segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

O CÁRCERE DOS SMARTPHONES NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA


                Seria leviano afirmar que vivemos em uma sociedade que ao menos esboçaria os laivos libertários para quem quer que fosse, se taxas de população indigente sobrelevam cada vez mais os campos e as cidades. Haverá, no entanto, possibilidades majoradas se rompermos certos lacres, se porventura a verdade em dizer algo ultrapasse as fronteiras, se os meios que nos escravizam, como os celulares inteligentes forem, como algo de passagem, veículos onde o conhecimento, ao invés de nos atrelar a modos de comunicação que tangenciam empresas já sedimentadas e controladoras de sistemas já conexos com a possibilidade única de expressão humana, dessem a passagem para outras informações, já mais conexas com coisas mais luminares, aceitando a independência da imprensa alternativa como coisa ulterior, chamem-na como quiserem: uma carta, um email, ou um blog... A prisão que se nos impõe os veículos como o smartphone, já não são sem a conta que nos imporia um sistema onde muitos sequer percebem mais o seu corpo: vão à academia, puxam seus ferros, treinam seus glúteos, ficam mais fortes, fazem a sua parte, seu “sexo normal”, ou mesmo suigeneris, fazem seu papel de bondosas criaturas, leem o evangelho, deixam as substâncias tóxicas para quem está na berlinda da existência, participam de irmandades que regem a participação inequívoca, quando já desesperados, e não se dão mais conta do que é o cárcere que passamos a ter nas mãos nesse estranho objeto do desejo de consumo, sejamos as crianças do futuro ou, já velhos e “mediados por tecnologia”...

                Conforme Jung, há pessoas que não sentem mais nada, que não percebem sequer seu entorno, que não são conscientes mais de si, que vão vivenciar no sonho aquilo que já não vivem mais sequer e, qual tal autômatos, acabam por fazer volatilizar no seu próprio eu um pressuposto de não poderem mais ser o que de fato gostariam, em essência. Obviamente, na época desse médico, não havia o celular nem os computadores, tais quais os conhecemos, e na realidade, hoje o que nos aproximaria está nos afastando cada vez mais de uma vida sensível e humana, impondo grilhões que não estão nos aproximando, mas tornando um mundo como que em uma aldeia, onde todos estão amarrados através dos gadgets por esses citados “grilhões.” É a ciência da computação, meus camaradas de antanho, que veio de roldão, como que tornar um objeto mais importante do que o próprio ser, personificando uma coisa na existência espiritual eletrônica, a nova modalidade religiosa do homem contemporâneo... Não há mais como nos afastarmos dessa realidade, e a coisificação matou Deus, assim como foi concebido por Jesus Cristo: o sal da Terra. Navegamos por esferas de sofrimento atroz no planeta, e tudo isso foi criado pelo homem, não fruto da intervenção divina, mas por uma indústria que visa o lucro, e que há por trás os braços de famílias e grupos farisaicos que retornam para matar não apenas a memória do Salvador, mas todo o rastro daqueles que ainda pensam em uma sociedade mais justa sobre o planeta: mais equitativa, mais socialmente solidária e com intenção de distribuição das riquezas mais equânime.

                Conforme citado no Primeiro Canto do Bhagavatam, precisamos nos dar conta da necessidade no mundo de adotarmos o princípio do Comunismo Espiritual, conforme está escrito nesse Purana Imaculado. Se os povos não transcenderem aquilo que há para se transcender, se a espiritualidade não vingar, estaremos nas mãos de famílias como os Rotchilds, nas mãos de gente como Zuckerberg, ou mesmo de ditadores, como Trump e companhia, que fazem a ditadura contra o mundo, bem entendido.

                Conforme dados chineses, o número de blogs na China vêm crescendo e somavam já em 2005 mais de 36,82 milhões em 658 sites. De acordo com o livro “China Contemporânea”, de Thierry Sanjuan: “Alguns veem o blog como o progresso tecnológico definitivo, que vai permitir ao vigiado chinês tornar-se cidadão completo e libertar-se do controle político e da censura.” Esse é um lado de possível libertação do pensamento, mesmo que estejamos atrelados ao celular, o blog é uma forma mais rápida de passarmos impressões por vezes cotidianas, pensamentos, projeções pessoais, algo de vida que se nos pulse, certamente muito mais efetivo do que dependermos das redes sociais padrões, como o face, o instagram ou similares, aqui no Ocidente, como espelhamento do que vem acontecendo com a maior parte das pessoas que sequer se dão ao luxo de tentar alimentar algo, já alimentando de outra forma, quiçá apenas seu próprio ego, quando quer obter feedbacks como o like, ou coisa que o valha. Mesmo sabendo que a versão de alguém mais propícia (isso quando se usa esse termo leviano, como se fôssemos versões de sistemas informacionais, ou atualizações de nossa própria ilusão) seja a sua própria em que nascera, sem mais no que acrescentar, o que fazemos com a parafernália dos retoques de nossa imagem, em todos os sentidos, nada mais é do que a própria escravidão do ego que supõe sermos aquilo que jamais seremos, senão a projeção do que supomos sermos mais do que efetivamente nos apresentamos diante de um espelho diário onde nos vemos, sozinhos, perante a nossa imagem mais verdadeira.

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