sexta-feira, 24 de julho de 2026

AS TENTAÇÕES INCONSCIENTES DO OUTRO SER


              Colocarmo-nos à prova é como irmos para lugares, como que mordendo a isca, engolindo o anzol, sem sabermos que isso pode trazer-nos prejuízos emocionais sem conta, ou mesmo induzirmos o nosso ser a uma modalidade de dependência, quando o que precisamos fazer é estarmos blindados com toda a nossa fé em um Poder Superior, distante de ruídos ou pessoas que porventura, por vezes até na forma de um grupo de recuperação de outra droga, podem nos afetar sensivelmente no escopo das citadas emoções, ou mesmo espiritualmente. Na verdade, sofremos invariavelmente das tentações que outrem nos colocam, por vezes inconscientemente, na nossa frente, para que façamos justamente o que o “outro lado” deseja: que voltemos a um ciclo de vícios... Essas tentações podem ser tão rápidas e rasteiras, como um convite, um supor, um devaneio hipócrita, uma sedução a um poder qualquer, uma rodada de cartas, ou mesmo o sucesso aparente de um dia, nas mãos daqueles que se dizem santos, mas são na realidade mais pecadores do que o próprio pecado, pois diuturnamente trabalham para trazer mais e mais exemplares para sua esfera de atuação, nisso citando os traficantes, os maus elementos e as companhias indesejáveis. Nessa questão, estão evidentemente, esses agentes do mal, conscientes de suas maldades, mas o perigo reside naqueles em que depositamos total confiança, e depõe contra nós diante de um fato de que por vezes efetivamente estejamos nos libertando de um vício, e inconscientemente, esses falsos amigos não suportam essa ideia. A questão vai mais além: supondo que alguém seja mais adicto em outras substâncias do que outros, vai ser naquela em que esses outros que já sofrem de uma única adição, como no exemplo da nicotina, que vez ou outra, o inconsciente de alguém na forma de uma tentação velada, ou mesmo em quase aspectos de fantasia onírica, beirando uma psicopatia inconsciente, se é que se poderia afirmar isso, o fará quase que – na visão de outrem – espiritualmente o movimento oposto que possa prejudicar a tranquilidade de um ser humano que, especialmente nos períodos que precedem a noite, tendem a recair na droga e pôr tudo a perder, diante do esforço que a medicina demanda em relação a ele.

              É como se o diabo tentasse de uma forma que nem mesmo ele soubesse que estaria cometendo esses tipos de insanidades e maldades... A correção para as tentações demoníacas estará no modo em que um ser humano, quando busca se auto corrigir, não infligirá danos, conscientes ou inconscientes aos outros, pois as pulsões do inconsciente quando não são mitigadas pelo superego, tendem a dar escape ao instinto de morte, e ao ser demoníaco, na verdade, quiçá por ignorância, ou mesmo pela persona que criara de si mesmo, não importa tanto a sua própria vida, e menos ainda a vida de seu semelhante. Aliás, se padece de algum sofrimento, encontrará no sofrimento do outro a razão de se prosseguir vivendo, justamente quando tiver a empatia de que será encontrando outro em pior situação que ele se locupleta em sua satisfação aparente, mesmo em meio de um mundo miserável. Na simples acepção de que um ser humano não possa ser feliz quando realmente é, está a tristeza do diabo, especialmente quando este ser humano se encontra com o Salvador todos os dias da semana, seja se salvando de um vício, seja condoendo-se pelo fato de que, mesmo as mentalidades mais demoníacas, não passam de transições passíveis de cura, apesar de certas coisas estarem cristalizadas no comportamento do outro ser, e de que o espírito do mal se manifesta em várias vertentes hoje em dia, não apenas no que se crê ser a tentação inconsciente, mas na ira declarada, na inveja e nos outros pecados capitais, e na falta de fé de que um ser com a sujidade de um vício que não crê ser possível abandonar, quer levar para a sua própria sepultura aqueles que fazem um esforço grande para abandoná-lo, sem distinguir, por vezes até ingenuamente, que todos merecem um espaço para redimir de seus próprios erros, até mesmo o próprio diabo condenado em um sanatório por seus erros passados, ou um criminoso que cumpre a sua pena por causa de crimes que por vezes, já aos olhos de Deus, são imperdoáveis...

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