Fôssemos outrora o reverberar do vento, a tessitura da montanha,
A página em branco esperando o gesto da caneta, o viés da moralidade,
Um dia a mais em nossas passadas rumo ao infinito
E, quem sabe, o respirar de uma flor frente ao ocaso do chumbo...
Vertes, tu, a fronte de teus dias, quando enumeras dissabores, quando estás
túrgida do desejo em que desfaleces,
Remonta aquilo que não te pertence, ganhas aquilo que cobiças, mas só uma
migalha da ganância
E a primavera te observa em teu inverno supondo que sejas quase plena em tua
certeza...
Olho-me no espelho e não me vejo, estou instruindo-me a não pensar mais, aquilo
que pensara outra hora,
Ou quiçá o orgulho de um vivente o saiba melhor que não adiantou ensaiar os
erros
Porquanto a esfera do ganho não supre sempre a intenção de um verão que vem
depois
Na latitude de invejarmos os dias que se nos passam, na pele de um jacarandá
moreno!
O madeiro de uma erva é consonante na combustão, e antes o que era uma simples
droga
Vira modalidade de vida, e é sempre mais fácil evitar-se a companhia de um
careta
Do que imergirmos na nossa consciência de trevas, crendo piamente que fazemos
um movimento certeiro.
Aquilo de celibato, e de um Ashrama não reduz o pressuposto de um devoto puro
Quando sabe que está certo na associação com outros, quando sabe que a vida com
Krsna é plena
E, não importando as estações do ano, é gigantesca frente a uma primavera
eterna
Onde nem mesmo a tentação ruminante de uma vida asfáltica e materialista em
excesso
Suporia haver espiritualidade no frêmito em sermos simplesmente, na Verdade, o que somos sem a intoxicação.
segunda-feira, 3 de novembro de 2025
SERÁ A PLENITUDE DA VIDA O RESPIRAR DA PRIMAVERA?
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