segunda-feira, 9 de dezembro de 2024
SERMOS SEMPRE AFEITOS A CONQUISTAS NEM SEMPRE PAULATINAS, POSTO POR VEZES QUASE URGENTES, PARA QUE TENHAMOS MELHORES VIDAS PARA TODOS OS QUE SENTIMOS ESSAS NECESSIDADES DE MUDANÇAS, É O QUE IMPORTA PARA QUESTÕES QUIÇÁ MESMO ESPIRITUAIS DO SER HUMANO, QUANDO A TRANSFORMAÇÃO EM NOSSO ÍNTIMO É PROFUNDA.
domingo, 8 de dezembro de 2024
A INDEPENDÊNCIA DO DIVÃ
Por
pouco tempo se deitar no divã pode ser mais confortável do que se imaginaria...
Ou mesmo o que tudo significa, quando se cita um divã, o tratamento da
psicanálise, toda a simbologia do nome, o que requer que seja a sua função,
posto todo o conforto, toda a confiança em que uma sala pode colocar um
paciente à vontade. Freud cria o divã como mobília indispensável a que o
analisando possa falar livremente, com a postura relaxada, com a mente livre
para poder divagar sobre tudo o que lhe vier à mente, e isso fala à prática
mesma da psicanálise, indo de todo um arcabouço teórico para a situação onde o
analista começa e investigar o mundo inconsciente de seus pacientes: essa é a
essência da questão toda. No começo há a primeira entrevista, o contrato, etc,
estabelecem-se os padrões e horários de como se vai fazer a terapia, que pode
ser abordada de vários modos, pois na atualidade há vários processos
terapêuticos, mas Freud inaugura com o divã e a livre associação de ideias o
pressuposto do método em que um paciente pode falar livremente, de modo a
permitir ao analista sua interpretação, um tópico tão crucial entre a relação
do terapeuta com o cliente.
É
importante salientar a relação entre o paciente e o analista, seu vínculo, a
transferência que por vezes ocorre, ou mesmo a contratransferência. O vínculo
terapêutico se estabelece como uma relação onde o paciente confia no terapeuta,
se sente à vontade, por vezes se dando a transferência, quando o paciente
deposita no terapeuta ou nele projeta uma figura paterna, fraternal, ou mesmo
uma condição subjetiva, ilusória. Pode ocorrer, na contratransferência, um
sentimento onde o terapeuta vive sentimentos de seu paciente, se sente
envolvido pela realidade daquele, e por vezes se envolve afetivamente nessa questão;
mas há que se acautelar, mantendo-se vigilante a esse tipo de processo, pois se
por um lado a transferência ou a contratransferência seja positiva no
estabelecimento do vínculo, o analista deve sempre observar o óbvio
distanciamento profissional, e ater-se à interpretação do analisando, seus
recalques, seus traumas e ruídos que brotam do inconsciente, buscando sempre
montar o quebra-cabeças de modo lógico, racional, o que pode durar um tempo
razoável... Há casos em que um tratamento dura muito tempo, mesmo em pacientes
não psicóticos, pois há questões de neurose que se auto alimentam no dia a dia
de muitos, e a questão da psicoterapia em alguns casos é uma questão de alívio
existencial, de poder se expressar na forma mais plena com um especialista, pois
há pessoas que dependem da terapia, por vezes durante toda a sua vida.
