terça-feira, 2 de junho de 2026

COISAS BOAS E NEM TANTO


              Quem dera pudéssemos alterar o tempo, revirar o passado, ou erigir o futuro, neste presente, e que trabalho seria, como que divulgando antes o espetáculo e preparando a cena para o depois... Mas, mesmo em um teatro, o tempo, obra de uma fantasia e de uma projeção, obedece à linearidade que supõe ser ela mesma algo que obedece a uma total imposição, ou seja, o tempo eterno, que pertence a Deus, nada mais. Nada podemos fazer para mudar o passado ou para saber do futuro, pois isso já passara no primeiro, mesmo que alguns detalhes não fossem descritos a grosso modo, posto até mesmo a história, essa musa fabulosa, tem que ser revisitada todos os dias e reinterpretada conforme os cânones até mesmo da tecnologia e da ciência das crenças do ser humano, além das conquistas e paradigmas planetários. Posto o passado é o conhecimento de tudo que remonta a história da civilização, através dos seus registros, dos livros, e agora até mesmo de mensagens que se passam nos canais os mais diversos de comunicação, como a galáxia que tão bem McLuhan explicitou em seus estudos no século passado, e o futuro é apenas uma possível projeção baseada em estatísticas, de como se forma o clima global, como as pesquisas eleitorais preveem resultados, ou como uma rotina pode influenciar positivamente um andamento do que venha a ser uma vida melhor, mas será apenas no presente que a ação se dará, sempre, invariavelmente. Nesse ínterim, coisas boas podem acontecer, assim como eventos não muito bons, e isso por vezes depende muito de nossas atitudes não apenas diante de nós mesmos, mas igualmente diante de nossos semelhantes. E, justamente, encontrar a verossimilhança com “o outro” é uma das artes mais difíceis, pois encontramos naqueles que não conhecemos adiante de nosso nariz um estranho que no mais das vezes pode se tornar nosso maior companheiro. O diletantismo em nos apercebermos que as coisas ruins não sejam exatamente aquelas que determinamos por rotulagem ou mesmo por determinações ideológicas, faz com que abramos a mente para discernir a boa coisa da ruim, ou seja, o que é bem feito e o que não é bem feito perante o escopo social, em termos de serviços e afins, para se dar um exemplo cabal.

              Nessa jornada em sabermos discernir uma coisa das outras, onde a sabedoria seja o resultado de um conhecimento vinculado a um tipo de prática cotidiana, onde por experiência obtemos os resultados desse citado conhecimento e o vivenciamos na citada prática, a sabedoria referida impõe que sejamos algo além do que apenas simples mortais neste mundo, e que saibamos que as boas coisas, mesmo que as ruins nos aflijam nesse plano terrestre, nos esperam do outro lado da vida, ou seja, como na oração da Ave Maria: “agora”, ou na hora de “nossa morte”, evidenciando claramente que podemos obter o benefício e a solução de nossos problemas diante de Deus agora, ou mesmo diante do nosso passamento... Ao menos, os signos da devoção nos encaminham para essa latitude da fé, e a simples oração do terço nos faz "sintonizar" não apenas com a prece, seus meandros, sua doutrina católica, como encaminha-nos para os mistérios, onde Jesus se revela como alguém que está presente em cada conta, pois grande é o caminho da devoção, apesar de estarmos, quando começando essa vereda, apenas engatinhando frente aos desígnios solenes de Deus.

                Não pode haver rancor contra uma religião em se partindo de outras, nem pensar na espiritualidade como uma saída de per si, se a própria religião significa o religar-nos a Deus, ou a esse Poder Superior... O arcabouço de um templo é a estrutura mãe onde nos encontramos com o Salvador, e ele sempre nele estará presente, pois não é em casa que encontraremos sua presença, mas na esfera onde encontramos outros fieis em devoção a Ele, e a conjunção dos astros e sua imantada energia em prepararmo-nos para esse Contato Supremo.

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