Podemos
viver mais cerrados, qual em uma casa em nossos quartos, como na cumplicidade
de nossos espaços, caminhando dentro de nós mesmos e de nossa fé... Tal não
fora um tempo em que muitos não saberão em que realmente acreditamos, esse Poder
Superior que pode ser Javé, Cristo, Krsna ou Buda, ou mesmo fazermos parte de
uma distante tribo, e tudo depende da situação cultural de nossas sociedades: "quem somos, de onde viemos e para onde vamos", a famosa frase que está na obra
de Gauguin, em sua maravilhosa pintura. O mito nos ajude, a tal ponto em que os
gregos nele acreditassem, posto a religião é algo que o transcende, o torna
palpável, pois quando se crê que a realidade da Ressurreição de Cristo foi real
podemos crer na Natureza cósmica de Deus, e seus rebatimentos na Natureza viva da
qual participamos na razão consubstanciada pela citada fé. Assim como o mundo
está em mutação constante, a eletrônica, seus meios, a tecnologia, a matéria, o
mundo das coisas, dos objetos, que tão bem Baudrillard soube enunciar em sua
obra semiológica, assim seríamos quase profetas quando lemos porventura que no
ato que um segundo encerra para aquele que vem depois, traçamos uma vereda
diamantina, pela simples questão das certezas de estarmos indo em direção a um
porto seguro, a podermos estar na citada vereda sem termos muitas dúvidas em
relação a ela, quando quase de forma budista estivermos acompanhando a passada
de um inseto como rebatimento de um ser que nos ensine algo, no apanhado indizível
da mesma Natureza e sua dialética perante esse Poder gigantesco que se chama
Deus, na acepção de quando temos que encontrar um nome, e por que não? Virá
depois algo de monta, quem sabe, mas a presença do futuro é algo que sempre
temos em mente, pois essa incógnita é um dos mistérios de um mito em que nos
aproximamos de Eras em que os Vedas o saberiam dizer com propriedade, pois é um
conhecimento revelado e, se neles vimos a Verdade, com seus ensinamentos,
convém anunciar as boas novas...
Quando
da crença de um vaishnava de que Sri Chaitanya anunciara que viria um tempo de
luz de seis mil anos sobre o planeta, mesmo que houvéramos já ingressados na
Era de Kali, a Era do Ferro, de duração de 432.000 anos, em ciclos que sucedem
quando Nietzsche, assoberbado com seu “Eterno Retorno” tomava ciência,
condoído, de coisas que quiçá compreendera duramente, mas que conseguiu trazer
à luz do pensamento e da sua razão filosófica, mesmo que saibamos que os
Shastras existem muito tempo antes do filósofo alemão, o Ocidente se encontra
de modo por vezes cáustico com a espiritualidade oriental, de modo a não
sabermos nós, ocidentais, por quais caminhos andaremos sobre a esteira do mundo
em que vivemos, no modo em que concebemos tantas serem as jornadas do
conhecimento. Supondo que em todas essas questões as religiões trazem suas
interpretações sobre a esfera espiritual, quem sabe o misticismo como um todo
seja apenas a busca evidente de que o ser humano tece sua jornada por regiões que
desconhece, sempre nessa busca, mesmo que passe por diversas formas da religião
e sua aceitação, ou mesmo quando interpreta seu parecer religioso sob os
prismas diversos da sua compreensão sobre esse assunto. Não se trate aqui de diferenciar
um dogma religioso, algo consentido pela crença de alguém como fato religioso,
enquanto a outras designações se afirme ser mitologia, posto outro ser pode
crer no mito e mitificar a questão da fé em outra designação, igualmente, em um
rebatimento de prejulgar, um modal avesso a uma mente mais aberta para a Natureza
mesma da espiritualidade, em um sentido mais amplo...
A
questão que fecha o pensamento e o torna quadrático pode estar incluída na falsa
assertividade de imposições de Natureza cultural, quando o que se pressuponha
ser inquestionável, por vezes na acepção de um único indivíduo pode não se
encaixar nos citados dogmas que porventura temos por seguir nas frentes
civilizatórias de toda uma coletividade, quando justamente a religião se torna
algo que no mais das vezes tem cunhos de quase compulsoriedade na salvação de
uma alma, na visão de certas igrejas que tem por base a orientação equivocada
aos seus fiéis.
A liberdade
religiosa não impõe caminhos, e nem regras, mas cada denominação possui certos
cânones, que sempre devem ser respeitados. Isso não impede que o ser humano empreenda, na sua jornada rumo à
espiritualidade, alternativas que ele mesmo pode sentir serem melhores para seu
entendimento e práticas nesse campo da existência, mesmo que na realidade não
se encontre rebatimentos pragmaticamente concretos conforme tal ou qual designação
religiosa. O que importa é a importância de uma vida espiritual, conforme o
entendimento até mesmo de vertentes psicológicas, com estudos desenvolvidos
onde pacientes ou mesmo adictos a drogas encontram sua libertação diante das
dificuldades nesse refúgio imenso que são as religiões e sua vida espiritual.
Uma das rupturas entre Freud e Jung, foi que Freud pensava ser a religião uma
sublimação “válida” das pulsões sexuais, da libido. Jung já sabia da
importância inequívoca das religiões para a cultura e a existência do homem na
Terra, condição que pertence a muitos arquétipos do inconsciente, e a existência
pura e simples do fato de que a religião é tão antiga quanto a humanidade.
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