O divã,
simbolicamente representado pelo móvel onde o analisando se senta ou deita para
realizar sua consulta, ou terapia, deve estar em uma sala onde o paciente se
sinta bem, se sinta sempre confortável, e será depois de algum tempo que ele
desenvolverá – o paciente – a confiança necessária com relação ao analista,
posto quando falar sem barreiras, livremente, há já que estar bem desinibido e
sem as resistências que por vezes ocorrem quando se há que falar sobre o que acontece
no nosso mais íntimo ser, o que porventura nos ocorrera no passado de algum
trauma, nossas inquietações existenciais profundas, ou mesmo atos ou palavras
que quando proferimos a outra pessoa nos deixariam vexados... O que há no mundo
e em nossa civilização é que todos os que temos condições de nos analisar com
um psicólogo ou psicanalista, esse fato nos coloca em vantagem com relação ao
mundo tal como está, pois estaremos nos preparando melhor para nos conhecer e aos
outros que tanto por vezes nos causam ruídos, causas de tantas neuroses, e
fugas paliativas para o álcool e outras substâncias, na ponta do que acontece
com muitos que buscam apenas se anestesiar perante os problemas ao invés de enfrentá-los,
como se deve. Fugimos por vezes de nós mesmos, e a prática da terapia e seus
mecanismos apenas se dá com a função de que, falando sobre os problemas que
tivemos no passado, tenhamos mais fortalecimento para vencer os recalques que
ficaram soterrados em nosso inconsciente, e o terapeuta é que dá a sua interpretação
sobre o que ocorre, mas na realidade ele está no universo do “não saber”,
apenas diz por experiência clínica o que pode estar nos afligindo dentro de
nosso imo.
A
prática do terapeuta infere que este esteja sempre se atualizando, para saber
sua real posição dentro de seu trabalho, que na contratransferência que pode
muitas vezes se dar, assim como em episódios recorrentes de resistência ao
tratamento: quando o paciente se nega a revelar algo que lhe dá imensa
angústia, por exemplo, essa prática de atualização permite ao terapeuta estar
bem posicionado nos casos mais difíceis, e manter um afastamento necessário de
algum ruído que o possa afetar em seu processo analítico. Na realidade, muitos
são as interpretações e terapias na psicologia contemporânea, mas especialmente
na psicanálise o divã ainda é um bom recurso a ser utilizado, pois cria um
ambiente confortável, conforme acima explicado, que estreita ainda mais o
vínculo terapêutico e estabelece laços em que a relação entre analista e
paciente venha a prosseguir até se obter a alta do paciente, posto ser esse
ofício, “quase que um médico da alma”, que faz do analista ser tão importante no
mundo contemporâneo, com todas as suas inquietações e dificuldades que afligem
a nós, seres humanos que somos todos...
"A POINT"
Soturno véu, desdita da lua, quem te saiba, estrela,
A quem nos déramos no escuro da noite,
Posto a vida de não sermos não revele
A semântica de uma via quase discreta
Mas que, em detrimento de um quase clarão
Na luz de uma lâmpada quiçá sobre tempo para adiante...
sábado, 7 de dezembro de 2024
A RELIGIÃO INDOMADA
O
encontro de mais um dia com algo de famigerado, um ser ou outro, uma
esportividade, quem sabe em um sábado seja tão fortuito quanto sorrir para uma
mulher sem expressão, quando no preparo da rega, quando ela, em um café do sul
da América do Sul, quiçá pensasse em algo que fosse realmente concreto... Ao
que não nos furtemos que a comunicação é válida, por vezes estamos cansados,
por vezes um entregador de farmácia treme, ao temor de um dia, por vezes o dia
aparenta algo que não vemos na ótica do outro, ou quem sabe tudo seria uma
questão meramente espiritual! Pois sim, viremos a alcançar uma luz maior no
pressuposto quase invisível da Natureza, e àqueles homens e mulheres que dela
necessitam como rotor indelével de suas vidas, a cada instante estamos com a
força redobrada, e as baterias não param de ser recarregadas, mesmo que no
cansaço intelectual se sinta a fadiga, já ao término de mais uma jornada.
De
tantas passadas, quando vivemos intensamente essa força anímica citada no
encontro com a dita Natureza, cada pássaro, cada inseto, cada vibração ou
lufada do vento, as horas em seu movimento, os homens e mulheres, ou as
crianças brincando, tudo faz parte de uma harmonia que se dá dentro daquilo que
muitos pensam ser a natureza material, mas na realidade é isso mesmo, uma
Natureza, mas algo maior, posto espiritualidade dentro da carne, dentro das
cascas, tão somente em uma árvore encontramos e reencontramos essa energia e
substrato vital...
