Fritjof Capra, em suas obras, já ressaltava, há décadas atrás, a importância de nos atinarmos com as transformações dinâmicas em termos dos diálogos que o mundo já apresentava, alternos, com relação ao planeta, à física em que Newton já fora superado, na previsibilidade de uma nova ciência, de nossa relação com a Natureza e da natureza do Tao, ou do “Ponto de Mutação” na sociedade e sua cultura, sua maior obra quiçá, onde ressalta a importância de um modo mais orientalizado de se ver o mundo, ou ao menos um modo onde o Ocidente se aproximaria do Oriente, em um entendimento dos dois modais de vida. Um, cartesiano, lógico, racional, linear, e o outro sincrônico, imantado por dois polos antagônicos e no entanto complementares, harmônicos, com um inconsciente mais equilibrado, milenar e com um arremedo de ciência milenar contraposta com a condição de um pensamento filosófico mitológico e cristão, na abordagem quase unilateral daquilo que subentende a tradição europeia, a ortodoxia religiosa, ou mesmo por diferenças culturais atávicas e sistemas e governos de dominações imperiais no correr do tempo, conforme processos históricos sucessivos, desde o grande império Romano na Europa até a conquista de outros continentes, por parte da mesma Europa, com é o caso da Inglaterra, mais recentemente, suplantada depois pela supremacia dos EUA.
A questão espiritual do Oriente é confirmada na prática, nos Kirtans hindus, nos templos do Tibete, no taoísmo chinês, na expansão da consciência, onde o misticismo dessa ordem é visto no Ocidente como um tipo de superstição, algo que não supera o texto bíblico, onde muitos devotos ocidentais por vezes são meros repetidores dos versículos, sem praticar efetivamente esses ensinamentos, pois por vezes consideram a prosperidade como bênçãos, onde sói restituirmos, simplesmente, as palavras do Cristo a ele mesmo, o Salvador...
A
unicidade energética dos polos negativo e positivo do Ying e do Yang pode ser
a complementaridade da questão onde a Europa, as Américas e a África seriam
vistas como um elemento Terra: a mãe, e onde o mundo Oriental seria como o céu: o
pai. Posto nas suas tradições milenares estariam os fatos incontestáveis de que
seus seres repousam em mais harmonia, enquanto a mãe Gaya e seus outros seres,
terrenais, seriam objeto de complementaridade, onde uma seria a energia
negativa, o ying, e o pai celeste, a energia positiva, ou o yang, acabando por
fundirem-se uma na outra como mescla indizível da mesma energia essencial, de
Natureza a ambas transformadora e plasma das duas realidades. Essa parte do ser
que está disposto a tolerar as dualidades, onde estas sequer façam muita
diferença no escopo de sua crença primordial, unem o desconforto com o
conforto, a tristeza e a alegria, a tolerância e a ira consciente, o gozo e o
celibato, a água e o fogo, a terra e o céu, componentes estes últimos
constituintes na medicina ayurvédica indiana, herança igualmente do mundo
oriental, posto a espiritualidade nessa nação é sobremodo intensa, e o ayurveda
é a medicina mais antiga que se tem notícia na história das civilizações... A
recorrência de que os chacras sejam centros energéticos vitais no ser humano
inferem um conhecimento em que o mundo ocidental só no século passado começou a
adotar como escopo de tratamentos usuais, assim como a acupuntura e o do-in,
este último uma técnica de auto massagem igualmente como forma de abordagem
alternativa terapêutica.
No
escopo das ciências ou da espiritualidade, quem sabe quando o grande Jung
afirmara que – em sua época – a China não possuía bem uma ciência, mas
tradições de uma cultura milenar, e que o mundo da Europa detinha todos os
conhecimentos mais puros de uma ciência dissecadora e fragmentadora do
conhecimento em especializações, talvez quisesse afirmar que justamente no
mundo oriental como um todo o hólos, ou o conjunto das coisas da Natureza, e
seus arremedos daquela glória pertencida aos remédios de ervas, de bichos e
insetos, de drogas naturais, de chás, diferissem tanto da alopatia
tradicionalmente conhecida por cá, e que tremendamente curaria um órgão do
corpo, mas não seria tão funcional ao não combater as causas da devida doença,
algo evidente no ayurveda, onde a alimentação se torna a função primeira da
cura, pois há tipos característicos de pessoas que demandam a alimentação
correta, e diagnósticos mais holísticos que denotam a atenção maior que se dá
no processo desse tipo de abordagem. No entanto, a alopatia sem dúvida é o
carro chefe no ocidente e incluso em muitos países orientais para se curar inúmeros males, incluso mentais, o que não significa
que uma mescla das duas correntes pode trazer grandes benefícios à humanidade
como um todo. Pois igualmente de nada vale para o Ocidental imitar certos
movimentos orientais às cegas, desprezando seu próprio conhecimento cultural e
histórico, pois isso seria enfeixar coisas onde não se teria condições de se
saber o nível de aproximação correto de um conhecimento totalmente novo para
uma realidade em que não proceda um sistema de saber que seja compatível com o
que já resguardamos em nosso pensamento. Finalmente, isso nos leva a crer na
possível complementaridade cultural e cessação de antagonismos reflexos entre
os blocos ocidental e oriental, posto seja mais importante o fator da mescla
colaborativa e integrativa entre essas diversas modalidades culturais,
ampliando o leque das possibilidades, e gerindo melhor a unidade do mundo em
relação ao respeito à Natureza como um todo e aos seres vivos dos quais o ser
humano faz parte, como agente transformador e com capacitação racional para modificar
a matéria e igualmente entrar harmonicamente com o espírito da citada Natureza.
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