quinta-feira, 13 de março de 2025

A BUSCA


               Buscar algo é verbo que faz parte do humano, desde sempre. Por hora, por vezes buscamos a galáxia com um telescópio e o cientista encontra na sua liberdade esse encontro com o saber. Saber por saber não deixa de ser um caminho que nos leva a um andamento límpido por uma trilha do conhecimento, principalmente se estamos em um local fechado, onde a privação da liberdade por algum tipo de ato que cometemos nos impõe essa privação. O importante é estudarmos sempre, podemos estar em níveis da citada privação da liberdade, mas quem sabe ler, praticar algo, saber um ofício, ou mesmo dialogarmos com nossos companheiros de cela ou mesmo tentarmos aprender, dentro das possibilidades, aprender com os outros amigos que se dispõem a algo nos ensinar, que por mais que estejamos por vezes penando, ou sofrendo em vias de alguma circunstância, algo pode ser feito, posto partirmos para uma ação em nosso benefício para – tão logo saiamos dessa prisão física ou espiritual – possamos ter uma vida digna em liberdade. Porque, por vezes, a prisão é espiritual, anímica, algo que vai além do simples estar fechado entre grades, mesmo porque na realidade há pessoas que têm muitas posses mas não dão valor ao mínimo que possuem e nem a que podem realizar com verdadeiras fortunas! Muitos viajam sempre e encontram algures a mesma preocupação, como que carregam seus grilhões existenciais por onde vão, em busca de mulheres, vinho ou mais riquezas, e a fama e o orgulho pontificam suas existências...

               Ser um homem ou mulher mais simples é encontrar na Natureza, na vida familiar a certeza de que muita coisa pode ser melhorada, e não será buscando o prazer a qualquer custo, que significará ampliar os votos de uma vida mais íntegra, digna e feliz. Por isso há homens que buscam se penitenciar para elucidar suas vidas em torno de uma prática onde se auto infligem um tipo consciente de pena para que possam prosseguir disciplinadamente o andamento de seus dias, não facilitando para o hedonismo e passando a valorizar os momentos, que no começo de seu pesar podem ser mais raros, em que encontram a beleza tênue de detalhes que antes sequer percebiam. Esse encontro de seu caráter com o viés reformista revela o altruísmo de se estudar, buscar se preparar para um dia estar apto a exercer um serviço à comunidade, dando o melhor de si e preparando o terreno para uma boa colheita espiritual. Não se afirme jamais que isso não demande esforços, mas é nesse terreno, da lavra, da preparação da terra com o arado, que o agricultor encontrará as pragas no meio do caminho, e quando semeia, a terra já estará pronta para a fecundação e a rega. Após isso, a manutenção da lavoura é tarefa não tão hercúlea, e a pena já é mais branda, ainda que estejamos em trabalho, aliás, trabalho esse que é para sempre, tornando perpétua a nossa existência em missão no planeta, e dando de graça o que de graça recebemos por aqui.

               Finalmente, quando colhemos os frutos depois de nos penitenciarmos, veremos que todo o esforço valeu a pena, e felizes são aqueles que sofrem pois deles é o reino do Senhor, já que todo o empreender no sentido do progresso espiritual rende frutos ainda nesta Terra. Porventura aqueles que acreditam terem fracassado por algum momento não se desesperem jamais, pois a penitência e a busca por melhorar é o mesmo estado de espírito dos vitoriosos e sempre estará nessa posição aquele que luta por isso. A libertação vem em ondas, jamais é certeira, passa por movimentos paulatinos, negativos e positivos, e antes o que pode ser um cenário desolador, depois de uma estação ou mesmo algumas horas já adquire outra conformação, o que antes é guerra pode vir a ser paz, mas aqueles que procuram por conflitos certamente encontrarão caminhos tortos, pois o mundo deve obter na prática da paz a sua ciência, e jamais o oposto disso...

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