segunda-feira, 24 de agosto de 2026

EXERCITANDO A INTELIGÊNCIA


                A vida racional nos aproxima de Deus. Conforme o entendimento, desde as priscas eras até o surgimento de modalidades da inteligência cabal, desde quando compreendemos as parábolas do Cristo, a palavra, sendo em qualquer idioma vivo ou não remonta miríades de compreensão a respeito de um fato, de uma notícia, da comunicação entre os humanos, e faz de nós capazes desse mesmo entendimento, da razão onde nos encontramos com todos os tipos de trabalho, quando plasmamos a matéria, e quando somos inclusive capazes de estar afetuosamente com os animais domésticos sob os nossos cuidados. Eles estarão igualmente recebendo o nosso amor, no entanto, esse amor que aponta a que todos os seres da Terra sejam merecedores, mesmo que a razão nos transcreva obviamente amarmos mais os seres humanos, se fomos considerar a lógica infalível da comunicação citada, como nos damos entre nossa espécie, mas sempre com as ressalvas de que muitos de nós encontram na companhia de um animalzinho porventura algo quase de relações parentais de afeto. Supõe-se que um latido de um cão seja algo angustiante, e basta que o homem o perceba, daí também vem a questão inequívoca da intuição, esse território abrangente que nos aproxima espiritualmente da Natureza, tal qual a concebemos diante de nós, como algo que pode fazer parte significativamente de uma inteligência maior. Ver que cada ser do planeta tem a manifestação do Criador, efetivamente supõe não apenas uma crença, mas estarmos vendo efetivamente uma comunicação transcendente a partir do instante em que supomos que Deus está dentro de cada ser da citada Natureza, quiçá como manifestação intrínseca do Espírito Santo, assim como este está no vento e nas ondas que se formam a partir dele, bem como nos pássaros que o utilizam para voar perto das nuvens, estas que também o simbolizam.

                O dom da inteligência nos faz presentes na grande carruagem espiritual, onde os cavalos são os nossos sentidos, a mente é o cocheiro e as rédeas, a carruagem é o nosso corpo, e o passageiro é o nosso espírito, mas Deus está presente e dentro de cada um desses elementos. A inteligência é o itinerário: é quando o passageiro comunica ao cocheiro aonde quer chegar, e orienta-o a ir com calma, fala sobre os caminhos, e diz onde é mais seguro de se prosseguir, sem que haja acidentes de percurso... Por vezes os cavalos estão afoitos, por vezes o caminho não é fácil, mas o importante é que as rodas da carruagem sejam fortes, igualmente com sua estrutura, e que o passageiro tenha a certeza, na forma da fé divina, de qual o propósito da viagem.

                Sabermos que na bendição espiritual, que devemos trilhar por um caminho transcendental, que nosso corpo envelhece e por vezes está enredado por misérias materiais, estas que fazem parte do nosso mundo, é sabermos que estamos pecando por onde passamos, no mais das vezes, e que o caminho do pecado não apenas gera frutos amargos, como passa pelas questões da ação e reação divinas. Na palavra em sânscrito: prema, amor a Deus, isso é o mais importante que devemos cumprir na existência, um amor a Deus inquebrantável... O exercício da inteligência é justamente estabelecermos uma conexão com Ele, que nos guarde na Santidade e no Poder Superior de suas palavras. Através dos Evangelhos podemos estabelecer essa conexão, e a grande inteligência passa pela prática de sermos piedosos, tementes a Deus, pois no Seu amor podemos estar seguros de que sua penetrante presença a tudo vê e a tudo sabe. Posto exercitarmo-nos mais espiritualmente, essa premissa é mais lógica do que o exercício físico propriamente, pois a efemeridade do corpo dista da vida eterna, assim como a lama dista do ouro. No entanto, a máxima: mens sana in corpore sano ainda é uma alternativa saudável, e estarmo-nos alimentando bem, e tratando o corpo – esse templo do espírito – com o respeito que ele merece, saberemos muito da dimensão espiritual em que não devemos deixar-nos fenecer, se quisermos praticar a nossa missão espiritual no mundo por mais tempo. A conquista das fronteiras cognitivas, a sabedoria da ciência, o mundo mais racional na questão do cotidiano do ser humano na amplitude de sua comunicação – intuitiva, por vezes – com tudo o que nos cerca, perfaz que a Natureza e suas frentes seja melhor compreendida, mesmo que para tal tenhamos que viver muitas vezes a incompreensão de certas ortodoxias do pensamento, pois somente com uma mente aberta é que poderemos nos entender e postarmo-nos a um diálogo franco e aberto com outros seres.

                O Espírito Santo possui uma dimensão tão ampla que nos faz ver e experimentar a Trindade Santa, o Poder trinitário, de um modo onde a sacralidade sempre se apresenta desse modo, aliás, como no território do sagrado em várias religiões já havia se manifestado. Um dia alcançaremos o cosmo? Um dia um robô trabalhará como um ser humano? Essas dúvidas onde o dom da ciência se nos apresenta refletem apenas inquietações que não são tão pertinentes em um mundo onde os processos de transformação da matéria, onde as descobertas nesse escopo sejam tão ou mais necessárias quando buscarmos sempre a paz, sempre serão reveladoras em textos sagrados ao redor do planeta, mesmo que para isso tenhamos que pedir ajuda à tecnologia com a fidelidade de um humilde ser humano, quando aquela se apresentar de modo a trilhar seus caminhos por onde o passageiro da carruagem realmente queira nos levar que, em síntese, é o caminho da salvação espiritual...

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