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conexões do espaço com o tempo, sempre serão essas duas dimensões algo de monta
maior, perfazendo a questão cinestésica: o aqui, o agora. A relação entre essas
duas dimensões é algo que a própria relatividade de Einstein abraçou
inequivocadamente, mas o faremos de modo cartesiano, lógico, no plano do
pensamento enquanto entidade perceptível humana, sem denotar questões
atomistas, ou energéticas, ou de massa. O aqui separado, enquanto espaço, e o
agora, isolado, enquanto tempo, ambos estanques na percepção suprassensível, no
singular, no momentum, no não ser relativo, dependendo do sujeito, posto percepção
primeira, dependente do que se é, de fato, ou no olhar, no se ouvir, onde a
consciência não esteja atinada ao registro, nem mesmo à conexão do que seria
uma casa de dia ou de noite, no entardecer de um dia, no passar das horas, na
sua luz, ou mesmo na sua existência referente que, ao menor sinal de distração,
que as palavras que conduzem a uma consciência mais pura indiquem a orientação
do foco da consciência de saber que aquele aqui, já não era mais, no depois
imediatamente posterior, ou mesmo no que fora o espaço de trabalho, a rotina, a
repetição, sua quebra, uma viagem, uma fotografia do Coliseu, na lembrança, os
sentimentos e todo o contexto humano, transcendendo contudo uma análise
filosófica purista do fenômeno, quiçá o espírito que fica, e que somos, em essência,
todo esse caudal perceptivo, e tudo o que significa a influência externa. E
tudo o que significa o gadget que está nas nossas mãos, a sua linha de tempo, o
retorno a uma mensagem, a possibilidade de comunicação, uma notícia, um ensaio
ou mesmo uma poesia que tenha a ver com o aqui, o aqui elaborado de antes, ou
mesmo na concomitância, quando de uma palavra mais viva, a impressão, como uma
pincelada maestrina, ou mesmo um tipo de doutrina dispensável e equivocada...
O
celular transcendente, o que possuímos, na condição de já não olharmos mais a
Natureza à nossa volta, quiçá seja o objeto que plugue nossa consciência a algo
mais natural ao nosso entorno eletrônico, quem sabe a informação que nos chegue
lapide a citada consciência e nos faça isolar e ao mesmo tempo conectar o aqui
e o agora, dialeticamente, com o passado e o presente, já que fomos o futuro do
passado e o somos no aqui e no agora daquele que foi o futuro, pelo menos
vivemos o momento das horas, por vezes sem o registro, mas que se faça algum
apontamento, isso seria útil. Algum sentimento se nos passe, alguma intuição despercebida
se nos nuble no futuro a memória dela, mas vivermos sob apenas o escopo da
razão pode ser uma seara fria, pois devemos improvisar um pouco com a vida que
temos às mãos...
A existência passa por mistérios
insondáveis, e a fé em algo crível e possível é a única forma de vivermos na
certeza de que algo ou alguém nos passe a segurança espiritual necessária, nem
que o seja na citada razão anteriormente, ou mesmo na determinação de
compreendermos que a conexão com a Verdade estará sempre do lado oposto daquele
em que vemos ou compreendemos uma lógica alterna, na fuga do ser que se distancia
da veracidade por vezes por estar diante do gadget na linha de tempo,
conectando de modo díspar o aqui e o agora, extensivamente fazendo valer-se
desse escape, virando o olhar, e a casa já não estará mais no dia e nem na
noite, estará no não ser, e diante do espelho o ser se encontra com um nada
existencial, pois se achará na soberba espiritual diante de si mesmo em que o
laurel não estará presente de fato na vida, senão como forma da citada soberba
do ego, em que nada não será pertencido ao não ser, mas em todos e todas que
nos fortaleçam... Uma questão histórica da consciência de fato, de se estar
fenomenologicamente em espírito, destarte, como se a galhardia em se prosseguir
não fosse apenas apontar que em determinadas veredas o caminhar por vezes tácito
encontraria um reflexo da gana ou desejo de alhures, em sermos uma projeção, ou
de muitas vezes a ciência e seu método encontrar um modo quiçá já anacrônico de
se controlar espiritualmente o próprio método espiritual, como um proceder
exangue, onde a própria dialética espiritual já nos revela que o mundo tal qual
o conhecemos já não está por ser do modo em que porventura críamos fora
piamente, e que o sagrado veio da existência ainda se perde em dúvidas, mesmo
porque ainda não temos a ciência absoluta de que a casa para a qual olhamos
naquele dia, ainda esteja no mesmo lugar, ou com a mesma luz, e se a noite seguinte
terá a luz que emane do poste, ou mesmo se no jardim da casa será sempre
possível ver a visita dos pássaros, pois o futuro nada dirá a nós mesmos, senão
que cada um leve a sua vida, e que a mensagem sirva para fortalecer cada vez
mais a quem se dispuser a aceitar, pois nem mesmo o Cristo foi aceito pela
humanidade, até provar, depois de sua Ressurreição, que era o Ungido de Deus,
mas para isso foi sacrificado no pior instrumento de tortura que Roma dispunha
na sua época.
As questões relativas ao espaço e ao tempo, em verdade, são relacionadas a tudo o que conforma a percepção humana, mas as noções em que a ciência contemporânea nos coloca, nas novas tramas que ampliaram e relativizaram a percepção que, no pensamento de dois séculos atrás, dialeticamente ressalta a importância de uma releitura histórica do citado pensamento, o viés dos novos artefatos tecnológicos, mas que seja, depois da era romântica, conforme Hegel já afirmava, tudo seria como que uma repetição, e o que hoje acresce enormemente na velocidade de processamento de informações, não deixa de ser o fato de crescer enormemente a devastação planetária, o crescimento populacional do mundo, as guerras, já predizendo que os tempos não estariam muito bons para muitos, e se criam paraísos para muito poucos... Há uma necessidade de conectarmos o espaço e o tempo nos moldes de antigos pensares, remontarmos antigas estruturas, voltarmos a certas raízes estruturais de nosso modo de ser, pois se não for assim, a linha de tempo dos gadgets em questão nos devorará, diante da ausência de testemunhos verazes nos dias que se seguem no decorrer do tempo eterno. O que antes era o agora, o aqui, é o sempre, o tempo eterno, e quiçá apenas a espiritualidade tal qual a conheceríamos com as palavras do Salvador, o seja de fato e, na prática, a vida em comunidade que nos salvaria, sem as designações das dissensões religiosas, mas comungando com Sua Palavra. Tal qual como conheceríamos o mundo, este já não nos responde mais em sua septicemia crônica, e o único modo de moldá-lo à nossa realidade é partir para restaurar seus biomas, fazer a atmosfera voltar a respirar, e extirpar de vez a ganância sobre a Terra, por bem ou por mal, pois senão estaremos fadados a assinar a sentença de morte espiritual sobre a humanidade que diuturnamente tem fracassado sobre sua superfície, em pequenos atos ou em grandes e monumentais desastres...
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