terça-feira, 18 de agosto de 2026

A TOLERÂNCIA RELIGIOSA

 

                O simples fato de que a cultura dos povos retém em si diversas manifestações étnicas, antropológicas e de comportamento social, que muitos tem suas origens, civilizações arcaicas ou primitivas, crenças em determinados ídolos, ou idiossincrasias particulares que conformam o cenário de um planeta onde a intolerância em diversos níveis tornam a causa da beligerância entre si, remete-nos a crer que será igualmente na esfera religiosa que devemos ser tolerantes se quisermos a paz mundial, e tudo o que isso significa. O certo é, quando estamos em um templo, obedecer a doutrina, respeitar seus ritos, estar cientes de que, se vamos cumprir uma missão social, estaremos de acordo com os preceitos escriturais de tal ou qual religião, mas a espiritualidade como um todo faculta ao ser humano ser livre para exercê-la como lhe aprouver. A religião, como o nome infere, significa religar com a divindade, mas quando as religiões querem dizer que só os seus credos são os certos, e que todos os outros estão errados, isso na realidade é compactuar com algo que nada tem a ver com a diversidade cultural do planeta, posto será na prática de bons propósitos existenciais que o ser humano deve prosseguir vivendo, de modo ordeiro, pacífico e eximindo de si sentimentos como excessos tais quais a ganância, o egoísmo e o consumismo em troca de colocar certas coisas como mais importantes do que a essência mesma do ser. Esse ser que somos, dotados de complexas equações de cunho existencial, profundezas ou simples manifestações de pensamentos e ações, e idiossincrasias próprias de cada civilização e cultura particulares, no que verse sobre a posição da cidadania, se somos uma democracia, se a autocracia predomina, ou o ateísmo, ou mesmo se somos cristãos, muçulmanos, budistas e etc. Sermos tão ou mais complexos do que essas questões, se estamos com boa saúde mental, se estamos conscientes de tudo o que nos rodeia, ou mesmo se aceitamos as diferenças perante os outros que totalizam a maioria, ou mesmo se respeitamos os direitos das minorias. Outrossim, as distintas camadas sociais, os diversos canais perceptivos, as conquistas tecnológicas, o isolamento social, as complexas sociedades, os vícios, a corruptela de caráter, os serviços de inteligência, as ditaduras, os países em guerra, tudo torna mais difícil de compreender quando simplesmente reduzimos as coisas sob o manto do materialismo e suas "funções"... Quando enfrentamos nossas crises internas e externas, estamos tentando justificar de forma reducionista o modo de certos homens governarem, ou a política externa das nações, as instituições religiosas, e nestas encontramos não apenas o amparo, como muitas vezes crises internas que as acometem igualmente, quando são mercenárias ou objetivam o lucro como mola mestra, por vezes em nome de Jesus Cristo, para citar um exemplo cabal do que acontece no Ocidente. Talvez muitos sejam justamente agnósticos ou ateus que levem a ferro e fogo o que Marx pensava a respeito da religião: um tipo de ópio.

                    Não se pode fazer com que interpretemos que uma tal denominação religiosa seja melhor ou pior, mas a ganância jamais deva ser utilizada como razão da implantação ou manipulação de uma fé que nada tem a ver com a palavra do Salvador. Falo dessa denominação porque professo n'Ele minha fé, mas soube de gente que pensa que o Cristo era pobre para que outros pudessem enriquecer na Terra, e justamente a única coisa que talvez se possa colocar em xeque em termos de religião é crer que será na prosperidade material que salvaremos nossa alma, o que nada tem a ver com a palavra do Evangelho...


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