segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Pois eu procurava descobrir o resto como quem já descobrira que o incorruptível deve necessariamente ser melhor do que o corruptível; e por isso Vos confessava a Vós, fosse o que fôsseis, incorruptível. Pois nenhuma alma jamais foi nem será capaz de conceber algo que possa ser melhor do que Vós, que sois o bem soberano e ótimo. Mas, uma vez que verdadeiríssima e certíssimamente o incorruptível é preferível ao corruptível — como eu já o preferia —, então, se não fôsseis incorruptível, eu poderia com o pensamento chegar a algo melhor do que o meu Deus. Onde, pois, eu via ser o incorruptível preferível ao corruptível, aí devia buscar-Vos, e aí observar “onde está o próprio mal”, isto é, donde vem a corrupção, pela qual a Vossa substância de modo algum pode ser danificada. Pois a corrupção de modo algum danifica o nosso Deus: nem por vontade alguma, nem por necessidade alguma, nem por acaso algum imprevisto; porque Ele é Deus, e o que quer é bom, e Ele mesmo é esse bem — mas ser corrompido não é bom. Nem sois Vós forçado contra a Vossa vontade a coisa alguma, pois a Vossa vontade não é maior do que o Vosso poder; e maior seria, se Vós mesmo fôsseis maior do que Vós mesmo. Pois a vontade e o poder de Deus é o próprio Deus. E que pode ser imprevisto para Vós, que conheceis todas as coisas? Nem há natureza alguma nas coisas que Vós não conheçais. E que mais diremos, para saber “por que aquela substância que é Deus não pode ser corruptível”, visto que, se o fosse, não seria Deus? CONFISSÕES, SANTO AGOSTINHO.

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