Aí está,
estaremos em algum lugar hoje, e por que não, estar, simplesmente, com tudo que
seja bom, mesmo que ainda estejamos com uma ressaca moral, ou de fato,
física. Sim, seria a nossa palavra, e por que não viveríamos, consortes
com tudo aquilo que implica a vida, tal como ela é, e por que esperar o que
desejaríamos ser, com uma sociedade modificada a tal ponto que os rancores da
vida e da morte, principalmente quando o instinto desta última se pronuncia,
como Thanatos, por que não nos permitirmos o instinto de Eros, de vida, simplesmente,
sem criticarmos sobremodo o nosso semelhante, a saber, que o “outro” muitas
vezes enfrenta suas dificuldades tamanhas, sobretudo nos aspectos que possam
nos dizer ao auxílio que podemos – e devemos – dar, no que seja possível, e que
nossas ferramentas sejam mais do que suficiente, mas que antes precisamos
aprender a usá-las... Piedade é o que pedimos para nós: Senhor, tende piedade
de nós... Quando pecamos tanto, não é, meu Deus? Quando pecamos em pensamentos
e palavras, quando desdizemos tudo, quando pronunciamos nossos preconceitos,
quando tecemos os pecados capitais, crendo que nenhum deles faria parte de
nossa Natureza, e quanto nos apercebemos somos eles e muitos outros,
personificados!
Nada do
que supúnhamos de um mundo melhor seria algo a se predizer que fosse
notavelmente possível, mas há esferas e esferas, e estar comungando com irmãos
de fé é algo maior do que encarar um mundo pleno de problemas, por vezes
extremamente sem espiritualidade, coisa que nada no mundo pode mudar, pois essa
é uma característica particular e universal do nosso planeta, sempre tem sido
assim, e é por essas razões que praticamos com aqueles com quem nos associamos em
algum tipo de culto ou religiosidade nossa prática diária, meditando, orando e
praticando diuturnamente os passos que nos levem a uma vida melhor. Não que se
dissesse que seríamos santos, mas aqueles que sofrem, que estejam se encaminhando
para votos de mais renúncia, pois será através da renúncia aos gozos da matéria
que estaremos por vezes alcançando o êxtase transcendental, será no sofrimento
de muitos que estaremos revelando ao mundo que aqueles que possuem muitos bens
materiais na realidade aparentemente sequer têm uma crença ou uma fé que os enleve,
pois para esses vale mais o cartão em que viajam para a Europa e os EUA do que
propriamente uma vida espiritual dentro da realidade de seu próprio país, com todos
os problemas que enfrentamos por aqui, e todas as possibilidades concretas de
se autorrealizarem espiritualmente.
“Por favor”,
diria um, “eu creio em Deus, eu creio em Cristo Pai”, assim como conceberia o
Rei dos Reis, assim como sei que Ele está presente entre nós... Assim como este
que vos fala pensa naqueles que estão excluídos agora, estão nas ruas, na
mendicância, assim também como há muitos que atingiram a educação, que nosso
país está dando de jornadas exaustivas para fazer o melhor possível para trazer
imensas populações para as frentes do progresso. Há que se ter compreensão dos
fatos, e não será pontuando em um game algo insólito daqueles que, como os
fariseus, fazem uma opção preferencial pelos ricos e latifundiários, que
imensas populações de nossa nação já não tenham a noção evidente de que estamos
nos encaminhando para sermos mais independentes – cada vez mais – para um rumo
de maior solidariedade e justiça social, onde a citada espiritualidade esteja
sempre presente, a cada dia em que nos encontremos por vezes entristecidos por
algum motivo ou razão.
Um
homem sabe de sua real motivação para estar vivo, na maior parte das vezes, e o
que o encaminha para a vida, mas a diferença muitas vezes é o seu caminho, pois
por vezes ele escolhe um muito mais fácil, mais largo e mais rápido, facilitado
por coisas que nem sempre são o melhor para si mesmo, posto uma vida traçada
por longas e fatigantes jornadas é uma vida onde o ser humano vai descobrir uma
tal gama de descobertas, que seria muito mais rico em sua velhice crer que
haverá cumprido quase tudo, mas que a citada jornada nunca termina, mesmo
depois de atravessarmos o vale da morte. Nosso corpo é, acima de tudo, espiritual
e todos os livros sagrados assim o confirmam. Mesmo as religiões de matriz
africana que não possuam muito de literatura, mas a prática dos ritos, em sua
forma mais essencial, crê em suas divindades, e assim vamos, conduzindo a nossa
crença em algo que concebemos como Deus, seja Jeová, Alá, Cristo, Buda e etc,
sendo sempre o mesmo Deus, em formas as mais várias, mas essencialmente o
depositório de nossa fé: isso que muitas vezes se torna inquebrantável e que
seguimos pedindo perdão a que sejamos dignos desse Poder Superior a nós mesmos,
mesmo que, certa feita, desconheçamos exatamente o que ou qual seja.
O que
devemos ter certeza, e isso diz respeito à ciência da medicina, é que vincular
substâncias tóxicas com relação a cultos ou outras crenças, nem sempre é a
melhor medida, pois pode afetar sobremodo a saúde mental, física e até
espiritual do ser humano. Rituais de iniciação com o Daime, o ayahuasca, o peiote,
a marijuana, o chá de cogumelos, e outros, assim como qualquer droga, alucinógena
ou não, ou meramente o uso de cachaça em um terreiro de umbanda, pode tornar
não apenas o homem ou a mulher dependentes, como trazer severos riscos à saúde,
assim como para se fechar um bom negócio o rico faz uso do uísque escocês e dos
charutos cubanos, isso também pode ser um ritual que, quando praticado com muita
frequência, como os happy hours no fim de semana, ou em todos os eventos
corporativos, mesmo que esse seja outro viés, um quesito materialista, de
negócios, isso também se torna um tipo de “ritual” que certamente não traz benefícios
à saúde. Portanto, é possível viver bem sem estar se intoxicando com nada, e
uma vida espiritualizada e plena é factível posto não somos seres ausentes da
fé, mesmo os ateus e agnósticos acreditam em algo, só resta saber que um dia quiçá
esse algo porventura possa ser o Deus que faltava em suas vidas...
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