Daquilo
que é aparentemente subtraído da liberdade de um homem ou de uma mulher, ou
daquilo que verte – livre – por meios outros, dentro de uma janela digital, do
serviço em estar-se doando a algo ou alguém, do encontro com amigos novos e
velhos, do aparente “sem contato físico” ao contato concreto dos resultados,
tudo é modo e circunstância da vida mesma que pulsa no coração daquele que
redescobre o viés de uma performance existencial mais profunda, quando senão
seriam dias melhores também ao fato de que a sobriedade apenas ressalta a dádiva
de nossas qualidades intrínsecas.
Quando
queremos um amor, apenas queremos, mas o amor que queremos não é propriamente
algo de objeto, algo que viria por meio de um trabalhar para isso no sentido do
encontro, de se encontrar fisicamente, qualificar a coisa e tentar a
conquista... Esse meio de apropriação lembra de quando o rude ser abatia a
presa e a carregava para deglutir na sua fome de predador! Seria algo tão
crível quanto entrar em uma concessionária de carros e arcar com os dotes
financeiros necessários para presentear a felizarda, por uma noite regada a
champanhe e sexo. Mais do que isso, impor-se limites ao possível, limitar-se a
regras básicas de existência cabal, é um pouco mais importante do que
viabilizar sonhos heroicos, ou mesmo “retaguardas históricas...” Um pouco da
quebra do mito é necessário para se remontar um quebra cabeças indizível e
praticar a sensatez destes dias onde se reflui um instinto e se reconstrói
partes do ego que já não sedimentava as pulsões de modo mais equilibrado. Um
pragmatismo na prática.
Seria
um tanto de evitar a rudeza consigo mesmo, ser mais condescendente com o
próximo, talhar prejuízos na pedra em vez de na madeira de um restaurante, e
sentar civilizadamente, mesmo que a comunicação se dê na medida do provável,
sem obviamente darmos muita corda quando estamos bem orientados quanto à
realidade de onde estamos.
Em um
viés dilatado, estaremos mais distanciados de bad trips sóbrias, de caminhos tortuosos se enviarmos a nós mesmos
recados de um superego mais treinado, por vezes como um grilo que se anuncie de
tempos em tempos, ou mesmo na espiritualidade tão importante que se dê na fé e
na recarga da certeza de estarmos trilhando por veredas concretamente corretas.
Essa espiritualidade é coisa de se fazer sentir no dia a dia, mas não seria
como uma muleta, senão o próprio sentido da vida de um ser humano. Poderiam
chamar isso de religião, mas se não houvera outra denominação, seria porventura
o ser religioso se pronunciando a si mesmo e aos seus recursos espirituais mais
íntimos, e por que não? O reconhecimento de estarmo-nos religando a nós mesmos
com um Poder maior do que nós, é o aval de prosseguirmos diante de uma vereda
onde os caminhos se abram para a luz, e onde se veja que, se porventura
encontrarmos rochas que se anteponham, basta evitar estar em suas direções, e
passar ao largo, mesmo que por adiante tenhamos que retornar, para que prossigamos
já em outro escopo do espírito, consonantes com a evolução da matéria, que
perfazem em uníssono um hólos, uma
totalidade, um quê de se determinar a ótica de se viver em um mundo em que não
projetemos hostilidades ilusórias...
REMINISCÊNCIAS DO AGORA
Pássaros voam, ou voaram no exato instante de segundos atrás...
Dois pousaram sobre os cabos de fibra ótica, quem sabe seus movimentos da cauda
Remanejassem outras questões da eletrônica dos ares
E outros em profusão, já pousam nas beiradas, há cumeeiras plenas do espaço...
Outros aparecem, resta-nos o diálogo quase aparente da Natureza, e o espiritual
Remonta reminiscências algo ocres, carmesins, outro tanto, do ébano do urubu,
Em seu silêncio de condor brasileiro, negro como suas penas que carrega,
Já não está no ar, e outros três pássaros já estão no alto do poeta
Com suas posições da liberdade da poesia, em dizer que na lembrança do já
Um acaba de voar para onde nosso olhar já não alcança...