segunda-feira, 3 de novembro de 2025

SERÁ A PLENITUDE DA VIDA O RESPIRAR DA PRIMAVERA?


Fôssemos outrora o reverberar do vento, a tessitura da montanha,
A página em branco esperando o gesto da caneta, o viés da moralidade,
Um dia a mais em nossas passadas rumo ao infinito
E, quem sabe, o respirar de uma flor frente ao ocaso do chumbo...

Vertes, tu, a fronte de teus dias, quando enumeras dissabores, quando estás túrgida do desejo em que desfaleces,
Remonta aquilo que não te pertence, ganhas aquilo que cobiças, mas só uma migalha da ganância
E a primavera te observa em teu inverno supondo que sejas quase plena em tua certeza...

Olho-me no espelho e não me vejo, estou instruindo-me a não pensar mais, aquilo que pensara outra hora,
Ou quiçá o orgulho de um vivente o saiba melhor que não adiantou ensaiar os erros
Porquanto a esfera do ganho não supre sempre a intenção de um verão que vem depois
Na latitude de invejarmos os dias que se nos passam, na pele de um jacarandá moreno!

O madeiro de uma erva é consonante na combustão, e antes o que era uma simples droga
Vira modalidade de vida, e é sempre mais fácil evitar-se a companhia de um careta
Do que imergirmos na nossa consciência de trevas, crendo piamente que fazemos um movimento certeiro.

Aquilo de celibato, e de um Ashrama não reduz o pressuposto de um devoto puro
Quando sabe que está certo na associação com outros, quando sabe que a vida com Krsna é plena
E, não importando as estações do ano, é gigantesca frente a uma primavera eterna
Onde nem mesmo a tentação ruminante de uma vida asfáltica e materialista em excesso
Suporia haver espiritualidade no frêmito em sermos simplesmente, na Verdade, o que somos sem a intoxicação.

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