quinta-feira, 6 de agosto de 2026

ALÉM DAS LUTAS


              Sentir um gosto de vitória nas mãos, por vezes, é estarmos um passo adiante, mas o lado em lutar sempre nos levará a crer que a presença do combate nem sempre tem a intensidade efetiva de levar a resultados em que a derrota ou a citada vitória leve-nos a crer nos mesmos resultados... Por vezes vivemos uma ilusão, um tipo de passatempo onde, quando projetamos algo de ficção, ou mesmo quando do mito que encarnamos da figura do herói, isso passa a se tornar meramente a citada projeção, em meio a uma realidade que na verdade sequer administramos com a segurança de nossa certeza, pois a ilusão é vaga como a bruma. Quando nos predispomos a exercitar tacitamente nossas convicções mais profundas, quando a nossa fé toma a dianteira e colocamo-la a serviço de um Poder superior a nós mesmos, a coisa pode começar a acontecer efetivamente em relação a convenientes pressuposições, ou a vitórias de fato. Não estamos na vida a troco de nada, e um homem ou uma mulher que se dispõe a lutar por algo, mesmo que seja um detalhe pessoal, e que ninguém dê um valor de merecimento, se for difícil a contenda e este ser quiser dar um passo adiante, verá que na verdade pode estar municiado com as melhores armas que porventura teria à disposição na eterna luta contra seus inimigos mais secretos: seus demônios e fantasmas internos, sua sombra, seu lado que turva a própria consciência, ou sua tendência ao pecado, às tentações, àquilo que igualmente na parte externa de nós mesmos contribui para que caiamos na questão de um vício, nas trevas de uma relação desastrosa, ou mesmo em algum desfecho trágico de nossa existência que poderíamos ter evitado. Como em uma guerra, a vida encerra em si mesma várias ciladas, e devemos estar atentos para nelas não incidir em erros crassos, pois por vezes é através de um deles que pomos tudo a perder. Para citar um exemplo recorrente, quando paramos de fumar, vai ser através de um cigarro que voltamos a fumar compulsivamente, quando sofremos da doença das emoções e não conseguimos nos tornar mais estáveis nesse sentido, passando a ter na ansiedade a motivação e ímpeto para fumar cada vez mais...

              Mas não é só na Natureza das dependências químicas, pois somos dependentes de muitas coisas: de atenção, da aprovação alheia, da performance que nos demandam no trabalho, do estado de vigília quando somos requisitados a tanto, do afeto que por vezes se não nos brota, do amor que desconhecemos por ignorância, e da falta de fé em um homem como Jesus Cristo, e tudo o que isso significa. O esquecimento que possuímos com relação a Deus é uma das razões que nos leva a cometer os maiores desatinos contra nós mesmos e contra os outros, por simples questões onde parecemos melhores do que efetivamente somos, e na realidade, não somos muito diante do Poder de Deus. O antropocentrismo nos revelou que o homem é o centro da Natureza, mas na verdade quiçá o teocentrismo ainda seja mais sensato, apesar de sabermos que na vereda do pensamento qualquer assertiva colocada de forma vertical não existe enquanto a liberdade do mesmo livre pensamento existir, na graça mesma do Senhor... Se você relacionar que um ser humano exerce sua cognição quando escreve, e quando lê preenche a sua história ou capacidade de exercitar a sua formação intelectual, quando esse homem escreve algo a partir de uma concepção sagrada, quando escreve sobre o sagrado, estará igualmente alimentando seu espírito, que mais não é do que a cognição plena de sua alma, que vai além dos meros relacionamentos dos neurônios. Se o Cristo, aquele que veio para nos salvar, ressuscitara dos mortos à vida, se desceu para operar milagres, se deu sinais de foi o Messias e Salvador da humanidade, escrever sobre Ele é permitir que opere sobre nossas mãos o próprio Espírito Santo, consagrador de verdadeiras transubstanciações da matéria sobre a vida espiritual do ser humano e da Natureza como um todo. Na realidade aumentada, essa visão da espiritualidade é como compreender a função mesma da grande energia, ou o poder do Pai Celestial, como detentor do que há de mais nobre para o ser enquanto ser, não importando sua origem, causa, vontade ou preferência.

              Além de nossas lutas está uma rocha solene que nos aguarda, com um mar por vezes bravio batendo em sua superfície, na tessitura de sua pele de crosta imantada por milênios de história. Uma grande pedra, inquieta com sua sombra que se projeta contra uma nuvem que encobre montanhas, uma dimensão infinita, assim como em um grão de areia estará, além de nossas lutas, na real necessidade de compreensão da latitude mesma de nossos gestos que impulsionem a verdadeira concepção da relação que temos com o próximo, dentro dos contextos em que o distanciamento e seus reflexos igualmente nos ditam a citada latitude, o verso e o reverso, os dois lados da moeda, o valor e o contra valor... Assim como quando uma coruja encontra nos seus olhos abertos a previsibilidade de seu estado natural, ou quando pisca um olho notamos algo distinto.

              Mesmo se fôramos muito hábeis em nossas lutas, encampar a intenção de sabermos onde ir, ou até onde fincar a bandeira, em que trincheira ainda inexistente no campo de batalhas, ou mesmo quando se lutar até estarmos diante de nós mesmos, quando na frente de um espelho estilhaçado por uma granada? Há lutas mais onerosas à própria vida do que apenas largar um vício, este que pode nos consumir dia a dia, se não pararmos com a droga... Sim, há lutas que vão além disso, além de nossos demônios mais internos, além de nossa sombra que deixamos navegar por entre embarcações numerosas por entre penedos e rochedos milenares, por entre cais inumeráveis e fantasmagorias do acaso. Há lutas quase permanentes, em um mundo onde sempre as guerras se sucedem e, quando em períodos – raros – de paz mundial, há daqueles seres que se sobrepõem a outros na eterna luta em que a exploração do homem pelo homem chega a ser bruta, como um estado permanente de lutas onde não há tréguas, a não ser onde se equaciona um pouco a questão, ou onde a trilha dos governantes se sucedem tendo em vista a manutenção desse status. Por essas questões, além das nossas lutas, a cada qual a sua, vemos despertar no céu a esperança em que o sol nasça diante de nós a cada dia, e que vençamos, quando muito, se não for para equacionar problemas inerentes ao indivíduo que somos, que coletivamente algumas nações possam encontrar a paz no seu viés de encontrar seus caminhos de luz, e que muitos governantes passem a acreditar mais em seu povo e vice e versa, para que as equações de boas políticas possam resolver mais rapidamente os problemas de miserabilidade e das carestias que assolam por vezes populações inteiras do planeta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário