sexta-feira, 15 de maio de 2026

Quanto à piedade em relação aos deuses, sabe que o mais importante é o seguinte: que possuas juízo correto sobre eles (que eles existem e governam todas as coisas de modo belo e justo) e que te disponhas a obedecê-los e a aceitar todos os acontecimentos, seguindo os voluntariamente como realizações da mais elevada inteligência. Assim, não censurarás jamais os deuses, nem os acusarás de terem te esquecido. Mas isso só é possível se tirares o bem e o mal das coisas que não são encargos nosso se os colocares nas únicas coisas que são encargos nossos. Pois se supuseres boas ou más algumas das coisas que não são encargos nossos, é absolutamente necessário quando não atingires as que queres ou te deparares com as que não queres que censures e odeies os responsáveis. Pois é natural a todo vivente evitar e afastar se das coisas que se a figuram nocivas e de suas causas, como também buscar e admirar as coisas benéficas e suas causas. Então é inconcebível que alguém, pensando sofrer algum dano, alegre se com o que lhe parece danoso. Do mesmo modo, também, é impossível que se alegre com o próprio dano. Daí também isto: um pai é ofendido pelo filho quando não partilha com este as coisas que a este parecem boas. Polinices e Eteocles também agiram assim, por acreditarem que a tirania fosse um bem. Em razão disso, o camponês insulta os deuses, bem como o marinheiro, o comerciante os que perdem as mulheres e os filhos. Pois aí onde está o interesse, aí também está a piedade. Quem cuida do desejo e da repulsa como se deve cuida também, do mesmo modo, da piedade. Convém fazer libações, sacrifícios e oferecer primícias, segundo os costumes ancestrais de cada um, mas de modo puro, não de modo indolente, nem descuidado nem mesquinho nem acima da própria capacidade. EPICTETO.

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