Que fosse apenas um dia, aquele senhor do carro novíssimo, chique,
Pudesse ao menos olhar para o lado e sentir a piedade do outro, na lixeira,
Catando a comida, que olhasse, ao menos que pensasse algo a respeito...
Que os abastados vissem a massa trabalhadora como grandes cidadãos, dando seu
melhor
Para erigir uma nação em que todos os tijolos se erguem todos os dias, e onde
sequer pensam
Pisar, mesmo quando o carro passa no asfalto, há das mãos da obra, e da obra de
Deus.
Sentisse o homem a ternura de sua mulher, quando a agride por palavras ou gesto
Quando de incompreensão, latitude incoercível, quando muito de não saber a
humanidade
Que, algo de se pressentir, a intolerância não virasse moeda corrente quase todos
os dias...
E quando um governante internasse um cidadão por ser pobre e miserável, que
pensasse
Que os direitos desse cidadão são os mesmos de seus filhos, que anda em seus
carros e usam das mesmas drogas
Que o preconceito coloca diante da mesa quase infalível no dia em que a maldade
acoberta o ato.
E que, finalmente, toda a “indústria” dos tóxicos, empreendesse a viela mais
curta de seu fim
Quando se dispusessem a saber que nem todos os seres humanos gostam de viver
fumando
E que nem toda a bebida é comemorativa, pois a tudo afeta o sabermos que ser
limpo é melhor que o “igual”...
sábado, 30 de maio de 2026
A ALTERIDADE DE UM DIA: AO MENOS
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