Seria
leviano afirmar que vivemos em uma sociedade que ao menos esboçaria os laivos
libertários para quem quer que fosse, se taxas de população indigente sobrelevam
cada vez mais os campos e as cidades. Haverá, no entanto, possibilidades
majoradas se rompermos certos lacres, se porventura a verdade em dizer algo
ultrapasse as fronteiras, se os meios que nos escravizam, como os celulares
inteligentes forem, como algo de passagem, veículos onde o conhecimento, ao
invés de nos atrelar a modos de comunicação que tangenciam empresas já
sedimentadas e controladoras de sistemas já conexos com a possibilidade única
de expressão humana, dessem a passagem para outras informações, já mais conexas
com coisas mais luminares, aceitando a independência da imprensa alternativa
como coisa ulterior, chamem-na como quiserem: uma carta, um email, ou um
blog... A prisão que se nos impõe os veículos como o smartphone, já não são sem
a conta que nos imporia um sistema onde muitos sequer percebem mais o seu corpo:
vão à academia, puxam seus ferros, treinam seus glúteos, ficam mais fortes,
fazem a sua parte, seu “sexo normal”, ou mesmo suigeneris, fazem seu
papel de bondosas criaturas, leem o evangelho, deixam as substâncias tóxicas
para quem está na berlinda da existência, participam de irmandades que regem a
participação inequívoca, quando já desesperados, e não se dão mais conta do que
é o cárcere que passamos a ter nas mãos nesse estranho objeto do desejo de
consumo, sejamos as crianças do futuro ou, já velhos e “mediados por tecnologia”...
Conforme
Jung, há pessoas que não sentem mais nada, que não percebem sequer seu entorno,
que não são conscientes mais de si, que vão vivenciar no sonho aquilo que já
não vivem mais sequer e, qual tal autômatos, acabam por fazer volatilizar no
seu próprio eu um pressuposto de não poderem mais ser o que de fato gostariam,
em essência. Obviamente, na época desse médico, não havia o celular nem os
computadores, tais quais os conhecemos, e na realidade, hoje o que nos aproximaria
está nos afastando cada vez mais de uma vida sensível e humana, impondo
grilhões que não estão nos aproximando, mas tornando um mundo como que em uma
aldeia, onde todos estão amarrados através dos gadgets por esses citados “grilhões.”
É a ciência da computação, meus camaradas de antanho, que veio de roldão, como
que tornar um objeto mais importante do que o próprio ser, personificando uma
coisa na existência espiritual eletrônica, a nova modalidade religiosa do homem
contemporâneo... Não há mais como nos afastarmos dessa realidade, e a
coisificação matou Deus, assim como foi concebido por Jesus Cristo: o sal da
Terra. Navegamos por esferas de sofrimento atroz no planeta, e tudo isso foi
criado pelo homem, não fruto da intervenção divina, mas por uma indústria que
visa o lucro, e que há por trás os braços de famílias e grupos farisaicos que
retornam para matar não apenas a memória do Salvador, mas todo o rastro daqueles
que ainda pensam em uma sociedade mais justa sobre o planeta: mais equitativa,
mais socialmente solidária e com intenção de distribuição das riquezas mais equânime.
Conforme
citado no Primeiro Canto do Bhagavatam, precisamos nos dar conta da necessidade
no mundo de adotarmos o princípio do Comunismo Espiritual, conforme está
escrito nesse Purana Imaculado. Se os povos não transcenderem aquilo que há
para se transcender, se a espiritualidade não vingar, estaremos nas mãos de
famílias como os Rotchilds, nas mãos de gente como Zuckerberg, ou mesmo de
ditadores, como Trump e companhia, que fazem a ditadura contra o mundo, bem
entendido.
Conforme
dados chineses, o número de blogs na China vêm crescendo e somavam já em 2005
mais de 36,82 milhões em 658 sites. De acordo com o livro “China Contemporânea”,
de Thierry Sanjuan: “Alguns veem o blog como o progresso tecnológico definitivo,
que vai permitir ao vigiado chinês tornar-se cidadão completo e libertar-se do
controle político e da censura.” Esse é um lado de possível libertação do
pensamento, mesmo que estejamos atrelados ao celular, o blog é uma forma mais
rápida de passarmos impressões por vezes cotidianas, pensamentos, projeções
pessoais, algo de vida que se nos pulse, certamente muito mais efetivo do que
dependermos das redes sociais padrões, como o face, o instagram ou similares,
aqui no Ocidente, como espelhamento do que vem acontecendo com a maior parte
das pessoas que sequer se dão ao luxo de tentar alimentar algo, já alimentando
de outra forma, quiçá apenas seu próprio ego, quando quer obter feedbacks como
o like, ou coisa que o valha. Mesmo sabendo que a versão de alguém mais propícia
(isso quando se usa esse termo leviano, como se fôssemos versões de sistemas
informacionais, ou atualizações de nossa própria ilusão) seja a sua própria em
que nascera, sem mais no que acrescentar, o que fazemos com a parafernália dos
retoques de nossa imagem, em todos os sentidos, nada mais é do que a própria
escravidão do ego que supõe sermos aquilo que jamais seremos, senão a projeção
do que supomos sermos mais do que efetivamente nos apresentamos diante de um
espelho diário onde nos vemos, sozinhos, perante a nossa imagem mais
verdadeira.
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