Temos
por base um conhecimento de algo... Conhecer algo é como inundar a mente com a
razão, sabermos ler algo, ter os instrumentos, o intelecto, coisa que não pode
ser jamais descartada, já que é um caminho para compreendermos, para sabermos,
adquirirmos mais sabedoria, já que as duas palavras são distintas, em essência.
O conhecimento é algo do intelecto, a sabedoria por vezes é algo da intuição,
conjuntamente. O intelecto é como uma ponte que vai do instinto à intuição,
conforme Osho declara em seu livro: “Intuição, O Saber Além da Lógica.” Parece
uma coisa fácil, quando temos a certeza de algo muitas verdades funcionam,
assim como aquela que diz que o gelo é frio e o fogo é quente, que afirma que a
vida seria melhor se fôssemos seguros financeiramente, e que o conforto
material é algo que se torna uma realidade quando estamos bem empregados em um
bom trabalho, e ganhando o suficiente para isso. São coisas que fazem parte da
vida. E a fé, faz parte da vida? O que ela é? Quiçá não dê para explicar, mas a
fé é algo em que acreditamos, um tipo de intuição, algo que não pode ser
conhecido, que salta, que não é linear, que não é temporal, não é racional. Ela
pode estar na razão, mas a razão não está necessariamente nela... Não é um
sentimento, se aproxima da contemplação, está em uma oração, vem mais do
coração do que da mente. Seguro é que quanto temos fé em Deus, na forma
concebida, ou em algo que sequer seja concebido em dimensão ou forma, se torna
por vezes inquebrantável, é uma parte que faz parte do homem e da mulher, seria
a parte que nos caberia dizer ser uma grande frente de possibilidades, jamais uma
quimera ou um chiste, posto ato e modo de sentir algo que vai além da razão,
além mesmo do pensamento, e que se pode perceber, com os olhos, ou com o citado
coração, com as mãos e com a pele, com o espírito, acima de tudo...
Acima
de toda a sensação, acima de todos os sinais dos sentidos, temos a realidade que a
mente infere, mas acima da mente, temos uma inteligência que nos guia, mas
acima da inteligência temos nossa realidade espiritual, e aí reside a fé. A
razão não a pode descrever, mas a fé dela é irmã quando a razão vira uma
alfombra onde a fé pode repousar, uma superfície onde a notemos, onde venha
tomando forma, pincelada após pincelada, ponto a ponto, na construção de um
saber, na erupção da sabedoria, ou na dimensão espiritual do ser em si, que
somos na essência, um ser dotado de instinto, intuição e intelecto.
Em uma
forma escorreita, somos mais do que a carne, somos alma, somos o espírito, e
isso fala alto à nossa fé e, conforme Osho, em seu livro sobre a Intuição,
seríamos testemunhas, mas se carregamos Deus dentro do nosso coração, somos
agentes da nossa fé, enquanto Deus testemunha e desfruta, apenas... Nós somos
alma imutável, diante de nosso corpo, dentro dele, uma centelha divina; e ele é
o templo que nos guarda e protege: um tipo de máquina complexa, carregada de
instintos, como a respiração, a digestão, os códigos genéticos, a circulação,
os órgãos e etc. Seríamos párias enquanto seres se diante de tudo e todos não
fôssemos divinos em nossa essência mais pura. Mas por vezes caímos diante de nós
mesmos e nos tornamos materialistas em excesso, vítimas do intelecto e do
racionalismo exacerbado, tentando explicar tudo e todos, e gerando as guerras,
que igualmente são frutos da mesma inteligência.
A fé,
assim como a intuição, não pode ser explicada, uma quiçá faz parte da outra, ou
sequer exista a fronteira que as divide. Não se traduz em palavras de
conhecimento o incognoscível, ou aquilo que jamais se conhecerá, mas faz parte
da Natureza de um sábio, um guru, ou um mestre que saiba um pouco do mundo e da
alma. O processo de cartesianismo da sociedade contemporânea, o pensamento
filosófico, a especulação científica, são ramos do conhecimento e quiçá sejam
importantes para a humanidade, mas são servos e não senhores dela... Você pode
intuir e ter fé no amor, ter fé na arte igualmente, posto nela a divindade se
manifeste, você pode trazer para a sua realidade essa Natureza, mas na
realidade de consumo isso não compete mais com essa espiritualidade, e vai dar
com os burros n’água para saber que jamais se poderá amar através de um
espectro materialista, ou mesmo intelectual, posto algo além vai fazer parte da
relação, e esse mistério é o que encerra a questão de duas almas se encontrarem
e amalgamarem suas vidas, assim como nas dificuldades existenciais depositar
sua fé é algo sobremodo importante para que se resolva a vertente da própria
vida e suas vicissitudes.
A fé, não
sendo um sentimento, não sendo a razão, o intelecto, o sentido, no entanto pode
ser fruto da percepção humana, a comunhão com outros seres, é um sentido da
vida, um tipo de ação que remonta a existência do homem em todos os seus
primórdios... Mas, acima de tudo, requer uma prática cotidiana, e os sábios já
afirmavam que quem leva uma vida mais contemplativa, em preces, em orações,
quem vê a Natureza com o olhar divino, pode, sim desenvolvê-la mais
organicamente, como se fosse um tipo de musculatura espiritual que se fortalece
com o tempo e muito dependerá de retirarmos de nossos olhos a poeira acumulada
da ilusão de Maya sobre nós para que tenhamos olhos para ver, ouvidos para
escutar e bocas para pronunciar as palavras que o nosso ser precisa para que
tenhamos o oceano de bendição como uma jornada a ser atravessada em nosso
caminho para as luzes e a salvação, mesmo que tenhamos que empreender sacrifícios onde, por força do hábito, costumamos temer, posto que o mundo transcende as coisas que aparentemente deixamos por valer serem mais fortes em algo que porventura creiamos solidamente. Algo de inclusivo espiritualmente, uma força maior, um sentido que dê sustentação a um caminho mais aprumado em nossas vidas...
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