sexta-feira, 5 de junho de 2026

TE ENSOMBRECERAS O SUFICIENTE


Encontraria os teus vestígios incandescentes
Da tua pele clara de falsos provérbios e palavras profanas
Quando calava a tua voz o teu gesto e retinia o tilintar de tua veia...

Assim como me lembro de ninguém e estavas presente no meu lembrar.

Não sei dizer o que se passa no meu entendimento, se o que eu desejo
É a capacidade mesma do desejar, e que seja fremente o céu em que anoiteço depois das nove
E amanheço antes que o sol venha a aparecer quando timidamente abro a janela dos teus braços...

Assim de lembranças não lembro sequer que continuo existindo em mim.

Como em uma via dos enjeitados, o mendigo se apresenta com seu farnel de pedintes
E acabo por dar um cigarro dos que já não quero mais fumar
Àquele que sequer pensa no que é estar dando uma tragada, pois sua sobrevivência é outra...

Assim que me lembrarei que um dia estaríamos, eu e tu, quem sabe, nos lençóis de cetim que não existem mais.

E vem o dia, e a poesia chora, chora por ser mais triste um dia, não se estar no dia conforme
Ao que venha a ser a saudade de uma pessoa que a presença tão cálida eu vejo nas noites ou nos dias do meu lembrar
Quando, na aurora do meu despertar, despertas em mim a sensação da vida!

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