Sentir um
gosto de vitória nas mãos, por vezes, é estarmos um passo adiante, mas o lado em
lutar sempre nos levará a crer que a presença do combate nem sempre tem a intensidade
efetiva de levar a resultados em que a derrota ou a citada vitória leve-nos a
crer nos mesmos resultados... Por vezes vivemos uma ilusão, um tipo de
passatempo onde, quando projetamos algo de ficção, ou mesmo quando do mito que
encarnamos da figura do herói, isso passa a se tornar meramente a citada
projeção, em meio a uma realidade que na verdade sequer administramos com a
segurança de nossa certeza, pois a ilusão é vaga como a bruma. Quando nos predispomos
a exercitar tacitamente nossas convicções mais profundas, quando a nossa fé
toma a dianteira e colocamo-la a serviço de um Poder superior a nós mesmos, a coisa
pode começar a acontecer efetivamente em relação a convenientes pressuposições,
ou a vitórias de fato. Não estamos na vida a troco de nada, e um homem ou uma
mulher que se dispõe a lutar por algo, mesmo que seja um detalhe pessoal, e que
ninguém dê um valor de merecimento, se for difícil a contenda e este ser quiser
dar um passo adiante, verá que na verdade pode estar municiado com as melhores
armas que porventura teria à disposição na eterna luta contra seus inimigos
mais secretos: seus demônios e fantasmas internos, sua sombra, seu lado que turva
a própria consciência, ou sua tendência ao pecado, às tentações, àquilo que
igualmente na parte externa de nós mesmos contribui para que caiamos na questão
de um vício, nas trevas de uma relação desastrosa, ou mesmo em algum desfecho
trágico de nossa existência que poderíamos ter evitado. Como em uma guerra, a
vida encerra em si mesma várias ciladas, e devemos estar atentos para nelas não
incidir em erros crassos, pois por vezes é através de um deles que pomos tudo a
perder. Para citar um exemplo recorrente, quando paramos de fumar, vai ser
através de um cigarro que voltamos a fumar compulsivamente, quando sofremos da
doença das emoções e não conseguimos nos tornar mais estáveis nesse sentido,
passando a ter na ansiedade a motivação e ímpeto para fumar cada vez mais...
Mas não é
só na Natureza das dependências químicas, pois somos dependentes de muitas
coisas: de atenção, da aprovação alheia, da performance que nos demandam no
trabalho, do estado de vigília quando somos requisitados a tanto, do afeto que
por vezes se não nos brota, do amor que desconhecemos por ignorância, e da
falta de fé em um homem como Jesus Cristo, e tudo o que isso significa. O esquecimento
que possuímos com relação a Deus é uma das razões que nos leva a cometer os
maiores desatinos contra nós mesmos e contra os outros, por simples questões
onde parecemos melhores do que efetivamente somos, e na realidade, não somos muito
diante do Poder de Deus. O antropocentrismo nos revelou que o homem é o centro
da Natureza, mas na verdade quiçá o teocentrismo ainda seja mais sensato,
apesar de sabermos que na vereda do pensamento qualquer assertiva colocada de
forma vertical não existe enquanto a liberdade do mesmo livre pensamento
existir, na graça mesma do Senhor... Se você relacionar que um ser humano
exerce sua cognição quando escreve, e quando lê preenche a sua história ou
capacidade de exercitar a sua formação intelectual, quando esse homem escreve
algo a partir de uma concepção sagrada, quando escreve sobre o sagrado, estará
igualmente alimentando seu espírito, que mais não é do que a cognição plena de
sua alma, que vai além dos meros relacionamentos dos neurônios. Se o Cristo,
aquele que veio para nos salvar, ressuscitara dos mortos à vida, se desceu para
operar milagres, se deu sinais de foi o Messias e Salvador da humanidade,
escrever sobre Ele é permitir que opere sobre nossas mãos o próprio Espírito Santo,
consagrador de verdadeiras transubstanciações da matéria sobre a vida
espiritual do ser humano e da Natureza como um todo. Na realidade aumentada,
essa visão da espiritualidade é como compreender a função mesma da grande energia,
ou o poder do Pai Celestial, como detentor do que há de mais nobre para o ser
enquanto ser, não importando sua origem, causa, vontade ou preferência.
Além de
nossas lutas está uma rocha solene que nos aguarda, com um mar por vezes bravio
batendo em sua superfície, na tessitura de sua pele de crosta imantada por
milênios de história. Uma grande pedra, inquieta com sua sombra que se projeta
contra uma nuvem que encobre montanhas, uma dimensão infinita, assim como em um
grão de areia estará, além de nossas lutas, na real necessidade de compreensão
da latitude mesma de nossos gestos que impulsionem a verdadeira concepção da
relação que temos com o próximo, dentro dos contextos em que o distanciamento e
seus reflexos igualmente nos ditam a citada latitude, o verso e o reverso, os
dois lados da moeda, o valor e o contra valor... Assim como quando uma coruja
encontra nos seus olhos abertos a previsibilidade de seu estado natural, ou
quando pisca um olho notamos algo distinto.
Mesmo se
fôramos muito hábeis em nossas lutas, encampar a intenção de sabermos onde ir,
ou até onde fincar a bandeira, em que trincheira ainda inexistente no campo de
batalhas, ou mesmo quando se lutar até estarmos diante de nós mesmos, quando na
frente de um espelho estilhaçado por uma granada? Há lutas mais onerosas à
própria vida do que apenas largar um vício, este que pode nos consumir dia a
dia, se não pararmos com a droga... Sim, há lutas que vão além disso, além de
nossos demônios mais internos, além de nossa sombra que deixamos navegar por
entre embarcações numerosas por entre penedos e rochedos milenares, por entre
cais inumeráveis e fantasmagorias do acaso. Há lutas quase permanentes, em um
mundo onde sempre as guerras se sucedem e, quando em períodos – raros – de paz
mundial, há daqueles seres que se sobrepõem a outros na eterna luta em que a
exploração do homem pelo homem chega a ser bruta, como um estado permanente de
lutas onde não há tréguas, a não ser onde se equaciona um pouco a questão, ou
onde a trilha dos governantes se sucedem tendo em vista a manutenção desse
status. Por essas questões, além das nossas lutas, a cada qual a sua, vemos
despertar no céu a esperança em que o sol nasça diante de nós a cada dia, e que
vençamos, quando muito, se não for para equacionar problemas inerentes ao
indivíduo que somos, que coletivamente algumas nações possam encontrar a paz no
seu viés de encontrar seus caminhos de luz, e que muitos governantes passem a
acreditar mais em seu povo e vice e versa, para que as equações de boas
políticas possam resolver mais rapidamente os problemas de miserabilidade e das
carestias que assolam por vezes populações inteiras do planeta.
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