domingo, 2 de novembro de 2025

A SAÚDE DO MUNDO EM MUTAÇÃO


               Fritjof Capra, em suas obras, já ressaltava, há décadas atrás, a importância de nos atinarmos com as transformações dinâmicas em termos dos diálogos que o mundo já apresentava, alternos, com relação ao planeta, à física em que Newton já fora superado, na previsibilidade de uma nova ciência, de nossa relação com a Natureza e da natureza do Tao, ou do “Ponto de Mutação” na sociedade e sua cultura, sua maior obra quiçá, onde ressalta a importância de um modo mais orientalizado de se ver o mundo, ou ao menos um modo onde o Ocidente se aproximaria do Oriente, em um entendimento dos dois modais de vida. Um, cartesiano, lógico, racional, linear, e o outro sincrônico, imantado por dois polos antagônicos e no entanto complementares, harmônicos, com um inconsciente mais equilibrado, milenar e com um arremedo de ciência milenar contraposta com a condição de um pensamento filosófico mitológico e cristão, na abordagem quase unilateral daquilo que subentende a tradição europeia, a ortodoxia religiosa, ou mesmo por diferenças culturais atávicas e sistemas e governos de dominações imperiais no correr do tempo, conforme processos históricos sucessivos, desde o grande império Romano na Europa até a conquista de outros continentes, por parte da mesma Europa, com é o caso da Inglaterra, mais recentemente, suplantada depois pela supremacia dos EUA. 

                A questão espiritual do Oriente é confirmada na prática, nos Kirtans hindus, nos templos do Tibete, no taoísmo chinês, na expansão da consciência, onde o misticismo dessa ordem é visto no Ocidente como um tipo de superstição, algo que não supera o texto bíblico, onde muitos devotos ocidentais por vezes são meros repetidores dos versículos, sem praticar efetivamente esses ensinamentos, pois por vezes consideram a prosperidade como bênçãos, onde sói restituirmos, simplesmente, as palavras do Cristo a ele mesmo, o Salvador...

               A unicidade energética dos polos negativo e positivo do Ying e do Yang pode ser a complementaridade da questão onde a Europa, as Américas e a África seriam vistas como um elemento Terra: a mãe, e onde o mundo Oriental seria como o céu: o pai. Posto nas suas tradições milenares estariam os fatos incontestáveis de que seus seres repousam em mais harmonia, enquanto a mãe Gaya e seus outros seres, terrenais, seriam objeto de complementaridade, onde uma seria a energia negativa, o ying, e o pai celeste, a energia positiva, ou o yang, acabando por fundirem-se uma na outra como mescla indizível da mesma energia essencial, de Natureza a ambas transformadora e plasma das duas realidades. Essa parte do ser que está disposto a tolerar as dualidades, onde estas sequer façam muita diferença no escopo de sua crença primordial, unem o desconforto com o conforto, a tristeza e a alegria, a tolerância e a ira consciente, o gozo e o celibato, a água e o fogo, a terra e o céu, componentes estes últimos constituintes na medicina ayurvédica indiana, herança igualmente do mundo oriental, posto a espiritualidade nessa nação é sobremodo intensa, e o ayurveda é a medicina mais antiga que se tem notícia na história das civilizações... A recorrência de que os chacras sejam centros energéticos vitais no ser humano inferem um conhecimento em que o mundo ocidental só no século passado começou a adotar como escopo de tratamentos usuais, assim como a acupuntura e o do-in, este último uma técnica de auto massagem igualmente como forma de abordagem alternativa terapêutica.

               No escopo das ciências ou da espiritualidade, quem sabe quando o grande Jung afirmara que – em sua época – a China não possuía bem uma ciência, mas tradições de uma cultura milenar, e que o mundo da Europa detinha todos os conhecimentos mais puros de uma ciência dissecadora e fragmentadora do conhecimento em especializações, talvez quisesse afirmar que justamente no mundo oriental como um todo o hólos, ou o conjunto das coisas da Natureza, e seus arremedos daquela glória pertencida aos remédios de ervas, de bichos e insetos, de drogas naturais, de chás, diferissem tanto da alopatia tradicionalmente conhecida por cá, e que tremendamente curaria um órgão do corpo, mas não seria tão funcional ao não combater as causas da devida doença, algo evidente no ayurveda, onde a alimentação se torna a função primeira da cura, pois há tipos característicos de pessoas que demandam a alimentação correta, e diagnósticos mais holísticos que denotam a atenção maior que se dá no processo desse tipo de abordagem. No entanto, a alopatia sem dúvida é o carro chefe no ocidente e incluso em muitos países orientais para se curar inúmeros males, incluso mentais, o que não significa que uma mescla das duas correntes pode trazer grandes benefícios à humanidade como um todo. Pois igualmente de nada vale para o Ocidental imitar certos movimentos orientais às cegas, desprezando seu próprio conhecimento cultural e histórico, pois isso seria enfeixar coisas onde não se teria condições de se saber o nível de aproximação correto de um conhecimento totalmente novo para uma realidade em que não proceda um sistema de saber que seja compatível com o que já resguardamos em nosso pensamento. Finalmente, isso nos leva a crer na possível complementaridade cultural e cessação de antagonismos reflexos entre os blocos ocidental e oriental, posto seja mais importante o fator da mescla colaborativa e integrativa entre essas diversas modalidades culturais, ampliando o leque das possibilidades, e gerindo melhor a unidade do mundo em relação ao respeito à Natureza como um todo e aos seres vivos dos quais o ser humano faz parte, como agente transformador e com capacitação racional para modificar a matéria e igualmente entrar harmonicamente com o espírito da citada Natureza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário