâneo, a culpa, tudo o que encerre aquela vingança de outros por outros, a representação dos interesses, a missão das agências que se dizem inteligentes, enfim, será que tudo seria mesmo um “processo”? Por que não flutuarmos sobre essas inquietações, ou entrarmos dentro dessas estruturas processuais, mesmo que porventura fizéssemos meros exercícios de lógica, quiçá não fosse tão suficiente, tais quimeras, mas a coisa fica mais evidente quando abraçada por esse viés, na visão quase dantesca da necessidade que o homem tem de racionalizar até mesmo a respiração na sua fisiologia…
Uma pedra será encontrada esta manhã quando um homem acordar, aliás. Será “a sua” realidade, nua e crua, dizendo melhor, linda realidade… Porventura um pássaro pouse na sua via ápia, quiçá pouse à procura de um alpiste que um vizinho atire para eles, os pássaros e, graças a Deus, eles estarão lá, a vida pulsará ao olhar do homem e sua harmônica que comprara, a bom grado, com a gana de tocar para a eternidade. Ao menos no ato sincero de um amigo que gostava de escutar e perguntava pela música, já o homem não se encontra entre nós… Paciência, não é verdade, camaradas, que a vida é tão efêmera que o andarilho não seja tão gente, mesmo ao olhar das estruturas? Porventura, é a melancolia, mesclada ao sonho de se estar vivendo, um dia mais solitário, as gentes se sucedendo, o fascismo ganhando dias e dias seus territórios, a direita e seus extremos fazendo de seus ares, as gentes muito felizes por ter ganho a presidência o grande racista do Norte! Acontece que a democracia seja assim mesmo, mas não pensem aqueles que um país, por maior que seja e com o poder de homens como o tal de Musk, com sua técnica de não sei mais o que de tecnologia ou poderes outros, não pensem que terão maiores influência sobre o Sul senão aceitar bem o que ocorre com a nossa democracia, a bem deles, pois não quererão enfrentar problemas maiores do que o que já enfrentam quando segregam a si mesmos nas suas populações internas que merecem atenção e toda a problemática que envolve o contexto das Américas como um todo. Na verdade, o imigrante sabe que encontra dificuldades, e que o país do Norte é aquele que, em tese, receberia a todos… Destarte, apesar de tudo, as inquietações fazem parte de cada realidade, e cada nação haverá de encontrar seu modo de se encontrar com sua própria realidade, mesmo que para isso se tenha que aportar em águas mais turvas no contexto da profundidade existencial de suas populações, e o que se preza é que as Américas encontrem uma unidade de desenvolvimento comum a cada qual, sem a rotulagem e o preconceito emblemático que encerra um lado do outro, como se ambos fossem separados.