Há
pessoas que parecem anjos e agem como tal, quando dizem coisas que ajudam a outras
na latitude de praticarem um bem que sequer podemos mensurar. O conhecimento
que nos leva à bendição nos é um predicado que não encontramos facilmente,
senão naqueles que porventura tenham encontrado muitas vezes algumas dificuldades,
ou mesmo tenham sido tão regrados e altruístas em suas vidas que o que passam
para outros em estado de sofrimento e inquietações são palavras de fé, de
estoicismo, de uma delicadeza ímpar, coisas que deduzimos não existir mais
tanto hoje na humanidade, mas que na realidade ainda são o sal da terra, a
razão pela qual continuamos a crer na mesma humanidade, que antes supúnhamos
sequer estar de pé. É como em um vício que mantemos em nós mesmos e o largamos,
como que por milagre, tentando ao menos, por mais um dia, que seja, tentando
sempre, e isso nos infira sermos melhores, ao menos por esse dia, como se nos
limpássemos, a mente, o corpo e o espírito de ruídos existenciais que profundamente
nos afetam nesse sentido. Vício aquele que preferimos afirmar seja uma doença
das compulsões, severa, sim, é fato, mas que não deve jamais ser maior que nós
mesmos, pois não seremos ninguém se não formos senhores dos nossos atos e
ações, não seremos maiores do que éramos na infância se não tivermos a
maturidade de crer na vida como nosso bem mais precioso. Podemos errar no
processo, mas estaremos mais plenos se sempre estivermos, de modo mais alerta,
na busca, tentando, essa palavra mágica que nos ensina a lutar pelo que
queremos, mesmo que caiamos e depois nos levantemos, pois a vitória é para
aqueles que não esmorecem jamais, e não devemos deixar-nos levar por
sentimentos onde a questão seja derrotista ou negativa, pois não é disso que a própria
Natureza revela a nós mesmos: a velha questão do ser, seu tempo, suas quimeras,
suas dúvidas, e a certeza também, que faz parte por vezes de uma ínfima
parcela, mas é o que pode fazer a diferença naqueles momentos que podem
tornar-se mais obscuros em certos momentos da existência.
Quando
da possibilidade de termos a medicina ao nosso alcance, quando temos acesso a
ela, quando somos cuidados e temos apreço por nossas vidas, mais não faremos do
que atentar e focar o suficiente para o nosso problema, se formos fumantes, em
um exemplo cabal da Natureza de um vício quase silencioso, e tomar a dianteira
e seguir criteriosamente a opinião do profissional da saúde, qual não seja,
deixar de fumar e partir para uma vida plena e saudável, com a preservação do
pulmão, esse órgão tão vital que tão bem trabalha o nosso sangue, este símbolo
da vida, e da morte... O risco tem várias latitudes, e por vezes estaremos mais
próximos de gravidades maiores, mas enquanto estivermos com vida não custa nada
tentarmos, mesmo que tenhamos uma idade avançada, pois nada melhor para um idoso
sentir-se mais vivo por estar estoicamente pronto à jornadas praticamente
espirituais em busca da consolidação de um eu mais purificado.
A qualquer
hora, a qualquer momento, podemos negar o cigarro, podemos não planejar a
cessação, podemos parar de fumar às três da tarde, podemos levantar um dia de
manhã e fazer uma respiração prologada, ou rezar um terço, uma japa mala,
meditar, sair para uma caminhada, na rua ou na esteira, estar fazendo amizade
com um cãozinho que vemos passar pela rua, estarmos lavando a louça, fazendo
outras coisas, prestando atenção em uma respiração: conscientemente... Por
vezes, se não temos com quem falar, podemos escrever algo como se fosse um auto
análise, algo de non sense, algo que para nós nem precisa fazer muito sentido,
a não ser a simples maneira da expressão, de sentir-se acompanhado com um dom
da comunicação, perante o nosso eu mais profundo. Seremos mais sábios assim,
pode crer, pois estaremos cientes de distinguir aquilo que nos afeta daquilo que
é bom para a nossa saúde, estaremos podendo discernir sobre o certo e o errado,
sobre nossos erros e nossos acertos, nossas derrotas e nossas vitórias, mesmo
porque o planeta em que vivemos aparentemente – se formos ver pela ótica do
pessimismo – pode parecer meio desregulado, mas em outra concepção, pode ser ou
parecer algo maravilhoso. É nessa esfera de atuação que podemos inferir que nem
toda a lógica explica tudo, e friamente não saberemos que quando temos a
espiritualidade e sua atmosfera ao nosso lado, tão fortemente cravada perto de
nossas vidas, esta, a vida, torna-se o parâmetro essencial para prosseguirmos
nossas veredas não distantes do que urgimos encontrar diante do aspecto que
sentimos ser o melhor para nós mesmos, assim como não encontraremos do lado de
fora de nós o ser em que sua ação nos traga a sensatez de prosseguir tentando
mais uma vez, mesmo naqueles dias em que parece que o próprio céu depõe contra
nós, pois será nesses momentos em que estaremos mais aptos para nos pormos à prova
diante da essência do citado ser, que é o nosso “self”.
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