O
espetáculo é longo, como são longas as jornadas de um dia de caminhada, e a
noite promete o escurecer sem pássaros, o famigerado refluir das ondas, o junho
que não ensombrece carnes, mas sim as revigora, sem ou com os “aditivos” tão
próprios para uma ocasião onde o fim de semana se torna mais próximo, e a
metade da semana apenas prepara as noites outras, de orgia... Baratas no
inverno se recolhem, as formigas meio que param de trabalhar, os parâmetros de
um índio-vidente se tornam cegos nessa fornalha espiritual nada xamânica. O Nagual
mesoamericano se torna uma realidade, e o homem vira meio inseto, a partir dele
mesmo, a partir da sua concepção da Natureza. Aqueles que se tornam apenas
viventes, são óbices a si mesmos, e motocicletas rugem seus óleos iluminados
por pneus afoitos. Bacanais esperam, quais flores abertas no Mississipi em
chamas. O inferno se faz, a noite ilumina o crime pelo clarão de suas próprias
armas. Os EUA tornam-se o paraíso dos alcoólatras, dos drogados, dos mafiosos.
E esboçam a participação inequívoca para tanto, que há espaço para todos nesse
país, inclusive para certos rubros comandos e certas facções, denominadas
inimigas, mas que encontram franca seara aberta de atuação, junto com os
italianos de Sicília, e a Yacusa. Não desminta certos fatos a CIA, posto que
essa companhia da guerra vem a calhar para muitos oligopólios, inegavelmente.
No Sul do continente Brasil ficamos observando, com os olhos mais atentos,
famigerados por não sermos tão incivilizados como certas pátrias do Velho
Mundo! Aqui, ao menos, as coisas são distintas, respira-se uma civilização
ordeira, não são cruentos os que fazem da crueldade sua chave de acesso, e os
códigos de conduta moral não são sorrateiramente solapados, como no imenso Norte
do imenso continente das Américas. Quem quiser beijar o rabo de um fascista ianque que o
faça, pois satanás está aí para que seja adorado, e Deus já o sabia desde o Pecado
Original, pois nem todo o Poder é glorioso e nem todo o sofrimento é
justificável.
O
espetáculo termina em termos, nas noites que começam e são quase perenes, nas
cidades incomensuráveis do hedonismo, nas viagens pontuadas pelo crivo das
balas, ou mesmo por certos estupros morais ou de fato. Os panteras negras saem
de seus circuitos como se esse movimento fosse de tempos atrás, sob novas
roupagens, e novos mandelas surgem em outras latitudes: negros e brancos, esse
é um apocalipse que não estava bem escrito na escala profética de João.
Dandaras se atiram no precipício e não morrem, viram almas penadas em carne,
como deusas que tal como anjos negros vem amedrontar red necks
texanos... E o petróleo alimenta outras máquinas, as letais, cor do chumbo de
certas paredes, com estranhos caracóis de arame em cima, quais muros de outros
reichs. Caminhões pipas levam a água para lugares ermos, em guerra, e há
pelotões que os proíbem de passar, por estarem querendo sanar a sede de
populações civis, na queda do átrio das sinagogas de favelas do outro lado do mundo.
E as noites correm e acontecem...
Os dias
revelam ao vivo e a cores, as noites revelam as alcovas ocultas, as colheres confeccionando
as drogas, o fumo correndo solto, as emergências médicas, os óbitos invariáveis,
os incêndios sem suporte. Grupos de recuperação são aquilo que mais se deseja,
mesmo diante das mortes inevitáveis, mesmo que estejamos em uma cama de hospital
respirando mecanicamente, ou sendo amputados por falta de vascularização nas
extremidades, ou mesmo quando nas favelas executam da mesma forma que em uma
guerra cruenta um solfejo de garganta da própria execução, um último suspiro,
ou mesmo um que cai doente por se vitimar na guerra cruenta que agora temos que
enfrentar quando a besta nos impinge restrições, quando acompanhamos, ao mesmo
tempo em que o espetáculo nos evidencia esse sinistro “entreter”, as últimas
notícias globais do jornal das nove. Engolfados pelo sangue que se compra nas
redes sociais, como se fosse um produto de fachada, estaremos mais afeito a
carnes mais macias, quiçá folhadas a ouro, ou quem sabe o riquinho filho de um
deputado vai se encontrar com a garota de programa mais esperta do café, e
entregar a "presença" a um traficante por um quilo de Skank.
E tantos desvanecem no ego, dando de si mesmos para revelar que são bons moços ou veteranos fieis à causa, mesmo que não a tenham por regras nem exceções. Fala-se o mesmo, mas os sinais são visíveis, pois enquanto esperamos que todo o mundo se acabe, aprendemos em um ensino religioso que tudo de mal por que o mundo passa é vontade de Deus, e porventura saberemos distinguir que os que estão cada vez mais ricos e escarnecem das palavras de Jesus Cristo não seria a forma mais visível de que a tribo de Lúcifer está ficando cada vez mais forte, em questão de horas, ao menos em que a noite aconteça, pois de dia, graças ao bom Senhor, em um lugar no Sul da América do Sul, cai o pano, e há os da justa que fazem por merecer que se cumpra a lei do citado Cristo...
Nenhum comentário:
Postar um comentário