segunda-feira, 20 de julho de 2026

A CONSCIÊNCIA NA SAÚDE MENTAL


              Teremos nós, enfermos mentais, condições de vencer os obstáculos em que se nos apresentam as vicissitudes da vida, ela mesma, ou será que acabamos por nos escravizar diante de grupos que por vezes podem se tornar insidiosos no sentido de pressionar-nos a que sejamos até certo ponto mais funcionais, agindo coercitivamente e com o zelo típico da hipocrisia, já que a muitos a doença mental sequer é aceita na modalidade de socialização de seus portadores perante grande parte dos que se dizem os alfas na sociedade contemporânea? Quantos sacrifícios ainda teremos que cumprir diante da medicina, se na realidade simplesmente nosso encontro com a religião pode ser mais importante do que tudo, inclusive de escolher como e quando morrer? Não que a medicina não seja uma ciência importante, mas devemos levar em conta que tratar rudemente seu paciente não seja uma alternativa exatamente de acordo com o que se trata de levar algum bem estar para o ser humano, e não trata-lo apenas como um código, ou um caso, ou um “material doente...” O que um paciente que sofrera demasiado com a espera de um suporte médico na questão de um vício, agora fugiu ao controle, e ele sabe que terá que esperar agora um pouco mais de tempo para recompor os destroços na sua saúde mental, em decorrência das frustrações de suas recaídas, e do prejuízo de sua vida perante a fumaça ingerida e dos cigarros que tem fumado até então. Pois bem, a relação paciente-médico fica meio estremecida, mas na realidade o paciente apenas posterga o dia e a hora da consulta, mesmo para que se ajustem os ponteiros para que a consciência de um enfermo esteja mais plena em sua saúde mental.

              Mesmo porque até mesmo alguns grupos de recuperação pseudo filosóficos só servirão para dirimir algumas dúvidas, e evitar certas aproximações se torna algo pontualmente necessário para que o citado paciente possa se dedicar a algo maior do que apenas escravizar-se perante um vício do qual não consegue se libertar, e de toda uma abordagem equivocada por não encontrar suporte à altura nem na medicina nem em grupos de recuperação, pois suas tentativas já se revelaram infrutíferas, e as demandas subliminares que exigem de sua atitude existencial são tão sutis como muralhas de chumbo... Uma vida sem os pesadelos das ânsias se vence normalmente e se cumpre naturalmente, mesmo que um homem tenha que sacrificar um pouco a sua saúde, em um intervalo onde a sua saúde mental tenha que respirar um pouco. Quando se estabelece um dia “D” para largar o hábito de fumar, isso pode significar a ponta de toda uma questão de ordem sacrificial, mas quando a questão toda se torna uma tomada de consciência paulatina e, como diz um religioso, entregamos a nossa vontade a Deus, quiçá essa nossa vontade maior seja mais pertinente, porquanto menos restritiva de nossos movimentos, e afeita a processos menos dolorosos para o nosso eu mais profundo, conforme se diga a quem porta psicoses de fundo de gravidade ímpar. O paciente não quer sujeitar-se a um tratamento que o mantenha em total controle e sedação para poder enfrentar um vício, senão seria um contrassenso da própria ciência médica. O paciente há que estar apto a caminhar com mais vigor e não necessitar de tantos adesivos que inoculem o veneno em seu sangue, e partir quiçá a se permitir o vício a partir da redução dos cigarros fumados, até parar com esse hábito nocivo. Esse é o modo libertário de não se seguir programas, pois nem sempre uma programática é essencial para a libertação de um homem ou de uma nação, haja vista tantos partidos políticos e suas doutrinas... Compulsão por compulsão, é melhor aquela sem adesivos, do que com eles.

              Algo de mania é salutar para o recuperando, como caminhar, e caminhar, gerar saúde, comer salada, proteína, fazer regime, manter-se limpo, disciplinado, ou seja, encontrar um propósito na vida, que a justifique e que não o suprima e não o sufoque, mesmo que encontre ofensores amiúde: isso é recorrente na vereda onde o ser humano passa a sublimar coisas como uma adição severa, uma dependência química, ou uma doença de cunho mental, onde se encontra consigo mesmo, por vezes lendo um evangelho, uma palavra de Deus, por vezes lendo um livro de filosofia, história, ou mesmo psicologia, ou escrevendo, ou desenhando algo, fazendo um diário de suas conquistas ou derrotas, ou seja, fazendo os exercícios e tarefas em casa, e saindo para caminhar nos intervalos, sem dispensar uma boa ginástica na academia.

              São coisas que ampliam nosso ir e vir, e não carregar uma culpa é como tirar um fardo pesado dos ombros, qual, cada dia seja feita a vontade do Senhor, a vitória ou a derrota não importa tanto, o que importa é sermos mais crédulos de que essa vontade seja mais forte do que nós mesmos, pois a vida está para ser vivida, e estarmos conscientes do que seja a realidade nos conforte no sentido de darmos mais significado a coisas que são realmente importantes no escopo de nossa existência.

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