domingo, 28 de dezembro de 2025

NÓS E OS OUTROS...


À busca, à procura, tateamos no breu de nossas mais ínfimas intenções
Quais não fossem: algum remédio, algum fitoterápico que transude através do madeiro
Nas vísceras de nossas raízes, e os outros se nos observem do alto de suas pontes
De um cristal maduro e sem filtros maiores senão do olhar atônito de uma íris de mulher.

Se não nos bastasse o caminhar de um indigente, se não fora o olhar perscrutador da aurora,
Se não presenciássemos por além do tempo eterno, e se Deus não continuasse sua obra,
O que seríamos sem os outros e sua presença, sempiternamente, qual, conteríamos nosso pulsar
De termos nos óbices de um tempo maior a vicissitude ampla de fazer recrudescer o vento?

Não, pecadores que somos, iríamos para um limbo existencial profundo
Assim, de chofre, qual inferno que o Criador consagra em sua corrente cármica
A que paguemos por dia um dia a mais, e a oração de um justo roga a Ele
Que o fardo de mais um dia não seja mais do que, pobres que somos, podemos suportar...

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