sexta-feira, 28 de novembro de 2025

FÉ: UM LADO DESCONHECIDO DA RAZÃO


                Temos por base um conhecimento de algo... Conhecer algo é como inundar a mente com a razão, sabermos ler algo, ter os instrumentos, o intelecto, coisa que não pode ser jamais descartada, já que é um caminho para compreendermos, para sabermos, adquirirmos mais sabedoria, já que as duas palavras são distintas, em essência. O conhecimento é algo do intelecto, a sabedoria por vezes é algo da intuição, conjuntamente. O intelecto é como uma ponte que vai do instinto à intuição, conforme Osho declara em seu livro: “Intuição, O Saber Além da Lógica.” Parece uma coisa fácil, quando temos a certeza de algo muitas verdades funcionam, assim como aquela que diz que o gelo é frio e o fogo é quente, que afirma que a vida seria melhor se fôssemos seguros financeiramente, e que o conforto material é algo que se torna uma realidade quando estamos bem empregados em um bom trabalho, e ganhando o suficiente para isso. São coisas que fazem parte da vida. E a fé, faz parte da vida? O que ela é? Quiçá não dê para explicar, mas a fé é algo em que acreditamos, um tipo de intuição, algo que não pode ser conhecido, que salta, que não é linear, que não é temporal, não é racional. Ela pode estar na razão, mas a razão não está necessariamente nela... Não é um sentimento, se aproxima da contemplação, está em uma oração, vem mais do coração do que da mente. Seguro é que quanto temos fé em Deus, na forma concebida, ou em algo que sequer seja concebido em dimensão ou forma, se torna por vezes inquebrantável, é uma parte que faz parte do homem e da mulher, seria a parte que nos caberia dizer ser uma grande frente de possibilidades, jamais uma quimera ou um chiste, posto ato e modo de sentir algo que vai além da razão, além mesmo do pensamento, e que se pode perceber, com os olhos, ou com o citado coração, com as mãos e com a pele, com o espírito, acima de tudo...

                Acima de toda a sensação, acima de todos os sinais dos sentidos, temos a realidade que a mente infere, mas acima da mente, temos uma inteligência que nos guia, mas acima da inteligência temos nossa realidade espiritual, e aí reside a fé. A razão não a pode descrever, mas a fé dela é irmã quando a razão vira uma alfombra onde a fé pode repousar, uma superfície onde a notemos, onde venha tomando forma, pincelada após pincelada, ponto a ponto, na construção de um saber, na erupção da sabedoria, ou na dimensão espiritual do ser em si, que somos na essência, um ser dotado de instinto, intuição e intelecto.

                Em uma forma escorreita, somos mais do que a carne, somos alma, somos o espírito, e isso fala alto à nossa fé e, conforme Osho, em seu livro sobre a Intuição, seríamos testemunhas, mas se carregamos Deus dentro do nosso coração, somos agentes da nossa fé, enquanto Deus testemunha e desfruta, apenas... Nós somos alma imutável, diante de nosso corpo, dentro dele, uma centelha divina; e ele é o templo que nos guarda e protege: um tipo de máquina complexa, carregada de instintos, como a respiração, a digestão, os códigos genéticos, a circulação, os órgãos e etc. Seríamos párias enquanto seres se diante de tudo e todos não fôssemos divinos em nossa essência mais pura. Mas por vezes caímos diante de nós mesmos e nos tornamos materialistas em excesso, vítimas do intelecto e do racionalismo exacerbado, tentando explicar tudo e todos, e gerando as guerras, que igualmente são frutos da mesma inteligência.

                A fé, assim como a intuição, não pode ser explicada, uma quiçá faz parte da outra, ou sequer exista a fronteira que as divide. Não se traduz em palavras de conhecimento o incognoscível, ou aquilo que jamais se conhecerá, mas faz parte da Natureza de um sábio, um guru, ou um mestre que saiba um pouco do mundo e da alma. O processo de cartesianismo da sociedade contemporânea, o pensamento filosófico, a especulação científica, são ramos do conhecimento e quiçá sejam importantes para a humanidade, mas são servos e não senhores dela... Você pode intuir e ter fé no amor, ter fé na arte igualmente, posto nela a divindade se manifeste, você pode trazer para a sua realidade essa Natureza, mas na realidade de consumo isso não compete mais com essa espiritualidade, e vai dar com os burros n’água para saber que jamais se poderá amar através de um espectro materialista, ou mesmo intelectual, posto algo além vai fazer parte da relação, e esse mistério é o que encerra a questão de duas almas se encontrarem e amalgamarem suas vidas, assim como nas dificuldades existenciais depositar sua fé é algo sobremodo importante para que se resolva a vertente da própria vida e suas vicissitudes.

                A fé, não sendo um sentimento, não sendo a razão, o intelecto, o sentido, no entanto pode ser fruto da percepção humana, a comunhão com outros seres, é um sentido da vida, um tipo de ação que remonta a existência do homem em todos os seus primórdios... Mas, acima de tudo, requer uma prática cotidiana, e os sábios já afirmavam que quem leva uma vida mais contemplativa, em preces, em orações, quem vê a Natureza com o olhar divino, pode, sim desenvolvê-la mais organicamente, como se fosse um tipo de musculatura espiritual que se fortalece com o tempo e muito dependerá de retirarmos de nossos olhos a poeira acumulada da ilusão de Maya sobre nós para que tenhamos olhos para ver, ouvidos para escutar e bocas para pronunciar as palavras que o nosso ser precisa para que tenhamos o oceano de bendição como uma jornada a ser atravessada em nosso caminho para as luzes e a salvação, mesmo que tenhamos que empreender sacrifícios onde, por força do hábito, costumamos temer, posto que o mundo transcende as coisas que aparentemente deixamos por valer serem mais fortes em algo que porventura creiamos solidamente. Algo de inclusivo espiritualmente, uma força maior, um sentido que dê sustentação a um caminho mais aprumado em nossas vidas...

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