quarta-feira, 27 de maio de 2026

OS NÓS ALTERNATIVOS E O MOTO CONTÍNUO


              Vivemos em uma sociedade aparentemente completa, resolvida em suas equações, em suas leis, nas cobranças que nos fazem, nos impostos, na relação comercial em suas diversas modalidades, e consumimos ou agimos em moto contínuo: de acordo com o que estamos acostumados desde a infância, com estímulos e respostas, tarefas e recompensas, trabalho e pão. Afetivamente, a coisa se mistura com essa modalidade existencial, e o que pensamos muitas vezes ser uma relação sincera, no mais das vezes é a pura adequação de mutualidade de interesses, não apenas no hedonismo que pode ser adquirido na relação, com a objetivação do prazer, mas igualmente no afeto que exclui partes desinteressantes, na impossibilidade de alternarmos novas modalidades com visão mais crítica da realidade e virtual possibilidade de mudanças concretas em certos status existenciais.

              Os nós que enfeixam uma corda possível são modos de atarmos, através de exigências mais compatíveis com núcleos comportamentais ou da psique que enfeixam as melhoras no nosso quadro de vida, com as outras possibilidades, ou o que de mais “normal” seria apenas deixarmo-nos viver do melhor modo possível. A não adequação a uma sociedade monopolista e ególatra, mercenária e cruenta, onde não se vê o menor traço de alteridade no ser humano, onde muitos pedem e creem piamente que “o outro” deve ser como uma caixa registradora, ou uma fábrica de dinheiro, valores totalmente disparatados, quando se dê o valor ao trabalho como um todo, mas igualmente ao pensar que por vezes pareça ser dissonante à orquestra geral, posto por isso há trabalhos voluntários onde porventura pode ocorrer justamente o câmbio de pensamento e um retorno aos nós que esquecemos atados ao bom senso em buscar alternativas que outras culturas já revelaram ser melhor do que em certos casos, igualmente de Natureza cultural. Não são poucos os que citam a espiritualidade com razões equivocadas, quando muitas vezes creem piamente que, ao fumarem um cigarro de maconha estarão plugados à Deus, ou em outros casos pensam que ao fumar de um cigarro de nicotina estarão alimentando a demanda de uma entidade... Ou que, remontando um paganismo reflexo, quando bebem e ficam embriagados estarão nos requisitos de Baco, mesmo que inconscientemente, e tudo o que significou a orgia no correr dos séculos. Posto que a citada espiritualidade pode ser muitas coisas, mas muitas vezes justamente o nosso distanciamento ou esquecimento de Deus, fruto do pecado original, que nos colocou diante de um mundo de padecimentos onde não haverá mais um Dilúvio, nem um Noé que salve o planeta. O que temos diante de nós é um moto contínuo de ensaios e erros, ou mais propriamente dizendo, de erros sacramentados, e tentativas de ensaios que os reparem, para depois continuarmos a errar sobre a Terra. Poderíamos tentar equacionar as coisas fazendo com que caminhos alternativos nos silenciassem as angústias, a ira, a inveja, a gula e afins, mesmo que alguns desses pecados justamente venhamos a cometer conosco mesmos, apenas isso.

              Um caminho para a paz mundial nos leva a crer na redenção da humanidade, pois afora como esta tem se comportado, para fugir do stress por vezes necessita de somas exorbitantes de consumo, de combustíveis, onde o viés mercenário do hedonismo custa caro, à revelia de quem anda comendo o lixo, ou peregrinando miseravelmente pelas ruas, e não raramente não são maus sujeitos, por vezes são homens de caráter íntegro. Não podemos jamais afirmar que uma condição miserável é proveniente de um mau caráter, ou que um alcoólatra seja um sem vergonha, ou mesmo que um enfermo mental nasceu com um defeito de fabricação em seu gene, pois muitas vezes – e quase sempre – a sociedade doente o fez assim. Justamente por sabermos que no escopo da medicina há sempre uma possibilidade de se enfrentar certas equações de saúde de relevo, é que estaremos cientes de que quando somos subtraídos de acesso a grupos de recuperação, ou mesmo quando estamos diante de nós mesmos, a ciência de nosso corpo e mente se torna assaz efetiva para que possamos combater com a mesma questão espiritual, que sobremodo é nosso empuxo mais forte, tudo o que diga respeito à doença das compulsões, ou mesmo outras comorbidades físicas ou mentais. Será – isso posto – “também” através da tecnologia que daremos cabo com a ajuda mútua de grupos, de problemas dessa Natureza, mas obviamente será mais através de uma pesquisa acurada que poderemos transcender as adições e casos similares, posto técnicas de respiração, as artes marciais, um passeio de bicicleta, um exercício na academia, ou mesmo o sopro terno de um bom e saudável relacionamento, quando possível, dará margens para que nos habituemos com os nós que nos atam ao bom senso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário