Vivemos
em uma sociedade aparentemente completa, resolvida em suas equações, em suas
leis, nas cobranças que nos fazem, nos impostos, na relação comercial em suas
diversas modalidades, e consumimos ou agimos em moto contínuo: de acordo com o
que estamos acostumados desde a infância, com estímulos e respostas, tarefas e
recompensas, trabalho e pão. Afetivamente, a coisa se mistura com essa
modalidade existencial, e o que pensamos muitas vezes ser uma relação sincera,
no mais das vezes é a pura adequação de mutualidade de interesses, não apenas
no hedonismo que pode ser adquirido na relação, com a objetivação do prazer,
mas igualmente no afeto que exclui partes desinteressantes, na impossibilidade
de alternarmos novas modalidades com visão mais crítica da realidade e virtual
possibilidade de mudanças concretas em certos status existenciais.
Os nós
que enfeixam uma corda possível são modos de atarmos, através de exigências
mais compatíveis com núcleos comportamentais ou da psique que enfeixam as
melhoras no nosso quadro de vida, com as outras possibilidades, ou o que de
mais “normal” seria apenas deixarmo-nos viver do melhor modo possível. A não
adequação a uma sociedade monopolista e ególatra, mercenária e cruenta, onde
não se vê o menor traço de alteridade no ser humano, onde muitos pedem e creem
piamente que “o outro” deve ser como uma caixa registradora, ou uma fábrica de
dinheiro, valores totalmente disparatados, quando se dê o valor ao trabalho
como um todo, mas igualmente ao pensar que por vezes pareça ser dissonante à
orquestra geral, posto por isso há trabalhos voluntários onde porventura pode
ocorrer justamente o câmbio de pensamento e um retorno aos nós que esquecemos
atados ao bom senso em buscar alternativas que outras culturas já revelaram ser
melhor do que em certos casos, igualmente de Natureza cultural. Não são poucos
os que citam a espiritualidade com razões equivocadas, quando muitas vezes
creem piamente que, ao fumarem um cigarro de maconha estarão plugados à Deus,
ou em outros casos pensam que ao fumar de um cigarro de nicotina estarão
alimentando a demanda de uma entidade... Ou que, remontando um paganismo
reflexo, quando bebem e ficam embriagados estarão nos requisitos de Baco, mesmo
que inconscientemente, e tudo o que significou a orgia no correr dos séculos.
Posto que a citada espiritualidade pode ser muitas coisas, mas muitas vezes
justamente o nosso distanciamento ou esquecimento de Deus, fruto do pecado
original, que nos colocou diante de um mundo de padecimentos onde não haverá
mais um Dilúvio, nem um Noé que salve o planeta. O que temos diante de nós é um
moto contínuo de ensaios e erros, ou mais propriamente dizendo, de erros
sacramentados, e tentativas de ensaios que os reparem, para depois continuarmos
a errar sobre a Terra. Poderíamos tentar equacionar as coisas fazendo com que caminhos
alternativos nos silenciassem as angústias, a ira, a inveja, a gula e afins,
mesmo que alguns desses pecados justamente venhamos a cometer conosco mesmos,
apenas isso.
Um
caminho para a paz mundial nos leva a crer na redenção da humanidade, pois
afora como esta tem se comportado, para fugir do stress por vezes necessita de somas
exorbitantes de consumo, de combustíveis, onde o viés mercenário do hedonismo
custa caro, à revelia de quem anda comendo o lixo, ou peregrinando
miseravelmente pelas ruas, e não raramente não são maus sujeitos, por vezes são
homens de caráter íntegro. Não podemos jamais afirmar que uma condição miserável
é proveniente de um mau caráter, ou que um alcoólatra seja um sem vergonha, ou
mesmo que um enfermo mental nasceu com um defeito de fabricação em seu gene,
pois muitas vezes – e quase sempre – a sociedade doente o fez assim. Justamente
por sabermos que no escopo da medicina há sempre uma possibilidade de se
enfrentar certas equações de saúde de relevo, é que estaremos cientes de que
quando somos subtraídos de acesso a grupos de recuperação, ou mesmo quando
estamos diante de nós mesmos, a ciência de nosso corpo e mente se torna assaz
efetiva para que possamos combater com a mesma questão espiritual, que sobremodo
é nosso empuxo mais forte, tudo o que diga respeito à doença das compulsões, ou
mesmo outras comorbidades físicas ou mentais. Será – isso posto – “também” através
da tecnologia que daremos cabo com a ajuda mútua de grupos, de problemas dessa
Natureza, mas obviamente será mais através de uma pesquisa acurada que
poderemos transcender as adições e casos similares, posto técnicas de
respiração, as artes marciais, um passeio de bicicleta, um exercício na
academia, ou mesmo o sopro terno de um bom e saudável relacionamento, quando
possível, dará margens para que nos habituemos com os nós que nos atam ao bom
senso.
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