Buscar
algo é verbo que faz parte do humano, desde sempre. Por hora, por vezes buscamos
a galáxia com um telescópio e o cientista encontra na sua liberdade esse
encontro com o saber. Saber por saber não deixa de ser um caminho que nos leva
a um andamento límpido por uma trilha do conhecimento, principalmente se
estamos em um local fechado, onde a privação da liberdade por algum tipo de ato
que cometemos nos impõe essa privação. O importante é estudarmos sempre,
podemos estar em níveis da citada privação da liberdade, mas quem sabe ler,
praticar algo, saber um ofício, ou mesmo dialogarmos com nossos companheiros de
cela ou mesmo tentarmos aprender, dentro das possibilidades, aprender com os
outros amigos que se dispõem a algo nos ensinar, que por mais que estejamos por
vezes penando, ou sofrendo em vias de alguma circunstância, algo pode ser feito,
posto partirmos para uma ação em nosso benefício para – tão logo saiamos dessa
prisão física ou espiritual – possamos ter uma vida digna em liberdade. Porque,
por vezes, a prisão é espiritual, anímica, algo que vai além do simples estar
fechado entre grades, mesmo porque na realidade há pessoas que têm muitas
posses mas não dão valor ao mínimo que possuem e nem a que podem realizar com
verdadeiras fortunas! Muitos viajam sempre e encontram algures a mesma
preocupação, como que carregam seus grilhões existenciais por onde vão, em
busca de mulheres, vinho ou mais riquezas, e a fama e o orgulho pontificam suas
existências...
Ser um
homem ou mulher mais simples é encontrar na Natureza, na vida familiar a certeza
de que muita coisa pode ser melhorada, e não será buscando o prazer a qualquer
custo, que significará ampliar os votos de uma vida mais íntegra, digna e
feliz. Por isso há homens que buscam se penitenciar para elucidar suas vidas em
torno de uma prática onde se auto infligem um tipo consciente de pena para que
possam prosseguir disciplinadamente o andamento de seus dias, não facilitando
para o hedonismo e passando a valorizar os momentos, que no começo de seu pesar
podem ser mais raros, em que encontram a beleza tênue de detalhes que antes
sequer percebiam. Esse encontro de seu caráter com o viés reformista revela o
altruísmo de se estudar, buscar se preparar para um dia estar apto a exercer um
serviço à comunidade, dando o melhor de si e preparando o terreno para uma boa
colheita espiritual. Não se afirme jamais que isso não demande esforços, mas é
nesse terreno, da lavra, da preparação da terra com o arado, que o agricultor
encontrará as pragas no meio do caminho, e quando semeia, a terra já estará
pronta para a fecundação e a rega. Após isso, a manutenção da lavoura é tarefa
não tão hercúlea, e a pena já é mais branda, ainda que estejamos em trabalho,
aliás, trabalho esse que é para sempre, tornando perpétua a nossa existência em
missão no planeta, e dando de graça o que de graça recebemos por aqui.
Finalmente,
quando colhemos os frutos depois de nos penitenciarmos, veremos que todo o
esforço valeu a pena, e felizes são aqueles que sofrem pois deles é o reino do
Senhor, já que todo o empreender no sentido do progresso espiritual rende
frutos ainda nesta Terra. Porventura aqueles que acreditam terem fracassado por
algum momento não se desesperem jamais, pois a penitência e a busca por
melhorar é o mesmo estado de espírito dos vitoriosos e sempre estará nessa posição
aquele que luta por isso. A libertação vem em ondas, jamais é certeira, passa
por movimentos paulatinos, negativos e positivos, e antes o que pode ser um
cenário desolador, depois de uma estação ou mesmo algumas horas já adquire
outra conformação, o que antes é guerra pode vir a ser paz, mas aqueles que
procuram por conflitos certamente encontrarão caminhos tortos, pois o mundo
deve obter na prática da paz a sua ciência, e jamais o oposto disso...
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