Haja o
que houver, perdoando é que se é perdoado, e conforme se diga, um pecador que
pede o perdão merece ser perdoado setenta vezes sete... A sinceridade no ato, e
o ato de submetermo-nos a uma autoridade, sendo ela espiritual, ou no simples exercício
da convivência com familiares, na questão da hierarquia, respeitando os mais
velhos e duramente solapados por sofrimentos anteriores, por complexos duros da
existência, seremos melhores, justamente pela questão desses seres que por
vezes negando o simples conviver serem responsáveis por nos cuidar, e essa mola
mestra que vai e volta, que se traduz nesse exercício continuado, se transforma
em amor, no que vem a ser o perdão de que se trata sabermos que o ser é mais do
que supõe quando esse amor se transforma em diálogo, compreensão e virtude...
Supomos que não seja assim em tudo, pois no mais das vezes desconhecemos muitos
que beiram nossos raios do conhecimento, mas aqueles que coexistem fisicamente
conosco, sendo eles funcionários, uma mãe adoecida, um filho desmotivado, ou um
pai mentalmente enfermo, todos passamos por uma questão de rebatimentos e
compreensão necessários para nos compreendermos mutuamente, e não é isso uma
questão meramente de tempo, mas que nos demos tempo para que as coisas se assentem
em nosso coração, para assim sermos mais livres com relação a medidas a se
tomar, a decisões importantes, e ao escopo de perdoarmo-nos a nós mesmos,
quando esse ato de perdoarmo-nos na realidade passa pelo crivo do Redentor, que
reside em nosso coração. O ato de misericórdia a nós mesmos é um ato de
misericórdia ao outro. Quando divagarmos que seremos mais felizes ao supormos
que toda a tempestade tem seus dias de calmaria, isso demanda que também
façamos um esforço em sermos mais íntegros com todos os que trazem as boas
novas, esperando uma resposta que venha ao encontro de nós mesmos, ou de tal
modo que encontremo-nos com aqueles que porventura traçamos um contato por
vezes quase pueril no momento de duas horas, onde encontramos muitas vezes
também relatos de gente que sofreu deveras e que deve a sua vida e suas crenças
à aproximação de um grupo, ou ao contato que obteve de um bom texto, na
literatura da vida.
À
medida que raiamos ao desconhecido, esse raiar do sol tímido, reticente, por
vezes é o alento que nos fará ver que por certo encontraremos mais do que
simplesmente expressar ideias, e praticar grandemente um altruísmo sincero, um desprendimento
correlato com palavras de esperança e fé, e engrandecer a vida dos que nela
depositam seus veios, largando de vez questões como instintos destrutivos, ou
coisas parecidas... Não que certas coisas não alcancem significados outros que
não sejam díspares, conforme assertivas em que de outro modo aceitávamos antes,
mas as novidades que trazem um bom tempo, nem que o seja por meros cinco
minutos do tempo de um ser, isso é mais do que apenas dialogar com a esperança,
senão construí-la com os nossos próprios braços, na obra grande, onde
certamente o Criador nos faz de instrumentos da citada obra. É como um encontro
certeiro de membros de uma família, sem termos quaisquer vínculos com grilhões
outros que não sejam um pouco do quilate do sofrimento em que cada qual tenha
vivido uma boa parte de sua existência.
A
partir do momento em que completamos, através do perdão, mesmo que em silêncio
e anonimato constante, os atos cometidos por pessoas que antes nossos
prejulgamentos houvessem abraçado a intolerância encoberta, ou sentimentos de
profunda natureza negativista, quando estamos dispostos a conviver com os
ruídos ou chistes de muitos humanos que outros veem com o preconceito do
desconhecimento ímpar, Cristo, isso sim, traz para nós a compreensão de que
somos mais verdadeiros do que antes supuséssemos que éramos. Essa
transubstanciação da carne do Salvador, no símbolo do pão, e de seu sangue, no
símbolo do vinho, traz em si a forma mais terna que não reduz o pecado ao
pecador, mas nos salva quando comungamos sempre, dia a dia, não apenas na
hóstia sagrada, mas na Natureza ela mesma, onde a Santíssima Trindade se nos
apresenta de modo a querermos mais e mais estarmos uno a Ela e praticarmos o
bem, onde quer que os transtornos e o sofrimento humano se nos apresente...
Quando aparentarmos que não somos feitos do perdão de Deus, quando parecermos ser aquilo que sequer pretendíamos, não padeceremos do quinhão em que Jesus não nos repartiu o pão, mas na realidade de um dia estará a situação em que estaremos mais serenos, sempre que necessitarmos do mesmo perdão citado. Quando vier um dia em que seremos mais e melhores do que o que nos encaminhe o viés das luzes, na verdade a beleza do Espírito Santo, esse ser da Trindade que não pode ser blasfemado jamais, nos enlevará a tal ponto que seguiremos a cumprir o milagre do encontro com os Evangelhos dos Apóstolos, esses homens que foram escolhidos para levar a palavra, com especial atenção ao evangelho da misericórdia, ao espiritual e às cartas de Paulo, juntamente com a Igreja de Pedro, que a construiu para o Senhor.
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