segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Senhor, uma vez que Vossa é a eternidade, ignorais porventura o que Vos digo? Ou vedes no tempo o que no tempo se passa? Por que, então, exponho diante de Vós, por ordem, tantas narrativas? Não, na verdade, para que por mim as viésseis a saber, mas para despertar o meu afeto e o dos meus leitores para Vós, a fim de que todos digamos: Grande é o Senhor, e sumamente digno de louvor. Já o disse, e ainda o direi: é por amor do Vosso amor que faço isto. Pois também oramos, e todavia a Verdade disse: O vosso Pai sabe do que necessitais antes que Lho peçais. São, pois, os nossos afetos que abrimos diante de Vós, confessando as nossas misérias e as Vossas misericórdias para conosco, para que nos liberteis inteiramente, uma vez que começastes; para que deixemos de ser miseráveis em nós mesmos e sejamos bem-aventurados em Vós — visto que nos chamastes a ser pobres de espírito, e mansos, e chorosos, e famintos e sedentos de justiça, e misericordiosos, e puros de coração, e pacíficos. Eis que Vos contei muitas coisas, como pude e como quis, porque Vós primeiro quisestes que eu Vos confessasse, ó Senhor meu Deus, porque sois bom, porque a Vossa misericórdia permanece para sempre. CONFISSÕES, SANTO AGOSTINHO.
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