Colocarmo-nos
à prova é como irmos para lugares, como que mordendo a isca, engolindo o anzol,
sem sabermos que isso pode trazer-nos prejuízos emocionais sem conta, ou mesmo
induzirmos o nosso ser a uma modalidade de dependência, quando o que precisamos
fazer é estarmos blindados com toda a nossa fé em um Poder Superior, distante
de ruídos ou pessoas que porventura, por vezes até na forma de um grupo de
recuperação de outra droga, podem nos afetar sensivelmente no escopo das
citadas emoções, ou mesmo espiritualmente. Na verdade, sofremos invariavelmente
das tentações que outrem nos colocam, por vezes inconscientemente, na nossa
frente, para que façamos justamente o que o “outro lado” deseja: que voltemos a
um ciclo de vícios... Essas tentações podem ser tão rápidas e rasteiras, como
um convite, um supor, um devaneio hipócrita, uma sedução a um poder qualquer,
uma rodada de cartas, ou mesmo o sucesso aparente de um dia, nas mãos daqueles
que se dizem santos, mas são na realidade mais pecadores do que o próprio
pecado, pois diuturnamente trabalham para trazer mais e mais exemplares para sua
esfera de atuação, nisso citando os traficantes, os maus elementos e as
companhias indesejáveis. Nessa questão, estão evidentemente, esses agentes do
mal, conscientes de suas maldades, mas o perigo reside naqueles em que
depositamos total confiança, e depõe contra nós diante de um fato de que por
vezes efetivamente estejamos nos libertando de um vício, e inconscientemente,
esses falsos amigos não suportam essa ideia. A questão vai mais além: supondo
que alguém seja mais adicto em outras substâncias do que outros, vai ser
naquela em que esses outros que já sofrem de uma única adição, como no exemplo
da nicotina, que vez ou outra, o inconsciente de alguém na forma de uma
tentação velada, ou mesmo em quase aspectos de fantasia onírica, beirando uma
psicopatia inconsciente, se é que se poderia afirmar isso, o fará quase que –
na visão de outrem – espiritualmente o movimento oposto que possa prejudicar a
tranquilidade de um ser humano que, especialmente nos períodos que precedem a
noite, tendem a recair na droga e pôr tudo a perder, diante do esforço que a
medicina demanda em relação a ele.
É como se
o diabo tentasse de uma forma que nem mesmo ele soubesse que estaria cometendo
esses tipos de insanidades e maldades... A correção para as tentações
demoníacas estará no modo em que um ser humano, quando busca se auto corrigir, não
infligirá danos, conscientes ou inconscientes aos outros, pois as pulsões do
inconsciente quando não são mitigadas pelo superego, tendem a dar escape ao
instinto de morte, e ao ser demoníaco, na verdade, quiçá por ignorância, ou
mesmo pela persona que criara de si mesmo, não importa tanto a sua própria
vida, e menos ainda a vida de seu semelhante. Aliás, se padece de algum
sofrimento, encontrará no sofrimento do outro a razão de se prosseguir vivendo,
justamente quando tiver a empatia de que será encontrando outro em pior
situação que ele se locupleta em sua satisfação aparente, mesmo em meio de um
mundo miserável. Na simples acepção de que um ser humano não possa ser feliz
quando realmente é, está a tristeza do diabo, especialmente quando este ser
humano se encontra com o Salvador todos os dias da semana, seja se salvando de
um vício, seja condoendo-se pelo fato de que, mesmo as mentalidades mais
demoníacas, não passam de transições passíveis de cura, apesar de certas coisas
estarem cristalizadas no comportamento do outro ser, e de que o espírito do mal
se manifesta em várias vertentes hoje em dia, não apenas no que se crê ser a
tentação inconsciente, mas na ira declarada, na inveja e nos outros pecados
capitais, e na falta de fé de que um ser com a sujidade de um vício que não crê
ser possível abandonar, quer levar para a sua própria sepultura aqueles que
fazem um esforço grande para abandoná-lo, sem distinguir, por vezes até
ingenuamente, que todos merecem um espaço para redimir de seus próprios erros,
até mesmo o próprio diabo condenado em um sanatório por seus erros passados, ou
um criminoso que cumpre a sua pena por causa de crimes que por vezes, já aos
olhos de Deus, são imperdoáveis...
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