Teremos
nós, enfermos mentais, condições de vencer os obstáculos em que se nos
apresentam as vicissitudes da vida, ela mesma, ou será que acabamos por nos
escravizar diante de grupos que por vezes podem se tornar insidiosos no sentido
de pressionar-nos a que sejamos até certo ponto mais funcionais, agindo
coercitivamente e com o zelo típico da hipocrisia, já que a muitos a doença
mental sequer é aceita na modalidade de socialização de seus portadores perante
grande parte dos que se dizem os alfas na sociedade contemporânea? Quantos
sacrifícios ainda teremos que cumprir diante da medicina, se na realidade
simplesmente nosso encontro com a religião pode ser mais importante do que
tudo, inclusive de escolher como e quando morrer? Não que a medicina não seja
uma ciência importante, mas devemos levar em conta que tratar rudemente seu
paciente não seja uma alternativa exatamente de acordo com o que se trata de
levar algum bem estar para o ser humano, e não trata-lo apenas como um código,
ou um caso, ou um “material doente...” O que um paciente que sofrera demasiado
com a espera de um suporte médico na questão de um vício, agora fugiu ao
controle, e ele sabe que terá que esperar agora um pouco mais de tempo para
recompor os destroços na sua saúde mental, em decorrência das frustrações de
suas recaídas, e do prejuízo de sua vida perante a fumaça ingerida e dos
cigarros que tem fumado até então. Pois bem, a relação paciente-médico fica
meio estremecida, mas na realidade o paciente apenas posterga o dia e a hora da
consulta, mesmo para que se ajustem os ponteiros para que a consciência de um
enfermo esteja mais plena em sua saúde mental.
Mesmo
porque até mesmo alguns grupos de recuperação pseudo filosóficos só servirão
para dirimir algumas dúvidas, e evitar certas aproximações se torna algo
pontualmente necessário para que o citado paciente possa se dedicar a algo
maior do que apenas escravizar-se perante um vício do qual não consegue se
libertar, e de toda uma abordagem equivocada por não encontrar suporte à altura
nem na medicina nem em grupos de recuperação, pois suas tentativas já se revelaram
infrutíferas, e as demandas subliminares que exigem de sua atitude existencial são
tão sutis como muralhas de chumbo... Uma vida sem os pesadelos das ânsias se
vence normalmente e se cumpre naturalmente, mesmo que um homem tenha que
sacrificar um pouco a sua saúde, em um intervalo onde a sua saúde mental tenha
que respirar um pouco. Quando se estabelece um dia “D” para largar o hábito de
fumar, isso pode significar a ponta de toda uma questão de ordem sacrificial,
mas quando a questão toda se torna uma tomada de consciência paulatina e, como
diz um religioso, entregamos a nossa vontade a Deus, quiçá essa nossa vontade
maior seja mais pertinente, porquanto menos restritiva de nossos movimentos, e
afeita a processos menos dolorosos para o nosso eu mais profundo, conforme se
diga a quem porta psicoses de fundo de gravidade ímpar. O paciente não quer
sujeitar-se a um tratamento que o mantenha em total controle e sedação para
poder enfrentar um vício, senão seria um contrassenso da própria ciência
médica. O paciente há que estar apto a caminhar com mais vigor e não necessitar
de tantos adesivos que inoculem o veneno em seu sangue, e partir quiçá a se
permitir o vício a partir da redução dos cigarros fumados, até parar com esse
hábito nocivo. Esse é o modo libertário de não se seguir programas, pois nem sempre
uma programática é essencial para a libertação de um homem ou de uma nação,
haja vista tantos partidos políticos e suas doutrinas... Compulsão por
compulsão, é melhor aquela sem adesivos, do que com eles.
Algo de mania
é salutar para o recuperando, como caminhar, e caminhar, gerar saúde, comer
salada, proteína, fazer regime, manter-se limpo, disciplinado, ou seja,
encontrar um propósito na vida, que a justifique e que não o suprima e não o sufoque,
mesmo que encontre ofensores amiúde: isso é recorrente na vereda onde o ser
humano passa a sublimar coisas como uma adição severa, uma dependência química,
ou uma doença de cunho mental, onde se encontra consigo mesmo, por vezes lendo
um evangelho, uma palavra de Deus, por vezes lendo um livro de filosofia, história,
ou mesmo psicologia, ou escrevendo, ou desenhando algo, fazendo um diário de
suas conquistas ou derrotas, ou seja, fazendo os exercícios e tarefas em casa,
e saindo para caminhar nos intervalos, sem dispensar uma boa ginástica na
academia.
São
coisas que ampliam nosso ir e vir, e não carregar uma culpa é como tirar um
fardo pesado dos ombros, qual, cada dia seja feita a vontade do Senhor, a
vitória ou a derrota não importa tanto, o que importa é sermos mais crédulos de
que essa vontade seja mais forte do que nós mesmos, pois a vida está para ser
vivida, e estarmos conscientes do que seja a realidade nos conforte no sentido
de darmos mais significado a coisas que são realmente importantes no escopo de
nossa existência.
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