terça-feira, 28 de julho de 2026

CONHECIMENTO E SABEDORIA: A PRÁTICA E A TEORIA


                Se há uma questão de sermos conhecedores de algo, possuirmos bagagens, sermos doutores, ou mesmo termos mais informações a lapidarmos em nossa vida consciente, por vezes a sabedoria ela mesma nos falta, quando o que fazemos é estarmos angustiados ao não gerir a informação que acumulamos em nossas vidas na forma de conhecimento, passando ao não praticar muito o que todo o lado teórico nos tenha ensinado. Passamos a evitar olharmos para certas situações concretas e não agir conformemente com o que nossa consciência dita, ao nos ocultarmos de um problema e não seguir corretamente um caminho que seja no mínimo sensato. Em um exemplo cabal, há inúmeros homens cultos e inteligentes que não largam certos vícios que podem leva-los à morte, justamente porque não encontram meios na sabedoria para largá-los, mesmo querendo abandonar essas dependências. Teoricamente, até sabem como poderia se fazer, mas esquecem o fato de que sem o acompanhamento de um profissional como um médico muitas vezes isso se torna muito difícil, bem como a ajuda de um psicólogo, e de toda a boa vontade e técnicas que o paciente passa a ter que praticar para se livrar dos grilhões dessas formas de viver, que os podem levar a momentos de angústia, não apenas pela ingesta, como pela abstinência.

                Vivemos por vezes momentos emocionais difíceis, seguindo por caminhos que não são sábios, e isso cabe por solapar a nossa existência na relação com os outros companheiros de estrada, por vezes algo nos aborrece, por vezes somos artistas e nos expressamos na base da dor, com toda a parte técnica, por vezes, em síntese, não estamos de bem com Deus, e isso pode nos trazer mais a mais sofrimento, pois a questão espiritual também – e pode por vezes não parecer tanto – é importante em muitas questões de nossa prática diária, como as preces e as orações... Quanto mais levarmos uma palavra alentadora para nossos amigos que necessitem dela, mais e mais estaremos praticando o nosso conhecimento, seja ele em que área for, principalmente nas questões de saúde, onde podemos ajudar a curar enfermos, ou mesmo levando aquela que remete à esperança e à fé em um Poder Superior a nós mesmos, esse Jesus Cristo que tanto nos enleva, mas com uma força gigante na força que dele emanou em todos os sentidos e em todas as circunstâncias.

                Divagando sobre o constructo do “self” no processo de individuação, Jung mesmo nos ensina ser possível que encontremos a paz, mesmo portando um problema mental de gravidade, e será por essa vereda que na sobriedade emocional estaremos aptos a largar outros vícios, afora aqueles que nos alteram o humor, como as relações que julgáramos tóxicas, o vício da nicotina, que por ausência nos submete a uma dose de sofrimento, e outros que são pertinentes, mas de preferência que o façamos aos poucos, com a redução de danos paulatina, pois assim dá mais certo em grande parte dos casos, aliás, em 50 a 70% deles. Ou seja, depois de atingirmos um grau de serenidade existencial, depois que nossos conflitos mais severos internos deixarem de ser um grande obstáculo para a nossa recuperação, quando pudermos evitar tudo o que não nos seja favorável, mesmo alguns grupos de recuperação onde não sentimos muito uma boa e saudável empatia, com acompanhamento psicológico, conforme citado acima, é que podemos começar a empreender a batalha para sentir-nos nas rédeas da situação. Esse controle efetivo e consciente de que podemos, sim, nos livrar de drogas como a nicotina, uma das mais severas de que a ciência médica tem notícia, sempre vem a reboque de nosso estado psíquico mais equilibrado, e que sofrermos muito não condiz com os aspectos de vulnerabilidade mental quando já padecemos dessa doença. O uso indiscriminado de café, energéticos, ou outros aditivos que nos deixem mais “espertos”, no mal sentido da palavra, apenas nos predispõem a que sintamos os gatilhos mais próximos, e o fluxo da fissura, ou mesmo de estados emocionais mais afeitos aos mesmos gatilhos, surjam inesperadamente, ou mesmo em modalidades que antes não esperávamos encontrar com tal intensidade. Por aproximação, a cafeína e a nicotina meio que “se entendem” mutuamente... Esse conhecimento, essa teoria, não adiantaria nada se não praticássemos com sabedoria a evitar esses gatilhos, pela ingestão dessas substâncias, e os movimentos compulsivos em sua direção apenas reitera o fato de que nem todo o conhecedor é um homem realmente sábio, e que nem todo aquele que conhece as coisas teoricamente as aplica na prática. Quando, finalmente, estamos a poucos passos da vitória, saberemos que nem tudo estava perdido, e que, dia a dia, com todos os recursos do conhecimento que tínhamos à nossa disposição, quando praticados, se tornarão o resultado de levarmos a nossa vida com a sabedoria necessária que resultará em resultados antes apenas teóricos, e que apenas a esperança e a fé, inabaláveis, podem mitigar os sofrimentos daquelas horas em que nos encontraremos silenciosamente sozinhos, pois encontra naquele que nos salva todo o tempo é um meio de encontrarmos nosso melhor amigo, isso, para todo o sempre...

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