A vida
racional nos aproxima de Deus. Conforme o entendimento, desde as priscas eras
até o surgimento de modalidades da inteligência cabal, desde quando
compreendemos as parábolas do Cristo, a palavra, sendo em qualquer idioma vivo
ou não remonta miríades de compreensão a respeito de um fato, de uma notícia,
da comunicação entre os humanos, e faz de nós capazes desse mesmo entendimento,
da razão onde nos encontramos com todos os tipos de trabalho, quando plasmamos
a matéria, e quando somos inclusive capazes de estar afetuosamente com os
animais domésticos sob os nossos cuidados. Eles estarão igualmente recebendo o
nosso amor, no entanto, esse amor que aponta a que todos os seres da Terra sejam
merecedores, mesmo que a razão nos transcreva obviamente amarmos mais os seres
humanos, se fomos considerar a lógica infalível da comunicação citada, como nos
damos entre nossa espécie, mas sempre com as ressalvas de que muitos de nós
encontram na companhia de um animalzinho porventura algo quase de relações
parentais de afeto. Supõe-se que um latido de um cão seja algo angustiante, e
basta que o homem o perceba, daí também vem a questão inequívoca da intuição,
esse território abrangente que nos aproxima espiritualmente da Natureza, tal
qual a concebemos diante de nós, como algo que pode fazer parte significativamente
de uma inteligência maior. Ver que cada ser do planeta tem a manifestação do Criador,
efetivamente supõe não apenas uma crença, mas estarmos vendo efetivamente uma
comunicação transcendente a partir do instante em que supomos que Deus está
dentro de cada ser da citada Natureza, quiçá como manifestação intrínseca do
Espírito Santo, assim como este está no vento e nas ondas que se formam a
partir dele, bem como nos pássaros que o utilizam para voar perto das nuvens,
estas que também o simbolizam.
O dom
da inteligência nos faz presentes na grande carruagem espiritual, onde os
cavalos são os nossos sentidos, a mente é o cocheiro e as rédeas, a carruagem é
o nosso corpo, e o passageiro é o nosso espírito, mas Deus está presente e
dentro de cada um desses elementos. A inteligência é o itinerário: é quando o
passageiro comunica ao cocheiro aonde quer chegar, e orienta-o a ir com calma,
fala sobre os caminhos, e diz onde é mais seguro de se prosseguir, sem que haja
acidentes de percurso... Por vezes os cavalos estão afoitos, por vezes o
caminho não é fácil, mas o importante é que as rodas da carruagem sejam fortes,
igualmente com sua estrutura, e que o passageiro tenha a certeza, na forma da
fé divina, de qual o propósito da viagem.
Sabermos
que na bendição espiritual, que devemos trilhar por um caminho transcendental,
que nosso corpo envelhece e por vezes está enredado por misérias materiais,
estas que fazem parte do nosso mundo, é sabermos que estamos pecando por onde
passamos, no mais das vezes, e que o caminho do pecado não apenas gera frutos
amargos, como passa pelas questões da ação e reação divinas. Na palavra em
sânscrito: prema, amor a Deus, isso é o mais importante que devemos cumprir na
existência, um amor a Deus inquebrantável... O exercício da inteligência é
justamente estabelecermos uma conexão com Ele, que nos guarde na Santidade e no
Poder Superior de suas palavras. Através dos Evangelhos podemos estabelecer
essa conexão, e a grande inteligência passa pela prática de sermos piedosos,
tementes a Deus, pois no Seu amor podemos estar seguros de que sua penetrante
presença a tudo vê e a tudo sabe. Posto exercitarmo-nos mais espiritualmente,
essa premissa é mais lógica do que o exercício físico propriamente, pois a
efemeridade do corpo dista da vida eterna, assim como a lama dista do ouro. No
entanto, a máxima: mens sana in corpore sano ainda é uma alternativa
saudável, e estarmo-nos alimentando bem, e tratando o corpo – esse templo do
espírito – com o respeito que ele merece, saberemos muito da dimensão
espiritual em que não devemos deixar-nos fenecer, se quisermos praticar a nossa
missão espiritual no mundo por mais tempo. A conquista das fronteiras
cognitivas, a sabedoria da ciência, o mundo mais racional na questão do
cotidiano do ser humano na amplitude de sua comunicação – intuitiva, por vezes –
com tudo o que nos cerca, perfaz que a Natureza e suas frentes seja melhor
compreendida, mesmo que para tal tenhamos que viver muitas vezes a incompreensão
de certas ortodoxias do pensamento, pois somente com uma mente aberta é que
poderemos nos entender e postarmo-nos a um diálogo franco e aberto com outros
seres.
O
Espírito Santo possui uma dimensão tão ampla que nos faz ver e experimentar a
Trindade Santa, o Poder trinitário, de um modo onde a sacralidade sempre se
apresenta desse modo, aliás, como no território do sagrado em várias religiões
já havia se manifestado. Um dia alcançaremos o cosmo? Um dia um robô trabalhará
como um ser humano? Essas dúvidas onde o dom da ciência se nos apresenta
refletem apenas inquietações que não são tão pertinentes em um mundo onde os
processos de transformação da matéria, onde as descobertas nesse escopo sejam
tão ou mais necessárias quando buscarmos sempre a paz, sempre serão reveladoras
em textos sagrados ao redor do planeta, mesmo que para isso tenhamos que pedir
ajuda à tecnologia com a fidelidade de um humilde ser humano, quando aquela se
apresentar de modo a trilhar seus caminhos por onde o passageiro da carruagem realmente
queira nos levar que, em síntese, é o caminho da salvação espiritual...
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